Ontologia da morte

1 Ontologia do mundo


Notas iniciais
Fruto da crise existencial mais recente.

O mundo continua a girar, indiferente à tua morte. A normalidade com que a matéria orgânica se rearranja é desumana. Teus sonhos ainda estão pendurados nos neurônios sem vida do teu cérebro gosmento. Tua intensidade permanece vagando nas lembranças e nos enterros.

Não pense que os elogios são todos mentirosos. É que as pessoas ficam sem jeito de falar, olhando em teus olhos, o que tu és. Que a verdade seja escancarada: tu és penumbra. Ser insignificante, cuja existência desvanece no vazio.

É certo que já sentiu a felicidade. Sei que um dia o mundo te foi perfeito, mas ele o condena a ser miserável, um nada. Bates na porta do caixão, xingues a vida de um milhão de palavras que nem fazem sentido. A vida te xingará de volta e te fará morrer quantas vezes for preciso até entenderes que estás submisso a tudo.

Pois o mundo irá renascer, viver e sentir como ninguém jamais fará. Já tu, quando morres, esvazia-te, desvanecendo junto aos demais restos recém-póstumos. Teus sentimentos voarão, salvarão-se. Tua alma evaporará, pura e invisível, e teu corpo confortará-se onde pousará. Mas passado alguns segundos, a realidade te condensará: tu deixarás de ser tu, passarás a ser mundo; insensível, belo e estranhamente vivo, girando, indiferente à própria morte.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Escrevam algo, mesmo que seja uma crítica. Essas coisas me deixam feliz e eu estou precisando desse sentimento.

Muito obrigada por ler e até *
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.