Notas iniciais
Cheguei! Vamos ver se a desconfiança da Roxanne vai dar ruim ou não... Deem uma olhada nas notas finais antes de fecharem o capitulo, certo? Boa leitura!

— ...ele entrou faz uns cinco minutos, com flores e uma garrafa de champagne nas mãos. — Jacqueline Pissani informou solícita.

— Obrigada, Jack. — A Donna agradeceu em seguida.

— Te aviso quando ele sair. — Foi a última coisa dita, antes que a ligação fosse encerrada.

Roxanne deixou o aparelho celular de lado, estava sentada no escritório da mansão, ainda usando o terno escuro de mais cedo, um notebook aberto em sua frente, com todos os dados do celular de James Barnes disponíveis na tela.

Pela última hora ela havia monitorado o americano em sua noite livre, imaginando que ele usaria aquela oportunidade para se comunicar com os Estados Unidos. Com Sam Wilson mais precisamente.

Cada atitude da Donna naquele dia foi pensada para dar a Barnes uma segurança e uma liberdade que não existiam de verdade; o celular, o dinheiro, a folga. Ela estava convencida que ele faria algo que corroborasse com as suspeitas.

Ele não fez nada.

Escolheu o carro de sempre, saiu da mansão direto para a floricultura, e mesmo a escuta no celular captou apenas a conversa dele com a florista perguntando sobre o que levar em um jantar. Depois disso sua próxima parada foi na loja de conveniência. Nada fora do normal.

Nenhuma ligação foi feita do celular dado a Barnes, a julgar pelos sons abafados, o aparelho ficou no bolso durante todo o caminho até a casa de Georgina, enquanto o rádio do carro permanecia ligado em volume alto. Típico de americanos.

Mesmo Jacqueline, para quem a Donna havia ligado para pedir que monitorasse o homem, nada tinha a relatar além do básico. Ele chegou na casa de Georgina portando as flores e a garrafa de bebida...

Roxanne apoiou os cotovelos na escrivaninha e soltou um suspiro que era um misto de frustração, cansaço e preocupação. Havia passado o dia todo dando oportunidades para que James falasse antes de ser pego, no fundo desejando que ele fosse inocente, e a cada segundo essa possibilidade parecia mais real.

Isso era bom, certo? Podia parecer, mas a vozinha em sua mente já estava tecendo todos os problemas que surgiriam devido a disso, por causa de tudo que ela tinha feito para ter certeza... Foi nesse instante que o aparelho celular tocou novamente e o nome de Corinne LaRue brilhou na tela.

— Você conseguiu? — Foi a primeira coisa que a Donna questionou, assim que a chamada foi atendida.

— Consegui... — A francesa soprou do outro lado da linha.

— Certo, pode me mandar os arquivos. — Roxanne estava sem ar, ansiosa para saber e com medo da resposta.

Mas ela esteve sufocando nesses mesmos sentimentos durante todo o dia, apenas não parou para analisar o motivo por trás deles. E também não fazia isso justo naquele momento. Haviam coisas mais importantes para resolver.

— Eu... — Corinne hesitou. — Eu não acho que seja uma boa ideia.

A verdade atingiu Roxanne Domenichelli como uma faca direto no coração.

— Você não descobriu nada. — Ela compreendeu de imediato.

Só havia um único motivo para que Corinne preferisse não mandar arquivos pessoais de alguém sob suspeita. Ele não era culpado de nada.

— Eu descobri... — A francesa respondeu com a voz culpada. — Exatamente o que ele falou pra você.

Roxanne havia tirado um tempo naquele fim de noite, logo que chegou na mansão, para relatar a Corinne sobre a conversa que teve com Barnes e sobre as explicações dadas acerca do assunto “Sam Wilson”. Porém, na ocasião, nenhuma das duas acreditou realmente naquela narrativa.

Pelo visto, ambas estavam erradas...

— As consultas dele relatam a vida de um homem solitário. — LaRue começou a explicar. — Barnes e a terapeuta conversavam sobre os pesadelos frequentes, sobre o fato de ele não confiar nas pessoas e ser recluso. Ele estava fazendo reparações, foi atrás de alguns políticos que a Hydra colocou no poder. E sim, agia como se a programação do Soldado tivesse sido removida por Wakanda, exatamente a mentira que ele disse pra você que contou para o governo.

Roxanne respirou devagar, sua mente em caos completo, analisando as repercussões daquilo a longo prazo. Havia quebrado o sigilo psicológico de um aliado por absolutamente nada.

— E o Sam Wilson? — Questionou, querendo cobrir todas as lacunas.

— Durante todo o tempo da terapia ele sequer ligou para Sam Wilson... — Corinne respondeu, e seu constrangimento por ter cometido um erro era evidente. — Há notas específicas sobre ele não falar com ninguém, a não ser com a própria terapeuta e com as pessoas envolvidas nas reparações. — Uma respiração profunda, talvez ela tivesse visto coisas mais íntimas do que estava disposta a falar para Roxanne. — Nada de família. Nada de amigos. Nada de vínculos. A terapeuta dele achava que a falta de suporte emocional era o que impedia o progresso dele. Depois disso tem exatamente o que ele contou a você, os eventos estão retratados em uma sessão de emergência que Barnes teve que fazer quando foi preso por faltar a duas consultas, na época que o branquelo assumiu o escudo. O próprio Sam Wilson participou da terapia. Havia muita tensão entre os dois, segundo as anotações. Coisas pesadas foram ditas. E Wilson falou que eles apenas terminariam a missão e depois nunca mais precisariam se ver outra vez. Foi a última sessão de Barnes.

Roxie passou as mãos nos fios negros e meneou a cabeça, totalmente decepcionada consigo mesma. Aquilo era exatamente o que James havia dito, e pelo visto ele não mentiu.

Estava desconfiando dele por nada...

— Eu cometi um erro. — Corinne admitiu em tom culpado. — Eu...

— Tudo bem, Corie. — A italiana interrompeu. Era a líder daquilo tudo, tinha que assumir a responsabilidade. — Você só estava tentando ser precavida. Eu devia ter pensado melhor antes de dar aval para que mexêssemos nos arquivos de terapia dele.

— Mas você não viu esses arquivos, então... — LaRue comentou, como se isso amenizasse a situação.

Não parecia fazer diferença para Roxanne. Ordenar a violação do sigilo médico já era quebra de confiança o suficiente, ter lido ou não os arquivos, não mudaria nada. Pequenas diferenças não importavam dessa vez.

— Eu vou pensar sobre isso. — Declarou, tentando aparentar controle. — Ligo depois. Obrigada, Corinne.

Desligou em seguida, mas permaneceu com o celular na mão, os olhos escuros perdidos em um ponto qualquer do escritório, enquanto sua mente a metralhava com todas as implicações daquela decisão impulsiva.

Era o segundo erro dela em tão pouco tempo. Talvez não fosse tão boa nisso quanto pensava.

Respirou fundo, teclando um número conhecido. Precisava de um conselho imparcial, alguém que falaria o que ela tinha que ouvir, independente do cargo de Donna...

Francesco Greco atendeu no terceiro toque.

— Eu acho que cometi um erro grande que vai me custar um aliado importante. — Roxanne declarou sem rodeios.

— O que aconteceu? — Frank questionou com a voz calma de quem é capaz de compreender tudo.

No curso dos próximos dez ou quinze minutos a jovem Domenichelli narrou os últimos acontecimentos; as suspeitas de Corinne, o interrogatório, o celular grampeado, a invasão dos arquivos de terapia... Ela só escolheu por deixar de lado o beijo na sacada.

— Eu quebrei a confiança dele, da pior forma que se pode quebrar a confiança de alguém. — Terminou, conseguindo prever o tamanho do problema que aquilo geraria.

— Você é a líder de uma organização inteira, pesquisar sobre seus aliados é algo de praxe. — Francesco ponderou, em tom conciliador.

— São arquivos de terapia, é diferente. — A Donna devolveu, sabendo que não havia nada mais íntimo do que aquilo, era quase pior do que ler o diário de alguém.

E ela sabia bem o quanto sigilo médico importava, afinal havia feito medicina.

— Não é... — O homem no outro lado da linha respondeu calmamente. — A única coisa diferente nessa situação é que você gosta dele.

— Como é? — A interjeição surpresa de Roxanne fez com que a risada de Frank soasse pelo telefone.

— Eu vi a forma como vocês dois se olharam... — Ele comentou neutro. — Não se tratam apenas de negócios. Se fosse apenas isso, quebrar sigilos médicos não preocuparia você. É pessoal, essa é a diferença.

A italiana respirou fundo, podia negar, mas seria perda de tempo, além disso Francesco costumava estar certo sobre várias coisas, provavelmente estava correto sobre isso também...

A verdade é que nem a própria Roxanne havia parado um segundo para ponderar seus sentimentos por James Barnes, porém agora que os fatos estavam claros, não fazia sentido fugir deles.

— Eu não acho que ele vai perdoar uma coisa dessas... — Resolveu ir direto ao ponto.

Todo seu receio fazia sentido agora, não era sobre perder um simples aliado de ocasião por causa de excesso de precaução. Era sobre perder um homem que havia entrado em seu coração.

— Então não conte. — A resposta veio com a simplicidade de quem aconselha alguém a colocar uma colherada a mais de açúcar no café. — O que os olhos não veem o coração não sente, não é o que dizem? Além disso, omissão não é bem uma mentira. Ou você gosta tanto assim dele a ponto de não conseguir fazer isso?

Roxanne ponderou aquilo por um instante, mentir era parte integrante de seu trabalho, além disso, mentir para homens era basicamente uma configuração padrão. Havia aprendido isso desde muito nova.

Essa sugestão, portanto, devia lhe ser natural, porém havia esse desconforto na boca de seu estômago naquele instante. Porque afinal, ela conhecia muito bem o poder destrutivo de uma mentira, mas também sabia as fraquezas inerentes de uma...

Nada durava o bastante quando apoiado em algo tão traiçoeiro.

— Quais são as implicações para a missão? — Questionou, tentando deixar a confusão de seus sentimentos de lado.

Afinal ela era a Donna, era alguém com um objetivo claro, nada podia atrapalhar isso. Roxanne sempre soube que suas próprias necessidades, desejos e sentimentos seriam um luxo do qual teria que abrir mão, em prol de trazer Damian de volta para casa. Isso não mudaria em nenhuma circunstância.

Barnes não podia ser uma exceção...

— Você não diz nada e tudo continua como está. Você conta e aceita que talvez o acordo de vocês chegará ao fim. Ele pode decidir ir embora. — Frank enumerou em tom neutro.

— Eu vou pensar nisso... — A Donna declarou agradecida. — Obrigada por seu conselho, Frank.

— Sempre que quiser, Bambina. — O italiano respondeu carinhosamente.

Roxanne sabia que podia contar com ele. Na verdade, Francesco foi o único que esteve lá em qualquer momento. Mesmo quando ela era muito nova e precisou aprender a se defender sozinha, Frank surgiu para limpar a bagunça que ficou no caminho...

Porém, agora existia uma bagunça que ela teria que arrumar por si mesma.

Deixou o escritório, seguindo para o próprio quarto e entrando em um banho frio, pensou que isso clarearia suas ideias, contudo de nada adiantou. A única coisa que ficou clara para Roxanne foi que os erros dela estavam sempre condicionados a seus sentimentos por aqueles que lhe cercavam.

Foi assim com Vicenzo, o que resultou na fuga dele. E estava sendo assim com James Barnes, seus sentimentos por aquele americano impossível a fizeram pensar com pouca clareza, a simples suspeita de que ele não fosse confiável fez com que Roxanne ansiasse por respostas imediatas. Ela se precipitou e agora tinha um problema em mãos...

Precisava decidir o que fazer: omitir aquilo e torcer para que ele nunca descobrisse ou ser honesta e perdê-lo?

A pior parte é que Roxanne sabia muito bem que já teria uma resposta, se não fossem seus malditos sentimentos atrapalhando seu senso de julgamento...

A verdade é que ela não se lembrava de já ter nutrido sentimentos românticos por homem algum. Ou melhor, ela lembrava, porém o que sentia na época era apenas fruto de manipulação e aliciamento, não era real. Além disso, não importava mais, fazia tempo e tinha virado cinzas no caminho.

Ainda assim, foi aquele falso sentimento que moldou a visão de Roxanne para homens desde muito cedo; eles eram manipuladores, mentirosos, cruéis e indignos de confiança. Então, no curso dos anos, ela aprendeu a lidar com os homens com muita cautela e um tanto de crueldade, alguns conseguiram espaço em sua cama, verdade, mas nenhum deles conseguiu acessar seu coração.

Até James Barnes.

Olhando em retrospecto, Roxie conseguia ver que ele abriu caminho com as pequenas coisas, os detalhes que compunham o todo. Clichê dizer que James era diferente dos outros homens, porém era a verdade, as pequenas diferenças eram o ponto chave de tudo. Foi assim que o sentimento nasceu, com certeza.

Porém era um péssimo momento para nutrir sentimentos por alguém.

Havia um noivo sádico e o objetivo de uma vida inteira entre ela e James. E mesmo que não houvesse, isso faria diferença?

Roxanne saiu do banho e se olhou no espelho, tentando colocar seus pensamentos em ordem e estabelecer prioridades.

A rainha da máfia italiana e um herói americano. Parecia piada...

— Shakespeare se revira no tumulo nesse instante por não ter escrito isso. — Resmungou para si mesma, enquanto hidratava a pele e penteava os cabelos.

Além disso, ela tinha piorado tudo quando violou o sigilo psicológico de James. E agora tinha uma decisão para tomar, mentir para ele ou contar a verdade e correr o risco de vê-lo partir? A escolha certa parecia óbvia, porque mentir seria melhor para a missão como um todo...

Mas Roxanne não conseguia ficar confortável com isso.

Ela apoiou as mãos na pia e respirou fundo. Precisava de ar fresco.

Saiu do banheiro e pegou a primeira roupa que encontrou no closet, logo depois de puxar a parte de baixo de uma lingerie da gaveta. Geralmente escolhia com muita cautela as peças que usaria, mas naquele instante só queria sair logo daquele quarto.

Desceu as escadas ainda descalça, deixando o celular para trás, totalmente esquecida que Jacqueline avisaria quando James deixasse a casa de Georgina. Precisava caminhar pelo labirinto para espairecer...

───── ⋆★⋆ ─────

Bucky guiava de volta para a mansão Domenichelli com uma mão no volante e a outra apoiada no vidro do Sedan. Passou aquela última meia hora tentando conciliar sua mente e seu coração, mas a verdade é que não chegou à conclusão alguma, porque ambos estavam em conflito.

Estava cansado, no fundo esperava que uma noite de sono tranquila lhe clareasse as ideias, pela manhã voltaria a seus dilemas morais de merda.

Finalmente chegou na mansão e estacionou o carro no lugar de sempre, tirou a chave da porta da frente do bolso, mas logo percebeu que ela estava destrancada. Isso acendeu todos os alertas em sua mente.

Com o coração aos saltos, ele subiu as escadas de dois em dois degraus, a casa toda estava silenciosa e escura. Ele chegou até a porta do quarto de Roxanne em poucos segundos, mas encontrou o cômodo aberto e vazio.

Merda.

Uma infinidade de situações horríveis tomou conta de sua mente. Barnes desceu as escadas novamente e seguiu direto para o painel de segurança, puxando as filmagens. Seu coração se acalmou em fim, o ar entrou em seus pulmões e ele se sentiu um grande idiota; não foi preciso voltar mais que alguns minutos para ver Roxanne deixando a casa em direção ao labirinto.

Ela estava bem.

— É claro que ela está bem, quem seria o idiota de invadir a casa da rainha da máfia? — Bucky murmurou para si mesmo, revirando os olhos para a própria idiotice.

Decidiu que podia seguir para seu quarto, não havia motivos para prolongar ainda mais aquele dia. Porém, dois minutos depois ele já tinha deixado a jaqueta jogada no sofá e estava caminhando em direção ao labirinto, enquanto arregaçava as mangas da camisa até os cotovelos.

Só checar se Roxanne estava bem, já que o sistema de segurança não mostrava o interior do lugar, não arrancaria nenhum pedaço...

Em todos os seus dias ali na Sicília, Barnes nunca tinha adentrado o labirinto da mansão. Tudo que conhecia do lugar era sua entrada, por causa da vista das câmeras, jamais pensou que seria tão grande e tão cheio de voltas e becos sem saída. Ele foi dobrando uma esquina e outra, um tanto perdido, totalmente cercado pelas altas paredes cobertas de trepadeiras, quando finalmente chegou ao centro do local.

O ambiente se abriu em um grande quadrado perfeito, o solo coberto de grama baixa. Nunca havia imaginado que alguém se daria ao trabalho de projetar qualquer coisa para ocupar o centro de um labirinto, mas era exatamente isso que seus olhos viam.

Haviam duas árvores grandes, claramente velhas, enfeitadas com luzes bem pequenas nas laterais do lugar. A iluminação quente não era clara o bastante, mas deixava tudo aconchegante. Cada detalhe ali parecia pensado exatamente para isso. Um lugar para relaxar e se reunir.

Bem no centro do espaço havia um pequeno círculo de pedra, feito para acomodar uma fogueira, e em torno disso vários balanços. Não o tipo infantil. Eram peças requintadas, feitas de madeira e vime, com estofados e almofadas. Típico luxo de gente muito rica.

Haviam dois balanços maiores, que facilmente comportariam cinco pessoas, um de cada lado do círculo de pedra. Além de mais quatro pequenos, dois de cada lado. Era em um desses que Roxanne estava sentada, se balançando lentamente...

— Oi... — Bucky murmurou, assim que os olhos escuros encontraram os dele.

A italiana parecia uma obra de arte naquele instante, banhada pela pouca iluminação quente das luzinhas nas árvores, os cabelos úmidos e rosto sem um pingo de maquiagem, os pés descalços e um vestido branco de comprimento médio e diversos botões em toda extensão frontal. O tipo de roupa que ele nunca tinha visto a Donna usar, algo casual e simples que ressaltava uma beleza crua e inegável nela.

Não era como as lingeries de renda, os pijamas de seda ou os ternos caros, era delicado e doce, e talvez fosse exatamente esse o apelo...

— Oi. — Ela respondeu finalmente, sua voz um misto de surpresa e talvez ansiedade, mas era difícil ter certeza. — Como me achou aqui?

— Super soldado. — Barnes deu de ombros. Não era uma explicação exatamente verídica, mas era um resumo aceitável.

Roxanne nada disse, porém seus olhos de obsidiana permaneceram nos azuis. Havia algo no ar, como se a distância que os separava naquele instante fosse maior que os metros entre eles. No entanto, não era algo gelado e raivoso, como antes. Era cálido, melancólico, como as sombras quentes que a iluminação baixa insidia sobre o rosto feminino.

— Posso? — Bucky apontou para o balanço ao lado da Donna, algo nele o impelindo a acabar com aquele abismo invisível. A italiana moveu lentamente a cabeça em confirmação.

Ele se aproximou devagar, seus olhos incapazes de abandonar as íris dela. Roxanne balançava sutilmente para frente e para trás, mesmo que não desse qualquer impulso para isso, estava sentada sobre uma das pernas, a outra se movendo livremente há uns cinco centímetros do chão, metade da coxa exposta, por causa de uma fenda formada por três botões abertos do vestido.

Barnes já havia encarado a figura feminina de cima antes, em uma posição parecida, porém era diferente agora. Antes Roxanne podia estar sentada, mas ainda era a imagem da imponência, agora ela parecia apenas uma garota comum de vinte e tantos anos, não a rainha de um império criminoso. Era estranho notar que os dois opostos seguiam tendo impacto devastador nele.

As pontas dos dedos da mão direita de Bucky formigavam, todo seu corpo o impelindo a se mover em direção a Italianinha e tocar o rosto dela, apenas pelo prazer doce de sentir a pele delicada arrepiar com um carinho sutil. Era como se Roxanne Domenichelli fosse magnética, e bom, ele tinha um braço de metal, era impossível resistir.

Ainda assim, apenas se sentou no balanço ao lado, suas pernas longas o bastante para que seus pés ainda tocassem o chão e seu corpo começando a oscilar para frente e para trás suavemente.

Roxanne piscou devagar, desviando o olhar e encarando o espaço onde devia existir uma fogueira.

— Como foi sua noite? — Ela questionou em tom neutro, que tinha pretensão de soar natural, mas pareceu um tanto tenso.

— Normal. — Barnes só lembrou que existiu uma noite naquele exato instante. — Georgina adorou as flores, inclusive. Obrigado pela dica.

— Não tem de quê. — Roxanne respondeu, mas sua voz não tinha qualquer emoção. — Que bom que seu encontro foi agradável. Podia ter passado a noite fora, inclusive, Benedetta não avisou?

Bucky simplesmente cansou de jogar aquele jogo bobo. Mais cedo pareceu apropriado usar a coisa das flores para atingir a Donna, agora ele sequer lembrava o motivo pelo qual estava bravo com ela e tudo pareceu inútil.

— Não tinha necessidade. Além disso, não era um encontro... — Ele revelou, movendo os ombros em displicência.

— Você mesmo disse que levaria flores pra ela, porque era de bom tom fazer isso em um encontro. — A italiana rebateu, movendo os olhos na direção dele novamente.

— É, tem razão, eu falei. — Bucky admitiu. — Acho que a verdade é que começou com a pretensão de ser um encontro. Mas com certeza não terminou como um. — Encolheu os ombros. — Georgina é uma moça legal, mas não rolou nem vai rolar nada. Vai ficar só na amizade mesmo. É só que... — Seus olhos azuis focaram enfaticamente nos negros. — Digamos que eu tenho mesmo é uma queda por mulheres mais complicadas.

Roxanne abriu a boca como se fosse dizer alguma coisa, porém engoliu as próprias palavras e voltou a desviar o olhar.

Barnes sabia que não devia ter dito aquilo, afinal a própria Donna havia se declarado uma mulher complicada mais cedo, e flertar com ela, depois de tudo que aconteceu naquele dia, não era mais aconselhável. Se bem que antes também não era e isso não o impediu do mesmo jeito. E no fim, estava tão cansado de contar mentiras que lhe trouxe certo alívio dizer aquela pequena verdade.

De fato, tinha uma queda por mulheres complicadas. Uma italianinha complicada pra ser mais exato.

O silêncio se espalhou entre eles, porém não era o tipo pacífico e acolhedor, era tenso, como se algo não dito gritasse entre eles.

Bucky sentiu os segredos pesarem uma tonelada.

— Então, qual o lance com o labirinto? — Ele puxou um assunto qualquer, apenas para dissipar o clima.

— Meu avô fez pra minha mãe, ele costumava trazê-la aqui e deixar que ela achasse o caminho de volta, era um jeito de desenvolver senso de direção e raciocínio. — Roxanne respondeu, e parecia confortável contando aquilo, como se fosse a memória de uma história agradável. — Ela manteve o lugar depois que ele morreu, melhorou o conceito. Nos reuníamos aqui em algumas noites para acender a fogueira e ficar deitados nos balanços maiores contando estrelas. Damian preferia correr sem rumo por aí, verdade, mas ele gostava dos marshmellows.

— Típica coisa de gente rica... — Bucky riu de canto, fazendo uma imagem mental adorável daquela cena.

A italiana virou o rosto na direção dele.

— Me acha uma burguesa excêntrica, não é? — Os olhos negros franziram minimamente, enquanto covinhas surgiram nas bochechas femininas.

— Bom, você tem celulares estocados, é basicamente o que eu e outras pessoas normais fazemos com escovas de dente ou detergentes. — Barnes respondeu com um encolher casual dos ombros.

Foi como se estivesse assistindo de camarote o brilho de uma estrela morrer. As covinhas se foram e Roxanne voltou a encarar a direção oposta, quase como se tivesse acabado de se lembrar de alguma coisa.

— Justo... — Ela respondeu apenas, a tensão voltando a pairar no ar junto com o silêncio.

Bucky chegou a questionar se teria dito algo errado. Estava seguro de ter feito tudo certo quando ligou para Valentina, então não podia ser isso. Mesmo porque, se o caso fosse esse, e Roxanne desconfiasse de qualquer ligação dele com o governo, provavelmente já haveria uma bala em seu peito naquele instante...

— Ainda está irritado comigo? — Ela perguntou de repente, cortando a linha de raciocínio de Barnes com algo totalmente inesperado.

— Por que você pensa que eu estou irritado com você? — Ele questionou surpreso.

— Eu não penso. Eu sei. — As íris escuras pousaram em Barnes calmamente. — Você não gostou da minha decisão sobre a tecnologia Stark.

Ah, então ela havia notado isso...

— Não gostei, mas você provavelmente estava certa... — Ele respondeu neutro. O assunto já estava resolvido com o Alto Conselho, não havia necessidade de criar mais caso com a Donna. — Você precisa priorizar para tomar decisões. Eu entendo. Tem muito em jogo. Você é a rainha da máfia, fazer escolhas difíceis é o seu fardo. Eu não gostaria de estar no seu lugar, pra ser honesto.

Suas palavras eram verdadeiras, agora que Bucky tinha a certeza que a tecnologia Stark estaria segura, ele podia enxergar o ponto de vista de Roxanne com mais clareza. Ou talvez já estivesse envolvido demais para conseguir ficar bravo com ela por tempo o bastante.

— É... nem sempre é tão fácil quanto pode parecer... — A Donna soprou com um suspiro cansado. Ela parecia carregar o mundo nas costas naquele instante.

Focou em Bucky por um momento, como se ponderasse uma questão crucial...

— Você pode ir se quiser. Eu vou ficar aqui mais um pouco. — Ela declarou finalmente, embora seu tom parecesse um tanto evasivo.

Bucky podia ter perguntado, mas a verdade é que ele também achava que era hora de a noite acabar, não só porque a brisa se tornava cada vez mais fria, conforme a madrugada tomava conta, mas também porque ele precisava colocar suas próprias ideias no lugar.

Apenas assentiu então, ficando de pé e rumando para a saída, estava prestes a adentrar o primeiro corredor do labirinto quando a voz de Roxanne cortou o ar.

— James?

Ele se virou na direção dela, a mesma distância inicial separando os dois novamente. Os olhos abissais da italiana se demoraram um tempo no rosto dele, era como se uma batalha interna estivesse acontecendo naquele instante, era visível até.

Roxanne se levantou, os pés descalços na grama, cortando o espaço até Bucky, enquanto o coração dele começava a bater em expectativa. Ela abriu a boca para dizer algo, a fechou novamente, e então respirou fundo.

— Eu vou precisar do seu celular de volta. — Disse por fim.

A tensão desabou sobre os ombros de Barnes. Ele começou a revisar sua noite outra vez para ver se havia cometido algum erro que o fez ser descoberto, enquanto isso, tirava o aparelho do jeans e o entregava para a Donna.

— Posso perguntar o motivo? — Questionou, mesmo sem saber se era o prudente a fazer naquela situação.

— Eu vou te dar outro aparelho amanhã. — Ela respondeu, mas seus olhos permaneceram em Barnes por alguns segundos, até que ela os fechou por um instante e engoliu em seco, para então erguer o nariz e focar novamente nas íris azuis. — Esse está grampeado.

O coração de Bucky começou a bater depressa, ele já suspeitava, por isso montou todo um plano para entrar em contato com Valentina, porém não sabia se ouvir Roxanne dizer aquilo em voz alta era bom ou ruim. Aquela revelação era também uma armadilha?

— Você decidiu me monitorar agora? — Ele tentou parecer chocado, e talvez tenha funcionado, pois ele estava de fato muito tenso naquele momento.

— Desconfiei que você vinha mentindo para mim. — A Donna revelou, e Bucky sentiu todo seu sangue gelar, seu estômago doía.

— Sobre o quê, especificamente? — Ele escolheu suas palavras com cuidado.

— Sobre Sam Wilson. — Ela respondeu direta.

Aquilo foi uma surpresa, mas explicou totalmente o interrogatório de mais cedo.

— Eu te disse tudo que havia para dizer sobre Wilson. — Falou com um mover de ombros, tentou se acalmar um pouco. Se estavam conversando, então ela não havia encontrado nada.

Além disso, não havia nada para encontrar, Bucky tinha coberto toda a história muito bem, mesclando fatos verídicos com mentiras.

— Na minha posição eu não posso simplesmente confiar nas pessoas. — Roxanne explicou e, pela primeira vez, Barnes se deu conta que ela parecia culpada com aquilo. — Desconfiança é um mecanismo de defesa importante.

Era um pedido de desculpas?

— Você achou que eu tinha amizade com Sam Wilson. Sendo assim minhas prioridades estavam comprometidas e eu me tornava um risco para seus objetivos. — Ele presumiu certeiramente, não era difícil fazer aquela análise. — E agora? Não acha mais essas coisas? O que mudou?

Roxanne desviou o olhar, encarou o chão, pareceu imensamente desconfortável.

— Eu... — Ela gaguejou, Bucky se deu conta que nunca tinha visto aquela mulher hesitar para nada, mas ela estava fazendo isso naquele momento.

Os olhos negros ergueram em direção aos dele outra vez. Havia algo trêmulo nas íris, algo de quebrado na fisionomia como um todo, era fácil ver agora que Barnes conhecia Roxanne melhor. Ainda assim, ela disse as próximas palavras com a cabeça erguida, a postura digna de quem assume todas as merdas que já fez na vida:

— Eu violei seu sigilo médico e... acessei os seus arquivos da terapia...

A boca de Bucky se abriu minimamente, o choque completo estampado em seu rosto. Mas isso nada tinha a ver com a violação do sigilo. Isso ele já imaginava que aconteceria.

Quando foi recrutado por Valentina, e todas as mentiras para que a missão funcionasse foram sendo montadas, Barnes sempre soube que, cedo ou tarde, alguém encontraria aqueles arquivos, na ocasião presumiu que seria a Hydra.

Podia ter dado cabo de tudo aquilo, era só ter feito um pedido a Valentina e os arquivos teriam sumido ou sido trocados por outros. Porém, não viu vantagem em deixar que o Alto Conselho — e John Walker — tivessem essas informações em mãos. Além disso, soava verdadeiro ter algo deixado para trás. Pesou os prós e contras na ocasião e resolveu arriscar.

Então, sim, ele sabia que um dia, no meio da Operação Roleta Russa, alguém poderia ter acesso a tudo que havia conversado com a Doutora Raynor. Chegou a imaginar, inclusive, que Roxanne já havia conseguido essas informações há tempos. Sendo assim, seu choque não se devia a esse fato especifico.

Ele simplesmente não cogitou que alguém chegaria a admitir ter feito isso.

Ou melhor, Bucky não imaginava que Roxanne, especificamente, confessaria algo assim...

Ela podia mentir, simplesmente omitir o fato agora que sabia a verdade. Esconder aquela pequena transgressão de Barnes e nunca falar sobre isso. Manter as aparências.

Porém lá estava ela, dizendo a verdade, uma verdade que não a beneficiava em nada. Muito pelo contrário até. Ela havia quebrado a confiança de um aliado.

Qualquer um ficaria furioso com isso, era uma violação enorme, um ultraje ter a privacidade invadida daquela forma...

Mas Bucky não era qualquer um, ele era um maldito cavalo de troia recheado de mentiras, e naquele instante lhe matava um pouco que Roxanne estivesse sendo tão honesta. Ela tinha feito algo ruim, e ele sequer se sentia no direito de ficar bravo.

Porque ele estava fazendo pior, não é?

Se sentia pequeno e inferior, alguém terrível fazendo coisas cruéis. Por mais que uma vozinha lá no fundo de sua mente quisesse justificar que seus motivos eram bons e, já que aquela violação era uma coisa horrível, talvez eles estivessem quites agora. Aquilo podia equilibrar a balança.

Mas Bucky sabia que não era verdade, não havia equilíbrio algum naquilo. Porque Roxanne desconfiou dele com razão, ela só procurou no lugar errado e achou algo que ele já havia coberto com mentiras.

Ela estava sendo honesta, assumindo a responsabilidade e a culpa por algo que julgava errado. Barnes não poderia fazer o mesmo...

— Você pode dizer alguma coisa, por favor? — A voz feminina saiu entrecortada, só então os olhos focaram nela de novo.

Bucky se deu conta que esteve calado por tempo de mais, que os olhos negros expressavam certa agonia e apreensão, como se Roxanne temesse a reação dele de alguma forma.

O corpo masculino estava um tanto dormente, como se estivesse vivendo uma experiência extracorpórea. Barnes não sabia como reagir...

Porém, naquele instante, enquanto olhava nos olhos de Roxanne, ele teve essa percepção súbita de que todas as vezes que ela havia dito a verdade para um homem, isso não havia acabado muito bem.

— O que você quer que eu diga? — A voz dele saiu em um sopro, um nó em sua garganta, a decepção escorreu por suas sílabas de forma explícita.

Os olhos negros marejaram, algo que foi disfarçado de imediato. Talvez Roxanne tenha interpretado as coisas a seu próprio modo e, infelizmente, Barnes não podia explicar que não estava decepcionado com ela e sim consigo mesmo.

— Eu... — Ela engasgou na palavra. — Sinto muito não acreditar quando você falou.

Bucky fechou os olhos como quem recebe um soco direto na cara. Doía em toda a parte. Quis pedir que ela parasse de se desculpar, desejou que a Donna fosse uma mulher cruel que o tratasse de forma vil e desleal. Porque talvez, se ela fosse tão terrível quanto o mundo pensava... ele não se sentiria tão perverso por estar metido em tudo aquilo.

Porque quando aceitou participar daquela maldita Operação Roleta Russa, Barnes estava convicto que era a coisa certa, que era algo bom. Essas convicções não existiam mais.

Ele nunca imaginou que seria tão difícil se infiltrar naquela maldita ilha. Ele nunca previu que se apaixonaria por sua missão.

E o que faria agora?

O preço de ser honesto naquele ponto não custaria apenas a Operação e sua própria vida, Barnes se tornaria uma decepção completa, para o Alto Conselho, para Sam, para Roxanne.

— Você está muito bravo? — A voz dela tinha certa ansiedade, como se o silêncio dele fosse pesado demais para ser suportado.

Roxanne parecia tão frágil ali naquela parca iluminação quente, girando o celular grampeado não mais de forma tensa, e isso tornava tudo ainda mais doloroso.

— Não estou. Eu estou muitas coisas, nenhuma delas é bravo. Por que está me contando isso? — Barnes questionou, desejando que a resposta deixasse aquilo mais fácil. — Você podia simplesmente não me dizer nada.

— Eu podia... — A italiana respirou fundo, havia um pouco de alívio naquele gesto. — Mas não quero mentir pra você, James.

Merda. Bucky respirou pesado em frustração, seus dedos de vibranium deslizando por seus fios de modo exasperado. Queria que Roxanne parasse de dizer todas as coisas certas.

Ele caminhou alguns passos para longe, sua mente dando um nó, seus sentimentos em conflito, a angústia tomando conta de tudo. Se sentia uma criatura baixa e mesquinha, sem honra...

O Capitão América estaria decepcionado. Os dois estariam.

Afinal qualquer coisa que Bucky fizesse, o resultado seria ruim, porque se fosse tão honesto com a italiana, quanto ela estava sendo naquele momento, então ele estaria traindo a Operação, traindo a coisa certa. Colocando outras pessoas em perigo.

Porque Roxanne Domenichelli podia dizer todas as verdades do mundo para Bucky, porém ela ainda era a rainha da máfia, ela não perdoaria o Alto Conselho por tentar colocar um agente infiltrado dentro de sua ilha. Ela partiria para a retaliação e pessoas se machucariam no processo.

Se fosse honesto sobre seus propósitos ali, — como ele desejava ser naquele momento — não seria apenas seu bem estar em risco.

Além disso, as verdades que a italiana contava para ele de nada valeriam para o Alto Conselho ou para Valentina, nem para Sam Wilson. Ser honesta com Barnes não mudaria nada para ninguém mais, a ponto de fazê-los desistir daquela Operação.

Contudo, isso mudava muitas coisas para Bucky... Mudava tudo.

— Olha... — Roxanne não se aproximou. Sua voz era calma e apaziguadora. — Eu vou entender se você quiser ir embora, se não confiar mais em mim depois disso. Só me deixa te dar os meios pra partir em segurança, por favor. — Ela o encarou por alguns instantes e deu um passo em direção ao labirinto. — Vou deixar que pense nisso.

— É isso que você quer? Que eu vá embora? — Bucky questionou, antes que ela virasse a primeira esquina entre as paredes cobertas de trepadeira.

Podia ser uma boa solução para o fim daquilo. Ele teria falhado em tudo que se propôs a fazer, verdade, mas talvez não houvesse um jeito bom de resolver as coisas afinal. Sendo honesto, não queria ir a lugar algum, porque sabia que assim que deixasse aquela ilha nunca mais veria Roxanne Domenichelli outra vez, porém ficar ali afogado em dilemas e mentiras era apenas um jeito de morrer lentamente.

E não valia a pena morrer pela Operação Roleta Russa, não mais.

Ele sequer era necessário para derrubar a Hydra, Roxanne tinha toda a capacidade de fazer isso sozinha. Ela não precisava de ajuda. Ela não precisava dele.

— O que eu quero não é relevante nesse caso... — A Donna respondeu de forma simples.

Ele respirou profundamente, podia aceitar essas palavras e apenas ir embora, aproveitar a oportunidade, se afastar e dizer ao Alto Conselho que não encontrou nada comprometedor na Sicília e que seu disfarce estava em risco. Eles tentariam colocar outro agente infiltrado perto de Strovalenko, mas até que um desconhecido se aproximasse o bastante, Roxanne já teria finalizado seu plano.

Bucky teria que fugir da ira daquele nazista de merda nesse meio tempo, mas era capaz lidar com isso...

O problema é que não podia ser egoísta e aceitar aquela resposta curta, porque a vontade de Roxanne era tudo que importava no momento. O mínimo que ele podia fazer, era não escolher algo que prejudicasse os objetivos dela. Resolver seus problemas e se livrar de suas mentiras às custas de foder com os planos da Donna não parecia certo.

— Pois é, eu já ouvi o discurso sobre o seu querer ser um luxo fora de alcance e sei lá mais que palavras difíceis vieram junto. — Barnes comentou, dando alguns passos na direção dela. —Mas apenas esqueça tudo isso por um momento, e seja honesta comigo só mais uma vez, Italianinha. O que você quer?

As sobrancelhas dela se uniram minimamente, quase como se ouvisse uma pergunta inédita. Ela pareceu ponderar por um instante.

— Eu quero trazer meu irmão pra casa. — Disse com honestidade, mas aquilo não era novidade nenhuma para Bucky.

Ele estava prestes a dizer isso, porém Roxanne avançou mais um passo, a cabeça erguida e os olhos escuros focados nos azuis antes que ela declarasse bem devagar:

— E eu quero... você.

A ausência de sons os engoliu totalmente, algo quente, denso, embora nada tivesse a ver com aquele silêncio anterior...

Dentre todas as coisas que Barnes imaginou que ouviria, aquela não era uma delas. O caos em seus pensamentos simplesmente findou, ele se prendeu naquelas íris negras como se dependesse do brilho delas para sobreviver.

As verdades de Roxanne Domenichelli eram eventos transformadores, certamente.

— Mas, como eu disse antes, não posso me dar ao luxo de querer. Além disso, sei que o assunto não era esse. Eu assumo as consequências dos meus erros, e sei que errei com você. — Ela respirou fundo e se afastou. — Então só me avisa quando você decidir o que vai fazer. Se ainda vai ficar ou partir. Eu providencio tudo.

Deu a conversa por encerrada, se virando outra vez em direção ao labirinto.

Bucky provavelmente não pensou antes de agir, sua mente ainda se afogando no impacto daquelas três palavras simples “eu quero você”. Todo o resto deixou de importar. Ele puxou Roxanne antes que ela tivesse qualquer chance de ir mais longe, prensando o corpo feminino com o dele contra uma das paredes cobertas de trepadeiras. O celular grampeado caindo no chão e sendo chutado para um lugar qualquer.

— O que você está fazendo? — Ela questionou em um misto de surpresa e expectativa.

— Estou te dando o que você quer... — Barnes soprou de volta, segundos antes de capturar os lábios fartos em um beijo intenso e desesperado.

Ele sabia que estava morto, sabia disso com uma clareza cruel, enquanto sua mão de vibranium envolvia a cintura de Roxanne e a outra estava firme na nuca dela. Não havia uma versão daquela história em que ele conseguiria escapar da fúria da Donna quando ela descobrisse as verdades que ele vinha escondendo.

Era apenas uma questão de tempo. E, já que Barnes não tinha o poder de parar o relógio, dentre todas as coisas que ele podia fazer que simplesmente destruiriam aquilo, como contar a verdade ou ir embora, ele apenas decidiu que roubaria cada momento que pudesse, até o fim trágico que o esperava.

Porque ele podia ter sido mandado ali como um cavalo de troia recheado de mentiras, mas aquilo... aquele sentimento latente queimando seu corpo, a paixão insana embebida em tesão, que ardia cada vez mais forte, sem se importar com quem Roxanne era, ou com as coisas que ela fazia... aquilo era real.

Era a coisa mais verdadeira que Barnes vivenciou desde que fugiu do controle da Hydra.

Então ele decidiu viver isso, não importava o custo. Certamente teria seu peito baleado ou esfaqueado no final, mas não fazia diferença, Roxanne Domenichelli já era Donna de seu coração mesmo...

Morrer pela Operação Roleta Russa soava estúpido, mas morrer por sua italianinha impossível... Bucky estava convencido que valeria a pena.

Estaria roubando tempo com ela enquanto pudesse.

E todo o resto?

Honestamente, Barnes não conseguia pensar em dilemas morais e deveres enquanto sentia o gosto dos lábios de Roxanne, e enquanto o toque dela estava por toda a parte.

Pensaria no resto depois...

Aprofundou o beijo, apertando o corpo feminino contra o seu, mas isso não parecia o bastante. Ele queria mais dela, mais contato, mais toque. Mais tudo.

Afastou o rosto minimamente, Roxanne estava respirando fora do ritmo, os olhos refletindo as pequenas luzes quentes das árvores como se refletissem estrelas. Ela tinha as mãos no rosto de Barnes, a tensão entre eles quente e palpável, a luxúria transbordando na forma como se olhavam.

Ele a puxou, usando o braço de vibranium para erguer o corpo feminino no ar sem qualquer dificuldade. Roxanne prendeu o sorriso com os dentes, as covinhas evidentes em sua bochecha enquanto ela envolvia as pernas ao redor da cintura masculina automaticamente.

Barnes caminhou pelo espaço com a italiana firme no colo, os dedos dela nos fios castanhos, os olhos negros quentes em expectativa.

Ele a acomodou em um dos balanços maiores, o estofado sendo grande o bastante para comportar os dois, as almofadas indo parar no chão sem que nenhum deles se importasse.

Roxanne puxou o rosto masculino, unindo os lábios deles novamente, seus corpos se acomodando da melhor forma. Barnes apoiou um pouco do peso de seu corpo sobre o braço de vibranium, a outra mão descendo para a coxa feminina, apertando ali com luxúria, enquanto o beijo se tornava cada vez mais intenso e quente.

Ele estava encaixado entre as pernas femininas, o jeans sendo um péssimo tecido naquele momento, apertando partes sensíveis do corpo masculino que começavam a endurecer depressa.

Seus corpos se moviam de formas instintivas, os pequenos gemidos que Roxanne soltava vez ou outra fazendo com que cada terminação nervosa do corpo de Barnes entrasse em curto. As mãos dela estavam por toda a parte, descendo agora, da melhor forma que a posição permitia, em direção ao abdômen masculino. Ela achou a barra da camiseta que ele usava e o beijo cessou por um momento para que a peça fosse tirada e jogada em um lugar qualquer.

O olhar dos dois se encontrou e Roxanne sorriu, o tipo quente de sorriso que poderia levar um homem a cometer crimes em nome dela. Barnes sentiu as coxas femininas apertarem seu corpo, forçando o peso sobre o dele, fazendo com que rolassem pelo estofado, o balanço oscilando de um lado para o outro com o movimento, tornando a leve vertigem algo ainda mais excitante.

Bucky estava totalmente duro agora, Roxanne lhe encarando de cima, sentada sobre o corpo dele, o cabelo escuro emoldurando-lhe o rosto bonito, o vestido branco colado em todos os lugares certos, os bicos dos seios intumescidos marcados no tecido fino, as mãos delicadas sobre os músculos dele.

Ela se curvou devagar, Barnes apoiou as mãos na cintura feminina, pronto para retomar o beijo, porém segundos antes que isso acontecesse Roxanne desviou o rosto e pousou os lábios na linha entre o pescoço e a clavícula masculina.

Bucky tentou engolir um palavrão quando aquele contato causou reações por seu corpo inteiro, culminando exatamente em sua ereção, fazendo com que latejasse e doesse de forma extremamente prazerosa.

Suas mãos desceram para as coxas femininas, apertando cada centímetro com luxúria, enquanto o toque subia novamente e ele infiltrava os dedos por dentro do vestido, ao mesmo tempo em que Roxanne continuava com aquela deliciosa tortura e beijava o pescoço dele devagar.

Ele subiu o toque mais ainda, ambas as mãos parando na bunda feminina, antes que Barnes movesse a direita para estalar um tapa ali.

Roxanne soltou um gritinho que mais pareceu um gemido e isso foi o bastante, para que ele perdesse um pouco do próprio controle. Se sentou rapidamente com ela segura em seu colo, o jeans sendo um maldito vilão cruel naquele momento. Barnes segurou os fios escuros, fazendo com que o corpo feminino ficasse a sua mercê, puxando um pouco para ter acesso ao pescoço dela e espalhando beijos ali, provando a pele quente com a ponta da língua, chupando por todo o caminho como se nada nunca fosse o bastante.

Ele parou por um instante, seus olhos gélidos queimando quando encontraram as íris de obsidiana. Sua atenção desceu um pouco mais, focando nos seios que estavam bem diante de seu rosto, cobertos pelo tecido do vestido.

Barnes moveu ambas as mãos em direção aos botões, só então notando que tremia em expectativa. Foi abrindo o vestido devagar, vendo a pele feminina ficar ainda mais arrepiada cada vez que seus dedos roçavam nela.

Logo metade dos botões foram abertos e a peça deslizava pelo corpo de Roxanne, se amontoando na cintura feminina, enquanto a italiana ficava nua dali para cima. Bucky finalmente encarou seus objetos de desejo, havia fantasiado com aqueles seios desde o instante em que viu a Donna pela primeira vez. Agora estava olhando livremente para eles e isso parecia irreal.

Ele moveu ambas as mãos naquela direção, tocando a pele macia com a ponta dos dedos primeiro, para então envolvê-los totalmente, os polegares se movendo sobre os bicos. Roxanne soprou um gemido, seus quadris rebolando no colo dele como se o corpo dela implorasse por mais contato. O jeans era mesmo uma merda.

Bucky se curvou um pouco, beijando o vale entre os seios, para então dar atenção total a um deles com a boca, lambendo e chupando, enquanto sua mão direita continuava a manipular o outro. Roxanne gemia mais alto, fazendo o tesão tomar conta de tudo, e o corpo masculino queimar e implorar por liberação.

As mãos femininas empurraram os ombros dele sutilmente, e Barnes afastou um pouco o rosto para que o olhar dos dois se encontrasse. A italianinha estava corada e ofegante, mas tinha as íris negras quase obstinadas.

— Você está vestido demais. — Ela soprou em tom imperativo. — Tire suas roupas, agora, James.

Ele achou que poderia ter gozado bem ali com o quão erótica aquela ordem foi.

Roxanne desceu do colo masculino e o vestido dela escorregou para o chão, havia apenas uma calcinha de renda em seu corpo agora, que Barnes pôde apreciar muito bem enquanto se colocava de pé.

Chutou os sapatos e as meias, desabotoando a calça jeans finalmente. O olhar atento de Roxanne era tão quente que fazia a ereção dele latejar ainda mais. Ele estava só de boxer agora, todo seu contorno delineado no tecido apertado, a italiana mordeu os lábios como se apreciasse a visão e isso atiçou ainda mais desejo nas veias de Bucky.

— Continue. — Ela ordenou, apontando a última peça com um simples movimento de cabeça.

Ele obedeceu, a boxer caindo a seus pés e todo o comprimento rígido de sua ereção livre finalmente.

— Acho que é você quem está muito vestida agora. — Bucky sorriu de canto.

— Vem aqui cuidar disso então. — Roxanne respondeu em um misto de desafio e ordem.

Ele se aproximou em passos muito lentos, contrariando o frenesi de seu tesão descontrolado que o fazia estimular a própria ereção com a mão direita naquele momento, sob o olhar atento das íris negras.

Ela se sentou na beirada do balanço, o lábio inferior entre os dentes e ambas as mãos pousando sobre a dele. O simples toque delicado cruzando todo seu comprimento fez com que Barnes soltasse um palavrão, segurando as cordas que prendiam o balanço como quem se agarra a própria sanidade.

Roxanne o punhetou devagar, como se estivesse testando limites. A bem da verdade, Barnes estava completamente além de qualquer limite, tanto que, quando ela se curvou um pouco mais, pronta para tocá-lo com os lábios, ele impediu. Não aguentaria segurar o bastante se ela fizesse isso aquela noite.

Empurrou a italiana contra o estofado, a mão direita no pescoço dela, um sorriso de puro tesão tomando conta dos lábios fartos.

Barnes tocou a renda com os dedos de vibranium, mas ao invés de tirar a peça do jeito tradicional apenas puxou o tecido de uma vez só, rasgando em dois com sua força.

— Eu gostava dessa calcinha. — Roxanne soprou, mas suas palavras foram quase um gemido.

— Vai gostar mais do que vem depois. — O polegar de vibranium tocou o ponto mais sensível do corpo feminino, deslisando ali facilmente por causa da lubrificação natural.

A italiana estava prestes a dizer alguma coisa, mas a único som que saiu de seus lábios entreabertos foi um palavrão em italiano, que mais pareceu uma súplica.

Barnes ainda tinha a mão no pescoço dela, enquanto a outra acariciava aquele mesmo ponto só pelo prazer de ver o rosto feminino se contorcer de tesão.

— James... — Ela chamou, afastando as coxas como um convite.

— Me diz o que você quer, Italianinha. — Ele tinha a boca praticamente roçando na dela.

— Eu quero que você me foda. — Roxanne soprou no tom de quem dá uma ordem.

Bucky se alinhou entre as pernas femininas, penetrando lentamente como se precisasse sentir cada centímetro de sua ereção ser acolhido pelo calor da italianinha, os gemidos dos dois se misturando no ar de forma erótica, uma prova incontestável do tesão que consumia seus corpos.

Quando chegou fundo o bastante ele voltou, apenas para estocar de novo, mais firme e duro dessa vez, fazendo com que o balanço oscilasse. A forma como Roxanne gemeu no ouvido dele, pressionando as unhas nas costas masculinas, o incentivou a não parar, ir mais rápido e forte, todas as suas terminações nervosas entrando em colapso e seus instintos assumindo o controle.

Ele subiu a mão de vibranium para o seio feminino, tomando os lábios dela ao mesmo tempo, em um beijo extremamente descontrolado. O ritmo frenético de cada estocada tornando tudo um tanto desesperado, como se Barnes tivesse esperado por aquele momento e por aquela italianinha por toda a sua vida.

Ela soltou os lábios dele, escondendo o rosto no ombro masculino enquanto recitava uma sequência desconexa de gemidos e palavrões em italiano.

O prazer foi se acumulando em ondas a cada estocada, Bucky controlava a própria respiração, se segurando no limite até que sentisse o corpo feminino contrair e pulsar, e os gemidos se tornarem uma expressão de prazer inconfundível. Só então ele se permitiu perder o controle, o clímax intenso e arrebatador tomando conta de tudo e o fazendo chegar ao céu e ver as mais belas estrelas.

Se morresse por aquilo, morreria feliz, com certeza.

Aos poucos ele parou de se mover, não permitindo que todo seu peso caísse sobre Roxanne. O olhar dos dois se encontrou naquele momento, ainda unidos e ofegantes. Ela sorriu, o rosto corado, o cabelo bagunçado, as covinhas evidentes. E Bucky guardou aquele momento na memória como quem colhe tesouros de valor inestimável...

Mesmo quando ele se moveu para o lado, os dois ainda ficaram ali, calados, encarando o céu estrelado enquanto o vento frio soprava de forma silenciosa.

Barnes enrolou uma mecha do cabelo escuro no dedo, se permitindo o luxo de não pensar em absolutamente nada, nem nos dilemas, nem nas mentiras.

— Eu realmente sinto muito por não ter confiado em você. — Roxanne soprou de repente, movendo um pouco o corpo para que seus olhos encontrassem os de Bucky.

Ele tocou o rosto dela com carinho, deslizando os dedos de vibranium ali para ajeitar alguns fios rebeldes do cabelo escuro. Roubando cada segundo que podia.

— Esquece isso. Eu mesmo já esqueci. Você é a Donna e fez o que tinha que fazer. — Ele respondeu, se negando a focar em todos os empecilhos, dilemas e problemas. — O que eu quero saber de verdade é se você vai fingir que isso não aconteceu e me empurrar pra outra mulher aleatória amanhã?

— Eu não te empurrei pra uma mulher aleatória. — A italiana se defendeu em um misto de ultraje e diversão.

— Tem razão, não foi pra uma mulher aleatória... foi pra uma específica. — Barnes retrucou, arrancando uma risada dela que fez o coração dele derreter um pouco.

Não se lembrava da última vez que havia se sentido assim por alguém...

Roxanne o observou por alguns instantes, parecendo ponderar um assunto importante.

— Você me disse, ainda hoje, que não queria o rótulo disso... — Ela apontou para os dois. — Então me diz você: o que quer que eu faça amanhã?

Pois é, Barnes havia falado aquilo mesmo. Porém isso parecia importar um pouco menos agora. Ele estava roubando tempo, rótulos eram um tanto irrelevantes.

— Eu quero que você acorde as cinco e vá fazer todas as coisas que uma Donna tem que fazer, seja a rainha da máfia durante o dia, dê suas ordens, faça seus planos, seja fodona, derrube a Hydra. — Enumerou, sabendo que jamais poderia tirar Roxanne de seu caminho, ou afastá-la do objetivo principal de achar o irmão. Talvez ele ainda pudesse ajudar de alguma forma, se conseguisse ficar ali por tempo o bastante. — E de noite, seja minha. Porque, segundo minha chefe, eu tenho as noites livres, sabe?

A italiana sorriu, como se a forma que Barnes disse aquilo fosse tudo que ela queria na vida.

— Eu não quero ser amante de ninguém, verdade. Mas eu posso ser o seu segredo, Roxanne Domenichelli, e você vai ser o meu. — Ele concluiu, no tom de quem faz uma promessa. — O que acha?

— Eu acho que você é excepcional fazendo acordos, Bucky Barnes. — Ela se curvou sobre ele e roubou um beijo.

— Desde quando eu sou Bucky? — Ele franziu as sobrancelhas, quando Roxanne afastou o rosto.

— Achei que seus amigos podiam te chamar de Bucky, você acabou de destruir a minha calcinha, isso não devia me dar esse direito também? — Ela retrucou quase indignada.

Barnes acabou rindo, nunca imaginou que a Donna tivesse levado aquilo a sério.

— A coisa dos amigos não era de todo verdade, muita gente me chama de Bucky, basicamente todo mundo, pra ser honesto. — Ele se permitiu contar aquilo, porque dentre todas as mentiras, aquela podia ser esclarecida. — Mas eu não queria você me chamando assim. — Ele confidenciou, fazendo com que Roxanne franzisse as sobrancelhas. — Você pode se quiser, mas é que acho sexy quando me chama de James.

Ela sorriu, talvez o melhor sorriso que alguém pudesse dar. Ou talvez Barnes só tenha achado isso porque estava totalmente encantado por aquela mulher.

— Você venceu essa, James. — A ênfase fez com que ele sorrisse também.

Roxanne se moveu para fora do balanço, caçando seu vestido no chão e os pedaços de sua calcinha.

— Onde você vai? — Bucky perguntou, franzindo as sobrancelhas, enquanto ela fechava os botões.

— Vou entrar, está ficando frio. — A italiana respondeu como se fosse óbvio. — Você não vem?

Barnes deixou o balanço também, vestindo suas peças de roupa e caminhando para fora do labirinto com Roxanne, depois de recuperar o celular do chão. Ambos voltaram em silêncio, mas não o tipo estranho e pesado, era algo íntimo e confortável o tipo de coisa que só existe entre duas pessoas que compartilham um segredo como o que eles tinham agora.

Entraram na mansão ainda em silêncio, trancaram as portas e subiram para o andar dos quartos, parando na frente da porta de Bucky.

— Boa noite, James. — Roxanne desejou com um sorriso cúmplice, antes de dar o primeiro passo em direção a seu próprio quarto.

— Onde você pensa que vai, Italianinha? — Ele segurou o corpo feminino em um movimento rápido. Empurrando a porta trás de si. — Você é minha a noite toda, lembra?

Puxou Roxanne pra dentro, tomando os lábios dela enquanto girava a chave na fechadura.

Estava decidido a roubar qualquer segundo que conseguisse...

Notas finais
Mas eita... Amo que quando a gente pensa que vai dar merda, a coisa tem uma virada completa kkkkkkkkk Roxanne mirou no lugar errado e não achou nada (pra sorte do Bucky). E no fim, apesar da situação complicada que os dois estão vivendo, eles resolveram ser fieis ao que estão sentido. Barnes tá muito ciente de que tá embarcando em um "relacionamento" com prazo de validade, ele sabe inclusive que isso é um risco enorme pra vida dele. Mas quem é que nunca viveu perigosamente não é mesmo (eu nunca, mas enfim... kkkkkk) Vamos ver onde isso vai dar. Agora tenho uma noticia meio triste, semana que vem eu não vou aparecer por aqui, tenho umas coisas da vida offline pra colocar em dia e provavelmente não vou ter tempo de escrever o capitulo. E como eu sei que vocês sempre esperam a atualização, eu já tô avisando com antecedência. Mas na outra sexta eu já estou de volta Beijos e até!