Ontem Felipe. Hoje não mais.

2 Capítulo 2 - Clube Vincent


Notas iniciais
"Bem vindo" - Foi o que eu ouvi saindo de seus lábios rosados. - "Aceita uma xícara de chá?" - Eu aceitaria se não estivesse com vontade de fugir dali. Acho que um dia eu aceitarei.

Olhando fixamente para os quatro eu pensava em uma forma de correr. Eu poderia simplesmente virar e voltar para casa, mas acho que não seria a melhor opção. Nem tentei correr, pois quando eu estava entrando e quando eu ia começar a executar a escapatória, Renata chegou. E eu me distrai.

Eles me levaram para uma sala, assim que entrei a luz acendeu. Olhei para o lado e vi Lara sorrindo para mim enquanto mexia no interruptor; Lara tem pavor a pó, um dos motivos dela querer ser uma empregada, ela é muito perfeccionista porém sua baixa imunidade a prejudica muito, sem contar que ela se frusta muito fácil. Ao menos ela é persistente, inteligente e é muito restrita ao seu trabalho. Lara pode até mesmo aparentar ser uma santinha, tem cabelos curtos e loiros, seus olhos são azuis assim como um céu sem nenhuma nuvem. Mas ela sempre carrega uma arma de choque, sabe... Para quando precise.

Olhei tudo ao meu redor, meus olhos brilhavam vendo um lugar como daqueles. A maioria dos moveis eram feitos de madeira polida em uma das melhores refinarias da cidade, ou seja, sobre medida, havia uma TV enorme de 50 polegadas à frente do sofá de couro cor preto (MUITO CONFORTÁVEL!). Quando me sentei olhei para trás para ver quem estava vindo, a primeira pessoa que notei foi Renata; Renata passou sua infância toda sendo maltratada pelo seu pai. A maioria das vezes ela é grosseira, a pesar de ser solitária e seu corpo ser frágil, ela é independente, durona (fria) mas sensível ao mesmo tempo. Ela tem lindos cabelos longos que vão até sua perna de uma cor alaranjada com suas pontas loiras, ela está sempre usando uma espécie de vestido de cor preta com detalhes vermelhos.

O próximo que vinha logo atrás era Mike; Ele tem um medo irracional de altura, ele é um ótimo líder, muito amigável e suas táticas para criar estratégias são impecáveis, quase infalíveis. Seus cabelos pretos cortam até sua testa com olhos cor de mel, é um pouco maior que eu.

Logo após Mike, vi Britany; Britany se tornou uma pessoa muito egoísta, falsa e se viciou em pudim por conta da sua amada, mas ainda assim ela é extrovertida, é uma boa ouvinte e aparenta ser bem humorada. Seu cabelo é preto e não é muito longo nem muito curto, ele chega até pouco abaixo do seu ombro, seus olhos são vermelhos como fogo e seu jeito de andar faz parecer que ela nunca planejara uma vingança tão maléfica quanto ela planeja.

–Bem, acho que você já sabe o porquê que você está aqui. — Mike começou indagando. O único problema era de que eu não fazia a mínima ideia do que ele estava falando, então apenas sinalizei que não com a cabeça olhando para aquele chão de madeira recém revestido de verniz. — Então começarei com uma pergunta simples e direta... Foi você quem jogou aquela pedra certeira?

Fiquei sem o que fazer, olhei para cima confiante e vi a cara de Mike, ele estava sério, me observando como se eu fosse um pedaço de carne bem suculenta e ele fosse um lobo faminto à procura de sua presa. Entrei em desespero e apenas peguei a caneta e joguei no interruptor. Ninguém conseguiu ver, mas quando eu liguei a luz de novo, todos ficaram de boca aberta.

–Pode pegar, Renata. — Renata foi até um armário de vidro, obviamente com madeira em suas pontas. E pegou um certo tipo de luva verde, com um estilingue em cima. Estranhamente cabia direitinho na minha mão. — Experimente, vai se divertir.

Apenas me levantei e continuei andando, até chegar num local no qual eu adoro ficar (eu quase esqueci de contar minha história de vida, bem, eu vim de uma família rica, mas eu nunca gostei muito de viver na nobreza, um dos motivos de eu morar sozinho. Sou introvertido e orgulhoso, por sorte tenho uma boa mira, sou esperto e discreto, ao menos foi o que alguém me dissera uma vez. Meu cabelo é castanho e cobre até meus óculos grossos, meus olhos são de cores diferentes, um é castanho escuro e o outro castalho claro, mas você só percebe se chegar próximo de mim, (o que deve ser difícil). Eu ficava pegando lascas de madeira e pedrinhas e ficar atirando. Até que eu ouvi um barulho na copa de uma árvore não muito alta.

Notas finais
"Miau" - Fiquei repetindo o som que ecoava na minha mente livre e aberta.