Open wounds, closed heart
21 Dia 21
16/09/2017
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Assim que cheguei cumprimentei Leo e Guang, que conversavam junto ao portão; mas então vi Victor dentro do salão e aproveitei a oportunidade para deixar meus amigos a sós. Conversei rapidamente com Victor sobre a semana dele e perguntei sobre o emprego, recebendo como resposta um olhar culpado de quem ainda não havia decidido o que fazer. Lembrei-o então de que ele podia conversar comigo se quisesse, e ele anuiu e me seguiu para junto do grupo que se preparava para a atividade.
“Mirror Image” era uma atividade em duplas e Victor foi meu parceiro. Victor foi primeiro, fazendo movimentos simples e eu o imitando enquanto lutava contra o nervosismo que eu sempre sentia no começo. Quando foi então minha vez, movi meu braço lentamente sobre a cabeça, as expressões em seu rosto mudando conforme as minhas. Observei a maneira como seus músculos faciais e corporais se moviam, encantado, e, quando percebi o que fazia, abaixei rapidamente os braços. Ele tomou aquilo como um sinal para assumir, aparentemente alheio aos olhares que eu estava direcionando em sua direção, e continuamos com a atividade até que ela se desse por encerrada. No final, senti-me mais cansado do que eu achava possível.
Durante o intervalo, continuei grudado em Victor. Cruzei olhares com Leo e Guang em alguns momentos e em todas as vezes eles me mandaram sorrisos provocativos e satisfeitos, aparentemente interpretando mal a situação. Não que eu não estivesse aproveitando de meu tempo a sós com Victor, mas eu já havia decidido não criar expectativas de um dia ter meus sentimentos retornados. Eu simplesmente queria criar a oportunidade deles ficarem sozinhos, enquanto eu observava e tentava descobrir que tipo de relacionamento existia entre eles.
Durante a roda não houve nada demais. Ninguém andou com muito tempo para fazer nada, aparentemente. Victor não comentou mais nada sobre a oferta de emprego, e Minako tampouco o perguntou a respeito. Falei que havia ido numa consulta com Celestino e que ele ficou feliz com o progresso que eu havia feito até agora, e principalmente com o fato de eu não ter desistido.
Na saída, fui logo em direção ao carro de minha mãe, que já se encontrava estacionado na frente do GAPAD. Despedi-me de Victor, que me acompanhou até o portão, e acenei para Leo e Guang, que me notaram pouco antes de eu partir.
Fui para casa com apenas um pensamento em mente: em precisava muito começar a ir de ônibus.
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