Onze
4 Capítulo 4 - Você quer ficar comigo?

Fale a verdade, Alana, por mais que eu não suporte, por mais que me machuque. Você ficou comigo como uma maneira de substituir quem você não podia ter? Nós ficamos dois meses sem se falar e depois de todo esse tempo... Você disse que gostava de mim.
Eu fiquei feliz e não pensei em nada mais. Eu estava sendo correspondida, finalmente, e eu te faria feliz a qualquer custo, era meu pensamento. E então... Ai Alana, você lembra que me mandou um bilhetinho perguntando se eu queria ficar com você? Acredite, ele está guardado aqui, um pouco amassado e amarelo, torto nas pontas, mas está aqui.
“Você quer ficar comigo?”
“:x”
“sim?”
“sim.”
E você sorriu, Alana. Aquele seu sorriso que estreitava um pouco os seus olhos e mostrava todos os seus dentes, lindo. Eu também sorri, sorri por fora, sorri por dentro, porque você estava comigo agora.
Nós decidimos ir ao cinema para comemorar o aniversário de uma de suas amigas que eu não gostava muito. Você colocou uma camisa azul por cima da blusa preta colada no corpo, que te deixava extremamente sexy. Colocava as mãos na minha cintura, segurava minha mão, me dava beijos no rosto e nós ainda não tínhamos nos beijado.
Quando começou o filme você sentou no meu colo, de frente para mim e de costas para a tela, cada perna de um lado do meu corpo e foi ali me que eu me apaixonei por esse seu gesto. Nos olhamos por um bom tempo, sorrindo, não sei se por vergonha ou por felicidade mesmo. Só sei que fiquei feliz por estar escuro. Eu queria que você gostasse de mim, queria que me amasse e queria que colasse logo sua boca na minha.
Você estava meio insegura porque eu tinha um piercing no lado esquerdo do lábio e eu não entendia porque você se incomodava tanto.
— Não vai machucar?
— Claro que não, deixa de ser boba, olha! – Puxei a argolinha, mostrando que não doía.
— Ai, não faz isso!
Você colocou as duas mãos na cara. Eu te olhei como um gesto encorajador e então aconteceu. Você aproximou meu rosto do seu e riu antes de finalmente me beijar.
Eu não sabia direito o que fazer, e você também não, mas passada aquela tensão do primeiro beijo nós entramos em sintonia e... Sabe de uma coisa, Alana? Acho que eu nunca vou beijar alguém do mesmo jeito que acontecia entre a gente. Não sei porque... Mas, o nosso beijo me fazia sentir coisas estranhas. Que iam desde meu coração batendo forte no peito, até minha calcinha toda molhada. SÓ COM UM BEIJO, Alana. E isso acontecia toda vez, acredite.
Não existe nem um pequeno flash daquele filme que eu me lembre. Eu estava perdida em você, nas suas mãos, nos seus beijos, na sua cintura, coxas, bunda. Se existia alguém sentado ao nosso lado, eu também não sabia, porque tudo desaparecera.
E quando os créditos começaram a subir, a música de encerramento começou a tocar e as luzes se acenderam, eu queria voltar duas horas atrás e começar tudo de novo. Te ter assim, tão perto de mim, e não deixar você se afastar nunca mais. Eu queria te levar embora comigo.
Te beijar, e te beijar e te beijar, “até você sentir vontade de tirar a roupa”.
Mas como não era possível, nós levantamos das poltronas, andamos atrás dos seus amigos de mãos dadas e meu sorriso não cabia no rosto. Quando nos despedimos, eu senti que uma parte de mim estava ficando com você. Sentia uma falta estranha, porque precisava te ter por perto.
E ao chegar em casa, eu me joguei no sofá, com os braços abertos, rindo. Sim, rindo sozinha. Eu... Eu não podia me conter, entende? Todos os momentos eram reprisados na minha cabeça e eu não queria esquecer nenhum detalhe, queria me lembrar de cada segundo, de cada toque... Infelizmente, a memória humana não é boa o suficiente para isso, hoje só tenho alguns borrões e poucas imagens nítidas. É... Alana, às vezes nem os diálogos me parecem claros, só a lembrança de que um dia você esteve na minha vida é clara o suficiente, forte o suficiente, dolorida o suficiente. E foi por isso que eu me apaixonei por você.
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