Only Yours Is My Love
24 Embalos De Uma Noite Sem Fim
Notas iniciais
Passamos o dia no frio de Nova York, conhecendo lugares e tirando fotos. Henry realmente veio preparado, trouxe sua máquina fotográfica da qual o presenteei dois anos atrás, no seu aniversário. Almoçamos duas horas atrasados em um restaurante meio caro, na minha opinião, já que a quantidade de dinheiro que eu tinha na carteira não era o indicado para um dia turístico.
Agora estamos em um karaokê. Já cantamos umas cinco musicas e em uma delas recebemos vaias. Mas não nos importamos. Nem sei quanto bebi, e até deixei Henry beber um copo de cerveja — não que eu esteja lúcido para proibir —, contanto que não contasse para Emma. Ele reclamou do gosto e disse que prefere mil vezes Coca-Cola. Então o resto da cerveja ficou para mim e ele pediu uma Coca-Cola.
Decidimos cantar de novo. "Hey, brother", de Avicii, foi a escolhida. E estamos cantando extremamente mal. Enquanto canto sozinho, um cara joga uma batata frita em Henry. O mesmo a pega antes que caia no chão e a come. Me distraio olhando para a letra, e volto a olhar para Henry. Me surpreendo ao vê-lo com a boca aberta enquanto algumas pessoas jogam batata frita. Logo sua parte chega e as pessoas param.
Em meio ao agito da música e da dança — nunca o vi tão solto assim —, Henry tira o cachecol cinza com listras vermelhas e o joga para a platéia. Quando nossa música acaba, descemos do palco e temos a surpresa de constatar no telão que estávamos na final. Rio com aquilo tão loucamente que as pessoas olham para mim como se eu fosse um retardado.
Henry segura meu ombro e me leva até nossa mesa.
— Como chegamos na final? — pergunto para ele, ainda rindo.
— As pessoas nos amaram! — exclama ele.
— Talvez seja isso que eu deva fazer: cantar. Vou virar um cantor famoso! Vou cantar tão bem que todos no mundo vão me conhecer e vão gritar, em meus shows: "Nós amamos Killian" — imito a voz de uma platéia. — Ah, e claro, meu parceiro, Henry. Nós somos completamente demais! Eu sou demais! — me esbanjo. Acho que estou bêbado.
— Realmente. Vocês são demais! — uma mulher aparece na nossa frente. Ela tem um cabelo castanho e a cor dos olhos, idem. Ela é realmente muito bonita, e sensual. Mas eu já tenho uma mulher, o que deixa as outras do mundo apenas mais algumas. Ao lado de Emma, ela não é nada. — Me chamo Katy. — ela ergue a mão para me cumprimentar. Entra percebo que ela está usando o cachecol de Henry.
Eu aperto sua mão e ela a vira para Henry, que faz o mesmo.
— Acho que isso é seu, rapaz. — ela entrega o cachecol para ele.
— Obrigado. — ele agradece e o coloca em volta do pescoço.
— Você que é Henry? — ela pergunta para ele.
— Sou sim. — o garoto concorda.
Katy sorri e olha para mim, de um jeito diferente. Um jeito que sei bem qual é; sou até experiente nisso.
— Eu e minha irmã — ela aponta para uma mesa um pouco distante, onde uma garota de, talvez, uns quinze ou dezesseis anos, acena para nós. — vamos estar na final também.
— Ah, sim! Eu as vi cantando. Vocês são boas. — digo.
— Todo sábado eles dão um troféu para o ganhador. Colecionamos doze. Legal, não? — a mulher diz. — Desejo sorte a vocês dois. E... Você é Killian, não é?
Balanço a cabeça positivamente.
— Se quiserem ficar conosco, estamos logo ali. — ela dá uma piscadela para mim e sorri maliciosamente.
Vejo, pelo canto do olho, Henry ficar ruborizado. Ninguém merece presenciar uma cena dessa. Por isso, ergo minha mão esquerda e toco na minha aliança com o dedão. Katy capta o que quero dizer e simplesmente dá de ombros.
— Ah, sim, mas... De qualquer forma, se quiser companhia, estaremos ali. — diz.
— Sinto muito, tenho que recusar. Estou bem satisfeito aqui com o meu garoto. — respondo balançando Henry pelo ombro.
Katy continua sorrindo e se retira, indo para sua mesa. Percebo Henry dar um suspiro de alívio.
— Meu Deus, isso sempre acontece? Tipo... Antes de ir para Storybrooke? — ele pergunta.
— E muito. — ergo as sobrancelhas.
— E você aceitava?
— Opa, opa, opa, rapaz. Já não posso responder! — digo pegando o copo que eu deixara na mesa e bebendo o líquido.
Ele fica em silêncio, comendo batatas fritas e bebendo refrigerante. Meu telefone toca e sou obrigado a me levantar praza atender.
— Hã... Henry, eu tenho que atender. Volto já. — vou para o banheiro.
Que bom que ele está vazio, porque aí sim terei liberdade para falar qualquer coisa. Atendo o celular e a primeira coisa que ouço é a voz preocupada de August.
— Killian, onde você está? — ele pergunta.
— Em Nova York, por quê? — pergunto.
— Eu sei disso! Onde, especificamente? — ele pergunta.
— Em um karaokê, por quê?
— Emma sabe onde você está. Ela acabou de falar o nome do karaokê para mim, o que significa que ela já deva estar indo para aí.
— Mas vai demorar muito para ela chegar, parceiro.
— Ela deve chegar em vinte minutos.
— Oi? De Storybrooke para Nova York? Vinte minutos?
— Ela está em Nova York.
— Está?
— Emma colocou um rastreador no seu celular, não sabia?
Não. Eu não sabia. O que é muito mal. Ela deve estar cuspindo fogo!
— Vou desligar. — aviso antes de desligar.
Saio do banheiro e vejo Henry em cima do palco, impaciente. Quando me vê, ele faz um sinal para eu subir. A música logo começa. "Demons", de Imagine Dragons.
Antes de cantarmos, sussurro rápido no ouvido de Henry:
— Sua mãe está vindo. Vamos morrer.
Ele arregala os olhos, mas logo se concentra na música. Depois da música terminar, dos aplausos cessarem, descemos do palco e sentamos na nossa mesa.
— Torcemos para ela não chegar antes do resultado. — comento e Henry concorda.
Peço mais um copo de cerveja e bebo. Sei que Whale comentou para eu não abusar do álcool, mas não é nada de mais ficar bêbado de vez em quando.
Katy e a irmã dela subiram no palco. Elas estão cantando uma música da qual nunca ouvi, mas estão cantando bem. O único problema é que a irmã de Katy decide dançar, e acaba escorregando em uma das poucas batatas fritas que Henry deixara cair da outra vez. Ela cai no meio do palco, atrapalhando a música. O microfone faz aquele barulho estridente e logo esse incômodo passa.
Todos riem com a queda da garota. Até ela mesma. E eu não consigo me segurar, caio na risada histericamente.
Um cara aparece com uma água com gás para ela, que se levanta e bebe apressadamente. Colocam a música outra vez e a garota começa a arrotar no meio dos versos. Não consigo me controlar, como todos, e rio outra vez. Até Henry está rindo. Acaba que Katy canta sozinha, e a sua voz nem é tão boa assim sem a da irmã.
O, pelo o que parece, dono do karaokê, sobe no palco e faz um suspense sobre quem vai ganhar o troféu de ganhador da noite. Olho para o relógio, e percebo que já é hora de Emma aparecer. Olho ao redor, atrás dela e não a vejo. Talvez tenha pego um congestionamento ou algo do tipo.
— O prêmio vai para... Killian e Henry! Parabéns aos dois novatos! Venham pegar o prêmio, rapazes! — ele nos chama. Bebo o resto do que restava do copo e subo no palco com Henry.
Ele nos entrega o troféu e juntos, nós três, tiramos algumas fotos para recordação. O fotógrafo nos entrega duas cópias e a terceira fica com o dono, que, segundo ele, vai colocar no Quadro Dos Ganhadores Do Ano, que fica numa parede do karaokê, perto do palco.
O Dono, chamado Willians, nos parabeniza e diz que podemos voltar quando quisermos. Sorrio e agradeço, quando olho para a entrada, vejo Emma nos procurando pelas mesas.
— Obrigada, senhor. Temos que ir agora. — digo, tentando não parecer nervoso.
— É claro! Aplausos para os ganhadores! — ele pede e as pessoas aplaudem. Olho para Emma, que logo se vira para o palco e nos metralha com o olhar. Sinto seus olhos queimarem a minha alma. Ela está furiosa.
— Nós realmente temos que ir. — digo.
— Está tudo bem. Vão na paz! — o homem nos libera.
Puxo Henry pelo braço e desço correndo do palco. Ignoro os elogios das pessoas e apenas digo "obrigado" em alguns casos. Saímos do karaokê correndo e vejo o fusca de Emma.
— Ela realmente está aqui. — diz Henry. — E agora?
— Prometi que seria só eu e você. — respondo deixando meu celular dentro do carro dela, que está com a janela aberta.
Com passos largos, alcançamos meu carro e entramos. Dou a partida e acelero, indo para o apartamento de Neal.
***
— O que está fazendo? — Henry me pergunta quando me vê arrumando sua mala e pegando algumas comidas da geladeira.
— Vamos para o apartamento de August. — respondo.
— Mas, e a chave? — ele pergunta, me ajudando.
— Ele tem uma reserva atrás do extintor de incêndio que ninguém usa. Descobri isso quando estive em Nova York com Emma. — respondo.
— Ah, sim. Estive comendo pizza no café da manhã durante esses dias. — ele ri. — Tivemos que mentir para minha mãe.
— Eu já sabia disso. — digo.
Pego a mala de Henry e ele um pacote com as sobras de comida e o troféu que ganhamos. Desligamos tudo e saímos da casa.
Minutos depois, estamos no carro, indo para o antigo apartamento de August.
Não demora muito para chegarmos no apartamento. A chave estava no mesmo lugar onde sempre esteve e entramos. Henry quis logo tomar banho, e é o que está fazendo agora, enquanto bebo café assistindo televisão, debaixo de um cobertor e com a lareira acessa.
A campainha toca. Mas quem será? Talvez seja algum vizinho pensando que August voltou. Me levanto e vou abrir a porta. Quando a abro, me surpreendo ao ver a minha estressadinha sorrindo para mim.
— Swan... — me encosto na porta. — Você... Por essas bandas...? Como vão as coisas em Storybrooke?
— Ótimas. — ela tira a jaqueta e a joga em mim, entrando no apartamento.
Fecho a porta, deixo a jaqueta no sofá e me viro para ela.
— Antes que me condene... — me aproximo dela. — Henry se chateou com algo que rolou entre ele e Violet, e decidiu fugir. Como um bom pai que sou, o segui perfeitamente. Até que o encontrei nesta maravilhosa cidade, sozinho e desamparado. Ele pediu para passarmos uns dias juntos, por aqui, e eu aceitei. Não é pecado, é?
Percebo-a relaxar.
— Ruby disse que você estava estranho. — me diz.
— Eu não quis te preocupar. — respondo.
— Fiquei as últimas doze horas viajando e procurando vocês. — ela diz, desabando no sofá. — Andaram por toda Nova York, não foram?
— Quase. Ficamos de visitar outros lugares amanhã. — respondo.
— Um dia eu mato vocês dois.
Estremeço e arregalo os olhos.
— É brincadeira. Mas vão ficar de castigo. — ela pega a minha xícara de café na mesinha e bebe.
— Que tipo de castigo?
— Ainda não determinei. — ela termina de beber. — Onde está Henry?
— Aqui. — o mesmo avisa chegando na sala.
— Henry! — ela se levanta e o abraça. — Nunca mais faça isso!
— Tudo bem, mãe. Não faço mais. — ele diz.
Ela se afasta para olhá-lo melhor.
— Promete?
— Prometo.
Saio da sala e vou para o quarto de August. Entro em seu closet e... Lá está ela! A caixa de roupas antigas dele, quando ainda morava em Storybrooke. Ele não a levara para a cidade, o que é um alívio para mim. Seleciono uma calça de pijama e um suéter preto e vou para o banheiro.
Depois de um relaxante banho quente, me seco, me visto e vou para a sala. Quando entro, vejo as luzes desligadas, Emma sentada no sofá, Henry deitado, com a cabeça em seu colo, e ambos assistindo televisão. Passo direto por eles e vou para a cozinha. Preparo um sanduíche e o como rapidamente.
Depois de escovar os dentes — August fez o favor de deixar nossas escovas aqui; na verdade, acho que ele só levou roupas e alguns objetos para Storybrooke, o resto está intacto. — e dar um "boa noite", vou para o meu quarto de anos atrás e me deito na cama. Desligo a luz e me concentro para dormir. A minha sorte foi que estou exausto, por isso durmo rapidamente.
***
A luz do quarto é ligada, me fazendo acordar, já que nem sempre meu sono é pesado. Tento me acostumar com a claridade, mas a luz desliga antes de conseguir enxergar quem a ligou. Sinto alguém afastar o edredom e deitar-se ao meu lado. A pessoa se cobre e me abraça por trás.
— Swan... — sussurro com a voz rouca.
— Desculpa não ter te dado atenção. Fiquei preocupada com Henry por ainda ser um garoto. — ela responde.
Me viro de frente para ela.
— Foi nessa cama em que dormimos juntos pela primeira vez. — comento.
— Foi, sim.
Ela desliza pela cama e fica em cima de mim. Emma acaricia meu cabelo e me beija.
— E como foi, no final? — pergunto depois do beijo.
— Vai haver votação em Storybrooke. Neal declarou guerra. Não conseguimos encontrar o documento. Mas resolvemos isso depois...
A abraço pela cintura e sinto-a sair de cima de mim. Emma coloca sua cabeça em meu peito e acaricio seu cabelo.
— E aqui estamos nós... — comenta — Com o mesmo problema de antes.
— É só dormir, Swan. Prometo que logo logo isso vai acabar. Apenas durma.
Beijo o topo de sua cabeça e sinto seus músculos relaxarem.
— É só dormir... — sussurro, mas não para Emma, e sim para mim.
E eu até quero acreditar no que digo. Que, talvez, quando eu acorde, todos nossos problemas tivessem ido embora durante a madrugada. Isso seria perfeito...
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