Open Up Your Eyes
4 Capítulo 4: Hades.
Notas iniciais
“Vocês não devem fazer coisa alguma para voltarem a Nárnia. Nárnia acontece. Quando menos esperarem, pode acontecer.”
— As Crônicas de Nárnia.
Era manhã, o horário se aproximava das 09hrs, havia uma mesa posta com várias guloseimas, um misto de pães, doces, frutas, sucos e o bom e velho chá inglês, ou melhor, Narniano. Os Pevensie estavam sentados de frente a esta mesma mesa conversando entre si, estavam devidamente vestidos como a realeza, mas nada exagerado, não eram extravagantes a tal ponto.
Edmund vestia uma camisa de cor clara – de cor creme para ser mais exata – a qual cobria seus membros superiores até o limite de seus punhos, usava uma calça preta de um pano mais resistente e botas negras de cavalgaria da mesma cor, o mesmo ocupava o lugar ao lado da cabeceira da mesa, e esse assento por sinal estava ainda vazio. Lucy que sentava ao lado direito de Edmund estava delicada e graciosa como sempre, mas ainda assim dispensava os vestidos, a mesma usava uma calça marrom do mesmo tecido que a do irmão,uma camisa que também ia até a extremidade do seu punho, só que obviamente era um modelo feminino, um corpete posto pela rainha Lucy a Destemida contornava muito bem sua silhueta feminina. E seu cabelo castanho claro estava preso para trás deixando mais a mostra seu rosto fino e delicado.
Já Susan por sua vez, vestia um longo vestido de cor azul turquesa, a mesma sentava-se a frente de Edmund preenchendo então o outro lado da cabeceira da mesa, seus cabelos estavam soltos fazendo a moldura adequada para seu rosto, dando destaque para seus lábios carnudos. Peter O Magnífico estava ao lado de sua irmã mais velha, o mesmo vestia uma camisa do mesmo material e das mesmas características do seu irmão, só que a tonalidade da camisa que ele usava tinha um tom vinho, a calça que usava também era negra e usava botas da mesma cor.
A conversa que mantinham entre si era constante e eles sorriam de algo que Edmund acabara de dizer, segundos depois chegara Caspian X, o mesmo sentou-se finalmente no assento da cabeceira da mesa e cumprimentara os outros. Como estavam no grande salão, numa área mais abaixo da área dos tronos, naquele local também jazia uma escada a qual permitia acesso aos demais andares de Cair Paravel, e dessa mesma escada segundos depois ao repouso do Rei vindo de Telmar, Chelsea, Hanna e Katheryne surgiram direcionando-se aos Reis com sorrisos tímidos nos lábios.
Agora estavam vestidas como verdadeiras Narnianas.
Hanna e Chelsea usavam vestidos longos e delicados, lembravam o que Susan usava naquele momento, somente as cores que se modificavam, verde-esmeralda e rosa pálido respectivamente. Somente Katheryne que dispensara tal vestimenta, a mesma preferiu vestir-se como Lucy, vestidos e flores não faziam muito o seu estilo.
— Bom dia. – as visitantes disseram em conjunto para os reis que se levantaram assim que elas se aproximaram da mesa.
— Bom dia! – os Pevensie e Caspian responderam em uníssono com sorrisos estampados nos lábios, exceto Edmund que tinha um olhar cético sobre as garotas.
— Sentem-se, por favor. – Peter verbalizou de jeito galante para que as visitantes a eles se juntassem, e assim elas fizeram. Katheryne, Hanna e Chelsea ficaram deslumbradas com tamanha abundancia de alimentos a sua frente, ao olhar para todo aquele banquete ao mesmo tempo, o estomago das três fizeram um breve ruído denunciando a fome que sentiam, as mesmas coraram com tal evento e os reis sorriram achando aquilo engraçado.
— Podem atacar! – Caspian falou de um jeito divertido e todos – até mesmo os reis não hesitaram em obedecê-lo. Em poucos segundos todos se deleitavam com toda aquela iguaria e em poucos minutos uma conversa divertida já acontecia entre eles.
Aquela conversa durou boa parte da manhã, todos puderam se conhecer melhor, até mesmo Edmund que era mais retraído pode conversar com as garotas de forma natural, mas claro com alguns gestos de ironia e sarcasmo em algumas colocações, afinal, se não o fizesse, não seria ele.
— Onde está Aslan? – Hanna questionou varrendo o local com os olhos a procura do grande leão.
—Ao mesmo tempo em que ele está aqui, não está, apesar de ser provedor de muita sabedoria, Aslan não é um animal domesticado. Ficar preso não é de seu fetiche. – Susan respondeu a pergunta da judia com muita calma e um sorriso de leve nos lábios.
– Mas aonde exatamente ele vai? – Chelsea indagou com curiosidade na voz e na fisionomia.
— Não sabemos, nos bosques talvez. – Edmund disse com falta de entusiasmo enquanto colocava mais um biscoito coberto por goiabada na sua boca.
— E se ele fosse para esses bosques, o que ele faria lá? – foi à vez de Katheryne perguntar.
– Aslan não costuma nos contar o que faz nas horas vagas. – Peter disse sorrindo para a britânica e ela o retribuiu. – Mas não se preocupe, ele voltará qualquer hora dessas. – o loiro completou levantando-se finalmente.
— Peter aonde vai? – Lucy perguntou se levantando em seguida com o sorriso doce que insistia ter nos lábios.
–Pensei que as garotas quisessem cavalgar... – Peter disse e Katheryne entusiasmou-se com a ideia.
— Nossa isso seria incrível! – Katheryne disse eufórica e Edmund rolou os olhos. – Não se preocupe, não vou atrapalhar vossa alteza. – com certa acidez Katheryne reverenciou o Pevensie birrento que corou com sua petulância.
— Eu mereço... – Edmund bufou saindo do salão a caminho dos estábulos com Katheryne, Peter e Lucy logo atrás de si soltando risinhos pela situação.
– Ele é sempre assim? – Chelsea perguntou aos outros que restaram à mesa, todos concordaram e riram da cara azeda que a loira fez. – Bom, eu não pensava em cavalgar... – completou deixando a frase no ar.
— Que tal, arcos e flechas? – Susan sugeriu um tanto divertida mostrando a direção ao fundo dos tronos.
— Seria agradável. –Hanna respondeu com certa timidez, batendo palmas de leve.
– Então o que estamos esperando? Vamos para a sala de treinamentos! – Susan verbalizou pegando das mãos das duas, indo em direção ao local pretendido.
Então só restou Caspian sozinho em meio às sobras de todo aquele banquete, sorriu sozinho consigo mesmo e sentou-se para deliciar-se com algumas guloseimas que ali restaram. Sentou-se e procurou algo que o agradasse, não tardou para achar um pão de mel, mas antes que pudesse colocá-lo na boca, um homem de estatura baixa, barba, pequenos chifres, e patas de bode, adentrou a sala. Túmnus.
— Vossa majestade... Solicitam a sua presença na reunião das navegações. Acontece à beira do Espelho d'Água. – o fauno verbalizou de forma gentil referindo-se a um dos rios próximos ao castelo.
Caspian olhou o fauno sorriu amigavelmente e seguiu para longe dali com a criatura ao seu lado pensando que naquele dia teria muito trabalho a fazer.
—É... O dia vai ser bem longo. – pensou alto batendo de leve nas costas do fauno que sorriu concordando com sua observação.
***
Finalmente estavam no estábulo, Peter, Edmund, Lucy e Katheryne escolhiam os cavalos que estavam disponíveis para a montaria. Um garoto de cabelos ruivos e olhos azuis cuidava do local e muito bem também dos cavalos da realeza. Seu nome era Harold, tinha dezenove anos de idade e um sorriso encantador.
— Olá majestades... – o garoto referiu-se aos Pevensie com proeza realizando a devida reverencia e logo depois notara a presença de mais uma pessoa naquele lugar. –Senhorita. – completou reverenciando também Katheryne e encarando por alguns minutos, um olhar um tanto maroto da parte daquele garoto. A ruiva se permitiu sorrir cumprimentando-o como uma verdadeira dama, ele retribuiu o sorriso, e por frações de segundos a mesma perdeu o fôlego.
Peter e Lucy se entreolharam percebendo ao mesmo tempo, os olhares que eram trocados naquele primeiro encontro dos ruivos, não estavam atirando-se um sobre o outro, mas eles tinham uma energia, uma simpatia, era claramente perceptível.
— Por favor, Harold nossos cavalos. – Edmund pigarreou um tanto ligeiro interrompendo aquela “simpatia”.
— Ah sim! – o ruivo concertou sua postura e indicou com um de seus braços o caminho que poderiam percorrer até as celas de cada animal.
Era um corredor extenso, até porque ali não se encontravam somente os cavalos de uso exclusivo dos reis, mas também os cavalos usados em batalhas, viagens ou até mesmo simples cavalos que pertenciam aos camponeses daquela aldeia. Os reis já conheciam o lugar, mas Katheryne estava preocupada em captar tudo o que seus olhos podiam registrar, não queria esquecer jamais qualquer coisa que via ali naquele novo mundo que era Nárnia.
Os cavalos que ela via nunca havia visto em lugar algum, o pelo de cada animal parecia macio e vibrante, os animais pareciam reverenciar os reis, pareciam felizes por vê-los ali novamente. Havia cavalos de diversas tonalidades, cada animal tinha um nome e era fácil de sabê-lo, pois em cada cela havia tal nomeação. Edmund logo se aproximava de um cavalo branco, ao qual o nome era Zeus. Lucy logo seguiu até um cavalo marrom chamado Poseidon. Peter parou em frente a um cavalo de cor caramelo chamado Apolo, e por fim Katheryne batera os olhos em um cavalo de nomeação Hades, era um cavalo negro e mais afastado dos demais, ele não parecia ser difícil de lidar, apenas era quieto, parecia recluso, com medo, ou solitário, ela não sabia definir a palavra.
— Não vai querê-lo senhorita... – Harold disse se aproximando da britânica com olhar terno, ela olhou com dúvida sem entender o porquê o mesmo disse aquilo. – Ele não é valente se é o que pensa, na verdade ele não sai daí a meses, até para a minha pessoa fazer sua higiene é complicado, tenho que dar o meu jeito aí dentro. – o ruivo continuou e Katheryne aproximou-se ainda mais do animal.
– Nós temos outros cavalos Kat, se Harold disse isso, ele não deve ser a melhor opção. – Pedro sugeriu e a garota finalmente se pronunciou.
— Mas... E se eu tentasse? – Katheryne perguntou olhando intensamente para o animal. – Você disse que ele não é valente certo? Ele não vai me fazer nenhum mal. – completou olhando para o ruivo que coçava a cabeça em dúvida.
— Eu acho que ela deve tentar montá-lo, vai ser bom pra ele. Se continuar aqui vai definhar. – Lucy disse e Katheryne sorriu com tal apoio.
– Vamos, abra a cela... – a ruiva basicamente implorava por aquilo, até que o ruivo cedeu e abriu a cela em que o animal de encontrava.
Nesse momento Edmund, Lucy, Harold e Peter observavam a garota dar passos em direção ao cavalo que lhe encarava e se mantinha imóvel. Por um momento Katheryne cogitou em desistir, parecia que realmente o animal não queria ser tocado, mas ela chegou mais próxima e algo inesperado aconteceu, Hades se curvara em direção a garota e colocara sua cabeça abaixo de sua mão como se quisesse ser afagado.
A ruiva então passou sua mão por toda a extensão da sua crina macia e sedosa, o animal relinchou quase inaudível permitindo que a humana se aproximasse ainda mais, um sorriso largo de formou nos lábios da garota que olhava admirada para o animal em questão.
– Nossa... Hades jamais agira assim com alguém. – Harold disse impressionado com um sorriso no canto dos lábios. – Ele mal deixa escová-lo. – completou chegando mais perto de Katheryne.
— Isso foi sorte. – Edmund que não se pronunciara a um bom tempo disse com certo sarcasmo. Lucy lhe repreendera com o olhar o que fez rolar os olhos. – Vamos! – o Pevensie de cabelos negros completou colocando a sela em seu cavalo e montou o mesmo seguindo em direção a saída. Todos se olharam rindo de leve pelo jeito enfezado de Edmund.
— Não leve a mal Kat, ele já tentou montar o Hades, mas não conseguiu. – Lucy disse e Katheryne alargou ainda mais o sorriso, irritar Edmund poderia se tornar um hobby.
– Vou providenciar sua sela. – Harold disse chamando a atenção de Darwin que concordou com o mesmo. Logo Peter e Lucy montaram pegaram a sua montaria e seguiram seu irmão para fora do estábulo, e segundo depois Harold retornava com uma sela para Hades, Katheryne mesmo a colocara no animal que permanecera com a simpatia que surtira por ela. A ruiva afagou mais uma vez a cabeça do animal e pediu permissão para subir, o animal por si só como se entendesse o que ela dissera abaixou um pouco permitindo que ela o montasse.
— Bom garoto. – Katheryne disse para o animal, abraçando-o brevemente. – Obrigada Harold, nos vemos mais tarde. – ela disse agora ao garoto que assentiu e lançou lhe um sorriso encantador.
Com cuidado ela apertou as rédeas e o cavalo seguiu para fora dali. Quando a britânica saiu do estábulo os três irmãos estavam um pouco mais a frente, mas com a destreza de Hades não demorou muito para alcançá-los. Assim seguiram para o campo, uma área atrás dos jardins do pátio do castelo.
Já de frente para o local de destino, Katheryne estava deslumbrada com aquela extensa área verdejante e com aquele sol primaveral batendo contra seu rosto, e também um tanto surpresa por encontrar ali uma espécie de material de treinamentos, para quem pensara que iria somente cavalgar com aquele majestoso cavalo ficou surpresa quando Peter saltara com o animal por cima de três varas consecutivas em curto espaço de tempo.
– Nossa... – a garota ruiva deixou a frase no ar com um sorriso quase imperceptível nos seus lábios.
— Não achou que iríamos ficar rodando em círculos achou? – Lucy questionou vendo a cara de leve espanto da outra e sorriu seguindo seu irmão mais velho. Katheryne observou Lucy e Peter por um tempo até notar que olhos negros lhe observavam, mas logo se desviram para outro lugar, pois o dono desses olhos se envergonhou por ter sido descoberto. Edmund logo seguiu seus irmãos deixando agora a garota sozinha.
Por um momento ali parada em sua montaria Katheryne questionou a si mesmo se aquilo tudo era real, era estranho estar em guerra numa noite e num outro dia estar em um reino fora da lógica humana. E o mais estranho é que não era só ela, outros de seu mundo também se encontravam ali, isso incluía os Pevensie. Pensava também como era estranho ter uma ternura tão repentina por Lucy, uma simpatia tão grande por Caspian e Susan, ter certo carinho por Peter e ter certo desafeto por Edmund no primeiro instante que o vira, ele era tão irritante que às vezes a vontade era de jogá-lo da torre mais alta de Cair Paravel. Cair Paravel, ela notara agora que já tinha aprendido o nome do Castelo em que estava hospedada.
— Vamos Kat! – Lucy gritou de repente a tirando de seus pensamentos, ela sacudiu com cuidado a rédeas fazendo com que Hades trotasse até onde os outros três estavam.
— Eu não sei se consigo fazer isso. – a ruiva denunciou seu medo. – Quero dizer, não sei se Hades está apto ou acostumado a realizar esse tipo de atividade. – completou e Peter concordou a mesma.
— Isso é verdade. Como nós não pensamos nisso? – o loiro disse pondo uma das mãos no queixo analisando o animal em que Katheryne estava montada. – Ele ficou muito tempo naquele estábulo, possa ser que nunca tenha feito essa sequência.
– Se nunca tentar como irá saber se vai dar certo? – o garoto de olhos e cabelos negros que estava um pouco mais afastado dos outros verbalizou de forma calma, normalmente Edmund usava de um humor tão negro que às vezes soava como arrogância, e agora o modo como falara surpreendeu um pouco até mesmo seus irmãos.
Darwin e o Pevensie se olharam, ele a olhava com certo receio, era como olhar em seus olhos lhe trouxesse incomodo, ela o olhava com ceticismo, se perguntava quem realmente era ele. Era a segunda vez que ele a encorajava, primeiro fora no salão em suas boas vindas e agora ali, às vezes ele era tão cínico e às vezes tão inspirador. Ela realmente não sabia com quem estava lhe dando, mas queria descobrir.
— Devo admitir que você tem razão. – a garota respondeu o Pevensie que sorriu de canto com o que ouvira. Kat assentiu para Lucy e Peter e se afastou dali. – Vamos rapaz... – agora Kat dirigia-se a Hades que começara a trotar devagar, mas que com o passar dos segundos começara a correr ao redor de todo aquele campo. – Tudo bem, quando retornarmos você irá pular. – Katheryne disse ao animal com a esperança que ele a compreendesse.
Depois de ter dado um volta completa em toda aquela extensão verde, aquela dupla em movimento se direcionava agora as varas as quais os outros passaram anteriormente com maestria. Darwin sentia um misto de emoções, estava adorando aquela sensação do vento contra seu rosto, o cheiro das flores do jardim ali próximo que adentravam com suavidade em suas narinas, e a felicidade por estar livre de toda aquela maldade que estivera na velha Inglaterra. Mas também estava confusa com tudo aquilo que estava vivendo no momento e com muito medo também da situação em que se encontrava se Hades não pulasse ela poderia se machucar de forma bruta, mas ela precisava confiar no animal, como ele confiara nela sem nunca ter visto a mesma antes. Quando estavam bem próximos ao obstáculo, foi inevitável, ela fechou os olhos.
— Abra os olhos Kat! – Peter gritou e no mesmo instante e ela notara que não havia impacto algum, ela continuava em movimento, Hades saltava todas as varas sem nenhuma dificuldade. A impressão que Katheryne tinha era que o cavalo negro em que montava saltava mais alto que todos os outros que ali se faziam presentes, e ela não estava errada.
Peter vibrava pelo sucesso de ambos, Lucy sorria com o que estava diante de seus olhos e Edmund estava intacto, mas seus olhos diziam tudo. Ele estava admirado com a entrega do animal a aquela estranha. Ele já havia tentado montá-lo, mas o mesmo nunca permitiu qualquer tipo de aproximação, até mesmo Harold tinha dificuldade de se aproximar, definitivamente aquilo não era nenhum pouco normal talvez Aslan pudesse retirar a sua dúvida um pouco mais tarde quando retornasse.
— Minha nossa, eu não estou acreditando no que fizemos! — Katheryne vinha dizendo enquanto se aproximava dos irmãos. Em poucos segundos ela descera de Hades e afagara sua cabeça abraçando-o em seguida. – Obrigada. – ela disse ao animal que relinchou como se fosse uma resposta ao agradecimento da mesma. Hades logo se afastou dos seres humanos e juntou-se aos outros cavalos que comiam a grama alguns metros mais à frente.
Darwin abraçou Lucy e Peter pela felicidade da sensação de dever cumprido e eles a retribuíram com o gesto. Só restara agora Edmund que ainda estava calado, mas com um semblante tranquilo.
— Parabéns. – Ed disse de forma divertida a garota que se aproximava dele.
— Obrigada. Se não dissesse para tentar talvez não soubesse que daria certo. – Katheryne repetiu com ternura o que o garoto havia lhe dito mais cedo e ele sorriu de canto.
— Eu sei. – Edmund disse com desdém se afastando dali.
Por um instante Katheryne se sentiu uma tola por achar que ele não faria joguinhos e após isso ficou irritada com o mesmo por ser tão esnobe na maioria das vezes. Peter e Lucy logo se afastaram quando perceberam que Katheryne foi atrás do garoto. Kat correu e parou em frente ao mesmo interrompendo seus passos.
— Sim? – Edmund questionou de forma irônica o que fez a mesma quase grunhir de raiva, mas ela se conteve.
— Por que você é tão estúpido? – Darwin perguntou de forma autoritária e o garoto rolou os olhos.
— Se você acha que pode estar na minha casa e me ofender, creio que esteja enganada até onde vai seu livre arbítrio. – o rei respondeu e por um momento Kat gaguejou enquanto procurava uma resposta para sua atitude.
—Tudo bem... Peço desculpas. – a mesma respirou fundo antes de prosseguir e Ed sorriu breve com o que ouvira mais uma vez. – Eu sei que fui errada em ofendê-lo majestade, mas quero saber por que me trata dessa forma, eu estava agradecendo e você é tão esnobe, tão cheio de si. – ela completou olhando nos olhos do rei que desviava seu olhar.
—Não sou assim somente com você, é o meu jeito... –sem olhar para a mesma ele respondeu e pediu com um gesto a passagem para continuar andando. Ela cedeu e ele seguiu em frente, mas antes que pudesse se afastar totalmente ele completou sua frase. – e ninguém vai mudar isso.
Katheryne não disse mais nada, apenas observou o rei se afastar pegar sua montaria e retornar para os estábulos, Peter e Lucy também já tinham pegado seus cavalos, traziam também Hades com eles enquanto retornavam para perto da garota.
– Algum problema? – Peter perguntou percebendo a expressão confusa da garota. – Ed te disse algo que te desrespeitou? – questionou mais uma vez preocupado.
— Não, só o cansaço. Esse sol está me matando. – Katheryne disse sorrindo amarelo, despistando sua decepção no sol que os banhava. Realmente o mesmo já estava mais quente que o normal, alertando que o meio dia estava próximo. A ruiva subiu em seu cavalo assim como Lucy e Peter, e logo após seguiram para os estábulos novamente.
Enquanto Peter e Lucy conversavam sobre o palpite do que poderia ser o almoço, Katheryne só conseguia pensar em uma coisa:
Dar uma lição em Edmund Pevensie.
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