Notas iniciais
-Isso está certo? - Britany falou olhando para aquilo em sua mão trêmula.

–Já estou no lugar, apenas esperando o seu comando. — Ouvi Mike falando ao rádio.

–Não estou vendo ninguém aqui. — Retruquei.

–Ok! Mas não esqueçam-se do plano, pelo amor de Deus!

–Certo. — Simultaneamente, eu, Flávia e Lara falamos.

"Ouvi dizer que Britany está tramando alguma coisa. Te chamei aqui porque é sobre Renata e sei que você se preocuparia. Britany está querendo fazer alguma coisa com ela próximo ao penhasco, antes que me pergunte sobre o que seja, eu não faço a mínima ideia... as únicas coisas que sei, são que será no penhasco e que ocorrerá amanhã à noite. Me encontre em meu quarto mais tarde para eu lhe contar mais detalhes." Foi o que Mike me falou. Se pelo menos ele tivesse nos dito que ele iria dormir antes, teria sido muito bom.

–Aí vem Renata! — Flávia se manifestou.

Ela apareceu com um pequeno mapa em suas mãos, com uma tiara de gatinhos que, por sua vez, combinava com seu short de ginástica preto, sua regata rosa e seu tênis de corrida vermelho.

Mike apenas me dissera que eu deveria apareceu disfarçado de ele mesmo, depois que Britany chegar claro... eu ainda não sei o que eu deveria estar esperando deste encontro nada ocasional, mas coisa boa não deve ser.

Todos nós permanecíamos imóveis atrás dos arbustos e das copas de árvores, observando Renata e esperando por Britany.

–Não é que você veio mesmo? Me perguntava se você permaneceria aqui, mesmo sozinha. — Britany apareceu com uma camisa regata cinza e calça jeans preta.

–Você mesma me disse que Mike estaria aqui. — Renata retrucou rangendo os dentes.

–E ele estará, se não, você cai! — Britany replicou apontando uma arma para Renata, que estava à ponta de um penhasco.

Não consegui ficar parado, ali, vendo aquela cena. Corri para fora da moita na qual fazia parecer que eu ainda estava chegando.

–O que você está fazendo?! — Gritei.

–O que você pensa? Estou fazendo a mesma coisa que você fizera com a pessoa que uma vez já foi minha melhor amiga!

–Como assim? Do que você está falando?!

–Você sabe muito bem o que isso significa, daquela noite, aqui, neste mesmo lugar. No qual você empurrou sua irmã! — Ela se ajoelhou, chorando e se recompondo logo em seguida.

–Olha, sei que você está com raiva, mas abaixe essa arma. Nós podemos resolver isso de outra forma, quem sabe, uma menos dolorosa?

–Atira. — Mike sussurrou no walktalk.

Eu agi sem pensar, por conta própria, meu corpo se mexeu e eu me perguntei o por que de eu estar fazendo isso, saquei minha luva, com uma pedra na outra mão, a encaixei no estilingue e a arremessei contra Britany. Apenas a vi dar um passo para traz, tropeçando numa pedra e assim, caindo imediatamente no penhasco, deixando apenas seu tênis vermelho escapar.

Assim que percebi o que eu havia feito, corri em direção à ponta do penhasco, tentando ver aonde ela poderia ter parado.

–Ela está bem, apenas rolou algumas vezes na ladeira, mas eu a peguei. — Mike nos contatou.

Observei que a arma que ela usara caíra ao lado da pedra, peguei-a e coloquei-a no meu bolso.

–Você está bem? — Falei, olhando para Renata, que parecia abismada com o que acontecera.

–Uhum... — Ela assentiu com a cabeça:

–Por que você não usou suas luvas? Você está sempre com elas, não? — Flávia perguntou, descendo da árvore.

–Porque eu pensei que Mike estaria aqui. Mas quando Felipe sacou sua luva, foi que eu percebi que havia cometido um grande erro. Desculpa ter causado tudo isso.

–Tudo bem, o importante é que você não se machucou, eu espero.

–Como vocês sabia disso tudo? Essa pergunta tem me incomodado... — Renata perguntou levantando em apenas um salto seguido de uma espreguiçada.

–Bem, Mike foi quem nos falou tudo... não tenho uma explicação pra ele não te contar. — Retruquei-a, olhando em seus olhos, mesmo naquela escuridão.

Todos paramos, ficamos nos entreolhando enquanto uma leve brisa era sentida sob nossos corpos ao meio daquela mata tenebrosa e fria. Fui o primeiro a me manifestar e com apenas alguns passos, fui me distanciando daqueles que ficaram.

Não tinha para onde ir, apenas ficava andando em volta da praia, olhava para o reflexo das estrelas na água, cintilantes, ofuscadas pelas poucas pedras que eu havia chutado a pouco.

–Estou ficando louco, só pode! — Eu gritei desesperadamente, batendo na água.

Caminhei um pouco mais, até achar uma pedra grande e áspera com alguns vestígios de areia. Assim que eu me sentei e comecei a ter sossego, ouço restos de choro e soluços baixinhos, passos leves, descontrolados, sem rumo, eram percebidos facilmente.

–Não acredito, não acredito... por que está acontecendo justo comigo? – Ouço a voz de Renata soando com alguns intervalos provocados por seus soluços incessáveis.

–Renata! – corri até ela – se acalme, eu posso te explicar algumas coisas, mas o resto você terá que ver com o Mike...

–Chega de falar de Mike! Não quero mais saber daquele canalha. – Ela falou pondo suas mãos de volta ao seu rosto encharcado.

–Owow, espera um pouco, o que houve? Por que está tão brava com ele?

–O que houve?! Ele simplesmente me usou como uma isca e eu ainda fui na dele, continuo sem acreditar no como ele pôde fazer isso. – Confusa, ela se sentou na mesma pedra na qual eu estava antes.

–Se me permite dizer, eu acho que quem te usou de isca foi Britany, Mike apenas tentou salvá-la – Sentei-me ao seu lado.

–Mas por que ele tinha que que esconder isso de mim?

–Bem, sobre isso, você deveria falar com ele.

–Eu já tentei falar com o Mike, mas ele não me disse nada.

–Talvez ele ainda esteja chocado com o ocorrido... aliás, o que era aquela história de que a Britany estava falando sobre o Mike? De ele ter matado sua irmã, nem se quer sabia que ele já tivera uma.

–Não sei nada sobre isso e eu tenho certeza de que ele está apenas escondendo outra coisa de mim. – Ela me olhou séria, mas logo em seguida tornou-se para o mar.

–Ok, amanhã você resolve isso, por hora, você deve esquecer disso. – Falei enquanto caminhava em direção àquela água cristalina.
Chegando à beira, me viro para ela e estico meu braço, a convidando para se juntar a mim.

–Tá bem... — Ela me respondeu, dando um leve sorriso de lado com uma revirada de cabeça e em um salto ela se joga da pedra tirando, assim, seus sapatos e pulando sem hesitar na água.

Ficamos bastante tempo lá, quem sabe horas, até que nos cansamos de apreciar aquele lugar, indo sentar na areia fofa e branca.

–Sabe... – comecei a falar, olhando para as estrelas.

–Hm? – Renata se virou para mim.

–Um dia, teve uma época, em que eu g-gostava de você.

–Sério?

–Sim. – Me virei para ela. – Eu até comecei a te seguir, sabe, até o treino... na escola...

Com um salto, Renata se levanta feito um raio – Espera, era você quem sempre me ajuda?!

–Sim. – falei constrangido e me levantando lentamente, quase caindo novamente

Ela se aproximava gradativamente a cada pergunta que fazia. Até que chegou um momento de ela estar a um pequeno espaço de mim, eu olhava para seus lábios e ia subindo, até chegar aos seus olhos, nos quais pareciam enxergar minha alma. A medida que eu olhava mais para ela, nós dois nos aproximávamos mais e mais, quando vi seus olhos se fechando e sua cabeça se inclinando levemente. Toquei-a nos braços, abri minha boca, sussurrando.

–Porém, não gosto mais.

Notas finais
-Quando eu vou vê-lo novamente? - Flávia e Britany pensaram simultaneamente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.