Only Brothers
6 Eu não sou gay. / Vou fazer você gostar de mim.
Notas iniciais
Aqui vai o capítulo:
Alec’s P.O.V
A culpa vem me consumindo cada vez mais durante esses dias, não está dando pra conviver com isso. Agora ignorar não é mais uma questão de birra, e sim de necessidade. Nós temos nos falado tão pouco que nem parecesse que moramos na mesma casa. Agora Alex passa muito mais tempo fora de casa, provavelmente com a namorada.
– Alec! Você está prestando atenção? — Alissa gritou no meu ouvido.
– Hum... O que? – Respondi tirado dos meus devaneios.
– Não tem jeito. Você está com algum problema que não quer contar pra gente, né? – Ela andou até a frente pra me encarar.
Dei uma bufada, não estou com paciência pra isso.
– Não, eu estou bem.
– Mentira. – Alegou. -Você está mau e não quer contar. O que o Alex fez pra você.
– Como ele veio parar no meio dessa história?
– Ele está ocupando seus pensamentos, não é? – Alissa encarando alguém, com certeza isso não dá medo.
– Não, não está. Desse jeito, parece que você está insinuando que eu sou gay.
– Quem te disse que não é exatamente isso que eu acho?
Acho que arregalei os olhos demais, já que Louis começou a rir.
– Eu não sou gay. – Essa não ia passar em branco.
– Eu acho que você é. Nunca pensou nisso? Não tem namorada. Está sempre pensando no seu irmão...
– Eu não estou sempre pensando naquele idiota. E o que é que tem eu não ter namorada. Só porque você não está namorando eu não vou dizer que você é lésbica.
– Me deixa terminar, – ela me deu um tapa – seu mal educado. Eu só acho estranho, não consigo enxergar você namorando uma garota de jeito nenhum. Pelo menos, não do jeito que você é agora.
Isso já estava começando a me irritar.
– Como assim do jeito que eu sou agora? – Ela deu de ombros. – Louis diga alguma coisa. Preciso de ajuda.
– Cara, foi mau, mas acho que concordo com ela.
– Traidor. – Fuzilei-o.
– É verdade, você demonstra um interesse tão pequeno em garotas que é possível imaginar você sendo gay. – Essa indiferença dele era o que mais me deixava puto.
Eu nunca cogitei a hipótese de ser gay, nunca me senti atraído por homens, nem acho que vou me sentir. Se isso pudesse ser verdade, como resolveria a minha vida? Nada iria mudar. Mas esquece, porque eu sou hetero.
Enquanto conversávamos sobre minha sexualidade, o que pareciae interessar muito há esses dois, alguém entrou na sala perguntando:
– Com licença, alguém viu o professor de física?
– Não.
– Acho que não.
– Por que você não sai comigo? – O que essa droga tem a ver com a pergunta eu não sei, mas ouvi isso no meio dos gritos.
Como não estava interessado dei apenas uma olhada para a porta. Quem estava parada ali era ninguém mais, ninguém menos que o ser que esbarrou em mim outro dia. Ou seja a Jane.
Enquanto olhava pra ela seus olhos encontraram os meus, e ela veio em nossa direção.
– Que bom te ver de novo. – Eu disse educadamente.
– É bom te ver também. Finalmente descobri a sala onde você estuda.
Dei um sorriso pra ela, me esquecendo dos dois que estavam comigo.
– Oi, quem é você? – Alissa perguntou.
Ela não tem nenhuma delicadeza?
– Me desculpe. Sou Jane. Tenho um ano a menos que o Alec. Nós nos conhecemos a caminho do supermercado.
– Que emocionante. – Alissa disse.
– Alissa cala a boca. – Louis repreendeu. – Prazer, Louis.
Jane balançou a cabeça como cumprimento.
– Por acaso algum de vocês sabe do professor de física? Tenho que falar, com ele, mas não o acho em lugar algum.
– Não sei. – Respondi.
– Nem eu. – Alissa concordou.
– Bom obrigado, mesmo assim. Agora me desculpem eu tenho que ir. Foi muito bom ter te visto de novo Alec. E foi um prazer conhece-los.
– Tchau – respondemos.
– Magoei. Agora que eu achei que tinha começado a entender você, fiquei confusa de novo.
– Eu disse que não sou gay.
– Ninguém disse que ela está interessada em você. E você nela. – Louis disse.
– Mas é um dom conhecer uma garota assim do nada. Ela seria uma boa namorada. E eu provaria que não sou gay.
Alissa olhou para a porta.
– Ainda não me convenceu.
Ela se virou, sentou-se e ficou encarando o quadro, então o sinal bateu.
***
– Alex, — Alissa gritou – vamos almoçar juntos.
Era a ultima coisa que eu queria, mas Alissa não me deixaria livre tão fácil. Deixei óbvio meu desagrado com essa sugestão. Ele olhou feio pra mim e respondeu.
– Me desculpe Alissa, mas hoje não vai dar.
Ouvir sua voz daquele jeito deixou meu peito apertado, por isso estava evitando ele. Isso sempre acontecia.
– Qual é? Já faz tempo que não almoçamos juntos.
– Realmente eu sinto muito. – Tenho certeza que sim colega, você só quer se livrar de nós para ficar com sua vadia. – Desculpe.
– Tudo bem, — ela se deu por vencida – mas você vai ter que almoçar conosco amanhã.
– Ok – ele sorriu. – Então até.
De novo senti meu peito apertar, essa dor estava cada vez pior.
– Tchau. – Responderam os dois.
Fomos para uma mesa, comer aquela gororoba, não sei como Alex consegue comer isso e ainda querer mais.
Enquanto conversávamos Jane chegou.
– Oi gente. – Ela disse.
– Oi.
– Ei, — Alissa agarrou ela – eu queria te perguntar uma coisa. Você não acha que o Alec parece o tipo de homem que namora outros homens?
Jane pareceu meio atordoada de ouvir isso, como qualquer um ficaria, mas respondeu:
– Não sei. Não acho que ele seja o tipo de cara mais macho que eu já vi, mas também não parece um mulher.
– Isso já serve. – Ela parecia triunfante.
– OK. Mas por que isso assim do nada? — Perguntei
– Se ela também acha, que você teria chances de namorar um homem, isso é o suficiente. Você pode não ser gay, mas com certeza é bi.
– Você realmente tem que discutir minha opção sexual assim? Sem nem mesmo eu estar interessado.
– Você é tão idiota, que não percebeu ainda que é gay, então não tem direito de dizer nada.
– Eu não sou gay. – Falei.
– É disso que eu estou falando. Você nunca vai admitir até se apaixonar.
– Esquece, você provavelmente está assustando a Jane.
– Não eu estou bem. — ela respondeu.
– Tudo bem eu paro, — Alissa parou pra pensar – por enquanto. Mas não venha dizer que eu não avisei.
Depois disso o almoço correu bem, conversamos. Cada vez que Alissa falava sobre eu ser gay eu a ignorava e então ela parava.
A aula passou como um borrão. Não vi meu irmão nenhuma vez, o que foi um alivio, na hora de ir embora ele também não foi comigo, estava andando quando recebi uma ligação da minha mãe, pedindo pra comprar mais coisas. Aparentemente agora virei uma empregada.
Quando cheguei em casa ela parecia tão vazia, eu não estava sozinho, mas tinha algo faltando. Ignorando isso fui direto para o quarto.
Alex’s P.O.V
– Alex! – E começou.
– Oi Marie.
Nós estamos namorando, com certeza eu não acho que tenha sido uma boa ideia, mas eu tinha que tentar esquecer o Alec, então deu nisso.
– Vamos? – Perguntei.
– Claro. Onde é a lanchonete que você quer me mostrar?
– É perto daqui, não se preocupe.
Todos os dias é quase a mesma coisa, Marie ocupa quase todas as horas da minha vida. Quando estou com Alec quase não nos falamos, em consequência também tenho falado pouco com o Louis e com a Alissa, o que é uma pena, já que a Alissa é bem mais legal que a Marie.
Depois de comer fomos ao cinema ver um filme, ter uma namorada estava me deixando falido. Nenhuma das garotas que namorei antes me fez gastar tanto.
– Esse filme foi maravilhoso você não concorda?
– É – respondi sem prestar muita atenção.
– Oque nós vamos fazer amanhã? Tinha pensado em ir ao shopping, o que você acha?...
Enquanto ela falava sem esperar uma resposta ouvi um gritinho e um baque. Quando olhei pro lado vi duas garotas caídas no chão.
– Ei, o que ouve? – Perguntei.
– Alex, me ajuda. – Marie pediu.
Ajudei ela a se levantar e me dirigi a outra garota.
– Você está bem?
– Sim. Obrigado – ela disse pegando minha mão.
Olhou fixamente pra mim e perguntou.
– Nós já nos vimos antes?
– Acho que não. — Respondi.
– Você me é familiar. – Pessoa bem direta ela. – Bem, esquece. Eu sou Jane.
– Prazer, Alex. Essa aqui é Marie.
– Oi. – Marie cumprimentou seca.
Olhei pra ela de relance, tentando fazer com que entendesse que foi mal educada. Infelizmente não funcionou.
– Oi.
– Desculpe os modos dela. – Disse.
– Tudo bem, já conheci alguém meio estranha hoje. Poucas pessoas poderão me surpreender a partir de agora.
A primeira pessoa que veio a minha cabeça como estranha foi a Alissa, mas acho impossível que seja ela.
– Então, você não se machucou?
– Não. Já é a segunda vez que esbarro em alguém nesses dias.
– Alex! Vamos lá. –Marie começou a encher.
– Sinto muito. – Disse para Jane.
– Tudo bem. Não deveria ter atrapalhado o encontro de vocês.
– É com certeza. – Dessa vez eu esganava a Marie.
– Não se preocupe.
Ela acenou enquanto Marie me arrastava. Por uma fração de segundo pude ver algo que me surpreendeu. O emblema do nosso colégio, ela estuda na mesma escola que eu. Será que já nos vimos antes como ela disse?
Despois da esbarrada com a Jane nós nos despedimos, porque eu já estava cansado de ver a Marie xingando e praguejando contra alguém que não fez nada de mais. Quando cheguei em casa, ainda a tempo para o jantar, não tinha nada de diferente, fiquei na sala, calculando que Alec estava no quarto e não queria me ver.
– Meninos venham jantar. – Mamãe gritou da cozinha.
Sentamos a mesa em silêncio com um clima pesado. Minha mãe só ficava trocando o olhar de mim para o Alec.
– Tudo bem. – Ela disse quando terminamos. – O que esta acontecendo com vocês?
– Como assim? – Alec perguntou. – Não tem nada comigo.
– Nem comigo. – Acrescentei.
– Tem sim algo estranho entre vocês. Eu não gosto de ver os dois se ignorando desse jeito.
– Está tudo bem, mesmo. – Alec insistiu.
Fiquei quieto observando enquanto ele tentava convencer a mamãe.
– Tudo bem ela disse. Eu si bem que tem algo errado, mas acho que vocês já tem idade para resolver. Só espero que façam isso logo, vocês eram tão próximos.
– Tudo bem mãe.
– Certo.
Ela se virou e foi lavar a louça, se até ela sabe que tem algo errado, como podemos deixar isso assim? Alguém tem que fazer alguma coisa. Eu fui muito infantil tomando uma decisão precipitada, mas ele também foi. Estou sentindo como se tivesse que concertar isso.
Fui até o quarto para começar a lição. Só mais uma coisa ruim na minha vida, essa escola não dá uma folga.
Quando entrei ouvi um barulho de chuveiro sendo ligado. Dei outro suspiro, tinha muita saudade do tempo que éramos amigos. Isso mudou só porque passamos um tempo separados, ou porque meus sentimentos estão diferentes?
Alec’s P.O.V
Meu único consolo era aquela água caindo nos meus ombros. Finalmente podia relaxar e pensar com calma.
Aparentemente todos sabem que eu e o Alex estamos com problemas, o pior de tudo é que todos se intrometem nisso. Jane, agora virou nossa amiga, o que pode acabar bem. Alissa está achando que eu sou gay, o que é impossível, tenho plena certeza de que sou hetero. A menos que eu esteja apaixonado por um homem e eu seja o único que não saiba. De repente, eu estou apaixonado pelo Alex, aposto que é isso que Alissa pensa, se for isso terei que estragar o barato dela, porque ele tem namorada, e é impossível alguém se apaixonar pelo próprio irmão.
Dei uma risada seca. Agora estava começando a delirar. Eu estou cogitando que estou apaixonado pelo Alex, isso é possível? Meu peito doeu de novo, e eu fraquejei. Só pensar nele já me faz mal. Acho que estou virando um masoquista, só me machuco quando penso nele, mas ele não sai d aminha mente. Afinal o que eu sinto? Eu o amo ou eu o odeio? Preciso de alguém para me responde isso logo. Quero muito voltar a ser como éramos antes. Mas acho que sou muito orgulhoso para admitir a ele.
Alex’s P.O.V
Ouvi a porta do banheiro se abrir. E de lá saiu meu irmão enrolado em uma toalha com os cabelos molhados. Quando percebeu minha presença, virou o rosto pro lado tentando me ignorar. Ele estava tão lindo, desse jeito é impossível não se apaixonar. Enquanto ele tomava banho eu havia me decido, ele vai gostar de mim nem que seja a última coisa que eu fassa.
– Toma aqui. – Atirei uma toalha na cabeça dele.
– O que foi isso? – Ele perguntou.
– Se ficar assim vai se resfriar.
Que fofo. Ele corou quando eu disse isso. Mesmo que não pudesse agarra-lo do jeito que eu quero, ele ainda é meu irmão.
– Obrigado. – Ele disse e começou a secar o cabelo.
Dei um sorriso e voltei a me concentrar, bom pelo menos tentar, porque agora eu tinha certeza que iria conseguir fazer ele gostar de mim. De preferência espero que ele se apaixone, mas acho que poderia viver se ele resolvesse pelo menos ser o meu querido irmão de novo.
Notas finais
Não sei bem quando vou postar de novo, agora começam as provas e eu deveria estudar, mas to morrendo de preguiça pra isso.
Então comentem, sabiam que isso faz bem pro meu coração, tanto os positivos quanto os negativos.
Eu quero chocolate.
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