Only Time
3 Porta.
Notas iniciais
Três semanas se passaram e já na próxima semana a mãe das crianças vinham lhes visitar. Apesar de tudo, as crianças não estavam ansiosas. Ela estavam serias. Como se não quisessem encontrar a mãe deles e Jane se perguntava porque. Agora, com completo conhecimento da casa, ela passava praticamente todo o seu tempo lendo, enfiada na biblioteca, assim como as crianças, que lhes faziam companhia. As cartas que Jane trocava com o dono da casa estavam cada vez mais frequentes e ela acabou por nutrir uma certa consideração por ele, mas não muita. Ele não parecia ser um homem muito sociável e já o fato de os dois nunca terem se encontrado já era muitíssimo curioso, para dizer o mínimo.
- Você não tem curiosidade? — Emily, a criada, lhe perguntou. As duas se encararam por longos minutos, até Jane resolver responder.
- Sim, eu tenho curiosidade — ela parou para refletir — Porém tudo tem seu tempo e eu acho que se ele quer se manter anônimo por agora, algum bom motivo ele deve ter...
- Sim, precisamente — pensou também a criada — Mas ele nunca fez isso... — depois deu de ombros — Acho que eu não deveria contestá-lo assim. É muitíssimo injusto de minha parte.
- Por que injusto? — Jane perguntou e Emily a encarou.
- Por nada... — depois voltou a costurar. Ela continuou encarando-a porém, curiosa com o que nunca foi dito. Depois, resolveu ir para seu quarto dormir. Já estava tarde. Quando chegou lá, havia uma carta em cima da cama. Jane pegou-a e abriu-a.
" Feliz quase um mês aqui.
Logo, logo, minha irmã irá vir aqui e espero que meus sobrinhos estejam felizes, mesmo sabendo que não estão. Eles encaram a mãe deles de um jeito serio, até mesmo o mais novo. Aposto que está morrendo de curiosidade para saber o porque, mas tudo tem seu tempo.
Está gostando dos livros da biblioteca? Não tive chances de perguntar-lhe nas cartas anteriores, mas espero que esteja achando-os fascinantes. Assim como você é. Você é uma criatura fascinante, Jane Lucas.
Eu só enviei esta carta a você agora porque tenho sentimentos e eles, no momento, são de ansiedade. Faz algum tempo que não vejo minha irmã... Acho que estou no mínimo receoso."
e assim acabava a carta.
Ela sorriu ao terminar e pegou logo algo para escrever uma resposta rápida, que dizia, em poucas palavras, para não ficar ansioso e que ela não sabia que ele tinha algum sentimento. Depois, deixou-a em cima da mesa e foi dormir.
Acordou no meio da noite, soando. Ela tivera um pesadelo do qual não podia se lembrar, mesmo que tenha sido tão aterrorizante. Saiu da cama em um pulo e pegou a vela. Resolveu descer para cozinha, como fazia quando acordava no meio da noite, já que sempre havia alguém lá e então abriu a porta cuidadosamente.
Andando lentamente, ela passou pelas portas habituais, mas virou uma esquina errada, dando em um lugar em que ela nunca prestou muita atenção. Olhou para trás e resolveu continuar andando até chegar em uma porta única. Estava trancada. Jane olhou com curiosidade e tentou olhar pelo buraco da fechadura. O que viu, mesmo com a escuridão, foi um quarto, comum. Tinha uma cama, cortinas brancas, livros, uma mesa... Nada de anormal. Perguntava-se porque estava trancada. Dando de ombros, se virou e continuou para a cozinha, onde encontrou a cozinheira, que acordara há pouco, com vontade de cozinhar e o homem de ouro dia.
- Olá — falou ela, entrando e os dois cumprimentaram-na alegremente.
- Estou fazendo algo doce para amanhã — a cozinheira começou — quer alguma coisa, srta?
- Não, obrigada — ela sorriu — Estou sem fome — depois lembrou-se da porta. Será que deveria perguntar? — Hmm, Clara?
- Sim? — virou-se para encara-la. Ela desistiu.
- Não é nada — disse em seguida — tolice a minha.
- Ah, nada é muita coisa, minha querida. Dependendo do ponto de vista. As vezes, se deixamos de falar uma coisinha sequer, nos perdemos — disse Clara — Mas isso é só o que eu acho... A vida é muito complicada para lhe darmos rótulos e mais rótulos assim. Devemos deixar fluir — Jane suspirou e depois sorriu. Passou lá o resto da noite, mas não deixou de pensar na porta... Era uma pessoa muito curiosa e, talvez, isso fosse um defeito muito grande.
Algum tempo se passou e na próxima quinta, viria a mãe das crianças. Jane percebeu que as próprias estavam mais alegres e animadas do que antes. Aléxia e Hugo estavam cada vez mais sorridentes, por qualquer que fosse a hora do dia. Não importava muito, contanto que não quebrassem nada, diziam as criadas. Emily já não se importava. Ela gostava das crianças e pouco era relevante se quebrassem algo. Com tantas coisas naquela casa enorme, era só esconder o estrago e nada seria alterado.
Agora, Jane passava menos tempo na biblioteca e mais no jardim. Ficava lá, as vezes, nos dias dublados e desenhava, até escrevia algumas coisas, poemas... Depois, quando chovia, sentava-se em algum lugar coberto e observava. Era tão bonito... Uma das melhores coisas do mundo em sua opinião. As vezes as coisas pequenas do mundo ao nosso redor são as maiores e logo devemos aproveita-las, antes que acabem. Passavam-se longas horas de chuva e ela desenhava, escrevia e até cantarolava alguma coisa. Estranhamente, seu humor melhorava nesses dias e nos de sol nem tanto. Talvez ela e o sol apenas não se dessem bem.
Quando voltava para dentro, via as crianças sorrindo para ela, tocando piano e se perguntava que tipo de vida ela tinha antes... Não se imaginava daquele jeito de novo, quando pensava muito nisso.
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