Only Yours Is My Love
5 Meu irmão voltou?
Notas iniciais
Aqui estamos nós: Feito loucos dirigindo até a mansão de Gold. Sabe o que eu queria? Que isso tudo não bastasse de um péssimo sonho. Que eu estivesse dormindo ao lado de Emma, velando meu sono. Mas não é bem assim.
— Assim que sairmos do carro, você cerca Neal pela direita e eu pela esquerda. Daí você algema ele... — David me instrui.
— Onde está as algemas? — Pergunto.
— Debaixo do meu banco.
Me inclino e pego as algemas.
— Por que vocês têm essa mania?
— Que mania?
— De colocar coisas debaixo do banco. Emma também coloca coisas debaixo do banco.
— Apenas faça o que mandei. — Ele para o carro um pouco distante da mansão.
Neal já conseguiu entrar, já que o portão está aberto e o cadeado no chão.
Saio correndo com David até entrarmos na propriedade com nossas armas na mão.
Tudo está um silêncio, mas as luzes estão ligadas. A mansão está completamente empoeirada, está me dando vontade de espirrar. Mas não podemos fazer nenhum barulho.
— Onde vamos primeiro? — Sussurro para David.
— Não sei. Talvez na cozinha. — Ele responde.
Vamos devagar para a cozinha e nos deparamos com Neal bebendo e sentado na mesa. Ele está péssimo. Parece que não faz a barba há um milênio e as roupas estão sujas, isso sem falar do cheiro que está horrendo.
— Fique onde está, você está... — David faz uma careta. — Que cheiro é esse?
— O que espera de um cara que não toma banho há dias? — Neal responde e olha para David. Ele apoia a mão direita na mesa enquanto segura a garrafa de uísque com a esquerda. Neal dá um gole da bebida e respira fundo após.
— Neal, você... — David continua com a careta. — Ah, Killian, continua aí que eu vou estar na sala. Esse cheiro é horrível. — David coloca a mão com o nariz, segurando a respiração, e sai da cozinha.
— Me responde uma coisa? — Neal pergunta e deixa a garrafa em cima da mesa. — Como você está vivo?
— Graças á Emma.
— Ah, Emma, claro. Um doce de pessoa.
— Dá pra parar de enrolar e me seguir? Você sabe, não é? Está preso.
— Por quê?
— Sou algum tipo de palhaço por acaso? Não. Olha, Neal, minha paciência com você acabou anos atrás e não tem como recarregá-la. Então vê se não me testa porque eu não sou seu melhor amigo da escola que te dava cola nas provas.
— Você ficou meio frio, não foi? — Ele ergue as mãos em minha direção, com os pulsos próximos um do outro. Que bom que ele decide cooperar com tudo. Algemo ele e lhe dou um sorriso falso.
— Nunca fui com sua cara mesmo. — Comento e puxo Neal pelo braço até a sala. — O resto é com você. — Entrego ele para David.
— O que vocês vão fazer comigo? — Neal pergunta.
— Justiça. Já ouviu falar? — David responde e leva Neal para fora da mansão.
* * *
Ele está tão diferente... Nem parece que é Neal. Tipo... aquele Neal. Ele está á dez minutos lendo o rótulo da garrafa de água, de dentro da cela da delegacia. Isso é normal? Eu acho que não.
— Killian, eu quero que não conte para Emma. — David me pede. Ele se senta no sofá da delegacia que fica um pouco perto da cela e dá um suspiro.
— Contar para Emma? Como assim? Sobre Neal? — Me sento ao lado dele.
— Sim. Ela vai pirar. Ela não pode saber.
— Mas ela virá amanhã e verá Neal.
— Você vai ter que dar um jeito dela não vir.
— David, você sabe, é muito difícil enganar Emma.
— Tente. Você não gostaria de ver Emma triste de novo, gostaria?
— Não. Claro que não.
— Então, por favor, faça isso.
— Então você e Emma estão vivendo seus "felizes para sempre"? — Neal pergunta e se levanta. Ele se aproxima da grade e apoia as mãos em torno do ferro.
— Não te interessa. — Eu respondo.
— Na verdade, eles estão tendo sim. Algum problema? — David ergue a cabeça em sua direção.
— Não, nenhum. Só desejo felicidades. — Ele sorri.
— Ninguém merece... — Resmungo. — Vou ligar para Regina. — Pego meu celular.
— Vou ver as câmeras, atrás de outro fora da lei. — David avisa e se levanta. Ele liga a televisão e fica bem focado no movimento da cidade.
Enquanto isso, disco o número de Regina e espero-a atender.
— O que você quer? — Ela pergunta assim que atende.
— Um pouco de delicadeza, por favor. — Respondo.
— Desembucha, Killian.
— Tá bom. Neal voltou... Estou desesperado... Emma não pode saber...
— O quê?
— Estou desesperado, eu já falei.
— Estou me cagando par você, conte-me mais sobre Neal. Como assim?
— Ele voltou e parece que está bem louco.
— Eu vou para a delegacia agora.
— Não precisa. Está tudo sob controle.
— Não está, não. Emma não pode saber.
— Eu sei!
— Mas como ela não vai vê-lo se ela passa aí todos os dias?
— Eu não sei.
— Você vai ter que enrolar ela.
— Odeio enrolar Emma.
— Affs, eu também. E agora?
— E agora que Neal não pode ficar aqui. Tentarei transferir ele antes disso.
— Em menos de vinte e quatro horas? Boa sorte!
— Obrigado pelo apoio.
— De nada. Aliás, tenho que ir. Depois falo com você e amanhã eu irei na sua casa. Tchau. — E ela desliga.
— O que ela te falou? — David me pergunta.
— "Boa sorte" — Tento imitar a voz dela.
— Regina é uma piada. — David ri.
— Ela me irrita, isso sim.
— Tanto faz. Só não conte sobre Neal para Emma.
— Virei segredinho dos três agora, foi? — Neal pergunta.
— Sempre foi... — David fala baixinho, mas eu pude ouvir.
— Já está quase de noite, David. Eu vou para casa agora.
— Tudo bem. Até mais, Killian. E obrigado.
— Tudo pelo meu sogrão. — Brinco.
— Não me abusa senão irei apagar sua existência.
— Estou sabendo...
David ri e depois eu saio.
* * *
— Cheguei! — Anuncio quando entro em casa.
— Por que demorou? — Emma me pergunta de lá da cozinha.
— Fiquei um tempo na delegacia com seu pai. — Respondo já caminhando para a cozinha. — Onde estão as crianças?
— Dormindo.
— Mas são seis horas!
— Elas estavam bem cansadas. — Ela para de lavar os pratos e se vira para mim. — Conseguiram prender o sujeito?
— Sim. Conseguimos.
— Quem era?
— Ninguém de importante.
— Ah... Então, está com fome?
— Não, obrigado.
Eu abraço ela pela cintura.
— Não quer nada?
— Não. Onde está Henry?
— No quarto dele. Ele me contou sobre Violet amanhã e disse que pediu para você fazer porque ele diz que eu sempre queimo a lasanha.
— Verdade. — Solto uma pequena risada.
— Você concorda?
— Não é isso. É que você queima mesmo.
— Obrigada pelo apoio. — Ela fala sarcasticamente.
— De nada. — Eu sorrio.
— Vou assistir um filme, quer assistir comigo?
— Você ainda pergunta? — A puxo para fora da cozinha e a levo entre beijos para a sala.
* * *
Me lembro mais das nossas trocas de beijos do que de algo daquele filme.
Já é seis da manhã e eu estou fazendo minha corridinha matinal, como sempre. Sempre passo no Granny's para saber das novidades com Ruby e Graham, então é para lá que estou indo.
Assim que entro no Granny's, localizo Graham e vou até lá. Me sento ao lado dele.
— Bom dia, Killian. — Ele me cumprimenta.
— Bom dia. Como foi a sexta do boliche? — Pergunto.
— Adivinha? — Ele fala com um tom entediado.
— David ganhou de novo?
— Tá na hora da gente tirar a coroa dele.
— Eu sei. Mas, não se preocupe. O melhor fica para o final.
— O que planeja?
— Eu ainda não sei. Mas temos que surpreendê-lo.
— Isso mesmo. — August fala interrompendo nossa conversa e sentando com a gente na mesa. — Temos que acabar com David. Me contaram que ele ganhou de novo.
— Como ele consegue ser tão bom? Será que ele trapaceia? — Graham pergunta.
— Eu não sei. — Eu respondo.
— Quem é aquele cara? — Graham ergue o olhar por cima do meu ombro. Ouço a porta do Granny's se fechar e logo August olha para a mesma direção de Graham.
— Ele está falando com Ruby. É normal eu estar com ciúmes? — August pergunta.
— Ele só está pedindo informação, idiota. — Graham responde.
— De quem vocês estão falando? — Me viro para olhar e me surpreendo.
— Meu nome é Liam. Liam Jones. — Ele fala para Ruby.
— Bem, já te informei, Liam. Aliás, seu sobrenome não é estranho. Conheço alguém que tem esse mesmo sobrenome. — Ruby responde.
— Existem várias pessoas que têm o sobrenome Jones, senhorita. — Ele diz.
— De qualquer modo, foi bom te conhecer. — Ela sorri.
— Igualmente. — Ele se vira para sair.
— Killian? O que foi? — Graham me pergunta logo que Liam sai. Ele percebeu que fiquei vidrado em Liam.
— Esse cara... Liam... Ele é meu irmão. — Eu falo e engulo á seco.
Faz tanto tempo que não vejo meu irmão que quase não o reconheci.
Espera, meu irmão voltou? Sim. Aparentemente sim. E eu não sei o que isso pode significar.
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