Only Time

19 Capítulo 17 - Diga "oi"


–Aposto que está fazendo isso de propósito! — reclamou Sirius, arrancando os cabelos – Assim vou acabar maluco!

Mal Remo acabara de falar, e a campainha tocou, fazendo com que, mais uma vez, o "silencioso" quadro da Sra. Black resmungasse.

–E eu que achei que a casa do Sev era difícil de achar! – resmungou Lúcio, entredentes, ao adentrar o quartel general inimigo, sem nem ao menos olhar para quem abria a porta.

Então, Dumbledore aproximou-se de Lúcio, seus olhos brilhando atrás dos seus óculos de meia-lua e disse:

–Sai pra lá, seu velho babão! Eu sou casado! – exclamou antes que pudesse pensar em algo mais proveitoso para dizer.

–Ah ta...era disso que você tava falando – disse, dando um tapa na testa – Não mudei de lado nenhum. Continuou onde sempre estive. E é por isso mesmo que estou aqui – explicou depositando a gaiolinha coberta em cima da mesa da sala de jantar, sentando na cadeira da cabeceira em seguida, ganhando olhares confusos dos demais – Importa-se? – perguntou para Sirius, ao indicar com a varinha uns enfeites horríveis que estavam na mesa.

–Ah...fique à vontade.

Sentindo a curiosidade dos demais aumentando a cada momento, Lúcio decidiu acabar com o mistério, e ao mesmo tempo em que escrevia sem parar, puxou a gaiolinha para perto de si (Remo estava tentando farejá-la) e começou a explicar a situação.

–Como é que é? – indagou Sirius, sem entender nada.

–Não confunda as coisas, velho. Quem tem Q.I. de gnomo de jardim aqui é você – retrucou Lúcio ofendido – Você e o tio Voldie – pensou rindo – Enfim, vai me dizer que com aquele mundaréu de quadro fofoqueiro você inocentemente não sabia de nada? E que também nem reparou que alguém adentrou os terrenos de Hogwarts e descobriu sobre a minha filha? Tudo bem que segredos não duram para sempre, velho. Mas você realmente tinha de jogar minha filha aos lobos? Isso foi golpe baixo – comentou, fazendo todos olharem para o diretor — Até mesmo pra você – resmungou.

–Aparentemente ele e a Srta. Malfoy estão juntos – explicou Remo – Mas ele está lá então? Na sua casa?

–Então meu Gui está na sua casa? – perguntou Fleur, com um sotaque arrastado e com os olhos

Vendo a expressão de dúvida no rosto de Lúcio, Fleur disse, agoniada:

Ao estudar a fisionomia da garota, ele não pôde deixar de notar os traços leves, porém visíveis de sua herança veela. E logicamente, sabendo das conseqüências que uma separação entre os dois poderia causar, ofereceu:

–Então você não se incomodaria se eu fosse checar o Harry, não é? – perguntou Dumbledore, com um sorriso, sendo prontamente ignorado por Lucio, que voltara sua atenção para suas escritas.

–Mas como é que os Weasleys foram parar lá, afinal de contas? – perguntou abismado, fazendo Lúcio tencionar os ombros, o que não passou despercebido por Dumbledore.

Não aparentando em nada o velho de outrora, Dumbledore levantou-se rispidamente, apontando a varinha ameaçadoramente na direção do rosto de Lúcio. A varinha estava tão próxima, que Lúcio podia senti-la resvalando em seu nariz.

Decidida a esquentar seu ânimo, ela começou a reparar no rapaz de cabelos longos e vermelhos sentado ao seu lado e ponderar se realmente a cor dos cabelos era a única semelhança entre ele e o Fuinha ou se esta Weasley também seria fácil de se tirar do sério.

–Você lembra bastante sua irmã – comentou sorrindo – Você não estava falando sério mesmo quando disse que ela empurraria alguém da escada só por diversão – fazendo Bele sorrir.

–Se ele tivesse que me matar, não teria dado ao meu pai aquela chave de portal. Eu sei que ele é um Comensal mas... se ele tem uma filha como você que se importa tanto com ele a ponto de esperar sentada no chão frio durante horas a fio, então ele realmente deve valer a pena – comentou, encostando o queixo nos braços que abraçavam os joelhos.

Sem desviar sua atenção e seus olhos, Lúcio passou à folha que escrevia para Sirius, que estava sentado à sua esquerda.

–Adoraria assinar isso aqui, sabe? Acho que o Harry iria gostar – disse Sirius, enxugando as lágrimas – Mas acho que minha assinatura não valeria muita coisa perante o ministério – completou pesaroso – Odeio dizer isso, mas talvez você devesse falar com o tal do Dursley – sugeriu, fazendo uma careta, e devolvendo o papel para Lúcio, que ao ouvir a última frase parou sua competição de "quem piscar primeiro perde" com Dumbledore.

–Eu já pensei nisso. Por isso tomei a liberdade de trazer um antigo amigo seu pra dar um "oi" – explicou, descobrindo a gaiola e revelando a identidade do ser misterioso – Não seja rude, maneta! Diga "oi" – coagiu Lúcio, ao dar um forte cutucão no rato que se espremia do lado oposto a Sirius, obviamente tentando em vão aumentar a distância entre eles.

Remo, recuperando-se primeiro, pegou a carta da mão de Sirius e leu, e após alguns breves instantes, perguntou:

–Exatamente. Pra que a assinatura dele valha algo aqui, eu, como advogado do Ministério da Magia, proponho-me a reabrir o processo, e libertar o Sr. Black aqui – explicou, apontando para Sirius – Apresentando o verdadeiro culpado, creio que o Fudge não terá como refutar nada – comentou despreocupado – E lógico, como o Sr. Black não poderá ter acesso a sua conta no Gringotes, não pretendo cobrar as custas do processo, muito menos meus honorários. Considerem como um dote, por assim dizer – continuou falante.

–Nada, é claro. A não ser garantir que a minha filha não fique à beira da morte de novo, porque o Sr. Potter fez algo estúpido – justificou.

–Ah, sim. Ainda bem que você perguntou. Eu realmente queria pedir um...favor – falou Lúcio, com uma expressão inocente – Tirem aqueles Weasleys da minha casa – disse, com a voz cheia de ódio e olhos vermelhos.

Fim do cap.17