Only Yours Is My Love
36 Jogo Sujo
Notas iniciais
Estou junto com as pessoas que fazem a apuração das urnas, e tenho que admitir que está sendo muito tedioso. O bom é que estamos no final, o que ajuda muito as coisas.
— Pessoal! Pessoal! — grita Leroy. — Tem alguma coisa errada aqui!
Ruby se aproxima dele.
— Tipo...?
— Tipo que eu acabei de ver o resultado e não é nada agradável. — ele responde.
— Como assim? — David se aproxima também.
— Digamos que... — Leroy pigarreia. — ...O novo prefeito da cidade não é muito amado por aqui.
— Puta que pariu. — resmunga Ruby.
— Puta merda. — David também resmunga.
Me aproximo e vejo o documento final.
— Maldição! — exclamo.
Um minuto se silêncio se faz no prédio, e eu estou completamente sem reação. Como Neal pôde ganhar? A quantidade de pessoas que estavam do lado de Regina eram mais que o dobro da pequena "legião" de Neal. Eu não consigo entender.
Pego o documento e analiso cada dado, cada número e porcentagem. Há coisa ruim aqui, eu posso saber o que é. E eu irei descobrir o que é.
— Como? — pergunta Ruby, preocupada.
— Isso está certo mesmo? É impossível! — David pega-o da minha mão e analisa, assim como eu fiz.
Eu rio, gargalho e todos me olham como se eu fosse um maluco. Mas tudo isso só significa uma coisa:
— Jogo sujo. — é o que digo. — Ou esse filho da puta controlou tudo isso, e muito bem por sinal, ou ele comprou votos a base de privilégios de ou ameaças. — é o óbvio.
— Ah, está muito frio... — Emma entra, se abraçando e observa as nossas expressões de terror. — O que foi?
— Aconteceu uma coisa bem... Ruim. — conta Leroy. — Um problemão, podemos dizer assim.
— Um 'problemão'? — ela repete.
— Como estamos indo...? — Graham também surge.
— Neal é o novo prefeito de Storybrooke. — Leroy conta rápido. — Devemos contar para Regina ou...
— Isso tem que sair imediatamente na mídia, independente de gostarmos ou não do resultado! — David explica. — Vou chamar Sidney Glass. — ele se afasta de nós e tira o celular do bolso.
— Como assim? Vocês estão drogados, é isso? — Emma nos diz, e analisa os dados. — Como isso aconteceu? Regina vai ficar...
— ... Puta. — completo, e Emma me censura com um olhar. — ...Com... Raiva. — me corrijo. — Provavelmente ela vai atirar dardos numa foto de Neal enquanto bebe pra caramba.
* * *
Regina está lançando dardos numa foto de Neal, enquanto bebe uísque e fala palavrões fortes. Eu prefiro o meu bom e velho rum, então eu apenas bebo enquanto assisto Emma tentar acalmar Regina, inutilmente.
— Mas, Regina...
— Emma! Eu sou horrível! Se eles não gostavam da droga da minha prefeitura que dissessem. Merda! — ela não para de atirar.
— Não foi você, imbecil! — digo eu.
Regina se vira para mim com um dardo na mão.
— Acho que você não quer que isso pare no meio da sua bunda, Killian. — é o que aquela maluca me diz.
— 'Tá, cansei. — me levanto e saio da sala. Desço as escadas e saio do prédio.
— Killian! — Emma me segue. — Killian, amor, Regina está meio...
— Não me importa como ela está, não estou nem aí. Vou para casa. Vou comer. Vou ficar com os meus filhos e acho que você deveria fazer o mesmo, Emma.
— Está com raiva de mim agora?
— Se for ficar aqui, depois me ligue para eu ouvir a sua voz. — vou até o meu carro e entro, dando partido em seguida e saindo dali.
* * *
Fizemos o levantamento das pessoas que vimos no "lado B", o lado de Neal. Merlin é muito bom em fazer levantamento de dados, e acho que isso nos ajuda muito. Nossa suspeita deve ser confirmada, porque eu não aguento mais Regina de mau humor. E a cidade está um caos, a prefeitura quase foi invadida ontem. Está sendo muito complicado.
— Vocês já tomaram a sopa da Granny? — pergunta Merlin.
— Hm... Depende. Já tomei duas e são fenomenais. Pena que eu nunca soube o nome... — Lancelot o responde.
— Gente, pelo amor de Deus, vocês não conseguem focar, não? — pergunto, impaciente.
Estaciono o carro na frente do Granny's e saio do carro. Os três me seguem, e juntos entramos no estabelecimento.
— Ali está ela! — Merlin apontou para a Granny, cuja estava no balcão e foi direto para a cozinha.
— Hey, vamos. — Lancelot nos chama para seguí-la.
Passamos pelos clientes, e percebo que o Granny's não está tão cheio como antes. Ignoro esse fato óbvio e sigo para a cozinha, onde a Granny se assusta com a nossa presença.
— Desculpa, Granny. Amamos a sua sopa e lasanha, mas precisamos fazer perguntas. — é o que Merlin diz e eu apenas o olho com a expressão de "É sério isso?".
— Não podem invadir a minha cozinha desse jeito! — revolta-se ela. — Vamos, vamos! Saiam!
Ela tenta nos empurrar para fora, mas eu resisto e os outros também.
— Estamos em uma investigação, senhora. Precisamos que responda perguntas! — diz Phillip.
A Granny para e cruza os braços, com uma espátula de fritar hambúrguer na mão.
— Galera, não é melhor fazermos isso na delegacia? — Lancelot nos pergunta. E, de fato, ele tem razão.
— Você poderia ter dito antes! — reclamo. — Não importa, acontece que queremos saber os motivos que te levou à votar em Neal.
— Quais foram os seus para votar em Regina Mills? — foi o que ela acabou de dizer.
— Qual é! Você faz comida para ela, e para todos nós, Granny. O que tem contra ela?
— Não preciso ter algo contra ela! — ela se virou e voltou a preparar os hambúrgueres que antes estava fazendo.
— Tudo bem. Não se trata de Regina, e sim de Neal. O que ele te ofereceu? — digo e Phillip pigarreia. — Desculpa, mas não acho uma boa ideia fazermos rodeios.
— Okay, Granny Granny, precisamos saber apenas os seus motivos para votar em Neal Cassidy. — Merlin tira um bloco de anotações do bolso e já se posiciona com a caneta.
— Os projetos dele para a cidade são muito... Interessantes. — diz ela.
— Sim, e...? — pede Merlin, terminando de anotar.
— E o quê? É só isso! Saiam da minha cozinha, seus moleques!! — nos ameaça com a espátula erguida em nossa direção.
— Que violenta! — comenta Merlin. — Tudo bem. O que estamos fazendo aqui não é brincadeira, é caso legal, judicial e que claramente dá cadeia. Então eu gostaria que você fosse sincera na resposta da minha pergunta, Granny: Neal ofereceu algo à você ou lhe ameaçou para, em troca, você votar nele?
— Não. — a resposta é rápida e um pouco nervosa.
Ela fica fritando as carnes por um tempo, e nós apenas a observamos, até que a mesma suspira e diz:
— Ele pode fechar o Granny's, sabiam disso? Pode destruí-lo também, e esse estabelecimento é tudo que tenho, além de Ruby. Eu tentei, mas acho que Neal é forte demais para alguém como eu. Olha... Vocês deveriam desistir disso tudo, não dará certo. — e continua fritando o hambúrguer.
É como eu pensei: jogo sujo. Um a zero para o lindão aqui.
— Nada vai acontecer com você ou com o seu estabelecimento, Granny. Pode ter certeza disso. — Lancelot garante, antes de sair da cozinha e ser seguido por nós.
— Próximo da lista? — Phillip pergunta. Checo a lista em minhas mãos e respondo:
— Marco.
— Let's go, let's go! — cantarola Merlin enquanto saímos do Granny's.
* * *
A semana foi um total inferno para mim, e até para Emma que esteve cuidando mais das crianças. Brigamos diversas vezes, mas nada que uma noite acordado não pudesse resolver. Acontece que a nossa investigação foi além: Neal é um péssimo mentiroso. Na verdade, usar ameaças e comprar voto não é nada original e discreto para uma cidade pequena que é Storybrooke. Então eu só acho que devemos prender ele, já que já terminou a eleição. Mas isso será depois de falar com a Monstra/Bruxa/Rainha Má... Ops... Com a minha queria Regina.
E ela está com a sua roupa arrumadinha, o cabelo em perfeitas condições, as pernas cruzadas e nos fitando com uma certa irritação. Na verdade, essa é a natureza dela. Por tudo se irrita e isso me irrita.
— O que querem? — o humor dela piorou depois do resultado da eleição, e acho que já está bem evidente o motivo.
— Pode ser mais educada? — peço.
— Não. — ela me responde e eu apenas bufo e reviro os olhos.
— Podemos conversar com você? — Lancelot pergunta.
— Eu vim até aqui para quê, afinal? — ela olha ao redor da delegacia.
Emma, que estava no banheiro, volta e anda até parar ao meu lado.
— Olha, seu pedaço de cavalo...
— Ei, Killian! — Emma me censura. Ela chegou no momento certo.
— Controle esse seu marido desgovernado, Emma. — diz Regina, olhando para mim.
— Killian, venha comigo, pelo amor que Cristo tem por nós. — e Emma me puxa para o escritório de xerife e me faz sentar na cadeira.
Eu respiro fundo e sinto-a se inclinar para me abraçar.
— Tudo bem com você? Esteve meio distante essa semana...
— Estou bem, Swan. Eu preciso contar sobre o que descobrimos, é uma boa notícia para Regina. — me levanto, mas ela me lança um olhar que me faz sentar outra vez.
— Posso falar com você?
— Mas já estamos...
— Direito? — me interrompe. — Você está se estressando desnecessariamente.
— Não, não. Estou bem. Sério. — respondo e ela faz uma expressão de quem acredita.
— Vamos supor que eu acredito... Ah, você lava as louças hoje.
— Obrigado, amor... — digo com sarcasmo. — Estou muito feliz em saber disso.
Ela ri.
— Desculpe. Eu apenas quis tirar uma com a sua cara e...
Ela interrompe a própria fala porque notamos um movimento incomum vindo do lado de fora. Me levanto rapidamente e abro a porta, saindo em seguida do escritório. Me aproximo da maluca que está mandando Merlin fazer coisas ilegais com Neal e, claramente, está ameaçando enfiar aquela caneta que está na sua mão em um lugar pouco recomendado de Merlin. As coisas estão bem constrangedoras e alguém precisa controlar aquele monstro.
— Regina, para com isso! Merlin não vai espancar Neal até a sua morte só porque você quer! — falo eu.
— Fica na sua, escremento de rato! — ela tem a audácia me responder isso.
— Pelo menos eu não sou uma cobra venenosa feito você!
— Regina, para com isso. Você está ofendendo Killian e, consequente, à mim também. Estou constrangida e desconfortável, você pode parar? — Emma toma à frente.
— Emma, você deveria entender! — Regina diz. — Eu quero a minha prefeitura de volta, e vocês vão fazer isso direito!
— Acha que somos quem? — pergunto. — Você não é o centro do Universo, querida! Entenda!
— Nem você, ser abominante! — depois que ela diz isso, ouço uma risadinha vir de Merlin. — Me poupe!
— Como pode ser tão iludida, Regina? Você vai acabar sem ninguém no final, e vai ficar se perguntando o porquê. Sendo que a resposta estará nessas merdas que você faz e diz agora.
— Desculpa, amigo. — ela se vira para trás e pega um papel em branco de cima da mesa. — Aqui está a lista de quem se importa... — e me entrega o papel.
— Oh, que engraçada você... Pena que ninguém se importa com você também, não é? Seria uma pena se todos nós deixássemos tudo do jeito que está... Peça com carinho e educação que fazemos.
— Merlin, Lancelot e Phillip... Vocês podem, por favor, ajeitar essa situação para mim? — ela vai toda carinhosa para eles.
— Claro... — concorda Phillip.
— E você... Pode ficar em casa, não vai fazer diferença alguma. — se refere à mim e vira, andando até a saída.
— Vá pelas sombras, criatura de escuridão! — me despedi dela. — Que mulher deselegante...
Só então que Merlin cai na gargalhada e eu o fito com raiva.
— Tudo bem, irei parar. — ele diz. — Mãos a obra, pessoal! Temos apenas dois dias até Neal reformar a equipe da delegacia!
Sento-me na minha cadeira e relaxo o corpo. Eu vou aproveitar para dormir, já que estou cansado e Regina me deixou com dor de cabeça. Acho que vou ficar jogando Paciência, um bom passa-tempo.
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