Only Seven Pages

1 Only Seven Pages (one-shot)


Notas iniciais
Boa diversão

Tudo estava escuro, minhas pernas doíam de tanto andar e eu estava com frio. Foi aí que eu consegui distinguir a forma um tanto embaçada do que parecia ser uma cabana em meio à escuridão da floresta. Só mais alguns metros, pensei comigo mesmo. Minhas pernas se mexeram contra a vontade e eu andei o mais rápido que elas permitiram até lá.

A cabana era muito velha e parecia desabitada. A porta abriu sem muito esforço quando forcei a tranca, afinal, estava caindo aos pedaços. Entrei.

Nenhum sinal de vida, e nem de energia elétrica. Tudo o que consegui foi uma lanterna que encontrei dentro de uma gaveta na cozinha, que por sorte funcionou. Com o coração saindo pela boca, subi as escadas para o sótão, mas encontrei apenas uma porção de caixas vazias. Desci e resolvi explorar um dos quartos da pequena cabana.

A porta estava entreaberta, havia vários brinquedos espalhados pelo chão e havia sangue, pelo chão e nas paredes. Pregada atrás da porta havia uma página velha, com um desenho esquisito. Peguei a página, dobrei-a e guardei no bolso da jaqueta. Foi aí que meu coração quase saiu pela boca. Havia começado a chover, uma chuva digna de tempestade, e um raio seguido de um trovão fez minhas pernas tremerem. Quando me virei para sair do quarto e fui em direção à porta, mais um lampejo. O raio produziu uma sombra na parede do velho quarto que tinha uma pequena janela, para a qual eu me encontrava de costas. Aquela sombra me arrancou um calafrio na espinha do qual eu nunca irei me esquecer. Não me atrevi a olhar para trás. Apenas saí do quarto o mais rápido que pude, agarrei minha única companheira para iluminar a escuridão e tive a péssima ideia de correr novamente para a floresta.

Mais uma vez não pensei em olhar para trás. Apenas corri o mais rápido que pude para o mais longe possível daquela cabana. Foi quando já não aguentava mais correr que eu tropecei em uma raiz de árvore. Agarrei a lanterna e iluminei em volta. Nenhum sinal de sombra, apenas a chuva forte e gelada caindo sobre mim. Foi quando eu levantei que eu vi presa na mesma árvore que me derrubou, uma página. Mais uma página. Dessa vez não havia desenho, apenas estava escrito “me deixe em paz”. Isso era definitivamente muito estranho e assustador. Peguei a página molhada e guardei junto da outra.

Continuei andando pela floresta na direção contrária da cabana. Lanterna em mãos, respiração ofegante e coração acelerado. O que eu mais queria no momento era poder acordar e ver que tudo isso não passa de um pesadelo. Mas infelizmente isso não é possível.

O tempo todo eu tive a sensação de ser vigiado. Felizmente a chuva amenizou. Mas cada minuto parecia o último. A sensação de que a qualquer momento algo ou alguém iria aparecer atrás de mim era constante e horripilante. Deparei-me com um poço em uma parte aberta da floresta. E lá havia uma terceira página. Olhei em volta, peguei-a. Eu estava completamente apavorado, e como se isso não bastasse, foi aí que eu ouvi o barulho de passos que não eram os meus. Forçando os limites da minha exaustão eu simplesmente corri. O mais rápido que pude.

Continuei seguindo sempre reto e no caminho encontrei mais uma página, e uma quinta, e mais uma sexta página. Nessas últimas três eu não me dei ao luxo de esperar ouvir os passos novamente. Assim que as encontrei, eu peguei. E corri.

A essa altura eu não fazia ideia do porque pegar estas páginas e muito menos o porquê de eu estar encontrando-as pelo caminho. Apenas tinha em mente que reunir as páginas era importante, e até agora era o único fator que aparentemente me mantinha vivo. Isso tudo mais parecia um jogo, uma espécie de caçada, e eu era a presa. Mas o desejo por mais uma página era o que distraia minha mente e me encorajava a continuar por mais esgotado que eu estivesse.

Eu não sabia onde estava indo, não sabia do que estava fugindo e não sabia quantas páginas ainda precisava encontrar. Mas se eu sabia de uma coisa, era que eu não podia ficar parado. Do contrário, eu com certeza morreria.

Correndo sem rumo me deparei com um riacho, e boiando em cima de uma tora de madeira havia a sétima página. Logo a essa altura do campeonato minha lanterna teve a brilhante ideia de começar a falhar. Infelizmente eu já estava usando-a a algumas horas, eu imagino. E sem prolongar muito a situação, ela apagou. Engoli em seco. Larguei a lanterna e fui em direção à página. Estiquei-me todo à beira do riacho. Consegui alcançá-la sem precisar pular na água, mas com um pouco de esforço. Quando finalmente peguei a página, cometi o terrível erro de olhar para a água. Dessa vez o arrepio que eu senti foi ainda maior do que o da última vez, e meu coração veio à boca ao olhar o reflexo no riacho.

Era uma criatura esguia, ao que parecia ele usava um terno negro. Vários braços saiam de seu corpo e me cercavam por todas as direções. Não deu tempo para correr. Não deu tempo para pensar. Não deu tempo para reagir. Meu coração bateu pela última vez. Eu gostaria de poder me lembrar do último rosto para o qual olhei antes de fechar os olhos pela última vez. Mas infelizmente não posso. Ele era muito pálido, e a criatura não tinha face.


Notas finais
Meu primeiro one-shot. Eu particularmente fiquei satisfeito, o que acharam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!