Open Your Heart For Me
7 Capítulo 7 - Um vislumbre da verdadeira felicidade
Notas iniciais
“Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.” — Caio Fernando Abreu
Por: Kati & Annie
Capítulo 7 — Um vislumbre da verdadeira felicidade
Autora Pov's On
Lucy se contorceu nervosamente no sofá.
Ela estava com medo, contar toda aquela bomba de uma vez só para as pessoas a qual estava se aproximando não era legal. Tinha pavor de ser rejeitada, ou de ser um estorvo na vida deles. Não sabia mais se poderia ficar sozinha como antes, pois agora ela sentia a necessidade de ter amigos, e seu medo era que eles tivessem nojo dela. Michelle estava ao seu lado no sofá, Erza no outro lado e Lisanna estava no chão encostada em seu joelho. Levy se aconchegava em uma poltrona e Gajeel estava agachado ao seu lado. Gray ficou no divã e como sempre Juvia estava com ele segurando sua mão. Jellal e Natsu eram os únicos de pé, o rosado estava encostado perto da porta. Estava achando estranho, pois sabia daquilo que o pai da loira fazia, por isso não tinha a mínima ideia do que Lucy iria falar a mais que fosse tão grave quanto.
— Bom — Lucy começou a falar de modo nervoso. — Eu era normal, nem sempre fui desse jeito. Eu era alegre, era feliz... Até que alunos novos entraram no meu antigo colégio... — Ela continuou, contar aquilo para os psicólogos era uma coisa, pois não queria saber o que eles achavam dela. Mas com os seus novos amigos era diferente, o medo estava presente em sua voz, ela não queria se expor e falar tudo, mas tinha a necessidade de falar. Sem nenhum detalhe. Aquilo estava sendo vergonhoso demais e todos estavam muito calados. Respirou fundo: —Enfim, depois de tudo isso, Michelle decidiu fugir comigo. — Olhou para a irmã que sorriu tristemente, passou a mão no rosto contendo as lágrimas e continuou. — ... Com a ajuda de um motorista que era amigo da família... Estava chovendo muito. O carro derrapou na estrada, o motorista morreu na hora, eu só não morri porque Michelle me prensou no banco como um escudo... E então ela ficou em coma, e depois disso tudo piorou. Descobri que meu pai tinha dupla personalidade da pior forma possível. Uma de suas personalidades era extremamente agressiva e violenta. Além de não se lembrar que minha mãe tinha morrido... Ele me considerava, uh, sua esposa. E então começou mais uma fase de inferno. Eram horas de desespero, eu tentei me matar tantas vezes, mas nunca conseguia. Quando eu aprendi a me defender ele não fazia mais nada. Só que já era tarde demais para eu me recuperar emocionalmente... Pode continuar Ever?
Lucy estava se sentindo uma fraca, nunca tinha chorado tanto na frente dos outros, e também não tinha condições de continuar a falar. Estava estranhando todo mundo estar calado apenas escutando atentamente, quer dizer, estava sendo um verdadeiro inferno não escutar nada vindo deles, desde quando se tornaram mais próximos ela se importava com a opinião de seus amigos.
— Posso. Já contou bastante. Olhem, depois disso... — Todo mundo olhou para Ever e Lucy também. — Ela desenvolveu um transtorno pós-traumático. Ela achava, e ainda acha, que todos estão aqui para machucá-la, não só fisicamente... Então ela desenvolveu fobia ao toque humano... O que chamou de muro. —Parou por um segundo. — Além disso, ela também tinha e tem fobia social. Ela repelia amigos e qualquer contato... Tanto físico quanto emocional. Por isso estar falando tudo isso para vocês é um grande progresso, ela está se curando aos poucos.
— Então é por isso que quando ela chegou aqui era tão estranha? — Erza perguntou.
— Sim, era isso. — A doutora concordou. — Nós temos trabalhado nisso, e ela está melhorando. Bastante... Mas agora com essa mensagem tudo se complicou, Lucy. — Ela olhou para loira que a encarou. — Vamos falar com seu irmão, okay?
— Sim, pode ser. —Ela respondeu com voz embargada.
Estava com muito medo, sentia sua garganta seca e seus músculos tremiam como gelatina. Só de pensar que teria de olhar para aqueles dois depois de tudo que lhe tinha acontecido, apenas a menção dessa possibilidade, a fazia relembrar o passado, quando se sentia um lixo, e todas essas memórias estava trazendo à tona lembranças dolorosas. Realmente se achava um lixo, nem amigos ela conseguia ter, afinal, porque eles estavam tão calados?
De repente o pânico tomou conta de seu corpo... Ficar sozinha de novo, desprotegida, largada aos leões. Cogitou a ideia de falar com seu pai. Não queria ficar sozinha, quer dizer, ela se sentia desprotegida, solitária. Sabia o que todos ali estavam pensando em relação á ela. Um lixo, apenas um corpo físico sem alma, e quando estava voltando ao normal, os miseráveis dão um sinal de vida, fazendo com que ela retrocedesse tudo que tinha ganhado com muito esforço.
Sentiu-se fraquejar e seus músculos passaram a ficar dormentes. Cenas vieram em sua cabeça, eles não eram seus amigos, eles não tinham motivos para estarem ao seu lado, não sentirem nojo, eles estavam com pena, isso era visível no rosto de cada um. Em sua visão todos estavam sentindo pena dela, queriam apenas se livrar, como todos fizeram, como seu pai fez, inclusive sua irmã.
Sentiu um aperto no coração, não queria ficar solitária de novo, não queria se sentir sozinha mais uma vez, não queria erguer o "muro" que estava quase que destruído. E quando todos ficaram calados a encarando foi pior, ela se sentiu ainda mais miserável.
— Mas até agora eu não entendi uma coisa... — Levy começou a dizer cortando o silêncio tenso que se formara, e todos olharam para ela. — Quem mandou essa maldita mensagem?
Lucy apenas suspirou, na voz de Levy era visível o horror e pena, pelo menos em sua cabeça.
— Ele. — Todo mundo olhou para Lucy. — Sting Eucliffe. —Disse, sentindo seus músculos arderem e tremerem de pavor. — Ele me chamava assim... "blondie". Por isso eu nunca gostei que me chamassem de "loira".
Lucy olhou para cada um na sala, estavam com as mais diversas sensações e sentimentos estampados em seu rosto, era coisas como espanto e pavor.
Natsu estava a encarando completamente horrorizado. Ele sabia da parte de seu pai, sabia de tudo que ela tinha sofrido na mão daquele monstro enquanto todos pensavam que ela tinha uma vida perfeita.
Mas Natsu não podia nem sequer acreditar que pessoas foram capazes de fazer aquilo com Lucy, em sua visão ela parecia tão frágil, tão... Inocente. Uma raiva se apossou de seu corpo, ele estava se sentindo estranho, seus dentes trincaram, ele estava bravo, muito... Estressado. Nunca poderia admitir que qualquer pessoa que ele considerasse uma amiga passasse por coisas como ela havia passado. Para ele Lucy já era uma amiga, mesmo com aquele jeito irônico e calado dela, ele de certa forma enxergava o que ela tinha por dentro e tudo isso estava preso... Graças a alguns imbecis que ela acreditou que fossem seus amigos. Ele cerrou seus punhos, tentando se controlar.
— Lucy. — Ever a chamou a atenção ela encarou a médica, assim como todos. — Quero que você faça uma coisa para si mesma. —A loira a encarou com as sobrancelhas arqueadas e enxugou uma lágrima irritante que insistia em cair. — Lembra do muro que estávamos desconstruindo? "Demolindo"? — Lucy assentiu. — Quero que você construa ele de uma forma diferente. Só para eles. Sem emitir sentimentos, sem se mostrar para eles, você entende? —Ela ainda estava sem entender o que Ever queria dizer. — Se não quiser fazer isso por você mesma, faça por sua irmã, ela precisa de você. — Lucy suavizou a expressão, mas ainda estava com a testa franzida. — Ou então pense em seus amigos, querida, eles se importam com você.
— Tudo bem. — Respondeu de imediato. — Não sou tão frágil quanto pareço, Ever.
— Sim, querida. Você não é.
— O que podemos fazer para ajudar? — Erza perguntou, sentindo necessidade de agir de alguma forma. Estava tão horrorizada quanto qualquer pessoa da sala, ela tinha vontade de fazer amizade com Lucy. Mas não imaginava uma coisa tão sórdida, tão sofrida, porém de uma coisa ela tinha uma completa certeza... Nunca deixaria de ajudar um amigo e Lucy se tornara uma das mais especiais a partir do momento que a loira resolveu contar a verdade para todos como seus amigos. A ruiva sorriu, essa garota era mais especial do que ela pensava.
— Hum. — Ever pôs a mão no queixo, pensando. — Então, quero que vocês não deixem eles se aproximarem dela, nem falarem com ela, okay? — Todo mundo assentiu. Lucy olhou horrorizada para a médica.
— Ever, acho que isso não é necessário... Não sou um objeto que precisa ser protegido e muito menos uma boneca de vidro que precise do cuidado de ninguém.
— Lucy. — Michelle a repreendeu — Larga de ser tão teimosa. — E então, Lucy se surpreendeu ao ver que Michelle tinha lágrimas em seus lindos olhos azuis acinzentados, aquilo deixou seu coração apertado. — Eu estou aqui para te proteger, esqueceu do que conversamos hoje de manhã? Nunca vou te largar, não importa o que aconteça, eu sou sua irmã. Nunca vou deixar ninguém encostar em você novamente, não para te machucar. Lucy, eu te amo. Deixe de ser teimosa e se fazer de durona. Você não é! — Lucy arregalou seus olhos avelãs em direção a irmã. Sentiu lágrimas flutuarem em seus olhos. — Você é uma garota comum, precisa desabafar. Conversar. Chorar... Lucy, chore. Pelo amor de Deus, eu quero ajudar e você não deixa. Por favor. Me deixe te ajudar... Por favor.
Michelle começou a chorar compulsivamente. Lucy apertou os olhos, se sentiu sufocada, ela não queria chorar daquela forma, não podia... Ninguém se importava com ela, ela era um estorvo até mesmo na vida de seu pai. Mas quando viu sua irmã chorando, uma tristeza tomou conta de seu coração. Não queria ver sua irmã chorando, não por ela, era apenas pena. Mas depois daquelas palavras... Sentiu seu peito se contrair em um soluço que doeu.
— Ela está certa Lucy. — Lisanna disse, a loira ficou surpreendida quando a albina se pronunciou, ela ficara calada desde que entraram na sala. — Amigos, você tem. E ainda por cima uma irmã que te ama. Não seja teimosa. Eu quero ajudar também, pelo amor de Deus. Olha, eu te amo. Desde o dia que te encontrei no banheiro chorando, senti a necessidade de te ajudar, de te amparar. E quando me contou tudo aquilo, fiquei tão assustada. Mas de uma coisa eu tinha e ainda tenho a maior certeza: Você é especial. Nunca se esqueça disso, é muito importante para mim.
Lucy a encarou confusa. Michelle continuava a chorar, e ela sentia seu peito de contrair ainda mais a cada soluço da irmã. Ela não queria chorar daquela forma, não mais. Chorar era sua rotina no início, mas ela prometeu a si mesma que seria forte, seria batalhadora para conseguir viver, pelo menos fingir que vivia.
— Somos seus amigos. — A loira se surpreendeu com Jellal falando. — Lisanna está completamente certa, Lucy. Somos seus amigos. Deixe-nos ajudá-la.
Aquelas palavras vindas de uma pessoa que ela não tinha nem um contato íntimo fez seu estômago se apertar, ela estava se sentindo completamente sufocada.
— Não se feche Lucy. —Juvia que se aproximou e segurou em suas mãos. A loira olhou o contato, confusa. — Não somos como eles, não queremos seu mau, pelo contrario, queremos seu bem. Você é importante para cada um de nós. Uma irmã. Por favor, nos deixe ajudar você.
— Todos nós nos importamos com você. — Erza voltou a falar. — Todos nos preocupamos com seu bem, faremos qualquer coisa para ajudar você. Mas precisa se deixar ajudar. — Lucy sentiu lágrimas em seus olhos.
— Eu sei como se sente. — Ela olhou confusa para Gajeel. Ele estava calado demais. — Cada um aqui tem uma história e nos ajudamos a nos erguer. Queremos fazer o mesmo com você. Sei o quão difícil é se sentir como desse jeito. No início me sentia exatamente assim, mas eu me permiti ser ajudado por todos esses idiotas. — Ele sorriu provocando o riso de todos. — E você se sentirá como eu me sinto hoje. Feliz. — Ele disse acariciando a cabeça da namorada que sorriu.
— Lu-Chan, estamos do seu lado. Mesmo se você não quiser nossa ajuda, iremos ajudar. Eu prometo que espancarei quem se aproximar de você. Eu prometo estar do seu lado. — Levy viu Lucy olhar para o chão. Não merecia tudo isso, ela não merecia.
— Todos nós Lucy. Conte com a gente. — Gray disse. E então uma cascata tomou conta do rosto de Lucy. Ela prometeu a si mesma que não ia fazer isso, não ia chorar, não ia mostrar sentimentos, deixá-los expostos para quem quisesse ver, estava se considerando fraca. Completamente sufocada. Não estava mais aguentando.
— Parem. — Todos se surpreenderam com a voz de Lucy sendo pronunciada.— Parem. Parem com isso. Por favor. Eu não mereço isso... Não. — Ela balançou a cabeça negativamente, compulsivamente. — Não, eu não quero isso. Vocês estão com pena. Deviam sentir nojo de mim, eu tenho repulsa a mim mesma, como vocês não tem? — Ela balançou a cabeça de novo, como se não conseguisse acreditar. — Então parem, eu não mereço. Sou apenas um estorvo para todos. Vocês são muito especiais, deviam sair de perto de mim, eu não mereço, sou apenas lixo...
Ela escutou um estalar de língua e olhou para o rosado que observava tudo em silêncio. Ele estava achando ridículo a loira se martirizar daquele jeito, e então se pronunciou.
— Cala a boca. — Todos olharam horrorizados em sua direção. — Pare com essa palhaçada. — Lucy arregalou seus olhos, nunca tinham falado daquele jeito consigo. — Não estamos pedindo sua opinião, se quer ser ajudada ou não. Nós VAMOS te ajudar. E não se chame de lixo e que não merece. Nos deixe avaliar se merece ou não. Já SOMOS seus amigos, quer você queira ou não. E você vai ser protegida por qualquer um de nós. Então pare com essa merda toda. Você não mereceu porcaria nenhuma do que eles fizeram, você sofreu uma coisa que qualquer um poderia passar. Nada disso foi culpa sua, se tivermos alguém para culpar... Não é você. Pare de se martirizar por uma coisa que você não é. Pode se considerar um lixo, mas nós não consideramos isso. Então cala a boca. — Lucy contraiu os lábios mortificada. Ninguém nunca disse nada assim para ela. Ela arregalou os olhos um pouco quando o rosado saiu da sala. — Já vou avisando, estarei de seu lado mesmo que você me queira longe, mesmo que você me expulse. Nunca saírei, está escutando? Não é uma promessa. Eu IREI fazer isso. —Com o aviso dado, saiu da sala. Um silêncio ensurdecedor se fez presente no ambiente.
— Lucy. — Ever disse se virando para a loira que estava branca como papel e com os olhos arregalados. — Lembra o que eu te falei? Aqui, não somos como no colégio anterior e você conquistou amizades, mesmo com esse seu jeito, ainda dúvida que é especial?
A loira olhou para todo mundo que assentiu. Lucy ainda estava mortificada, quer dizer, como ele ousava falar daquele jeito consigo?
— Lucy? — Michelle a chamou, mas ela não respondeu. Ao invés disso, ela se levantou com uma raiva suprimida, ela não iria escutar um 'cala a boca' e realmente ficar calada, e sem falar ao menos uma palavras ela saiu porta a fora. Michelle gargalhou e todos olharam para ela.
— É... Essa é a Lucy. A Lucy verdadeira. Se fosse a Lucy sem sentimentos ela apenas deixaria de lado e não falaria nada. Mas eu conheço a minha irmã. Conheço ela de verdade e tenho quase uma certeza de que, ela não deixaria ninguém mandar nela, falar tudo aquilo e sair. — Michelle sorriu.
E todos entenderam, ela tinha ido atrás de Natsu.
[ ... ]
Natsu se sentou num banco de frente a saída. Ele estava um pouco confuso, porque ela se culpava tanto? Porque ela se sentia daquele jeito? Afinal, eles só queriam ajudar e ela se fachava desse modo? Mas em parte dele entendia, pois ficou quase igual quando aquilo aconteceu com ele, e ele não se abria. Mas era completamente diferente do que aconteceu com Lucy, e ele tinha uma certeza: Não iria deixar ela se sentir daquele jeito.
— Agora... — Natsu se assustou e viu Lucy parada atrás de si com os braços cruzados e pés batendo no chão. Seus lábios estavam comprimidos em uma linha fina, ela estava brava... Realmente brava. — Quem você acha que é para me mandar 'calar a boca' falar como eu devo agir, como eu devo sentir e sair daquele jeito? — Natsu suavizou a expressão para quase divertida.
— Natsu Dragneel. — Ele deu nos ombros. — Prazer.
Lucy inalou o ar bruscamente e o olhou com fúria.
— Ah, que ironia. Cale a merda da sua boca você. Pelo amor de Deus. Você vem e me fala um monte de coisas, em parte foi bem legal. Mas você vem e me manda calar a boca? Ah, meu bem, não me mande calar a boca. Nem quando meu pai me espancava, me excurrassava... Ele sempre me mandava calar a boca, eu nunca obedecia. Ai me vem você e me manda simplesmente fazer o mesmo? Oh, eu não vou me calar, seu idiota. Não vou mesmo.
Natsu a olhou surpreso. Ela nunca tinha falado daquele jeito, pelo menos não com ele.
— E você acha que eu ia deixar você se martirizando daquele jeito? —Ela o olhou com as sobrancelhas franzidas. — Ah, faça-me o favor. Sim, e cala a boca toda vez que falar daquele jeito... Você não é nada do que imagina. Então cale a boca.
— Eu não vou calar merda nenhuma. Você realmente não manda em mim.
— Agora você está se fazendo de idiota, na verdade você é uma grande lerda. — Natsu tinha entendido. Quando ela ficava brava, voltava a ser aquilo que era antes, e ele estava adorando ver ela daquele jeito.
— ... Lerda? — Ela olhou para ele. — Você acabou de me chamar de lerda? — Ela semicerrou os olhos quase os fechando. Mau sinal.— Seu grande e completo imbecil, maluco, desgraçado! Quem você é para me chamar de lerda?
— Sim, você é lerda! Sabe porque? Porque você não entende que todos se preocupam com você, não por pena. — Natsu se aproximou e Lucy o olhou com as sobrancelhas arqueadas. — Você é especial Lucy. Você é engraçada e mesmo sendo mareenta e teimosa é muito especial, única. — Ele deu um passo. — Todos nós queremos ser seus amigos, de verdade. Basta você aceitar-nos, porque, pelo menos para mim... Você já é uma grande amiga. — Lucy desmanchou todo aquele sinal de que estava brava, seus braços se descruzaram e sua boca suavizou, ele estava conseguindo realmente a tocar com aquela palavras. — Então você tem realmente que calar a sua boca, você não é o que imagina. — E então Lucy prendeu bruscamente o ar quando o rosado a abraçou. Seu peito se contorceu e ela arregalou seus olhos. — Deixe-nos nos aproximar de você. Tocar em você.
Ele a apertou em seus braços. Lucy sentiu seu peito tremer, uma coisa estranha se aqueceu dentro dela. Ela não sabia o que fazer, seus braços estavam imóveis. Sentiu seus olhos marejarem de novo.
— Eu.., Me larga Natsu. — Ela se debateu um pouco.
— Não. —Ele disse apenas. — Mesmo que você me implore Lucy, eu NÃO vou sair de perto de você. — Então ela desmoronou. Lágrimas grossas e quentes inundaram a camisa do rosado. — Chore Lucy. — Ela envolveu seus braços em volta de Natsu segurando suas costas. Natsu sorriu, ele planejava isso.
— Eu... — Ela não conseguia falar nada. Se agarrou tão forte a Natsu que nem sabia que seria capaz de fazer isso.
— Não fale nada Lucy. Apenas chore, eu estarei aqui.
Ela fez o que ele disse. Não falou mais nada, não precisava de palavras. Não precisava falar mais nada. Para ela... Ali estava um dos grandes fatores para sua cura: Se importar com os amigos.
— Oh, meu Deus. — Michelle exclamou assim que chegou no pátio, a cena fez com que seus olhos se enchessem de lágrimas. — Não acredito. — Ela viu Lucy agarrada á Natsu, como uma videira. O rosado acariciava o cabelo dela e eles não se separavam.
— Completamente inesperado. — Erza disse. — Achei que eles estariam se matando.
— Juvia também achou. — A azulada concordou.
— Ele não perde tempo. — Gray disse revirando os olhos. Michelle deu uma cotovelada nele. — Ai!
— Cala a boca, eu sinto que isso é um grande passo para Lucy, tenho que agradecer á Natsu depois. — Michelle sorriu e todos concordaram. — Nem quando eu acordei ela me abraçou desse jeito. Meu Deus. Minha irmã está melhorando, logo a Lucy verdadeira estará de volta!
— Graças ao Natsu! — Levy disse completamente feliz, assim como todos que estavam sensibilizados com a cena.
Autora Pov's Off
Natsu Pov's On
Por alguma razão eu não quero soltá-la.
Se eu pudesse congelar o tempo, faria deste momento eterno. Queria que ela sentisse esse estranho carinho que sinto por ela a todo instante, por que sei que no exato momento em que nossos corpos se separarem, toda a sua insegurança vai voltar com força total. A aperto em meus braços, enquanto ela ainda chora lágrimas dolorosas em meu peito. Avisto meus amigos com feições perplexas para nós dois, encolhidos como um bando de ratos à espreita. Lucy está de costas para eles, e mesmo assim não poderia ver nada por que a cada segundo ela aperta ainda mais minha camisa. Vejo Michelle tentar falar algo para mim, mas apenas faço que não com a cabeça e com um gesto no olhar mando eles irem embora. Depois de alguns segundos de relutância, eles saem aos cochichos de perto de nós, e Michelle me envia um olhar relutante, porém carinhoso, antes de desaparecer.
Sei que ela está preocupada com a irmã, mas preciso desse mínimo momento de contato reservado e privado com ela. Tenho certeza de que faz muito tempo que ela não se aproxima de alguém dessa forma e isso é totalmente compreensível. Não consigo conter a raiva que sinto toda vez que me lembro do que aqueles filhos da mãe fizeram com ela, e juntamente com seu pai é ainda mais revoltante. Eu quero chorar também. De ódio e impotência, mas sei que agora tenho que ser forte e sorrir, por ela. É desesperador saber que um amigo passou por todas essas coisas e eu não estava lá para ajudar. Não consigo parar de pensar que se eu a conhecesse antes, isso nunca teria acontecido. A vida é bela, mas muito cruel nesses aspectos.
Muitos podem dizer que tinha que acontecer, entretanto discordo totalmente. Ninguém merece esse tipo de coisa, e se isso for destino, eu quero que ele se dane! À merda todo esse papo de predestinação, por que se ela teve que sofrer tudo isso para chegar até aqui e nos conhecer, preferiria que nós nunca tivéssemos nos encontrado, para assim evitar todo esse sofrimento.
Não sei quantos minutos passaram, mas ela continua a chorar. Eu sei como se sente, pois tenho certeza que nesse momento ela está se sentindo a mais frágil de todas as criaturas. Houve uma época para mim que chorar era sinônimo de fraqueza também. Mas depois de anos amargurado, percebi que se não mandarmos as tristezas para o inferno e tentarmos ser feliz, viveremos a todo dia como cascas ocas desprovidas de sentimentos. E eu não quero isso para Lucy, pois desejo mostrá-la que nós podemos fazer nossa própria felicidade, sem esperar que ela venha bater a nossa porta. Mas antes, preciso que ela queira lutar por isso.
Calmamente, acariciei seu cabelo, e a guiei até o banco onde estava sentado anteriormente. Fiz com que ela sentasse ao meu lado, ainda com a cabeça encostada em meu peito. Ela obedeceu sem relutar, está muito cansada para protestar algo. O cansaço emocional é terrível, principalmente quando se reprime por tanto tempo como ela. Aos poucos ela está se acalmando, mas não me importo que ela chore o dia inteiro se precisar. Quero que ela confie em mim para contar suas dores e mostrar que na verdade é uma garota doce e inocente, ao contrário da turrona marrenta que ela finge ser.
Se aconchegando mais, ela dobra as pernas ao lado do corpo, deixando seu rosto um pouco mais à mostra por não estar mais enterrado em minha camisa encharcada. Ainda consigo ouvir seus soluços baixos, abafados pela ventania fresca do fim da tarde que faz nossos cabelos e árvores balançarem. Junto com a brisa do campo, chega em minhas narinas seu cheiro doce, e passou a observar a garota em meus braços com outros olhos. Seus fios loiros são de um dourado radiante, e admirado puxo uma mecha entre os dedos e inalo o cheiro doce da fonte. Lucy é uma garota linda e encantadora e nem mesmo seu jeito frio conseguiu esconder isso de mim.
Tento acariciar seu braço levemente, mas ela se retrai na mesma hora. É, acho que acariciar sua cabeça é o limite para ela. Suspiro, não posso ir rápido demais, ela pode pensar coisas erradas ao meu respeito. E quando percebo que ela está se desprendendo de mim, tenho vontade de agarrá-la novamente em meus braços, mas me contenho. De cabeça baixa, ela apoia as mãos no banco, quase de frente para mim. A ouço fungar e em seguida ela esfrega os olhos com as costas da mão como uma gatinha, e a cena seria ainda mais fofa se estivéssemos em outra ocasião. E então ela me olha, com suas grandes orbes chocolates marejados, o nariz arrebitado vermelho e lábios trêmulos, e eu quase me desabo com essa visão triste. Volto a mim quando ela começa a falar.
— Muito... Obrigada, Natsu. — ela mostrou um de seus raros sorrisos mínimos — Eu... me desculpe, eu realmente não queria chorar assim, eu sempre acabo preocupando as pessoas. Não queria ser um estorvo...
— Eu acho que vou ter que mandar você calar a boca de novo... — A interrompi, como quem não quer nada, dessa vez com um tom de divertimento na voz e com olhar travesso.
Me surpreendi quando ela riu com o nariz e desviou o olhar para baixo. Provavelmente é muito difícil fazer isso, por isso fico extremamente feliz. Já é um segundo grande avanço.
Agora tenho que fazer de tudo para nos tornamos amigos, por que, mais do ninguém eu quero isso. Eu sinto que devo conhecer mais dessa menina encantadora que está escondida aí dentro, e ficarei muito orgulhoso de trazê-la a tona.
— Acho que isso foi bom para mim... Sabe, colocar tudo para fora? — Assenti, ouvindo atentamente. — Eu te agradeço muito, mas peço que não force a barra. Isso tudo é muito difícil para mim. Falar, tocar, demonstrar... São sentimentos que eu matei dentro de mim, para me auto-proteger. E está sendo bem difícil voltar ao que era antes.
— Entendo o que quer dizer, Lucy. Na verdade, já fui bem parecido com você um dia. — Ela me olhou incrédula e eu ri. — Já levei uma boa rasteira da vida, e depois de muita luta eu segui em frente. Se eu disser que hoje me recuperei totalmente estarei mentindo, mas não dói mais como antes. E eu quero te ajudar a amenizar sua dor também, por que, o que me ajudou a sair do fundo do poço foram aquele bando de idiotas que você conhece.
Ela me olhou com compreensão e seu rosto já estava suavizado, mesmo que ainda triste. Em um gesto delicado ela coloca uma mecha do cabelo atrás da orelha e olha para o horizonte, com o vento balançando seus fios e um olhar distante. Ela não tem ideia do quanto ficou bonita desse jeito.
— Amigos. — pronunciou a palavra calmamente, como se tivesse refletindo internamente. E eu sei que está, pois as pessoas mais caladas são as que mais tem mentes barulhentas. — Desde sempre soube que nunca teria amigos, pois todos eram interessados no meu dinheiro, então eu tinha apenas a Michelle. Não que eu reclame, minha irmã é maravilhosa e a única pessoa que sempre amei nessa vida, mas... Eu queria mais. Queria ter amigos que gostassem de mim pelo o que eu sou, não pelo o que tenho. E... — Sua voz ficou embargada, com as lembranças dolorosas. — Quando aqueles dois se aproximaram de mim eu fiquei tão feliz. Fui burra, e não vi os montros que eles são. E depois de tudo isso minha vida passou a ser um inferno. Confiança, Natsu. — Deu ênfase, me olhando nos olhos. — E difícil para mim confiar depois de tantas decepções. Sei que as pessoas não são todas iguais, mas como quer que eu haja se todas as que conheci me decepcionaram?
Meu peito se apertou, ela tem razão. Ela tem medo de ser enganada, traída mais uma vez. Afinal, quem não teria no lugar dela? Estiquei a mão para tocar seu ombro, mas parei no meio do caminho e recuei. Não posso forçá-la. Ela suspira de alívio com a minha atitude consciente.
— Eu entendo você perfeitamente, mas peço que dessa vez, só essa vez, nos dê uma chance. — Suplico com carinho e contenho a vontade de pegar sua mão. — Acho que já demonstramos milhares de vezes que estamos com você, e que somos seus amigos. Eu juro que não vou te decepcionar.
— Eu quero fazer isso, Natsu. E vou. Não só por eles, mas por mim. Quero me dar uma chance de tentar, só espero não me arrepender depois. Afinal, você não me deu muita confiança para acreditar em você, foi você mesmo que conseguiu isso.
Pela sua expressão de desgosto, sei que ela está falando da demonstração na aula de sexologia. Droga. Me estapeio mentalmente e dou um sorriso amarelo, por que eu ai da tenho essa mania de ser idiota. Mas cara, eu não sabia disso tudo... Mas é lógico, eu nem a conhecia. Eu e minha mania de julgar que ninguém tem problemas.
— Sabe, eu realmente tenho que te pedir desculpas de verdade. — Coço a nuca sem graça e ela me olha ironicamente. — Sério, eu sou um idiota. Me desculpa mesmo, pode me bater, eu deixo. — Virei o rosto para ela, de modo dramático.
Cara, eu realmente disse isso? Acho que estou aprendendo com a Erza...
Meu cérebro demorou para raciocinar e só depois que eu senti o ardor foi que eu percebi que ela havia mesmo batido em mim, e bem forte. Arregalei os olhos para ela, boquiaberto.
— O quê? Você me deu permissão, achei que estava falando sério. Mas que garoto sem palavra. — Balançou a cabeça e estalou a língua. Espera aí, ela estava brincando com a minha cara? — Além do mais... — Ela se fica de pé e cruza os braços, com um sorriso irônico. — Você mereceu.
Depois de alguns segundos de apatia e Lucy com uma feição vitoriosa, eu comecei o rir. Minhas gargalhadas foram tão fortes que tive que me inclinar para frente no banco.
— Qual é a graça? — Ela perguntou carrancuda.
Fui parando de rir aos poucos e quando a olhei ela estava com cara de poucos amigos.
— Você.
— Ah, então sou engraçada?
— Hilária, na verdade. — A corrigi de propósito, o que a fez se irritar ainda mais.
— Sou lerda e agora comediante, o que mais posso ser para me tornar ainda mais ridícula?
— Bonita, meiga, inteligente, engraçada, carinhosa, praticante de humor negro e acima de tudo não é nada ridícula. Você é uma das pessoas mais maravilhosas que conheci, e olhe que conheço muita gente.
Lucy ficou mais que surpresa com a minha declaração, já que ela sempre espera que as pessoas vão pensar o pior dela. Mas absolutamente tudo que eu falei é verdade. Vejo um vislumbre de rubor em suas bochechas, mas ela logo pigarreia para espantar a vergonha e desvia o olhar do meu. Eu a deixei sem palavras, ótimo. Sorrio internamente.
— Você é legal, Natsu. — Ela disse calmamente e antes que eu posso ficar feliz por esse progresso, ela corta meu barato: — Mas também é chato, irritante, inconveniente, grosso e, acima de tudo, tarado.
Me finjo de ofendido, mas na verdade estou ganhando por dentro. Esse é o seu modo de defesa quando ela está insegura, fala o que pensa sem se importar. Mas quero fazê-la rir.
— Poxa, eu aqui, te elogiando e você vem dizer essas calunias sobre mim? — Enxugo lágrimas falsas, e ela revira os olhos.
— Não são calúnias, eu só digo a verdade que ninguém consegue. — Ela dá nos ombros e me envia um olhar irônico.
Ativo meu modo palhaço idiota e sem noção. Sorrio diabolicamente para meu interior.
— Eu também digo a verdade que ninguém tem coragem de dizer... — Ela me olha confusa. — Eu sei que seu cabelo é pintado. Sua loira oxigenada, você não me engana!
Seu queixo cai uns vinte centímetros e seus olhos parecem sair fora de órbita.
— COMO É QUE É?
— É isso mesmo que você ouviu, sua loira de farmácia. — Rebato de modo irônico, e como uma criança lhe mostro a língua.
— Ora, seu...
E inesperadamente, ela avança como um leão para cima de mim, e eu só tenho tempo de pular do banco e me por a correr. Ela está com muita raiva e eu apenas rio enquanto continuo a fugir. Passamos pelo gramado e a cada gargalhada minha ela parece inchar mais de raiva. Apresso a corrida e vou para o outro lado da fonte de água no meio do pátio, preparado para correr a qualquer momento.
— Não sei por que você está tão nervosa, sabemos que é verdade. — Ela rosna e faz menção de me atacar, e eu contorno a fonte. — Além do mais, sei que seu cabelo nem é liso, portanto se eu molhar.... — Olhei sugestivamente para a água.
— Você na seria capaz...
Antes que ela terminasse, joguei um jato de água em seu rosto, que a molhou completamente na parte de cima. Ela fechou os olhos fortemente e passou a mão pelo rosto, e eu apenas ri.
— Eu. Não. Acredito. Que. Fez. Isso. — Pronunciou pausadamente, se antes ela estava com raiva, agora estava possessa. Fechei a cara e recuei alguns passos quando a vi pegar uma pedra do tamanho da minha mão do chão.
Engulo em seco, ela é muito nervosa.
— Calma aí, Lucy. Eu só estava brincando.
E quem disse que ela escutou?
— Seu desgraçado de cabelo de algodão doce, quem é você para falar do meu cabelo?! EU VOU ABRIR SUA CABEÇA!
Vish. Só tive tempo de gritar um 'Ei!' antes de me jogar para o lado, evitando de ter um traumatismo craniano. A pedra atingiu um arbusto e ouvimos um 'Ai!' bem sonoro vindo dali. O quê?
— Desde quando arbustos falam? — Perguntei debilmente.
— Como você é idiota, Natsu. — Lucy me fuzilou com os olhos, não sei se ela estava ainda com raiva de antes, ou por que não conseguiu me acertar. — É óbvio que estão espionando a gente. SAIAM DAÍ!
Nossa, ela gosta de gritar. A olhei confuso até que vi todo mundo sair de trás do mato... Bando de ridículos. Ao fundo, vi Gajeel massageando a cabeça, provavelmente foi o atingido. Todos estavam com galhos nos cabelos e roupas, uma cena hilária.
— Até você, Michelle? — Lucy não estava acreditando.
A segunda loira tentou se defender.
— Eu estava preocupada com você.
— E precisava disso, todos vocês? Isso é invasão de privacidade.
— Ai, Luce, deixa de drama. — Me intrometi. E como resposta, ela jogou água na minha cara.
— Cala a boca. Não estou falando com você. E meu nome é LUCY, com Y.
Bufo, que estresse.
— Você quase matou meu namorado, Lu-Chan. — Levy inclina para beijar Gajeel com carinho.
A loira desdenha com as mãos, acho que é a maneira dela de pedir desculpas.
— Tenho sorte de ter uma cabeça dura, se não estaria com o crânio aberto neste momento.
— Cabeça dura, Gajeel? — Gray indaga, incrédulo. — Você tem é uma testa de aço, acho que todo seu esqueleto é de metal. Nem sangue saiu! E olha que pedra é grandinha.
— Se isso que acontecesse com Gray-sama, Juvia não sabia o que faria! — A azulada exclama dramaticamente, se agarrando ao braço do mesmo.
— Provavelmente todos estaríamos no hospital nesse momento. — Erza conclui a possibilidade de Juvia e suspira. — Já que o Gray é o mais mole de todos aqui.
— Ei!
— Nem adianta negar, Gray. Isso é verdade. — Jellal diz meio risonho e o moreno fecha a cara. — Ou você não lembra daquela vez na quarta série, quando você se engasgou com um cubo de gelo? — Todos começam a rir, até ele mesmo. — Você quase morreu, cara.
Tenho algumas lembranças disso no passado, e até mesmo Gajeel e Michelle que não presenciaram isso se colocam a rir, enquanto Gray tenta desesperadamente se explicar, mas ele sempre será um idiota. Olho de relance para Lucy e vejo que ela olha nosso divertimento, e observo um quase sorriso em seus lábios. Vamos lá, Lucy, sorria! Mas ela me percebe a fitando, e fecha a cara novamente. Nossa, ela ainda está realmente brava comigo.
Abro um largo sorriso maligno, e olho sugestivamente para a água e depois para ela. Lucy arregala os olhos e tenta dar um passo para trás. Mas antes que ela perceba, eu corro e a pego nos braços.
— Kyah! Natsu, me põe no...
Kabum!!! Tarde demais, depois rio e pulo com ela na água, e nos encharcamos com o impacto e a fonte ligada nos molha como um chuveiro. Um silêncio tenso se forma e todos nos olham incrédulos. Até que, o mais retardado de todos, lógico, o Gray, grita:
— GUERRA DE ÁGUA!
E no segundo seguinte todos pulam na fonte, de uniforme e tudo. E a guerra começa. Borrifamos água uns nos outros, como um bando de crianças no jardim da infância. A fonte mais parece uma piscina, pois é bem larga e a água bate em nossos joelhos. Eu adoro esse tipo de coisa, sabe, brincar como retardados e rir sem motivos. E eu quero Lucy passe a ser assim também.
E então, tenho a visão mais perfeita do mundo, e tudo se congela para mim.
Brincando com todos, com os cabelos molhados e sorriso no rosto, Lucy está gargalhando como uma criança. Meu coração se enche de alegria, ela ficou ainda mais maravilhosa desse jeito. Feliz. Acho que ela nem se deu conta do que está fazendo, já que me parece tão espontâneo, e os retardados estão brincando demais para perceber. E, inesperadamente, me olha. Quase me estapeio mentalmente, com medo de que ela volta a ficar séria por se dar conta de eu a analisando. Mas aí, ela sorri. Um sorriso grande, largo e verdadeiro, que de tão grande fez seus olhos ficarem pequenos e duas covinhas fofas surgiram em suas bochechas. E ela volta a jogar água em mim, se permitindo que eu veja que ela está feliz. Como se me agradecesse por isso.
E, agora sei, que, a partir de hoje, eu protegerei esse sorriso. E viverei todos os dias para que ele surja muito mais vezes, até que a felicidade se torne rotina em sua vida.
— O que diabos vocês pensam que estão fazendo?! — Ouvimos a voz raivosa da diretora Mavis, e todos paralisamos. A terceira loira está nos fuzilando com o olhar, de braços cruzados e balanço o pé impacientemente.
Merda, ferrou.
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