Open Your Heart For Me

5 Capítulo 5 - Você não está sozinha!


Notas iniciais
Yo! Não estou atrasada estou? Espero que não... Esse capítulo é muito especial para mim. Eu realmente escrevi ele pensando em muitas coias baseadas em mim. Espero que gostem de coração. A situação da Lucy era bem mais intensa que vocês imaginam, muitas pessoas falaram assim: "Ela foi estuprada" bom, isso é verdade. Mas depende, é muito relativo. As dores podem ser causadas por muitos motivos, mas a agressão verbal doí mais que a física... Esmaga a gente por dentro. Estou falando demais. Espero que gostem. De coração. Como esse capítulo é meu preferido, coloquei duas frases. Lindas, na minha opinião. Enfim... Espero que gostem! Até as notas finais! Boa Leitura.!

“Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas: jamais jogue alguém fora.” – Audrey Hepburn

Por: KatiChan

Capítulo 5 — Você não está sozinha!

Autora Pov's On

A Loira estava impaciente. Queria ter ficado com Michelle, mas seu pai insistiu que ela fosse para casa e a médica deu alguns sedativos para a irmã da loira. A parte boa era que, Michelle sairia do hospital dentro de uma semana se tudo corresse bem. E nas rezas da loira tudo ia sair como planejado. E bem melhor do que todos estavam esperando.

— Não sei porque meu pai quer que eu vá para casa... — Ela murmurou pela décima quinta vez.

— Lucy, se ele quer que você vá é por um bom motivo, vamos anime-se! Sua irmã acordou! — Lisanna disse sorrindo. Lucy sorriu abertamente logo após ao que a albina havia dito.

— Você tem razão. Eu poderei visitar ela amanhã certo? — Lisanna sorriu e assentiu alegre.

— Laxus, tudo bem? — O loiro estava calado, não falava uma palavra se quer. Lucy estranhou e tudo que estava pensando estava se concretizando.

— Sim. — Ele disse apenas. Lucy deu nos ombros e se virou para a janela vendo os portões da mansão e alguns guardas os abrindo. A loira notou um carro estacionado em frente a mansão. Arqueou as sobrancelhas. Já estava escuro e de noite.

Saiu do carro sendo acompanhada por Lisanna, abriu o portão e olhou na sala. O senhor de cabelo vermelho estava lá, acompanhado da filha de cabelo azul e Natsu. Lucy arqueou as sobrancelhas e inclinou a cabeça para um único lado.

— O que está acontecendo aqui? — Ela perguntou confusa, Jude se virou para a filha e sorriu. Lucy bufou.

— Estamos comemorando que sua irmã acordou... — Jude estava com um sorriso, a expressão dele... Lucy conhecia, ele estava pedindo para ela ficar calada.

— É mesmo? — Ela perguntou sorrindo sárcastica. — O senhor contou a verdade? — Ela inclinou a cabeça para um lado. — A verdade mesmo?

— O que ela está falando Jude? — Igneel arqueou as sobrancelhas.

— Lucy! — Jude a repreendeu. — Pare!

— Parar?! — Ela sorriu. — Eu parar? Para o senhor. Mentir é feio, sabia papai? — Jude a encarou com fúria. — Nem vem me encarar assim... Perdi o medo nesse olhar desde do ano passado, depois da última surra... Esqueceu? — Lisanna mobilizou assim como todos, Jude ficou estático e Lucy gargalhou. — Quer saber? Eu estou cansada. — Ela subiu as escadas correndo. Lisanna ficou parada no local. Laxus ficou com uma fúria desumana, se ele não estivesse tão aterrorizado com essa história ele bateria no maldito até ele chorar.

— Jude, é verdade? — Igneel disse horrorizado.

— Claro que não. — O pai estava pronto para subir atrás de Lucy mas Laxus o impediu. — O que está fazendo?

— Não. Se. Aproxime. — Jude ficou com uma expressão ilegível. E então ele reconheceu o segurança.

— Você?! — Todos estavam mais que confusos.

— Como vai senhor? — Laxus perguntou sarcasticamente. — Deixe ela em paz.

— Quem é você para mandar em mim seu moleque? — Laxus o empurrou bruscamente.

— Se você encostar um dedo na minha irmã eu vou te caçar até no inferno. — Laxus disse sombriamente.

— Irmã?!? — Lisanna se recuperou do choque. A albina então nem pensou na sua pergunta, saiu correndo em direção as escadas. Indo atrás da loira.

— O que você está fazendo aqui? — Jude perguntou ficando numa posição defensiva.

— Vim resgatar minhas irmãs da mão de um monstro.

— Elas são menores de idade, você não pode fazer nada. — Jude disse sárcastico.

— Wendy, vai até a Lucy. — Igneel ordenou para a filha, estava ficando uma situação meio tensa. — Vai! — A azulada apenas assentiu confusa e começou a subir as escadas, Natsu era o que mais estava imerso á tudo. Ele não estava entendo nada. — Natsu... Vai também.

— Como assim? Ela não vai aceitar que eu entre no quarto.

— Lisanna está lá. Vai. Temos que conversar. — Natsu subiu as escadas á procura do quarto da loira assim como a irmã.

— Jude, o que aconteceu com a Lucy? — Igneel perguntou. — Fale a verdade.

— Eu nunca vou falar, vocês podem fazer o que quiserem. Lucy também nunca vai falar. — Jude disse com convicção.

— Ela já falou. — Laxus deu nos ombros — Ela conversou com a psicóloga da escola e contou para a Lisanna, confesse Jude, não tem volta. — Laxus disse segurando a gola do paletó do homem que apenas engoliu em seco a expressão horripilante no rosto do loiro.

— Nunca. — Ele disse calmamente. Laxus o largou.

— Ótimo, vou amar ter minhas irmãs na minha casa. — Laxus disse sorrindo.

— Elas são minhas. — Jude disse sombriamente.

— Elas não são objetos. — Igneel interviu. — Jude, eu te conheço desde o colegial, mas o que você fez com sua filha?

— Dei o que ela merecia. — Jude disse dando nos ombros indiferente. — Afinal, ela foi responsável por tudo de ruim que aconteceu comigo... — O rosto de Jude se voltou para trás quando recebeu um soco bem no nariz.

— Seu maldito. — Laxus partiu para cima do mais velho mas Igneel pôs a mão em seu peito.

— Pare rapaz. — O ruivo era bem calmo, mas até ele estava perdendo a paciência. — Jude, sinto informar, não quero fazer nenhuma parceria com você. De nenhuma forma.

— Igneel... O que está falando?

— Ainda vou provar que esse jovem tem mais capacidade de criar as irmãs do que você. — Laxus soltou Jude novamente e apenas respirou fundo.

— Seu velho maldito, tinha que ter vindo atrás delas á bem mais tempo, mas sabe, depois que você tentou me matar, eu achei que seria melhor elas ficarem em sua companhia mas vi que não... — Laxus subiu as escadas. — Eu vou tira-la daqui hoje mesmo.

(Com Lucy)

A loira entrou em seu quarto e bateu a porta forte.

Um dos travesseiros estava espalhado pelo chão. Ela chutou, esmurrou e rasgou muitos dos travesseiros, até se lembrar da expressão de seu pai. Aquela expressão era horripilante, poderia não causar medo nela, mas trazia muitas lembranças que ela queria esquecer. E então ela caiu. Caiu quase que de cara no chão. Protegeu seu rosto com o cotovelo e ficou alí no chão encarando o teto.

— Lucy?! — Lisanna entrou no quarto vendo Lucy deitada no chão soluçando. — O que aconteceu? Porque não falou isso com a Ever?

— E-Eu não achei necessário. — Lucy disse soluçando. Lisanna se aproximou da loira e se sentou no chão acariciando a cabeça dela, sentiu que a loira estremeceu.

— Lucy, eu estou aqui. — Lisanna apenas ficou ao lado da loira e ligou a luz clareando o quarto todo em cores escuras. — Porque preto?

— Muitas pessoas tem medo de escuro... Mas eu não. Eu tenho medo da luz... — Lisanna olhou confusa para ela. — No escuro nunca fizeram nada comigo, nem naquele lugar dos horrores e nem na minha casa, mas quando acendia a luz, tudo ficava pior e pior. Escuro me acalma. — Lucy disse respirando fundo e limpando seu rosto com as costas da mão.

— Entendo. Eu não gosto de escuro... — Lisanna seu nos ombros. Escutaram batidas na porta e a azulada entrou no quarto.

— Lucy-Chan, posso ficar aqui? — Lucy arqueou mais uma sobrancelha. — É que... Meu pai me mandou sair da sala, eles estão tendo uma conversa séria. — Lucy sorriu para a azulada e se sentou na cama junto com a albina.

— Tudo bem, pode ficar aqui. — Lucy disse e Lisanna concordou.

— É verdade? — Lucy inclinou a cabeça. — Que seu pai... Ele te batia?

— Sim. — Lucy respirou fundo. — Por muito tempo. — A loira apenas pôs a mão na cabeça azulada. — Não se preocupe...

Mais uma batida na porta, dessa vez Lucy achou que fosse seu pai.

— Lucy!? — Ela respirou, não aliviada, mas respirou.

— Natsu? — Lisanna arqueou uma sobrancelhas quando o rosado entrou no quarto. — Oe, senhor educação! — Lucy estava deitada na cama e viu Natsu de cabeça para baixo.

— O que você quer? — Ela perguntou calma.

— Meu pai mandou eu ficar aqui. — Ele disse indiferente. Lucy apenas bufou.

— Meu quarto tem cara de pensão? — Ela cruzou os braços e todos riram. — O que foi? Estou rindo por acaso?

— Não... É que você fica engraçada irritada. — Lucy bufou quando Lisanna disse. Escutaram mais batidas na porta.

— Ótimo, quem é dessa vez? Papai noel? — Ela se dirigiu até a porta e deu de cara com o loiro. — Laxus?!

— Lucy, preciso conversar com você... — Ele disse se escorando num batente da porta.

— Sobre...? — Laxus exitou e Lucy soube. — Não precisa. Eu já sei. — O loiro á olhou surpresa. — Entre, mais um menos um não vai fazer diferença. — O loiro entrou no quarto vendo as paredes pretas e cobertas escuras, parecia um quarto gótico.

— O que você sabe? — Laxus se encostou na parede.

— Bem, a maior parte. Eu soube hoje na verdade. Você não deve conversar sobre mim na minha escola com uma professora... E ainda mais beijar ela, sabe que é proibido? — Lucy disse dando nos ombros.

— Hm? — Laxus arregalou ambos os olhos. — Você viu minha conversa com Mira?

— Vi, ouvi e ainda fiquei de camarote. — A loira apenas se sentou novamente na cama. — O que quer comigo... Maninho? — A voz dela não estava sárcastica, apenas estava fria. Mas não iria julgar ninguém sem saber a história completa.

— Lucy... Quero que você fique na casa da Mira. — Lucy apenas arqueou uma sobrancelha. — Eu estou morando num hotel no momento. Mas assim que achar uma casa... Você vai morar comigo.

— Oi? Como é que é? Não... Não pode. Tem a Michelle e... — Lucy encarou o nada. — Olhe, ele pode fazer alguma coisa com ela... Ele é capaz.

— Eu vou chamar ela também, não se preocupe Lucy. — Laxus disse calmamente. — Não precisa de malas, não quero que você traga nada desse monstro com você...

— Mas... Mas... — Lucy estava estranhando, ela não poderia confiar tanto assim numa pessoa logo de cara.

— Vamos Lucy. Eu vou te tirar daqui, estou com medo que ele fala algo á você. Você sabe do que ele é capaz. — Lucy estremeceu. — Nem que eu monte uma guarda no hospital ele não vai atingir Michelle.

— Mas você é só um segurança. — Ela disse meio assustada.

— Não. — Lucy o olhou confusa. — Meu nome na verdade é Laxus Dreyer Miller. — Lucy arregalou os olhos, o maior concorrente de seu pai na área dos negócios. — Olha, eu tenho condições de acabar com seu pai, agora vamos logo. — Lucy hesitou. Olhou para Lisanna e ela sorria, talvez porque a loira iria até sua casa.

— Lucy-Chan. — Lucy se virou para a azulada. — Vai. É melhor para você. — Lucy respirou fundo e apenas assentiu. Se moveu pelo quarto e abriu o guarda roupas tirando uma enorme caixa branca.

— O que é isso? — Natsu perguntou confuso.

— Lembranças. — Ela disse simplesmente. — Fotos, coisas que me fazem lembrar coisas felizes, coisas tristes, minha vida está aqui... E... — Ela abriu uma gaveta retirando dois diários de capa grossa e milhares de folhas, ambos tinham um grosso cadeado. — Meus diários. Só, eu acho.

— Ótimo, vamos. — Laxus pegou a caixa que era um tanto pesado. — Venha também Lis, falei com sua irmã e ela disse para leva-la para casa. — Lisanna passou o braço pelo de Lucy os entrelaçando. Lucy apenas sorriu e Wendy fez a mesma coisa com o outro braço. Assim que chegaram nas escadas se depararam com os homens discutindo bem alto. Lucy respirou fundo e todos desceram de uma vez. Jude olhou aquela cena surpreso.

— Onde você vai? — Ele disse friamente. Sempre foi assim afinal, quando Lucy resolvia sair de casa ou então fazia algo como sua mãe... Ele ficava daquele jeito. O homem aparecia.

— Não te interessa. — Laxus disse frio e segui até a porta. Lucy seguiu logo atrás. Mas Jude segurou seu braço.

— Você não vai. — Lucy forçou o braço para baixo. — Você não vai, Layla. — Lucy apenas respirou fundo, ele estava em crise. E aquele homem apareceu de novo, mais uma vez.

— Pai, me larga. Minha mãe morreu. — Lucy disse puxando seu braço bruscamente.

— Pare, Layla! — Lucy sentiu seu rosto ficar molhado e Natsu puxou Jude para trás.

— Pai... — Lucy sabia que el sofria daquilo e da maioria das vezes se sentia horrível por odiar ambas as partes dele. — Pare... — Ela disse indo em direção a porta.

— Se você for nunca mais te verá suas filhas. — Ele disse chorando. Lucy balançou a cabeça lentamente. — Eu te amo.

— EU NÃO SOU MINHA MÃE! — Agora já estava feito, o muro tinha ido pelos ares. — EU NÃO SOU SUA ESPOSA, NÃO SOU A MAMÃE, ELA MORREU, POR SUA CAUSA! — Lucy chorou. — PARE COM ISSO!

— Layla, eu não estou te reconhecendo, a Lucy e a Michelle estão dormindo, quer acorda-las? — Ele disse lentamente e quase sussurrando, como se tivesse mesmo crianças dormindo.

— Você está louco. — Ela disse se afastando. —Eu sou Lucy.

— Pare de mentir Layla. Lucy tem um ano. — Todos estavam parados sem reação. Jude estava parecendo acreditar naquilo que dizia, até mesmo Laxus estava surpreso. — E Michelle também, vamos para o quarto Layla! — Jude puxou Lucy pelo braço, mas a mesma deu um chute nele.

— Me. Larga. Não encosta em mim. — Ela disse chorando, mas o pai pareceu não entender. — Nunca mais encosta em mim, não dessa maneira.

— Layla, você não me ama mais? — Jude perguntou chorando.

— Pare. Pare. — Ela disse pegando os diários que estavam no chão. — Eu sou Lucy. Pai, volte em si. — A loira disse olhando nos olhos do pai. — Cadê Virgo?

— A empregada? Sabia que ela tinha alguma coisa a ver com isso... — Jude disse raivoso. Lucy largou seus diários em um canto e seguiu até a cozinha buscando um copo de água e uns remédios que ficavam em uma gaveta com cadeado, voltou para a sala com quatro caixas em mãos, todos eram de tarja preta.

— Virgo fica responsável pelos remédios dele. Ela está aonde? — Ela se agachou perto do pai.

— Virgo saiu á tarde. — Igneel disse. — O que ele tem?

— Transtorno de personalidade. — Lucy disse respirando fundo. — Por mais que eu odeie admitir... Ele tem duas personalidades completamente diferentes, essa é a que me dá mais medo. Ela não lembra que minha mãe morreu, e bem, ele acha que sou sua esposa. — Ela disse sentindo seu rosto ficar molhado, se virou para o pai.

— Layla, o que está dizendo? — Lucy prendeu um soluço, tinha que fazer aquilo.

— Querido, tome o remédio. — Ela falou com uma voz calma e mansa. Todos da sala pararam. — Tome que será melhor.

— Layla... Você vai ficar aqui comigo? — Ele perguntou chorando.

— Sim, se você tomar todos eu prometo. — Lucy destacou um remédio de cada cartela e entregou na mão do pai, ele encarou aqueles comprimidos e o copo d'água. — Eu prometo, agora tome. — Ela disse com a voz um pouco alterada fazendo o pai a olhar com as sobrancelhas arqueadas. — Por favor... Querido. — Ela tinha nojo de falar aquilo, mas resolveu tratá-lo como ele queria.

— O que está acontecendo aqui? — Laxus perguntou confuso vendo Jude tomar todos os remédios sem hesitar e depois abraçar Lucy. A loira fez uma cara desagradável e passou as mãos nas costas de seu pai. Depois uns minutos ele adormeceu. Lucy se levantou do chão deixando ele cair no chão lentamente. Ela fez uma cara de nojo.

— Sério, eu preciso de um banho. — Ela disse estremecendo.

— Tá o que acabou de acontecer? — Lisanna perguntou.

— Ele tem um transtorno, eu não falei? — A loira arqueou a sobrancelha. — Se ele não tomar nenhum remédio fica assim. — Ela pegou os diários. — Vamos?

— Como assim? Vai deixar ele aqui? — Natsu perguntou.

— Ele não é criança, se vira sozinho. Não aguento encostar nele sem ter lembranças desagradáveis. Não quero ficar numa mesma casa quando ele acordar. Não sei se vai ter voltado ao normal. É relativo. E esse que eu acabei de falar não é meu pai... Ele é um monstro.

— Lucy... O que ele fez com você? — Igneel perguntou calmamente fazendo a loira arquear uma sobrancelha. — Se você diz que ele te confundia com a esposa... O que ele fazia com você? — Lucy estremeceu e apenas balançou a cabeça negativamente.

— E-Eu não posso falar. Vamos sair daqui... Não quero estar aqui quando ele acordar... — Laxus assentiu. — Virgo cuida dele, ela é enfermeira. Já deve estar chegando. — Ela saiu quase que correndo da casa e sendo seguida por todos. Ela estava quase tremendo, aquele episódio faziam pelo menos um ano que não aconteciam, e ela estava quase esquecendo, mas ela sabia que era impossível.

— Eu vou para minha casa, Lucy se você precisar de qualquer coisa... Ligue para mim. Vou auxiliar Laxus e vamos tirar você e Michelle dele. Acredite em mim. — Lucy apenas confirmou com a cabeça e apertou a mão de Igneel, ela estava quase recuperada, mas abraços com homens, estava fora de questão. Igneel entendeu. Apenas apertou a mão de Lucy sorrindo. Mesmo apenas com um toque na mão Lucy sentiu medo e começou a tremer. Logo retirou a mão e seguiu até um carro. Foi surpreendida por braços em volta de seu pescoço e viu Wendy á abraçando. A loira sorriu e apertou a azulada.

— Fique bem Lucy-Chan. — Ela disse sorrindo. Nem parecia que tinha acabado de presenciar aquela cena.

— Vou sim, obrigada. — Ela olhou para Natsu e apenas manejou a cabeça de lado para cumprimentar. — Thau Natsu. — E ela entrou no carro negro, Laxus entrou no banco do motorista e Lisanna sentou ao seu lado. — Esse carro não é dele? — Lucy perguntou á Laxus.

— Não, esse carro é um dos meus. — Laxus sorriu. Lucy apenas suspirou. — Lucy, eu prometo que a partir de agora estarei perto de você... — E então Lucy sentiu uma coisa que não sentia faziam anos: Proteção.

~*~

Laxus deixou Lucy na casa de Mira, bem em frente á uma construção mediana de dois andares. As paredes eram num tom branco e amarelo, algumas flores estava em ambos os lados de um caminho de pedra que dava para a entrada da casa.

— Lucy, eu passo aqui amanhã para te levar na escola, okay? — Laxus perguntou.

— Mas eu não peguei nenhum uniforme. — Ela disse olhando em direção ao loiro dentro do carro.

— Eu tenho mais de um, te empresto. — Lucy sorriu para a albina.

— Dê um beijo na Mira por mim. — Lucy assentiu. — Tenho que resolver algumas coisas. Thau. — Elas responderam com um leve aceno de mão, e o carro se distanciou.

Elas chegaram bem perto da entrada e Lisanna abriu a porta de madeira maciça. Lucy ficou encantada, a casa tinha chão de madeira e alguns quadros pendurados no corredor que ficava de frente á escada, Lisanna pôs a chave pendurada num local e tirou seus sapatos, Lucy fez o mesmo. O corredor tinham algumas portas e Lisanna entrou em todas pedindo para Lucy esperar na sala. A loira se sentou no sofá de couro bege, observou as paredes num tom lilás e o tapete creme. Uma Tv gigante e uma lareira, era uma casa bem grande.

— Lucy! — Mira apareceu na porta da sala. Ela estava com um óculos e com um notebook em mãos. — Fico feliz que Laxus tenha contado a verdade! — Ela estava sorrindo.

— Hum, eu também, de certa forma. — Lucy deu nos ombros. — Você conversou com a Ever não é?

— Como você sabe? — A albina arqueou uma sobrancelha e se sentou no sofá pondo o computador em seu colo.

— Ela me perguntou se podia contar para a diretora e eu deixei. E bem, eu sei que você me conhece desde criança, só não sei como. Eu escutei a sua conversa com Laxus. — A albina pareceu compreender. — Olhe, eu realmente não queria que você soubesse e bem...

— Calma Lucy. — Mira sorriu. — Olha, eu estou do seu lado. Pode contar comigo, eu fui uma grande amiga de sua mãe. Ela me contava tudo. Eu realmente achei que você estava mudada, mas vejo que não certo? — Lucy apenas a olhou confusa. — Depois que sua mãe morreu eu perdi o contato, seu pai nunca gostou de mim, ele falava que eu era má influencia para Layla. Ela me disse tudo que sofria. Eu sei, Lucy... Ele tinha um transtorno não tinha?

— Ele ainda tem. — Lucy disse calmamente,

— Mira-nee... Foi horrível. — Lisanna disse se sentando no chão da sala. Ela tinha ido até seu quarto e estava apenas com short jeans e uma regata. — Ele chamou ela de meu amor.

— Ele me confunde com minha mãe... Ele acha que sou sua esposa. — Mira arregalou os olhos. — Ele realmente acha isso. E bem, eu me sinto desconfortável depois que ele fez aquilo comigo.

— O que? — Mira pareceu curiosa.

— Ele me tratava como sua esposa mesmo... Chegando até... A... Você sabe. — Mira arregalou ambos os olhos. — É constrangedor falar isso do meu próprio pai. Eu tenho nojo de mim. Ninguém sabe disso... — Lucy se agarrou á um dos diários. — Eles são os únicos que sabem de tudo.

— Eu posso ler? — Mira perguntou.

— Hum? — Lucy arqueou uma sobrancelha. — Eu não quero te assustar.

— Não vai me assustar. Acredite. — Ela sorriu. — Olhe Lucy, eu quero te ajudar e posso ajudar junto com Ever, eu sou orientadora da escola também. — Mira suspirou. — Mas se não quiser entendo...

— Não tudo bem. — A albina pareceu surpresa. — Eu escrevi tudo que eu sentia. Cada página tem uma data em cima e no fim tem uma frase, eu realmente achava esses diários meus melhores amigos...

— Quando você parou de escrever? — Lisanna perguntou.

— Hum, desde que me mudei para cá, eles estão recentes. — Lucy deu nos ombros. — Olhe, não fique assustada, por favor.

— Tudo bem Lucy. — Mira sorriu. — Eu vou te ajudar.

— Lucy, vamos dormir? Já é tarde. — Lucy olhou para Lisanna e assentiu.

— Preciso de um banho. Boa Noite Mira! — Lucy disse se levantando.

— Boa noite Mira-nee. — Lisanna sorriu.

— Boa Noite. — Mira sorriu para elas e Lucy seguiu Lisanna até as escadas, mas antes se virou para Mira.

— Mira, essa caixa contem lembranças... Cada uma tem escrito do que é. — Mira assentiu e elas subiram.

Autora Pov's Off

Mirajane Pov's On

Observei elas subirem as escadas.

Lucy sofreu muito, eu não sei como ela consegue. Fui até a cozinha e fiz uma xícara de café. Será uma longa noite.

Peguei o primeiro diário folheando. Nas primeiras páginas tem coisas banais, de adolescente. Mas a partir do meio começa a ficar mais intenso.

"20 de Abril de 2011 -- 21:33

Querido diário, me desculpe por não ter escrito antes. O papai me mandou para uma viagem junto com Michelle acredita? Foi incrível. De verdade, hoje foi o primeiro dia de aula, eu e Michelle ficamos em salas diferentes, nunca tinhamos ficado separadas.

Foi estranho. As meninas estavam se aproximando de mim, elas são tão fúteis. Me chamaram para ir ao shopping de novo. Eu gastei muito dinheiro com elas, será que algum dia eu conseguirei amigas de verdade? Sinto falta da mamãe, nem parece que tem um ano que estou sem ela, tudo culpa do papai, se ele não tivesse brigado com ela, ela não saíria de casa chorando e iria de encontro com um caminhão. Estou tão confusa, porque eles brigavam tanto?

Estou com muito sono, depois eu escrevo sim? Até amanhã e desculpe meu atraso...

–- O Amor pode sempre se esvanir --

Lucy H."

Interessante. Ela colocava a data e hora. Ela mesma cria essa frases?

Folhei mas algumas páginas e encontrei um texto realmente grande.

" 15 de agosto de 2011 -- 23:30

Diário... Entraram dois alunos na minha sala hoje... Eles são tão legais. A garota não me trata bem pelo dinheiro e ele sorri tão amigável para mim. Eles são irmãos e muito bonitos, ela quer ser minha amiga acredita?

Estou tão feliz. Michelle também está feliz. Ela começou a namorar. Finalmente tudo está dando certo. [...]

[...] Eu prometo escrever logo... Até mais!

–- As coisas sempre podem melhorar --

Lucy H."

O texto realmente era enorme, li apenas as parte que me interessavam e ignorei as partes que ela descrevia aquelas pessoas, eu não acredito que puderam fazer aquilo com ela. Ela só queria uma amiga de verdade, com quem ela poderia contar, mas o que ganhou confiando nas pessoas?

Depois de folhear mais algumas páginas achei uma marcada por lágrimas.

"05 de janeiro de 2012 -- 05:00

Diário... Eu estou quase um mês sem te escrever. Aconteceram coisas horríveis, estou desolada. Lembra aquelas pessoas que eu contei? Eles eram monstros!

Estou tão triste, eu parei de falar com Michelle e eles me chamaram para a casa deles [...]

[...] Foi horrível, eu me senti tão usada, tão inútil. Eu sou um lixo, mereço morrer. Minha irmã está em coma, eu não tenho mais ninguém para conversar, para me abrir, as pessoas estão tentando encostar em mim, mas é doloroso, cada toque eu sinto com se meu interior se revirasse. Por isso... Eu vou construir um muro, um espelho. Ninguém vai me encostar novamente, pessoas podem ser cruéis, o papai está sendo mau comigo. Ele sorriu de uma forma tão horripilante hoje, eu descobri: Ele tem duas personalidades. Uma é cruél. Uma é sádica. Ele me bate todos os dias... Ele me chamava de princesa e agora me espanca... Ele me chama de Layla... Diário... Ele me estuprou... Estou um caco, eu sou um lixo, apenas um pedaço de gente... Como eu posso ainda viver? Porque eu nunca consigo me matar? Porque ele faz isso comigo?

O pior de tudo é que ele não se lembra de nada depois. É como se ele estivesse bêbado. Ele me pede perdão por uma coisa que nem lembra, mas nunca muda, nunca. Eu estou cansada, porque eu não posso morrer em paz e visitar minha mãe? Michelle está sem nenhuma reação. Nenhuma, desde que aquelas pessoas apareceram minha vida se revirou. Eu não sou mais a mesma diário. Você é o único que me compreende, o único que me entende. Diário, pode me dar um consolo? Deixe-me escrever tudo que sinto em você. Deixe-me extravasar... Por favor. Eu não aguento mais. Quero morrer, você é o único que me passa apoio. Por favor. Por favor, faça aparecer alguém que possa me compreender. Uma pessoa com que eu possa conversar. Eu tenho insônias, eu me sinto podre por dentro entende? Tenho pesadelos com aquele dia. Porque não dou um basta? Porque meu pai não se trata? Ele gosta de me mau-tratar? Ele gosta de me estuprar? Estou confusa, Virgo disse que vai me levar em aula de defesa pessoal para eu me defender dele. Eu não quero bater no meu pai... Mas se isso resolver, eu farei qualquer coisa...

Até mais...!

–- Pessoas só mostram seu verdadeiro interior quando estão sob pressão, sem isso, todas usam máscaras --

Lucy H."

Eu estava horrorizada. Como aquele monstro pôde fazer isso com ela? Ele era o pai dela! Olhei em direção á ultima parte do diário e peguei o segundo. A forma de escrever estava tão diferente. Mais fria.

"25 de setembro de 2012 -- 14:50

Olá. Eu não escrevo faz uma semana, mas como você é meu único amigo, eu preciso desabafar... Lembra que eu falei que iria fazer um muro? Eu consegui. E ele é bem forte. Meu pai nunca mais me bateu nem abusou de mim. Isso é bom. Aprendi vários golpes legais, ninguém mais se aproxima de mim... Ainda bem.

Elas me machucam sabe? Me machucam com um simples toque. Eu me sinto quebrada, mas sei recolher meus cacos e escondê-los entende? Meu pai deu uma festa e eu dei meu primeiro sorriso falso, ele não tem crises há uma semana, quando tem eu dou remédio para ele dormir até melhorar. Eu estou desolada, porque ninguém me entende? Por ninguém me compreende? Diário, você não falou que viria uma pessoa para me ajudar? Cadê? Sinto falta da Michelle. Todos os dias eu visito ela, e bem, é a unica hora que eu me sinto eu mesma... Sabe? A única hora que eu sou verdadeira comigo e não uso a máscara, com Michelle eu posso me abrir. Com Michelle eu escalo o muro e me dou bem do outro lado, sem me machucar, eu apenas choro e quando volto para casa eu volto para meu cantinho do outro lado do muro, sozinha.

Eu gosto de ficar sozinha, mas vendo todos conversando e rindo com seus amigos, porque eu me sinto tão solitária e desolada? Porque eu me sinto tão mau? Porque eu quero uma companhia? Mas ficar sozinha é melhor do que sair magoada. Eu não saio mais. Não tenho vontade sabe? Ficar em casa é melhor. Sem nada, no meu quarto e no escuro.

O escuro é bom. Ele me deixa calma, é um lugar que me sinto segura; sem ninguém para me ameaçar. Meu pai me ameaça quando está como aquele homem. Ele fala que se eu não for para a cama com ele me matará. Mas eu não vou me sujeitar á isso... Não de novo. Eu nunca fui por vontade própria sempre ia contra a minha vontade, as vezes ele me amarrava, mas estou mais forte, e dessa vez não vou deixar, de jeito nenhum [...]

[...] Até mais!

–- Uma lágrima significa mais que mil palavras... Está triste? Chore. Lágrimas lavam a alma de dentro para fora. --

Lucy H."

Eu estava em choque. Encarei as últimas páginas do diário, vendo que ela começou a se cortar, a cada linha eu ficava cada vez mas assustada. Tenho que mostrar para Ever, Lucy tem muitos distúrbios. Inclusive de de humor. Ela tem dois humores marcantes: Raiva, ódio e indiferença, essas fizeram ela erguer o muro e se isolar e é parte que mais predomina.

Amor e compaixão. Ela tem apenas perto da irmã. Temos que tratar isso. Ela pode desenvolver dupla personalidade como seu pai. Estou preocupada. Se não fosse tão tarde ligaria para Ever, mas vou deixar para falar amanhã.

Peguei a caixa de lembranças e tinham muitas fotos, dela rindo com a irmã e uma foto me chamou atenção. Uma foto de seu pulso cortado. Atrás estava escrito: "Sempre lembre. Nunca esqueça: Tudo isso é culpa sua" Fiquei assustada, tinha muito sangue. Muito mesmo, o corte parecia fundo e interno. Respirei fundo e guardei a foto. Encontrei um saquinho com uma gilete. Tinha um papel escrito: " Minha amiga. Minha companheira, o objeto que me faz esquecer de todos os meus problemas."

Peguei um papel e tinha um desenho, um garota. Era um desenho muito bom. Será que ela desenha tão bem assim? Tinha um pequeno texto: "A solidão é condescendente comigo, ela me acalma, ela me escuta. E de certa forma... Sentir dor é necessário. A dor é a porta da alma, as pessoas não são nada sem a dor, a dor física é mais uma no meu histórico... Porque eu não morro logo?"

Larguei aquilo tudo no chão tinha uma assinatura, o nome dela, em vermelho, era sangue. Sangue dela. Senti meu rosto molhado. Ela se sentiu tão sozinha, tão isolada e se ela tivesse um abraço e um palavra de conforto, ela seria diferente, estáriamos numa situação diferente.

Quando ela precisou sua mãe morreu, quando tudo estava melhorando aquilo aconteceu, as pessoas ruins á machucaram, e quando precisava de sua irmã ela ficou ausente, quando mais precisava de seu pai... Ele a maltratou fisicamente e emocionalmente á deixando mais abalada e indefesa, mais dependente do muro, mais isolada, mais fragilizada.

Subi as escadas correndo e vi ela dormindo. Eu estava soluçando muito. Senti meu peito se contrair. Ela dormia tão calmamente. Tão serena. Acendi a luz e ela acordou assustada. Ela tem medo da luz. Me ajoelhei no colchão que estava no chão. Lisanna levantou da cama me encarando.

— Nunca mais... Você não está sozinha. — Ela me olhou. — Eu estarei aqui. Lisanna estará aqui. Está escutando? — Vi seus olhos marejando, e ela soluçou. — Eu estarei aqui para o que der o vier está escutando? Não precisa chorar... Eu estou aqui, fale o que quiser... Eu sou... — Fui surpreendida por um abraço. Ela chorou em meu ombro e Lisanna sorria, ela afundou o nariz em meu pescoço. Senti seu peito se contrair.

— Obrigada... — Ela disse soluçando.

— Lucy... Você não está mais sozinha... Eu sempre te ajudarei, por Layla e por você... — Ela me apertou e vi Lisanna descer da cama e abraçar ela também. É agora ela não está sozinha... Nunca... Mais.

"...To Be Continue..."

“Palavras são, na minha nem tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia, capazes de ferir e de curar!” – J. K. Rowling

Notas finais
E ai? E ai? O que acharam? Comentem suas opiniões. Falei que o passado da Lucy ia ser mais complicado do que vocês imaginavam, me doí o coração colocar a loirinha nessa situação, mas acreditem ou não, ela é minha personagem preferida no anime. Enfim... Espero que tenham tido uma boa leitura e que tenham gostado.! Terei vossas ilustres presenças nos comentários? Estarei aguardando! Até mais & Kissus.