Only You
9 Como sobreviver em Nova York
Notas iniciais
– Vamos pedir alguma ajuda e voltar para casa. — Digo. — Mas, primeiro, vou comer algo. Já está quase anoitecendo e tenho que me alimentar. E além do mais, parece que vai chover... — Saio do carro.
– Boa idéia. — Killian me segue.
Ainda bem que tenho dinheiro suficiente para passar uma ou duas noites em Nova York.
Entro com Killian na lanchonete que tem do lado do prédio. É um lugar bastante acolhedor, mas nada impressionante. Só os preços que só em olhar, meu bolso já esvaziou.
Sento numa mesa com Killian, que estranhamente está em silêncio. Ou será que estou o ignorando?
* * *
– Suas histórias marítimas são ridículas. Quem é que vai acreditar que você quase foi morto por uma sereia? — Pergunto.
Ainda estamos na lanchonete e finalmente parou de chover, mas a chuva formou grandes poças no asfalto na frente da lanchonete. Killian decidiu contar uma de suas famosas histórias enquanto brinca com um canudo. É surpreendente essa imaginação dele.
– Bem, dá pra tapear uma criança... — Ele dá de ombros e sorri.
Um sorriso.
Aquele sorriso.
Aquele perfeito sorriso.
Aquele magnífico sorriso.
Que, loucamente, me fez sorrir também.
– Por que está sorrindo tanto, Swan? Gostou da minha piada? — Ele arqueia as sobrancelhas.
Por que ele faz isso? Para me provocar, só pode. Mas na minha mente, eu meio que caio nessa onda dele. Só na mente, eu acho.
– Achei horrível. — Respondo numa gargalhada.
– Acredito. — Ele direciona o canudo do milk-shake e bebe o líquido.
– Acho bom acreditar em mim, Killian Jones.
– Sabe o que estou achando? — Ele coloca o milk-shake na mesa e apoia o braço na mesma. — Que você é louquinha por mim.
– Isso é sério, Killian? — É difícil conter o riso. — Essa foi a melhor piada que você fez!
– Tude bom, vou parar de graça. Agora é sério. Totalmente sério. — Eu não acreditei até ele parar de rir e ficar com o rosto sério. Acho que coisa boa não vem... — Você gosta de mim e não quer assumir.
Tem algo dentro de mim que diz que isso é verdade. Mas tem outra que não. E como sempre, decido escutar a outra e cair na gargalhada outra vez. Mas, normalmente, Killian ri também. E dessa vez ele se manteve sério.
– Ah, qual é, Killian? Você acha que gosto de você desse jeito? — Respiro fundo.
– Eu não falei que jeito foi. — Ele responde.
– Vamos parar por aqui...
– Está fugindo do papo, Swan?
– Não mesmo. Mas já anoiteceu e temos que arrumar um lugar para dormir, não acha?
– Sim. Mas, antes, você meio que poderia contar a verdade não é?
– Posso te contar a verdade de um modo mais para uma ação? — Me levanto.
– Hm... Que tal um beijo? — Ele arqueia as sobrancelhas, outra vez. Isso respectivamente me irrita. Ou não?
– Vou fazer algo melhor... — Killian sorri e coloca o dinheiro em cima da mesa. Quando ele se levanta, pego o ketchup e derramo nele. — Oh, que amor, você está de vermelho, Killian.
– Obrigado. — Ele tira o excesso da roupa e do rosto. — Vou ver pelo lado bom, agora estou mais gostoso que antes.
NADA. Exatamente NADA no mundo faz Killian parar de ser tão convencido.
E isso loucamente me irrita, de um jeito bom.
– Cala a boca e vamos logo. — Puxo ele para fora da lanchonete.
Atravessamos a rua e então percebo meu carro aberto. Porta-malas e as quatro portas abertas. Solto Killian e vistorio o interior do carro com os olhos.
Dou um suspiro impaciente ao perceber que nossas coisas sumiram. Tudo. Só deixaram um CD antigo de música clássica de Killian em cima do banco. Minhas roupas foram junto com minha mochila e acredito que a de Killian também sumiu. Não deixaram nem o rádio que Henry gosta de ouvir.
– E agora? — Killian pergunta fechando todas as portas.
– Qual o real motivo de fazerem isso comigo! — Me viro e grito no meio da rua.
– Calma, Swan. Vamos dar um jeito... — Killian me abraça por trás.
Eu estaria mentindo se dissesse que não gostei dessa ação. Mas como não gosto de mentir, então... Prefiro dizer que não quero que ele me largue nunca.
– Não vamos conseguir, Killian. — Me viro de frente pra ele praticamente chorando. — O dinheiro que temos não dá pra um hotel e só temos o carro.
– Podemos passar a noite no carro.
– E amanhã?
– Amanhã já estaremos em Storybrooke. — Ele me dá um sorriso confiante.
– Obrigada. — O abraço.
É tão bom estar nos braços quentinhos de Killian. Me sinto protegida e essa sensação é maravilhosa. Eu poderia nunca o soltar.
– De nada. E, como pode ver, não dá pra piorar. — Me afasto dos seus braços e sorrio olhando em seus olhos azuis totalmente perfeitos.
Só que, do nada, um carro aparece pensando que é Vin Diesel e passa com toda velocidade do mundo, numa poça próxima á nós dois, molhando eu e Killian totalmente.
Acho que já dá pra imaginar minha expressão de raiva. E Killian, bem... Killian está olhando para o chão enquanto conta até dez.
– Como vamos nos secar? — Me viro pra Killian, que levanta a cabeça.
Seu cabelo molhado destaca o azul em seus olhos. Eu realmente estou hipnotizada pelos olhos de Killian. Me deu uma vontade de... Deixa pra lá. Sei nem porque estou dizendo tudo isso. Eu estou fora de mim.
– Eu não sei. — Ele responde.
– Eu não tenho roupas limpas.
– Nem eu.
– O que vamos fazer?
– Dormir molhados.
Vou até o carro e abro a porta do banco de trás, do passageiro.
– Killian, — Olho para ele. — aqui só cabe um de nós.
– Se você pensar... — Ele entra, se deita no banco e me puxa para seu lado. Eu poderia reclamar, mas gostei de estar colada com Killian. Ele fecha a porta e eu me viro de lado. Parece que ele fez de propósito ao se virar para o mesmo lado que eu, e então me abraçou pela cintura. — Cabe direitinho. — Ele sussurra.
Eu poderia protestar, mas dormi antes de pensar em algo...
* * *
– Swan. Swan. Swan. — Acordei com uma voz perfeita me chamando. Abro os olhos devagar e vejo o banco da frente. Sento e vejo Killian olhando pra mim com um sorriso no rosto.
– O que foi, Killian? — Pergunto enquanto prendo meu cabelo num coque.
– Você é muito linda dormindo, quando está calminha. — Ele ri.
– Bom dia pra você também. — Reviro os olhos e saio do carro.
– Pronta para tomar café? — Ele sai do carro, me seguindo.
– O que o dinheiro der. — Respondo caminhando até a mesma lanchonete da noite passada.
Eu gostaria tanto de estar na minha casa...
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