Opera Paris

40 2ª Fase: Capítulo 38 - The Strong Never Dies


Capitulo 03 – The strong never dies.

A força nunca more.

Madeline acompanhara Isabella para seus aposentos. O quarto separado para a dama era um quarto de hóspedes que ficava ao final de um corredor longo, com portas duplas brancas, de maçanetas douradas e entalhadas. Ela olhou para as portas e imaginou que estariam trancadas, gostaria muito de saber o que estavam por trás delas. Os quartos dos condes, muito provável.

— Este é o quarto, senhorita. – A criada anunciou, abrindo a porta dupla.

O quarto era amplo e muito iluminado. As paredes eram pintadas num tom palha e havia detalhes com estampas florais, nas poltronas e nas cadeiras de encosto alto. A cama era o tipo king size, com um dossel alto; no canto havia um grande guarda-roupa de madeira clara, onde em uma das portas havia uma passagem para o banheiro, também amplo, com uma grande tina e torneiras douradas, ao invés da comum torneira de cobre e estanho, presente nas casas mais simples.

As janelas laterais do grande quarto encontravam-se abertas, onde uma delicada brisa entrava. Isabella adentrou o quarto e olhou em volta. Percebera que suas coisas já haviam sido arrumadas no grande armário e que havia uma tina com água quente a sua espera. Madeline entrou e encostou a porta.

— A senhora Judith mandou que deixassem a tina á sua espera. – Ela falou.

- Obrigada, Madeline, é muita gentileza. – Isabella entrara no banheiro e sentiu um bafo morno, que cheirava a eucalipto e ervas medicinais.

- É preciso que as janelas frontais fiquem sempre fechadas. Monsieur Gerárd instruiu. Mas as laterais podem ser abertas sempre. E os jardins não podem ser limpos, porque temos que ser discretos.

- Entendo perfeitamente. – A bailarina agradeceu. – Pode me ajudar com o vestido? Eu gostaria de ficar apenas com uma combinação.

Madeline assentiu. Isabella virou-se e ela desatou os laços das fitas, afrouxou o espartilho, que ela retirou prontamente. Ainda atrás, a criada desatou um laço fino de cetim, desabotoou todos os botões e ajudou Isabella a retirar o vestido lentamente. Como ela estava debilitada, não usava as costumeiras ancas, nem laterais e nem traseiras*. No corpo dela restou apenas a combinação, um jogo de três camadas bem fluidas de tecido branco e renda de mesma cor; Isabella caminhou para a tina e despiu-se, antes de entrar.

A água quente era reconfortante, fazia com que ela esquecesse a dor constante sob a qual vivia ultimamente. Através da água, observou a cicatriz em seu abdômen; ainda era rósea, quase vermelha; necessitava de constantes curativos e muito cuidado na movimentação do corpo, pois a sutura interna poderia soltar antes do tempo. Fazer exercícios de dança não era adequado, então não faria com grande freqüência.

Quando saiu da tina, chamou por Madeline, que a ajudou a envolver-se num grande roupão felpudo, de cor marfim. Ela secou-se lentamente e esperou que a criada a ajudasse a vestir sua combinação novamente.

— Senhorita, deixei a cama preparada. Voltarei a lhe acordar quando for hora do jantar. – Adelitta respondera, ao afofar o travesseiro.

- Obrigada, Adelitta. Por favor, feche a janela. – Ela pediu ao sentir uma brisa fria.

A ex-prima bellerina do Opera Populaire sentia-se como uma engrenagem velha, que rangia. Era deprimente estar daquele jeito, dependente de outras pessoas, sem movimento, sem sua agilidade e sua voz. E principalmente, sem Edward.

Adelitta acompanhava Madeline pelo interior da mansão. Ela nunca tinha estado numa residência tão grande como aquela. A criada dos Cullen descia as escadas e adentrava a uma parte que ficava localizada nos fundos, haviam quartos menores, porém bem mobiliados, onde os funcionários dos Condes residiam.

— Este é seu quarto. – Madeline abriu uma porta branca. – O meu fica logo ali, — Apontou. – se precisar de algo é só avisar.

- Obrigada. Vou ficar de prontidão caso a senhorita Swan acorde. – Ela comentou.

Longe dali, em Beauvois, uma cidade francesa da província de Picardie, Esme Cullen esperava pacientemente em sua carruagem. Seu criado estava sentado á sua frente, apreciando a paisagem francesa, enquanto sua senhora lia algo em um livro.

— Talvez um dia, senhora Cullen. – Ele comentou. – Estamos em...

- Beauvois. – Ela desviou os olhos do livro para o criado. – Cidade e Beauvois.

- É, eu ainda não estou acostumado com tantos nomes franceses. – Ele desculpou-se. – vamos usar uma entrada á nordeste de Paris, indo em direção á Mansão Cullen.

- O caminho de Versailles é mais seguro. Por acaso está sitiado?

- Sim, milady. Versalhes está tomada por comunas e como Nesta região não é comum alguns nobres residirem...

- Compreendo.

Esme voltou seus olhos para o livro, uma obra de algum autor desconhecido inglês, que ela adorava. Ela estava impaciente e mal pregava os olhos, em alguns momentos, recostava-se sobre o banco e fechava os olhos por alguns minutos, imaginando que aquele pesadelo não estava acontecendo, que sua família não estava separada. Noutras horas, ela observava seu jovem criado dormir profundamente sob a luz do luar. Era um homem jovem, de plenos vinte e cinco anos, que entrara para a equipe de serviçais da família Cullen, ao ser achado vagando pelas terras ermas da família.

Assim que a noite caiu, não estrelada, mas num céu coberto de nuvens espessas de fumaça – por conta das queimadas recentes – e de poeira, Adelitta subiu novamente as escadas do corredor principal da mansão e abriu lenta e silenciosamente a porta do quarto em que sua senhora dormia. Isabella encontrava-se já acordada, em pé, observando a propriedade pela janela lateral.

- Senhorita, o jantar estará servido em alguns minutos. – Adelitta anunciou.

- Obrigada, Adelitta. Pode me ajudar com o robe?

Isabella odiava estar tão dependente de algum criado, ela detestava dar qualquer tipo de trabalho e ter que ficar sendo auxiliada toda vez que fazia qualquer tipo de coisa. Ela nunca fora assim, sempre tivera que batalhar para conseguir seu lugar como uma das primeiras bailarinas do coro do Opera, que por si só, já era uma grande luta; e agora não podia ao menos cantar.

Quando desceu, ao invés de ser levada para a costumeira sala de jantar, Adelitta guiou-a para a sala de estar, onde havia uma mesa redonda, com pés em formato curvilíneo e com ligeiros entalhes nas arestas. Uma toalha branca, longa, cobria a mesa redonda; um conjunto de louças de porcelana já estavam á postos e talheres de prata esperavam-na para serem usados no singelo jantar. Á porta da sala de jantar, uma senhora de meia idade, robusta, mas de aparência bem cuidada, esperava-a.

— Bon soir, madame. – Ela disse com um leve sotaque. Italino, a bailarina constatou. – Sou Germanna, a cozinheira.

- Bon soir, Germanna. Merci pelo jantar. – Ela agradeceu.

- Io fico mui contente que a signorinna tenha vindo para cá. Fiz um bom caldo com legumes e carne de caça, mui nutritivo, forte. Está caro ficar trazendo mariscos e frustos do mar dos portos. – Ela informara.

- Não se preocupe, vamos reduzir gastos. – Isabella sorriu. – O cheiro está ótimo!

Germanna deixou Isabella sozinha na sala de estar, enquanto voltava para a cozinha, onde verificava o creme chantily que tinha preparado para os morangos e frutas silvestres. Gerárd, que sempre estava presente, apareceu na sala de estar, enquanto Isabella tomava o caldo nutritivo.

— Tomei a liberdade de deixar a sala de música aberta á senhorita. – Ele anunciou.

- Não sabia que tinha uma sala deste tipo aqui.

- Termine o jantar e depois a mostrarei. Creio que gostará da surpresa. – Ele sorriu.

- O que acha que aconteceu com todos eles, Gerárd? – Isabella indagou, de repente, ao mordomo.

- Não sei, senhorita. Espero saber em breve. – Ele respondeu.

Em algum lugar da França, ao sul e um pouco mais a leste, na região de Bourgogne, um casal chegava a uma hospedaria. Os habitantes da cidade de Djon estavam afoitos; não por conta dos acontecimentos recentes, que acometiam a capital francesa, mas devido ao grande número de viajantes que chegavam á cidade, alguns eram fugitivos e outros feridos que precisavam deixar o centro do país.

O casal chegava numa carruagem simples, o homem desceu primeiro e ajudou a dama a descer. Não havia cocheiro, ele mesmo estava guiando os cavalos. Assim que ele foi auxiliar a jovem, um homem que estava á porta da hospedaria tratou de levar a carruagem para os fundos do lugar.

O pequeno hotel era simples, tinha a aparência de uma casa comum e não havia todos os requintes que havia na casa das famílias mais nobres. Entretanto, como os estabelecimentos com leitos disponíveis estavam se tornando escassos, até os nobres que possuíam mais títulos estavam aceitando hospedaria como estas.

— Um quarto, por favor. – O Homem pediu.

- Tenho apenas esse quarto disponível, caro senhor. – A senhora recepcionista falou. – É com leito para casal. Mas possui um pequeno sofá, caso o senhor queira dormir nele e deixar a cama para a senhorita. – Ela acrescentou.

- Senhoria muita gentileza, senhora, obrigado. – Ele agradeceu, deixou algumas notas no balcão e subiu para o quarto carregando a dama.

Quando o auxiliar da recepcionista abriu a porta, o homem entrou e colocou a dama sobre a cama. Ela deitou-se e suspirou. Sua escoriações ardiam e dois ferimentos mais graves doíam demasiadamente. Ela estava ligeiramente pálida e com olheiras, pois havia viajado durante três noites e três dias, que passaram lentamente.

— Está tudo bem, com a senhorita?

- Sim, nunca havia me machucado tanto. – Ela murmurou.

- Preciso trocar seus curativos, pelo menos até chegarmos á nosso destino. – O homem puxou as cortinas brancas para fechar a janela e entrou no banheiro, para deixar a tina encher de água quente.

- Onde estamos indo, Jasper? – Alice perguntou baixo.

- Minha família tem terras aqui. Uma casa singela na vinícola.

- Precisamos voltar! – Ela exclamou de repente, após alguns minutos de silêncio. – Bella está sozinha, Jasper! Eu vi, eu vi, teu irmão fugiu e a deixou daquele jeito! Isabella, minha irmã, melhor amiga, estava ferida e ele a deixou!

Alice postou-se em prantos. Suas lágrimas corriam pela face miúda e seus olhos ficavam avermelhados, era difícil lembrar e tentar entender o que havia acontecido, era difícil acreditar que a vida poderia mudar assim.

— Somente meu irmão poderá responder pelos seus atos e a estas perguntas, senhorita Brandon. – Alice encarou a resposta do Conde. – Entretanto, não sei onde ele se encontra.

Jasper cruzou os braços e ficou ereto em frente a janela. Sua mente voava tanto quanto podia, tentando imaginar o que havia acontecido naquela noite, alguns dias atrás. Ele sabia que muitas coisas não poderiam ser respondidas prontamente, mas mesmo assim esperava poder respondê-las, de qualquer jeito.

— Bella estava certa o tempo todo. – Alice dissera. – Vocês três possuem segredos obscuros demais. Não sei se é bom ou ruim.

- Prometo-lhe, do fundo de minha alma que irei responder a todas as suas dúvidas, entretanto precisamos trocar seus curativos e chegar vivos até a vinícola. – Ele ajoelhou-se a beira da cama e colocou as mãos dela nas suas. Os olhos dourados do jovem conde eram profundos e pareciam emitir algum tipo de aviso, que Alice estava ignorando.

- Eu só não quero que meus sentimentos por vossa pessoa mudem. – Ela disse baixo.

- Também não quero que aconteça, mas caberá a senhorita decidir quando for a hora certa. – ele dissera um tanto sombrio. – Por favor, deixe-me cuidar dos seus curativos.

O Conde pegou uma maleta que fora deixada por um criado da pensão, retirou algumas bandagens e um vidro com um liquido esbranquiçado. Alice entrara na banheira de água quente e deixara escapar um suspiro de dor, quando as partes que estavam machucadas entraram em contato com a água. Ela alisou sua pele pálida, com escoriações e pensou em Isabella, em como ela poderia estar.

Quando saiu da tina, enrolou-se numa toalha felpuda, enxugou calmamente todo o seu corpo e então vestiu trajes íntimos e um robe por cima. Jasper a esperava com os curativos preparados.

Alice deitou-se de bruços na cama e o jovem Conde tirou o robe até o meio de suas costas. As escoriações eram várias, arranhados e cortes um pouco mais profundos iam desde a base de suas costas até o topo, próximo á nuca. Conforme ele passava um pano umedecido com leite de papoula, Alice gemia baixo.

— Não vai demorar, mas vai ficar uma cicatriz aqui. – Ele murmurou, passando o pano branco nas costas dela e lateralmente. – Vire-se por favor.

Alice levantou-se devagar, segurou o robe sobre os seios e deixou que a outra parte ficasse exposta. Jasper tornou a passar o medicamento sobre a pele avermelhada. Quando terminou, ela fechou o robe e ele sentou-se na cama.

- Vai ficar uma cicatriz bem proeminente, Alice. – Ele falou baixo.

- Marcas de guerra. – Ela riu.

Jasper deixara Alice dormindo na cama de casal, mesmo depois de ouvir as insistências da parte dela, para que ele ao menos, dormisse ao seu lado, sem tocá-la. Ainda sim, o conde recusou e deitou-se no sofá, trajando apenas uma camisa e calças de algodão branco. Ele não dormiu, passara a noite tem claro, olhando para o teto do quarto simples e imaginando em que encrenca eles estavam metidos.

Na manhã seguinte, o leite de papoula já fizera seu efeito e ajudara Alice locomover-se com mais facilidade. Segundo o Conde, eles iriam percorrer mais duas ou três horas de carruagem, até a vinícola da família.

A paisagem era um misto de verdes, escuros e claros, com pinceladas um tons arroxeados escuros; era possível visualizar alguns trabalhadores camponeses espalhados pelos campos. As uvas eram colhidas manualmente e postas numa grande cesta. Alice estava encostada e observando atentamente; bem distante, vislumbrou um chateâu branco e alto, bem no topo da colina, com poucas árvores em volta.

Mais ao norte, conforme iam adentrando a propriedade das vinícolas Cullen, Alice observava um tipo de uva que parecia requerer muito mais cuidado que a anterior. Havia mais homens trabalhando e os cachos eram negros como a noite.

— Essa é a safra especial da família, fez nossa fortuna há anos. – Ele comentou.

- Que tipo de safra? – Ela arregalou os olhos de curiosidade. Algo tilintou dentro de Alice.

- Esse vinho é muito mais encorpado que um vinho de uva normal. É mais escuro e tem um aroma diferente. – Respondeu o conde.

- Porque acha que vindo aqui estaremos mais seguros e saberemos o que aconteceu com seu irmão?

- Primeiro, porque estaremos mais seguros. – Ele mostrou os muros altos que rodeavam toda a propriedade e os animais que ficavam soltos. – E segundo porque aqui teremos acesso á notícias que, por algum motivo, não chegaram aos meus ouvidos em Paris.

- Que notícias seriam estas, Jasper?

- Gostaria de saber também, senhorita. – Respondeu ele.

O sol, embora encoberto por uma espessa camada de nuvens cinzentas e negras, estava nascendo. Seu brilho refletia fraco por entre as nuvens e uma brisa estranha e fria começava a percorrer a cidade. Os comunas da Assémbléia Nacional estavam cada vez mais irritados com as façanhas do imperador, e as pessoas temiam que outra grande revolta estourasse. Como se não bastasse os eventos que ocorriam em Paris e Versalhes, a Espanha também enfrentava seus próprios problemas.

A certo tempo atrás, quando ainda não se tinha idéia de que os Comunas iriam tomar o poder, alguns rebeldes começavam os ataques á realeza espanhola. E os problemas não terminavam por aí, a Espanha, temendo uma reação violenta maior por parte da população, que apenas queria proteção de seu soberano, havia feito um acordo com o Imperador Napoleão III.

O tratado gerou mais revolta. Os rebeldes aliaram-se aos comunas parisienses.

Esme Cullen estava nos arredores de Paris, a espera de seu criado, quando soube por meio do cocheiro, que ele havia ido obter mais informações sobre as tão faladas revoltas francesas. Quando o criado voltara do centro da cidade para encontrar sua senhora, ele relatara o que acabara de escutar dos camponeses.

— Dizem que os campos são a melhor opção, Senhora. – Ele comentou, ajeitando o chapéu de palha que havia pego. – Tem certeza que quer tentar entrar na cidade?

- Vamos para a Mansão. Dê a volta. Tenho certeza que Gerárd tomou as providencias necessárias neste momento. – Ela deduziu, voltando ao seu lugar frente ao criado na carruagem.

A carruagem da Lady Cullen encontrava-se a norte de Paris, percorrendo rapidamente o caminho até a cidade. Não tardaria muito até que ela visse os primeiros sinais dos campos e das mansões francesas, porém, conforme o dia avançava, as estradas sempre ficavam mais perigosas para uma dama e dois serviçais viajarem.

As árvores crescidas em volta da estrada formavam um corredor escuro, alto e verde, que com a falta de iluminação solar, ficava ainda mais banhado por sombras. O som das patas dos cavalos eram os únicos que podiam ser ouvidos naquele fim de tarde, juntamente com o coaxar de algum sapo ou o som de algum bater de asas de corujas ou morcegos.

— Alto lá! – Um homem de capa negra ergueu uma mão e fez sinal para que o cocheiro de Lady Cullen parasse. – Quem passa?

Esme fez um breve aceno de cabeça ao seu serviçal para que ele falasse.

— Estou a serviço da Condessa Cullen, ela ordena que lhe abram caminho.

- Ninguém ordena ninguém, caro senhor. – O homem debochou. – Paris virou terra de ninguém! E lordes e ladys não são bem vindos.

- Sinto muito, monsieur. – Esme disse num voz baixa e gentil. – Estou apenas indo a socorro de minha nora. – A condessa sibilou sem mostrar seu rosto, enquanto o serviçal estava prostrado em frente a porta da carruagem.

- Não permito que lordes ultrapassem este caminho, milady. Fico surpreso da senhora conhecê-lo. – Ele debochou rindo, porém engoliu seco ao sentir uma lâmina fria em seu pescoço.

- E eu devo ficar surpresa se encontrarem seu cadáver no meio da estrada? – Ela ergueu uma sobrancelha. – Deixe-me passar, ou vou fazer com que o signor se arrependa por ter entrado em meu caminho.

O homem engoliu seco. Ele sabia que deveria temer aquela formosa dama com uma lamina espetando seu pescoço, mas mesmo assim, seus instintos o fizeram puxar a espada da bainha e derrubar a adaga de prata que ela segurava. Seu sangue fervia e a adrenalina o fazia tremer de excitação... Ou de medo.

O criado da senhora Cullen retirou seu florete da bainha e, num movimento circular, conseguira impedir que o homem avançasse. Ele agarrou o pescoço do guarda e o apertou, até sentir seus dedos formigarem; sem pestanejar, num movimento ágil, empurrou para frente, fazendo com que ele caísse de bruços na carruagem. Minutos mais tarde, o corpo do guarda era jogado numa vala na estrada e a carruagem seguia seu caminho.

Isabella levantou-se pela manhã estranhando não estar sentindo tantas dores. Resolveu que iria tentar algo novo. Então, após o desjejum matinal, percorreu os corredores brancos e luxuosos da mansão Cullen até chegar á sala de música. Não havia criados por ali e a porta estava entreaberta.

Dentro do grande aposento havia um piano de cauda negro e brilhante, contrastando com todos os moveis claros e dourados. Quando observou atentamente o ambiente, percebeu que espelhos e barras de ferro haviam sido colocados numa parede, tornando aquele lugar propício para o que pretendia fazer.

— vamos ver se um pouco de luz ajuda. – Ela murmurou para si mesma, quando abriu as cortinas e empurrou as janelas.

Uma brisa fresca soprou e levou o cheiro de poeira embora. Bella sorriu , foi até o piano e abriu sua tampa, para que o som ecoasse melhor. E ali dentro, onde não esperava, encontrou uma pasta de couro, com uma inscrição: “Wishing you be here.” Quando abriu a pasta, percebeu ser a partitura de uma nova música e com o coração palpitando, sentou-se na banqueta do piano e começou a dedilhar.

Wishing You Were Somehow Here Again – Andre Lloyd Weber

http://www.youtube.com/watch?v=74S7EMUAKFs

O coração de Isabella pareceu voltar a bater. Era estranho voltar a tocar sem tê-lo por perto, mas era mais estranho, voltar a tocar e senti-lo ali, sob seus dedos, na forma de notas musicais harmoniosas e perfeitas, que ultrapassavam seus tímpanos e enchiam sua alma. A nova melodia, trazia seu Edward á tona, ao mesmo tempo em que trazia um entendimento sobre a pessoa que a compôs, sobre ele mesmo.

Isabella sempre acreditara, durante toda a sua vida, que a música tinha um certo poder, que ela poderia acabar com a tristeza e dar alegria, trazer o amor e a vida de volta. Ela só havia sentido isso uma vez e foi quando cantou seu primeiro dueto com o Fantasma da Ópera.

Naquela manhã a casa estava silenciosa. Uma neblina densa cobria os caminhos que rodeavam todo o lugar. Há dias aquele ambiente tem se tornado sombrio e frio.

E enquanto seus dedos percorriam as notas que Edward compusera, Isabella entoou:

Você já foi meu único companheiro. Você era a coisa mais importante. – Sua voz límpida ecoava pela nova sala de música e pela casa. – Você já foi um amigo, até meu mundo desabar.Queria que você estivesse aqui de novo. Queria que você estivesse por perto.

Aos poucos, alguns criados vinham observá-la de longe, exprimir sua dor através de uma melodia triste e sombria. Mas que acalentava as pontas afiadas que queriam perfurar o coração da jovem bailarina.

“As vezes parecia, que se eu sonhasse,

Você viria.
Queria ouvir a sua voz de novo,

Mesmo sabendo que não a ouviria.

Sonhar com você, não em ajudará a realizar

Tudo o que sonhar em fazer.”

De forma silenciosa, a presença de Esme Cullen chegara a mansão. Ela nada dissera ao ouvir uma voz doce ecoando pela casa. Gerárd, quando viu sua senhora, sorriu e apenas deu passagem, para que ela seguisse aquela linda voz e melodia.

“Sinos e anjos esculpidos,

Frios e monumentais

Parecem para você os companheiros errados

Você era carinhoso e gentil.”

Esme parou próxima a porta e ficou ouvindo Isabella cantar. Enquanto a jovem nora sentia a dor pela perda de um amado, a condessa sentia o peso de ter seus filhos desaparecidos num país em revolta.

“Foram muitos anos lutando contra ás lágrimas,

Porque o passado não pode simplesmente morrer?

Queria que você estivesse aqui de novo,

Mesmo sabendo que temos que dizer adeus.

Tente perdoar,

Me ensine a viver,

Me dê a força para tentar”.

— Nós vamos encontrá-los, querida. E você verá Edward de novo. – Esme disse por fim, ao perceber que Isabella chorava quando terminara sua música.

- Senhora Cullen? – Bella encarou-a.

- Esme.

- Esme. – Bella repetiu e levantou-se apara abraçá-la.

~~

Notas finais
Olá meninas! :)
Então, o que estão achando?
Prometo que vou esclarecer as coisas, mas tem que ser tudo aos poucos e com calma. Logo, logo, vocês vão saber de notícias de outros membros da família Cullen, mas uma dica: não serão do Edward.
Espero que tenham gostado desse capítulo.
Comentem e recomendem!
Beijinhos,
N.