Only You

5 "Eu quero terminar"


Notas iniciais
Desculpem pela demora e perdoem erros. Se divirtam lendo.

Aquela cena nunca sairá da minha cabeça

Regina está praticamente sem seu terninho deitada no sofá enquanto Graham, sem camisa, está em cima dela a cobrindo de beijos.

Eles me ouviram e se viraram assustados na minha direção.

— E-Emma? — Regina gagueja saindo debaixo de Graham e se levantando ajeitando e abotoando o terninho.

Graham simplesmente sentou no sofá e abaixou a cabeça.

— Não é o que está pensando... — Regina tenta se aproximar de mim, mas eu me afasto.

— Graham? — Killian pergunta se aproximando de Graham.

Eu não estou conseguindo falar nada. Só me perguntar: "Por quê?". Por que ele ficou comigo esse tempo todo se não me amava? Por que me traiu com a pessoa que se diz minha melhor amiga? Por que não terminou comigo para ficar com ela? Eu respeitaria. Eu concordaria. Não posso obrigar ninguém á ficar comigo.

— Vo-vocês... Vocês dois... Não pode ser. Não, não pode... — Gaguejo enquanto coloco a mão na cabeça, que está estourando. — Você mentiu pra mim... — Me aproximo de Graham. Ele ainda permanece de cabeça baixa.

— Emma, a culpa não foi dele... — Regina começa.

— Cala a boca. — Grito. — Você também mentiu pra mim.

Não pode ser. Acho que estou ficando louca. Isso não pode ter acontecido. Não pode.

— Killian, segura Emma. Ela se descontrola totalmente quando está nervosa. — Regina sussurra pra Killian, mas eu pude ouvir.

Killian se aproxima de mim e encosta os lábios em meu ouvido.

— Emma, vamos embora. Você já viu. Vamos dar o fora daqui. — Ele sussurra.

Será que ele sabia? Será que ele me alertou sobre os dois justamente para eu ir?

— Não, Killian. Eu não vou. Sabe porquê? Porque todos vocês... Todos vocês... — Me afasto dele. — ... São todos traidores.

— Emma, não faz isso. Eu não sabia deles dois. Eu juro. — Killian se defende enquanto tenta se aproximar de mim.

— Eu pensava que vocês se importavam comigo. — Digo. Avisto um jarro de flor numa mesinha com outros dois. Regina segue meu olhar.

— Não. Killian, segura ela! — Regina pede. Tarde demais. Eu já corri e peguei o jarro. — Não faz isso, Emma!

— Você era a minha amiga! — Jogo o jarro na direção dela, mas ela se abaixa, fazendo o jarro bater na parede.

— E sou! — Ela tenta se defender.

— Você não é. Você tem inveja. Tudo que eu tenho você quer para você. Eu tenho Henry, e você se aproximou do garoto para roubá-lo de mim. Eu tinha Graham, e você colocou o olho no que tenho, outra vez. Não será mais assim, Regina! — Grito. Pego outro jarro e jogo na parede atrás de Regina.

— Eu não tenho inveja de você... — Regina diz, mas ignoro.

— E você... — Me viro para Graham. — Nunca mais fale meu nome em sua vida...

— Emma, por favor. Vamos conversar... — Ele se levanta e tenta se aproximar de mim.

— Nunca mais! Já falei! — Grito.

Neste momento percebo que estou chorando. Lágrimas escorrem pela minha bochecha. Eu posso até não amar Graham, mas tenho carinho por ele. Parece que sou a única idiota aqui.

— E, Killian... Eu esperava mais de você. — Eu digo.

Me viro e saio da prefeitura. Entro no carro e encosto a cabeça no volante.

— Como pude ser tão idiota? — Resmungo entre lágrimas para mim mesma.

Eu não consigo entender o porquê que ele fez isso. De jeito nenhum.

— Como teve coragem em fazer isso? A Emma não merece o que você fez. Você transformou uma mulher forte e feliz, em uma pessoa triste se sentindo traída. Você não tem honra, Graham! — Pude ouvir Killian gritando.

— Killian, me escuta. Eu iria terminar com ela. Só que hoje. — Graham tenta explicar.

Olho para os lados e vejo as pessoas da rua sem entender nada do que estão ouvindo.

— Você mudou Graham. Não é aquele meu antigo melhor amigo! Fique longe de mim! E não toque em Emma! — Killian berra.

Eu ainda estou com a cabeça no volante quando alguém bate na janela do carro. Levanto a cabeça e viro para o lado. Era Belle. Abaixo o vidro e enxugo as lágrimas.

— O que aconteceu? Você está chorando... — Ela pergunta. — Graham que está gritando, não é?

— Depois falo com você, Belle. Não estou com o humor muito para contar. — Respondo.

— Tudo bem. Como quiser. Mas se precisar de ajuda ou conselhos, eu estou na biblioteca. — Ela se afasta um pouco do carro.

— Você não pode me ajudar. Gold nunca te traiu. — Digo ligando o motor.

— Ah... Eu sinto muito. — Ela responde.

— Eu também. Mas não foi culpa sua. Nem minha, eu acho. — Engato a marcha. — Até mais. — Acelero em direção á floresta.

O único lugar que me sinto bem. Que posso ficar sem ser incomodada. O lugar que uso para esfriar a cabeça. E é lá que vou.

Estaciono no início da floresta e saio do carro. Fico fazendo uma caminhada tentando colocar o os pensamentos no lugar.

Então quer dizer que aquela briga de ontem, seria o partido para ele terminar comigo... Nossa, que ridículo. Há muito tempo a criatividade de Graham já fora melhor. Na nossa época com Neal. Ele inventava as melhores desculpas para chegar atrasado na escola, sair de casa á noite para uma festa... Ele sempre tivera uma criatividade boa para desculpas. Mas, agora, parece que perdeu a criatividade.

Eu não deveria ficar assim por causa dele. Eu não sou apaixonada por ele. Só pensei que ele seria por mim. Mas, como sempre, estou enganada. Nunca vou atrair um homem certo para mim. Neal, aquele filho da mãe, me abandonou grávida para morar em Nova York. Só sei que ele fez alguma merda para ir para lá. Mas ele nem pensou em mim e nem em Henry. Agora, Graham... Não sei bem o que dizer dele. Ele me traiu, ora. Ontem mesmo estávamos trocando beijos no cinema, e agora... Bem, agora vou terminar com tudo isso.

Meu telefone toca pela vigésima vez. Graham, como sempre. Vou atender e terminar com esse assunto. Quanto antes, melhor.

— Alô? O que foi Graham? — Atendo.

— Finalmente você atendeu. Eu quero lhe pedir desculpas.

— Desculpas? Eu que lhe agradeço. Se não fosse por sua traição, eu teria sido mais idiota no futuro.

— Emma, não fique assim. Esquece essa história, vamos viver felizes.

— Acontece, Graham, que você nunca foi meu final feliz. Eu nem te amo. — Dou de ombros, mesmo sabendo que ele não está vendo.

— Não? Eu pensava que sim...

— Que pena. Agora, me escute com atenção... Eu quero terminar.

— Não. Não...

— Não? Não pode me obrigar. Eu quero terminar.

— Eu sei que não é isso que você quer, Emma... — Desligo antes dele terminar a frase. Se é qua ainda tinha mais dessas desculpas esfarrapadas dele.

Dou um suspiro e sento num tronco de árvore caído. Não vou ficar assim por causa de Graham. Ouço um barulho de graveto se partindo. Alguém está aqui. Pego minha arma da bota e saco na direção do barulho. Entre árvores enormes, vejo Killian se aproximar. Ele não levanta as mãos nem nada. Está com um olhar triste enquanto olha para mim.

— Sou eu. Não sou a ameaça do momento. Pode abaixar isso. — Ele pede.

Guardo minha arma na bota e me sento de volta no tronco. Killian se senta ao meu lado e coloca sua mão em cima da minha.

— Como soube que eu estava aqui? — Pergunto.

— Sabe, sou bom em adivinhar as coisas... — Ele responde.

— Meus pais te contaram não foi? — Pergunto. É óbvio, só meus pais sabem que venho para cá esfriar a cabeça.

— Bem, sim. Mas eu preciso falar com você. — Me viro para ele. E pela primeira vez sinto uma sensação estranha.

Desde que o conheci, tenho ignorado a beleza dele. E esses olhos azuis... Parecem o oceano. Killian realmente se importa comigo, seria bom se todo mundo agisse assim. Killian me traz uma energia boa. Um sensação boa. Como se eu pudesse confiar nele.

— Eu não sabia nada sobre isso. O que eu sabia era que Graham iria terminar com você. Só isso. — Ele continua. — Eu estou do seu lado, Swan.

— Obrigada. — Dou um sorriso fraco olhando seus olhos.

Percebo que fiquei muito tempo apreciando sua beleza e os seus olhos. Meu coração está batendo mais rápido que o normal. Sinto que preciso de Killian. Ele parece ser bom e sincero. Diferente de Graham...

— O que foi? — Ele pergunta depois de algum tempo. Então vou para a realidade: Sou tonta. Como pude ficar olhando desse jeito para Killian?

— Nada. — Desvio olhar.

— Se está envergonhada em dizer que sou diabolicamente lindo, pode dizer. — Ele responde com um sorriso provocante.

— Não vou dizer que é diabolicamente lindo. — Digo numa risada.

— Então está dizendo que não sou?

— Não. Estou dizendo que não irei dizer que você é diabolicamente lindo.

— Então quer dizer que você me acha diabolicamente lindo e não quer dizer?

Sim...

— Meu Deus, Killian. Cala a boca. Está me deixando confusa. — Dou um empurrão nele enquanto rio.

Mas ele se joga para trás e me puxa junto com ele. E então caímos no chão totalmente colados. Eu em cima dele, parecendo uma idiota obsessiva em seus olhos, e ele embaixo de mim com um olhar encantador. Ficamos algum tempo assim. Encarando um ao outro. Ele ergue sua mão direita e coloca uma mecha do meu cabelo para atrás da minha orelha.

— Você é tão linda... — Ele sussurra.

Finalmente percebo que estamos no chão. Mordo os lábios e saio de cima dele. Logo ele levanta também e ficamos ambos de frente para o outro.

— Então... Quer... Almoçar comigo? — Ele pede.

— Não... Eu prefiro descansar. — Respondo.

— Graham vai para a sua casa.

— Eu sei. Vou pegar Henry na escola e... Acho que vou passar a noite no Granny's.

— Não acha melhor ir para a casa de seus pais?

— Talvez eu deixe Henry lá. Mary trabalha na escola, ela pode levá-lo amanhã. Vou dormir no Granny's. Mas... — Lembro de um fato importante.

— Mas...? — Ele me incentiva á continuar.

— Minha carteira está em casa. E Graham provavelmente vai acampar lá.

— Eu posso ir buscar.

— Não. Ele te fará perguntas.

— Você pode passar a noite lá no Granny's comigo. Estou comprando uma casa mas as chaves ainda não é minha. Enquanto isso, estou morando no Granny's. — Ele dá de ombros.

— Faria isso por mim?

— Por que não? — Me aproximo dele e lhe dou um abraço. Meu coração acelerou quando ele retribuiu. — Pode não saber, Swan, mas ainda existem pessoas que se importam com você.

Me afundo em seus braços sentindo o seu cheiro bom. Killian está com o nariz em meu pescoço, o que me fez arrepiar ao sentir sua respiração.

— Obrigada. — É o que consigo dizer perante á situação.

* * *

Henry veio correndo ao meu encontro.

Ele me dá um abraço apertado e corre até o carro.

— Henry! — Vou até a janela do carro. — Se esqueceu que antes tem que dizer como foi o dia?

— Foi normal, mãe. Como qualquer outro que já tive. — Ele diz sério.

— Normal? Você nunca diz que o dia foi normal. Nem me contou o que fez durante o dia... — Cruzo os braços.

— Estou com frio. — Ele simplesmente fecha a janela do carro. Muito estranho.

Entro no carro e sento no banco do motorista. Dirijo em silêncio até a casa de meus pais, Henry também não quis falar nada.

— Você vai passar a noite na casa de seus avós, ok? — Anuncio. Ele sai do carro e fica olhando para a porta da casa. Saio também e paro ao seu lado. — Está tudo bem, Henry.

— O que aconteceu? Por que estou aqui? — Henry fica de frente pra mim.

— Porque eu não vou poder voltar para casa e minha carteira está lá. — Respondo.

— Então me leva pra casa de Regina...

— Não. Não vou te levar pra lá. Regina não é de confiança.

— Estou correndo perigo? Tipo naqueles filmes que Regina assiste? Que a mocinha está correndo perigo e o mocinho deixa ela num lugar seguro e com pessoas de confiança para ele poder lutar com os vilões...

— Não. Você não está correndo perigo... — Dou uma pequena risada. Henry sempre teve uma imaginação encantadora. Esse é seu forte. — Ela traiu minha confiança. E não vou deixar a pessoa que mais amo nesse mundo nos braços de alguém que não confio.

— O que ela fez?

— Assunto de adulto, Henry. — Digo depois de um suspiro.

— Tudo bem. — Ele responde tocando a campainha.

— Mas... O que aconteceu para você estar assim?

— Você não entenderia. — Estou prestes á responder, mas a porta se abre.

— Emma? Henry? Que bom ver meus bebês aqui! — Mary diz animada.

— Mãe, não sou mais bebê. — Respondo rindo enquanto ela me dá um abraço.

— Nem eu. — Henry responde, quando Mary o dá um abraço forte.

— Podem entrar, meus bebês... — Reviro os olhos. Ela sai do caminho e nos deixa entrar.

— Vou estar lá em cima lendo Wolverine... — Henry diz subindo as escadas.

Ele tem um quarto na casa de meus pais. Eu morava aqui quando tive Henry. Ele foi praticamente criado aqui. Henry é um garoto de sorte. Tem três quartos só dele em uma única cidade.

— Sei que você quer contar algo para mim. — Minha mãe diz sentando no sofá.

— É complicado. — Sento ao lado dela.

— Hm... Você vai explicar tudinho para mim. E tomando um chá. — Ela se levanta e vai para a cozinha preparar um chá.

* * *

— Então quer dizer que ele fez mesmo isso? — Minha mãe pergunta pela décima vez desde que começamos a conversa bebendo chá.

— Sim. Nem sei mais o que pensar deles dois. — Dou um sorriso triste e bebo mais um gole do chá.

— Ás vezes, Emma... — Ela coloca a xícara dela em cima da mesinha de madeira que tem na frente do sofá. — ... Você tem que ser mais forte do que pensa. Se você realmente não o ama, por que continuou com aquilo? Poderia ter se poupado de muita decepção...

— Você tem razão mas... Eu achava que ele me amava. — Respondo antes beber outro gole do chá.

— Vamos supor que ele te amava... — Coloco minha xícara na mesinha, prestando atenção cada palavra de Mary. — Se ele te pedisse em casamento você aceitaria?

— Acho que sim. — Dou de ombros.

— Por quê? — Me assustei um pouco com a situação. É impressão minha ou minha mãe está dando uma de psicóloga?

— Por que acharia que ele me ama.

— Aí está o problema, Emma. Você não pode se forçar á algo por causa de uma pessoa. O que aconteceria? Você iria viver sua vida inteira infeliz.

— Tem razão. Eu e Graham nunca iria dar certo. Foi bom aquilo ter acontecido, percebi que tudo não passava de um erro.

— Isso mesmo, Emma. Não precisa se torturar por isso.

— Você tem cem por cento de razão. — Dou um sorriso. — Sabe...?

— O quê?

— Você deveria ser psicóloga, mãe...

— Já vem ela com falsas realidades e perfeitas ilusões... — Mary revira os olhos.

— O que aconteceu? — Ouvimos a voz de David. Nos viramos para ele, que estava fechando a porta atrás de si. — Graham está acampado na frente da casa de Emma. Killian está sério e em total silêncio enquanto organiza alguns casos na delegacia. E minha mulher e minha filha estão tomando chá juntas, como há cinco ou seis anos atrás. É impressão minha ou essa cidade está estranha? — Ele tira a jaqueta, dá um beijo apaixonado em Mary e se senta ao meu lado.

— Coisas aconteceram, pai. — Respondo me virando para ele.

— Que tipo de coisas? — David pergunta.

— Traições, decepções, tristezas, lágrimas e término de namoro. — Respondo sem fitar seus olhos.

— Graham te traiu? — Ele pergunta. Pude vê-lo fechando a mão, se segurando de raiva para não levantar daquele sofá e fazer alguma loucura.

— Calma, pai. Ele me traiu com Regina. Mas está tudo bem. — Lhe dou um abraço.

— Com Regina? — Ele não retribui o abraço. Me afasto dele e olho para seus olhos azuis. Percebo uma veia saliente saltitando da sua testa.

— Pai? Está tudo bem. — Tento tranqüilizá-lo. Mas não adianta.

— Aquele filho da mãe te traiu com Regina? A prefeita da cidade? Sua amiga mais fiel? — Confirmo com a cabeça.

David não consegue se controlar. Levanta como um furacão e sai de casa. Sigo ele o mais rápido possível. Graham pode até ser forte e ter músculos, mas David tem mais e é bem maior que ele. Pode ter assassinato? Sim. Meu pai é muito protetor quando o assunto é proteger quem ama. Mas, ás vezes, ele exagera.

— Pára pai! Por favor! — Peço. Mas ele entra na caminhonete e coloca o cinto de segurança.

— Você não pode me impedir, Emma. — Ele responde ligando o motor.

— Para onde você vai?

— Você sabe... — Ele arranca a caminhonete em direção á minha casa.

Meu Deus! Meu pai vai fazer uma loucura. Eu não quero ter que prender meu pai.

E não quero ir para o velório de Graham.

Corro o mais rápido que consigo e entro no meu carro. Pego meu celular e ligo para Killian.

— Emma. Se vai dizer que... — Ele começa á falar quando atende, é nesse momento que perco meu pai de vista.

— Killian, onde você está? — O interrompo.

— Na delegacia, por quê?

— Preciso de você na minha casa, agora. Sem discussões e nem perguntar nada. Só faça o que mandei.

— Tudo bem. — Desligo o telefone.

* * *

A caminhonete de meu pai está estacionada atrás do carro de Graham.

Estaciono meu fusca na frente do carro de Graham. Abaixo o vidro e consigo ver David pressionando Graham na parede. Saio do carro e me aproximo dos dois.

— Emma, por favor, eu não quero bater nele... — Graham praticamente implora ao me ver.

— Você sabe que não posso impedí-lo, mas vou tentar. — Respondo.

— Não adianta, Emma. Eu não vou sossegar até dar uma lição nele! — David empurra mais Graham contra a parede.

— Pai, para. Não vai adiantar em nada. — Tento provar que isso é em vão.

— Eu deixei, eu permiti... Eu autorizei o seu relacionamento com minha filha. Você prometeu em minha frente, olhando em meus olhos que nunca a magoaria. — David dá um soco na barriga de Graham.

Nem sei o que pensar. Metade de mim está dizendo que ele merece. Mas a outra metade diz que isso não vale á pena. Graham pode ter me magoado mas não merece apanhar por isso. Principalmente por meu pai. Ele não percebe que já sou uma mulher. Ele não precisa sair batendo em todo mundo que partiu meu coração. Não sou "filhinha de papai". Nunca fui. Mas David está me transformando nisso.

— Não faça isso, David. — Peço. Ele sabe que quando o chamo de David, o caso é extremo. Mas nada adiantou.

Em vez dele largar Graham, ele o puxou pela camisa e o jogou na grama. Na grama do meu quintal. Não quero sangue na grama do meu quintal.

— Vocês parecem criancinhas... — Comento tentando segurar David. Mas ele se solta e fica em cima de Graham.

— Só vou te dar uma lição. — David diz, seguido por um soco no rosto de Graham. Logo ele se levanta e vira as costas para ele, articulando a mão dolorida.

Confesso que estou com pena de Graham. Ele não merece isso. Sei que ele mentiu para mim, e me traiu... Mas não significa que tem que apanhar por isso. David não deveria fazer justiça com as próprias mãos. Pelo menos os dois não estão brigando e se socando.

Com um salto, Graham se levanta do chão e vai até David. Quando ele se vira, Graham dá um soco nele. Pisco os olhos por um segundo, e os dois já estão brigando na grama.

Ah, parabéns, Emma! Isso que dá falar demais! Se não tivesse comentado sobre isso, os dois não estariam se matando.

Mas onde está Killian? Por que ainda não chegou?

Me encosto na caminhonete de David observando a cena. Minha cabeça está martelando e não estou com nenhuma vontade de tentar separar os dois. Melhor esperar pacientemente Killian aparecer.

Em menos de dois minutos, ouço barulho da sirene. Sério? Killian não consegue ser menos exagerado? E pior que David e Graham não pararam de brigar. Me aproximo da viatura e cruzo os braços. Killian sai da viatura e para na minha frente.

— Você me chamou para separar os dois? — Killian pergunta enquanto se aproxima com passos firmes de David e Graham.

— Eu não posso fazer isso. Eu não iria sair viva! — Respondo.

— Poderia ter me avisado, senão eu não teria ultrapassado cinco semáforos vermelhos. — Ele reclama enquanto puxa Graham, que neste momento está em cima de David.

— Desculpa, capitão! — Falo num tom sarcástico o seguindo.

— Está desculpada. Mas por que eles estão brigando? — Ele tenta puxar Graham outra vez, mas não consegue.

— Você sabe. — O ajudo á puxar Graham.

Não sabia que Graham pesava tanto. Ele nunca parecia pesado em nossas noites. Ou talvez ele esteja tentando nos impedir de separá-los.

— Sobre aquilo? Deixe-me adivinhar... Seu pai veio dar uma lição nele, não foi? — Killian tenta mais uma vez.

— Sim. Você é bom nisso. — Ele dá um sorriso.

Mas ele se distraiu comigo pois, recebe uma cotovelada na barriga. Não sabia também que Graham batia nos amigos de infância.

— Você está bem? — Pergunto, segurando Killian, que cambaleou para trás por causa do golpe.

— Estou. — Ele se afasta de mim. — Vou acabar logo com isso tudo.

Killian vai até os dois e puxa Graham de cima de David, o jogando na grama. Killian segura a camisa de Graham e se aproxima dele.

— Você ficou louco, Graham? Como bate no pai dela? — Killian olha em seus olhos enquanto segura sua camisa.

— Ele começou. — Graham responde.

— Foi merecido. — David diz enquanto se levanta.

Killian larga Graham e ambos se levantam.

— Pai! Você está bem? — Abraço David.

— Estou sim, filha. — Ele retribui. Me afastou de seus abraços e avalio seu rosto. Tem um ferimento em seus lábios.

— Meu Deus, volte para casa, pai. — Digo. — Está sangrando.

— Eu estou bem, Emma. — Ele responde.

David se afasta de mim e caminha em direção á caminhonete.

— Espere, ainda não acabou. — Graham diz. Meu pai se vira para ele, mas ele estava preparando um soco.

Era de se adivinhar, Graham nunca deixa barato. Ele nunca teve limites. Ele gosta de dar troco na mesma moeda. Um dos seus problemas é esse.

Antes de atingir David, Killian aparece entre os dois e recebe o soco. Sem executar nenhuma ação, ele cai no chão desacordado. Meu único intuito foi correr em sua direção com as mãos trêmulas.

— Killian! — Grito o sacudindo. — Killian, acorde!

Me viro para Graham. Ele correu até seu carro e deu o fora o mais rápido que conseguiu. Um verdadeiro covarde.

— Vou chamar a ambulância. — David diz pegando o celular.

Ele se afasta um pouco enquanto diz o endereço.

Eu não deveria ficar tão preocupada com Killian. Mas não consigo evitar. Estou quase chorando de nervosismo. Isso tudo é culpa minha. Se eu tivesse segurado meu pai, ou até terminado com Graham há muito tempo. Se algo acontecer com Killian, a culpa será minha.

Killian não acorda, mas não desisto. Ele fica extremamente fofo dormindo...

O quê? Ele está desmaiado, caramba! Como pude pensar em coisas do tipo com ele assim? Eu realmente não me entendo.

Dentro de alguns minutos, a ambulância aparece no local. Digo tudo o que sei sobre Killian e sigo a ambulância até o hospital.

* * *

Já decorei tudo. Todas as palavras que David me fez ouvir durante seis horas. "Não se culpe, Emma", ele dizia. "Não foi culpa sua", ele dizia. Mas minha cabeça estava dizendo o contrário. Sei que Killian estava querendo proteger meu pai, mas colocou sua vida em risco por causa disso.

Minha mãe já havia chegado há algumas horas atrás junto com Henry. Trouxe comida e ficou alguns minutos com a gente. Mas teve que levar Henry de volta para casa. Já havia passado a hora dele dormir.

Estou de mãos dadas com meu pai olhando o chão do corredor do hospital. Estou perdida em meus pensamentos que nem vi doutor Whale se aproximar.

— Emma. — Whale diz se aproximando, o que me fez levantar da cadeira e prestar atenção nele. David estava dormindo e não ouviu, permaneceu na cadeira em um sono. — Killian Jones está bem. Ele já acordou. E deseja a sua presença.

— Tudo bem. Eu já vou. — Respondo. Me viro para meu pai e o acordo. — Pai, Killian está bem. Vá para casa descansar.

— Tudo bem. Vou ceder porque estou quase desmaiando. — Ele responde com um sorriso, se levanta e caminha até a saída.

— Por aqui... — Whale caminha, me guiando até o quarto de Killian.

O sigo até entrar no quarto. Whale não entra, apenas fecha a porta. Me aproximo de Killian, que estava lendo. Ele fecha o livro e me dá um sorriso. Não resisti e dei outro também.

— O que foi? — Pergunto ainda sorrindo.

— Não sabia que ainda estava aqui. — Ele responde. Me aproximo mais da cama. Killian está com o olho esquerdo roxo e com um ferimento em cima da sobrancelha esquerda.

— Por que eu não estaria? Você me apoiou e defendeu meu pai, é o mínimo que posso fazer. Gostaria de te agradecer por isso.

— Não precisa me agradecer por isso, Swan...

— Eu preciso, sim, Killian. Com a minha vida de cabeça para baixo, com o trabalho me deixando estressada... Você foi o único que me entendeu.

— Então quer dizer que é o trabalho que te deixa estressadinha? — Ele dá um sorriso provocante.

— Se me chamar de novo disso, vou esquecer que está num hospital e te quebrar todinho. — Dou um sorriso vencedor.

— E depois me consertaria de novo, não é? — Ele tenta arquear a sobrancelha. Mas o band aid que está no ferimento acima não o deixa completar a ação.

— Que pena que não pode lançar seu olhar sedutor para cima de mim, Killian...

— Ah, então quer dizer que me acha sexy?

Oops. Acabei falando demais. Por que fui comentar sobre isso?

— Não disse que você é sexy. Você se acha sexy e tenta me lançar um olhar que, segundo você é sexy. Só isso. — Dou de ombros, tentando fingir.

Nunca costumo responder ou incentivar cantadas. Principalmente as do Killian. Ele tem uma boa estratégica de me fazer ficar confusa e falar exatamente o que ele quer ouvir. Mas, juro, dessa vez saiu sem querer.

— Está tentando me confundir, Swan? — Ele ainda está com o sorriso provocante no rosto.

— Não. De jeito nenhum. — Minto.

— Mas que falta de originalidade, Swan. Este é o meu golpe, escolha o seu.

Não consigo segurar a risada. Killian me faz rir com seu senso de humor original.

— Isso não é um golpe. É só uma expressão que você faz para impressionar. Principalmente á mim.

— Hmm... E você gosta?

— Não vou cair no seu joguinho outra vez, Killian.

— Joguinho? Que joguinho? Não faço nenhum joguinho! — Ele se faz de inocente.

— Você é uma piada... — Digo em risos.

— E diabolicamente lindo, concorda?

— Não sei. Posso te responder se... — Pego o livro que ele estava lendo. — ... Você conseguir pegar isso. — Corro para a porta.

— Ah, não, Swan. Devolve. Sabe que não posso sair daqui... — Ele reclama.

Saio e fecho um pouco a porta. Coloco minha cabeça para dentro numa fresta que deixei aberta.

— Boa noite, Killian. — Digo. Fecho a porta e saio caminhando pelo hospital com um sorriso idiota no rosto. Nem sei porque estou sorrindo. Por causa de Killian? Não. Não deve ser...

* * *

Deito na minha cama totalmente exausta. Coloco o livro que roubei de Killian em cima do criado-mudo e desligo a luz. Mal fechei os olhos e meu celular me avisa uma mensagem. Pego meu celular e percebo o número desconhecido. Abro a mensagem e fico boquiaberta.

Desconhecido — Olá, Emma. Como vai? Sei que você se livra de minhas cartas anuais e eu entendo. Gostaria de saber como você está. Preciso conversar com você sobre o passado. Te espero em dois dias no Central Park, em Nova York. Se estiver interessada em entender tudo sobre o que aconteceu com a história da minha suposta morte, por favor, vá. Estarei te esperando. NEAL CASSIDY.

Gelei. Não consigo tirar os olhos do celular. Como assim o Neal? Não pode ser...

Notas finais
O que acgaram? Comentem a opinião de vocês. Até o próximo.