Open your eyes
1 Prólogo
Todos nós sofremos, mas se pensarmos bem é uma situação normal do ser humano. Normal como perder um dente de leite, como ficar entusiasmado com uma conquista atingida e até mesmo como ficar nervoso no primeiro dia de aula. Mas diferente de qualquer outro sentimento, quando sofremos acreditamos que qualquer coisa é o fim do mundo, exageramos tudo.
Mas você aprende que tudo acaba da maneira certa e que nada acontece sem um motivo, mesmo anteriormente não conseguindo imaginar como terminaria tudo isso feliz.
Sempre idealizei o meu futuro, não existia uma situação que eu não poderia ter imaginado. Obviamente eu me surpreendi. Minha vida não foi a perfeição que estava na minha cabeça, mas uma vida perfeita é uma vida vazia.
Quando eu tinha 12 anos dei o meu primeiro beijo. Normal. Mas eu nunca imaginei que ELE iria voltar a mexer com a minha vida de uma forma tão confusa e turbulenta.
-x-
Julho de 2014
Parecia que planejávamos isso, todo final de semana era a mesma coisa. Vinho, filmes até tarde, uma amiga aleatória, eu, Pedro e Edu. A amiga aleatória tinha que disputar lugar no sofá maior com o Edu que, com seus quase dois metros, se espalhava e não estava nem ai. Eu sempre reservava o meu lugar no sofá menor e geralmente me aninhava no Pedro. Não, eu não gostava dele, sempre considerei isso normal entre nós dois.
O Edu era o amigo homem mais próximo que eu já tive, não éramos melhores amigos, mas um sempre estava ali para o outro. Às vezes bastava olhar nos olhos dele que, mesmo sem dizer uma palavra, eu já conseguia o entender. Já ele, me conhecia como ninguém, era impressionante como ele conseguia descrever os meus sentimentos em todas as situações.
Já eram seis da manha e eu estava caindo de sono, por mais que eu tenha tirado uns cochilos durante os filmes. Dividi um taxi com o Edu e fui para casa, mal podia esperar para me atirar na cama. Quando estava quase dormindo recebi uma mensagem dele, minha vontade inicial era de dar um soco na cara dele.
— Eu preciso falar contigo.
— Estava quase dormindo, mas pode falar...
— Desculpa, mas é sério ok? Não sei como falar isso, mas eu andei observando algumas coisas e queria te perguntar se tu ta afim do Pedro?
— Segunda vez que eu vou te falar isso, não. Da próxima vez que tu me perguntar eu vou te bater.
— Nem um pouco? Eu achei que vocês dois combinam tanto juntos...
— Acho que eu estou virando um gelo.
— Ele me disse que queria achar a menina certa pra namorar. Se ele chegasse em você, tu não iria querer?
— Não.
— E tu acha que vai achar o ideal quando?
— Edu, não é minha culpa se eu acho que ele não é o certo pra mim.
— Em parte...
— Porque tu acha isso?
— Não estou dizendo que seja, mas se a pessoa gosta de ti e tu adora ela como amigo não custa nada dar uma chance. Tu nunca vai gostar de alguém sem ver ela de perto.
— Eu não quero ficar tentando e tentando até achar alguém, não agora, talvez daqui a um tempo eu faça isso. Eu odeio quando eu crio expectativa em alguma coisa e me decepciono, e isso sempre acontece comigo, não apenas em relação ao amor, mas em tudo.
— Não acho que valha a pena tu viver de possibilidades. Tu nunca tentou pra valer, o tempo vai passar e as pessoas vão parar de gostar de ti e vão gostar de outras.
— Eu sei que o tempo vai passar, mas o que tu quer que eu faça se eu não me sinto bem fazendo isso? E eu tenho medo do tempo passar e não achar ninguém.
— Se não tentar, não vai. Já te disse. Sei que estou sendo chato, mas tu sabe que eu falo a verdade e que gosto muito de ti.
— As vezes é bom as pessoas te falarem a verdade, pelo menos vai ter alguém pra falar que me avisou.
— Bem a minha cara né?
— Muito. Resumindo, eu preciso conhecer mais pessoas.
— Resumindo, tu precisa abrir os olhos. Mas do mesmo, ele seria uma boa pra ti.
— Certeza que tu vai falar que me avisou, pensa assim.
— Mas eu não quero...
— Eu preciso conhecer gente nova, estou vivendo muito isolada.
— Sei lá, às vezes o escasso é mais rico que o abundante.
— Boa noite poeta, depois a gente se fala.
— Boa noite, dorme bem.
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