Operação Cupido
1 Trato
Notas iniciais
Hello pessoal! Estou pensando em postar essa história também no wattpad, então me falem o que acham! Aqui está o primeiro capítulo da história de João e Laura.
Uma coisa é certa : João Medeiros é um cara bonito.
Não bonito de uma maneira extremamente convencional, como um daqueles caras que a gente vê em propagandas de desodorante. Ele é bonito de uma forma diferente, uma forma muito João de ser.Talvez seja a confiança que emana dele como os raios de luz emanam do sol. Ou o fato de que ele tem duas covinhas, uma de cada lado da bochecha. Ou que as sardas dele ficam mais evidentes sob sua pele bronzeada, no verão. Mas a beleza nada convencional dele ainda está lá , brilhando como uma estrela em um céu obscuro.É isso que se passa na minha cabeça quando eu o vejo parado como um espantalho no meio do meu quintal, segurando um all star velho na mão.Claro, ele só tem um all star porque acabou de jogar o outro pela minha janela.— Que merda é essa?—pergunto, erguendo o all star encardido que acabou de pousar na minha bancada. João e eu devemos ter nos falado três vezes durante toda a minha vida escolar. Não temos absolutamente nada em comum, exceto o fato de que nossos ex-namorados estão namorando um ao outro, o que torna nossa possibilidade de contato ainda menor do que o normal.Ele pisca para mim, os olhos castanhos reluzindo sob a luz da manhã.— Temos que conversar!— grita, colocando as mãos ao redor da boca.Franzo a testa. Desde quando tenho algo para conversar com o garoto mais popular do Colégio? Talvez eu esteja presa em uma espécie de delírio mental.—Por que?—grito de volta, ainda segurando o tênis sujo pelos cadarços.João não responde. Ele simplesmente acena freneticamente com mão.Dou um suspiro fraco. Esse é provavelmente o domingo mais estranho que já vivi. Não sei o que é mais absurdo : ser acordada por um ténis voador, ou encontrar um garoto bonito no meu quintal as dez da manhã. Não faço a mínima ideia de como ele conseguiu meu endereço ou o que diabos quer conversar com comigo. Mas como minha própria mãe diz, a curiosidade é o meu pior defeito, e eu sei que se ela não for saciada, me atormentará pelo resto do ano letivo.Desço as escadas com apreensão. Graças a Deus meus pais foram passar o fim de semana na casa da minha tia. Se algum deles soubesse que um garoto tinha jogado um sapato pela janela do meu quarto, com certeza seriam os responsáveis por sua morte.Abro a porta da frente e dou a volta em direção ao quintal. Quando era mais nova, ele costumava a ser o meu esconderijo secreto, o lugar onde eu escrevia em meu diário e me escondia das broncas que meus pais me davam quando tirava uma nota vermelha na escola. Sempre que caminho pela grama bem aparada, me sinto um pouco nostálgica.João está virado de costas para mim, as mãos enterradas nos bolsos da calça jeans, e o all star vermelho repousado em um espaço ao seu lado.Arranho a garganta alto o suficiente para chamar sua atenção. Ele vira em minha direção e sinto meu coração dar um salto dentro do meu peito. Esse é o efeito que a beleza de João Medeiros causa sobre as pessoas.—Ora, Ora, Ora—João diz dando passos largos até chegar á poucos metros de mim—Se essa não é a famosa Laura Bitencourt...Mordo o lábio inferior. Eu nem fazia ideia de que ele sequer sabia meu nome, quem diria meu o nome completo.—O que você quer?—pergunto, colocando as mãos na cintura. Ele dá um sorriso, fazendo suas covinhas aparecerem. —Eu quero a mesma coisa que você quer.Isso só pode ser algum tipo de brincadeira de mal gosto. —Você só pode estar brincando—sussurro.O garoto ergue as sobrancelhas para mim.—Ah, é?—Ele pergunta, chegando ainda mais perto—Você por acaso não quer seu namoradinho de volta?As palavras dele me atingem como um tiro no peito. Faz quase dois meses que eu e Eduardo terminamos, mas ainda dói como se fosse ontem. Nada ajuda o fato de que meus sentimentos continuam os mesmos desde o dia em que nos beijamos pela primeira vez.É mais do que ruim ouvir alguém se referir a ela como meu namorado. Depois do fim, parece que não somos mais nada além de estranhos.Sinto meus lábios tremerem involuntariamente.— Ex-namorado—digo, repetindo as palavras que ele mesmo me disse poucos dias atrás.João pisca, parecendo sentir-se culpado, mas sua expressão muda em questão de segundos.—Ele não tem que ser necessariamente um ex-namorado—responde, cruzando os braços.Passo a mão pelo rosto.—O que você quer dizer com isso? Edu está com Melissa...Coloco as mãos sobre a boca, me arrependendo no mesmo instante. Melissa é a ex-namorada de João, e talvez a única garota que tenha terminado com ele em toda sua existência. E pelo que eu tinha escutado, o término não havia sido nada amigável.O rosto dele endurece com a menção do nome dela.—Eu não sou burro, Laura. Sei muito bem disso—diz, a voz afiada como uma faca--Isso não significa que o namoro deles vai durar pra sempre.Balanço a cabeça de um lado para o outro.—Por acaso jogou um sapato pela minha janela para falar isso?—pergunto, sentindo o meu corpo inteiro formigar.
Ele revira os olhos com impaciência.—Lógico que não. Eu joguei um sapato pela sua janela porque é muito mais divertido do que bater a campainha— dá um sorrisinho perverso—E também porque eu queria te fazer uma proposta.De todas as coisas malucas que aconteceram hoje, essa é mais esquisita. —O quê?João esfrega as mãos uma na outra, parecendo estar completamente satisfeito consigo mesmo.—Isso mesmo que ouviu. Quero te fazer uma proposta irrecusável.Eu duvido que qualquer proposta que saia da boca dele possa ser irrecusável.— E que tipo de proposta é essa?Minha curiosidade ataca de novo. Embora eu tenha quase certeza de que não vou aceitar qualquer coisa que ele proponha, não posso esperar para ouvir o que tem a dizer.—Quero que você aceite ser minha namorada.Eu quase caio para trás. Isso não pode ser real. Talvez eu tenha morrido ou acabado em outra dimensão, mas isso não pode estar acontecendo nem aqui nem lá na China.Os olhos castanhos dele me encaram com expectativa. Talvez o término com Melissa tenha arrancado alguns neurônios da sua cabeça, ou o colocado em um estado de colapso. Essa é a única explicação para estar pedindo uma garota – com a qual conversou três vezes na vida—em namoro no meio do quintal da casa dela.Encosto minhas mãos sobre seu rosto.—Você está louco? Pirado? Usando algum tipo de drogas alucinógenas?João dá uma gargalhada alta.—A maioria das garotas e garotos que conheço estaria chorando de alegria nesse momento—diz—E você me pergunta se eu estou usando drogas? Laura Bitencourt , você não é desse mundo.Nem um pouco convencido, penso, me afastando novamente.—Você está pedindo para que uma garota que mal conhece para ser sua namorada—respondo—Você que é de outro mundo, não eu.O sorriso não abandona seu rosto, pelo contrario, ele cresce ainda mais.— Não estou falando para ser minha namorada de verdade—fala—Estou pedindo que seja minha namorada de mentirinha.Acho que meu cérebro vai realmente explodir.—Namorada de mentirinha? Por que você iria querer isso?Ele estala os dedos da mão.—Porque talvez se namorarmos tempo suficiente, possamos fazer com que Melissa e Eduardo morram de ciúmes e terminem a relação. Franzo a testa, tentando acompanhar seu raciocínio ridículo.—Não me olhe assim. Eu duvido que nenhum dos dois não sinta nenhum pouco do que costumavam a sentir por nós—ele morde os lábios exageradamente rosados—Dois meses não é o suficiente para esquecer completamente alguém.Acho que essa é a primeira vez que o vejo falar sobre algo que não seja ele mesmo. —Como faríamos isso?Eu odeio estar considerando a possibilidade de seguir um plano maluco desses. Só que o pensamento de ter Eduardo próximo a mim novamente faz meu coração estremecer com esperança. Eu estraguei nosso relacionamento, e não tem nenhum dia em que a culpa não me corroa por inteiro.—Eu sabia que você iria topar.Reviro os olhos.—Eu não disse que aceito— falo, passando o peso de um pé para o outro—Perguntei como vamos fazer isso.—É praticamente a mesma coisa—Medeiros.Ele dá um suspiro, claramente irritado. —É bem simples, Laurita—diz ele, ignorando minha cara de desagrado diante do apelido—Fazemos todas as coisas que um casal faz. Nos sentamos juntos no intervalo, andamos de mãos dadas pelo corredor, trocamos bilhetinhos durante o quarto horário, eu te acompanho até em casa... Você vai aos meus jogos de futebol...—ele dá de ombros—E o mais importante, nos beijamos em qualquer lugar público.Praticamente engasgo com a minha própria saliva. Beijá-lo? Beijar o garoto pelo qual metade da sala é apaixonada? Não me leve a mal, a única boca que eu realmente quero grudada na minha é a de Edu, mas, mas isso não significa que os lábios de João não pareçam um ótimo lugar para encaixar os meus. Pelo menos por enquanto.A ideia de namorá-lo é completamente e irrefutavelmente absurda em mais níveis do que eu posso dizer. Entretanto, pensar em como toda a escola ficaria ao me ver andando de mãos dadas com o astro do time de futebol era extremamente empolgante.Sem falar que ver Melissa engolir o próprio veneno seria mais do que gratificante.—E então?Contenho a vontade de roer as unhas. Por um lado, isso me parece uma daquelas decisões horríveis que sei que vou me arrepender pelo resto da vida, mas por outro, parece ser um ótimo caminho para reconquistar o cara que amo.—Você tem uma moeda?—pergunto.Pela primeira vez durante toda nossa conversa, João parece confuso.—O que?—Moeda—repito—Você tem uma?Ele vasculha os bolsos, ainda me olhando como se eu fosse uma pessoa louca. —Aqui—ele me estendendo uma moeda de cinco centavos. Giro a moeda em minhas mãos.—Cara ou coroa?O rosto dele murcha. — Não me diz que você...—Cara ou coroa, ou essa conversa acaba aqui.Ele dá um gemido baixo.—Cara.Jogo a moeda para cima, sentindo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem quando ela volta para minha mão.Olho para mesma. Meu coração está sambando como uma escola de samba.—Cara—sussurro para ele.É como se eu tivesse acabado de dizer que ele tinha ganhado a loteria. O sorriso do garoto chega a ser ainda mais brilhante que o sol. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele me agarra com os braços musculosos, e me gira de um lado para o outro, quase como se eu fosse uma boneca de pano.O aperto dele sobre o meu corpo é esmagador e estranhamente confortante. Posso sentir o cheiro de alguma colônia masculina envolver as minhas narinas, e acho que poderia realmente me acostumar com isso.Quando João me coloca de volta ao chão, eu ainda me sinto um pouco zonza. Não sei se é por causa dos giros, ou pelo fato de que suas mãos ainda estão em minha cintura.—Isso é ótimo—ele arfa—Temos que colocar o plano em ação amanhã—tão perto assim, posso ver as sardas em seu rosto—Também precisamos estabelecer algumas regras.Tento fazer com que meu cérebro volte a funcionar normalmente.—Que regras?Ele ergue os lábios.— Nada muito difícil. No momento em que percebermos que Eduardo e Melissa estão comendo em nossas mãos, terminamos—Ele dá de ombros—E...—E?—Precisamos fazer uma promessa—sussurra—Não podemos, em circunstância alguma, desenvolver sentimentos um pelo outro. Não consigo conter a risada que sai pela minha garganta. Mal posso acreditar que ele pense que isso poder chegar a acontecer.—Me apaixonarei por ti no dia que o inverno congelar—respondo, ainda ciente do seu corpo exageradamente próximo ao meu.Ele tira as mãos da minha cintura, dando uma risadinha baixa.— O mesmo vale para você, Laurita.—Ótimo.—Ótimo.Mexo meus pés, desconfortável pelo silêncio longo que se segue. Então, estendo o all star vermelho em sua direção.João balança a cabeça em negação.—Prefiro que fique contigo—diz—Será um símbolo do nosso trato. Faço uma careta. Não tenho ideia de onde vou guardar um sapato impregnado com o chulé de um menino.—Como conseguiu meu endereço?O vejo retirar o outro tênis da grama, e percebo pela que esse tempo todo ele esteve somente de meias.—Tenho contatos.Então ele calça o sapato. Me forço a não rir da situação.—Me encontre na sala de música, amanhã no intervalo. Vamos iniciar o plano.—OkEntão João Medeiros se inclina e tasca um beijo na minha bochecha.—Nos vemos amanhã.Eu não respondo, mal consigo articular palavras quando ele se vira e desaparece lentamente pela minha rua. Segunda -feira estarei namorando o meu oposto. E iniciando o plano para reconquistar meu ex-namorado. Talvez essa seja a coisa mais emocionante que já aconteceu nos 17 anos que passei nessa Terra.
Notas finais
Me digam o que acharam do capítulo, galera!
Xoxo
Fale com o autor