— então... – dizia Nick.

Enquanto estavamos sentados em uma sala do laboratório. Era um tipo de refeitório. Só que uma sala. Nela haviam um frigobar, uma mesa grande entre outros.

- então o que? – rebati ainda olhando fixamente para a mesa. Comendo minha delicosa rosquinha. Que estava muito saborosa por sinal.

- como vai a vida? E como vai Lilly? – perguntou ele. Poderia notar seu nervosismo. Mas eu não entendia o motivo disto.

- vai muito bem. Já Lilly, recuperou-se bem desde o dia em que ela comeu um x-burguer que você deu a ela. Mas sim, ela está bem melhor e dando muito trabalho. Obrigada por perguntar. – respondi, enquanto ouvia sua risada invadir meus ouvidos.

- tirando a Lilly ter ficado doente, eu gostei. Foi um dia divertido, poderiamos repetir mais vezes, o que acha? – propôs ele.

Encarei Nick pensando na possibilidade. Até que não era uma má ideia. Eu precisava me divertir um pouco. Mas eu já tinha marcado de sair com Jason. Não queria deixar ele a ver navios. Mas também, não queria deixar de sair com Nick. Ele é um grande amigo, e é muito divertido.

- bom, eu... – tentei uma explicação, quando nesse momento Brass entra na sala exasperado. Encarei-o assustada. Afinal, o que houve com esse homem?

- Está tudo bem, Jim? – perguntei preocupada. O mesmo olhou-me respirando fundo.

- vamos dobrar o turno. Houve um assalto ao banco central de Vegas e todo o laboratório está trabalhando nisso. Houve um morto e um ferido. Uma terrível cena de guerra. Precisamos de todos vocês lá. Vamos. – explicou ele. Nick e eu nos encaramos, assustados pelo estado de euforia do capitão. Levantamos de nossas cadeiras, caminhando rápido em direção a saída.

(....)

Entramos no banco notando desde o lado de fora, o estrago que estava o local. Assim que entrei no lugar, observei-o atentamente. Notando um buraco peculiar em um vidro do banco. Caminhei em sua direção, parando a frente do vidro. Encarando o buraco.

- nossa é um buraco muito grande, para uma arma simples. – comentou Nick, parando ao meu lado. Ainda encarando aquele buraco, comentei.

- tem razão. E pelo que notei os estilhaços estão de fora para dentro. O que indica que o tiro foi disparado de fora para dentro. Sem contar, que uma arma simples não faria todo este estrago. – observei.

- então, o que acha? – perguntou ele

- pelo que pude observar, esse é um vidro blindado. Para atravessar esse tipo de blindagem, é necessário que seja um tipo de armamento pesado. Uma basuca talvez, pelo tamanho do buraco. Mas... Espere. Para ser um tiro de fora para dentro, significa que...

- que havia alguém observando a movimentação do lado de fora. – Nick completou minha teoria. Quando nos encaramos.

- nossa, é um buraco bem grande. – ouvi a voz de Catherine invadir meus ouvidos. Virei para encará-la. Vendo a loira, com meio sorriso.

- exatamente. Bom, você viu o que tem nas câmeras de segurança do banco? – perguntei. Ela negou com a cabeça.

- não. Foi uma ação bem rápida pelo visto. Eram muitos homens, e alguns deles pintaram as câmeras com uma espécie de tinta preta ainda não indetificada. Não tive tempo de analisar as fitas de segurança. Querem ver o corpo? – dizia ela. Suspirei acentindo.

- claro. Nos mostre onde está o corpo. – falou Nick desta vez.

- certo. Sigam-me. – disse a loira.

Caminhavamos atrás dela, observando cada detalhe por menor que fosse. Qualquer coisa que pudessemos encontrar pelo local, é crucial para a resolução do caso. Nada pode passar despercebido. Continuamos caminhando em direção ao corpo. Senti um calafrio, vendo pessoas ainda no local. Feridas.

Algumas choravam, outras pareciam estar paralisadas. Uma coisa que realmente me tocou, foi ver uma criança olhar tudo aparentemente assustada. Nos braços da mãe, que por sua vez chorava. Essa era a pior parte do meu trabalho. Principalmente quando crianças apareciam mortas. Era sempre ruim, apesar de saber que, um C.S.I sempre tem que ser frio, não importanto a gravidade do caso. Quando lidamos com evidências, emoções sempre são péssimas aliadas. Agir pela emoção, ao investigar um crime, era o mesmo que estar afundando cada vez mais, na areia movediça.

Mas tudo o que tanto estudei, e aprendi com meus colegas de trabalho foi aos ares. Quando vi o corpo estirado no chão. Ensanguentado. Parei no mesmo instante, onde estava. Eu conhecia aquele cara. Eu sabia que conhecia.

- céus. – sussurrei a mim mesma. Encarando intacta o corpo ao chão.

- este é o único ferido fatalmente. Ele trabalha aqui como segurança. Seu nome é Kevin Sparks. – disse Catherine. Eu permaneci calada, encarando o corpo com pavor. Não. Não podia ser ele. Kevin. Ele tinha família, filhos. Aquilo não podia estar acontecendo.

- Kate, está tudo bem? – perguntou Sara, aparecendo do nada ficando ao meu lado.

Quando recobrei os sentidos, tentei por o olhar mais frio do mundo e expressão mais fechada no rosto. Encarnado meus colegas de trabalho a minha volta. Encarei Sara, com o mesmo olhar frio de sempre.

- sim, estou. Estava destraida me perdoem. – respondi.

- certo, bom preciso que você e Sara vão até a casa da família do falecido. Deem a notícia a eles. Depois, retornem que temos muito trabalho a fazer. – falava Catherine. Acentimos, deixando nossas maletas com a loira. Caminhando juntas, para fora do banco.

(....)

Paramos a frente da casa, enquanto Sara apertava o pequeno botão da campainha ao lado da porta mosdesta, de madeira simples. Respirei fundo, tentando conter as emoções que estavam a mais de mil por hora. Mantendo a cabeça baixa. Eu não queria encarar o rosto dela e dizer: Ei, segura a onda, mas, seu marido morreu. Fala sério.

- olá, em que posso ajudar? – ouvi a voz de Isabel invadir meus ouvidos.

- oi, eu sou Sara Sidle, e essa é Kate Blue. Somos do laboratório de criminalistica. Será que podemos lhe falar por um minuto? – disse Sara, cordial como sempre.

Suspirei levantando o olhar, encarando o olhar confuso e surpreso de Isabel. Ela sorriu para mim, dando espaço para que, entrasse-mos em sua casa.

- Kate, meu bem. Como é bom vê-la. Sintam-se em casa, por favor. – falava ela. Gentil como sempre fora. Vi Sara sorrir fraquinho pra ela, enquanto mantive o mesmo olhar vaizo de antes.

- mamãe, a Jú quebrou minha boneca. – reclamava a pequena.

Correndo até a mãe, com a boneca quebrada em mãos. Seguida da sua irmã, que por sua vez, argumentava. Aquilo me fez suspirar. Que pena, tão jovens e mau fazem ideia que são orfãs. Pensei. Encarando as duas crianças. Notando que elas agora, sorriam para mim.

- Kate! Kate! – berravam elas. Contentes. Abraçando minhas pernas, sorridentes. Acariciei suas cabecinhas, loiras.

- vem ver minha boneca nova. Papai me deu, vem ver. – falava uma das pequenas. Com seus olhinhos grandes e negros voltados para mim.

- garotas. Não importunem a Kate. Voltem para seus quartos, por favor. – disse ela.

Enquanto eu via as crianças afastarem-se em meio aos resmungos. Tornando sua atenção a mim e Sara. Que por sua vez, tinha uma certa dúvida. Apesar de estar na cara que, eu já conhecia aquela família.

- bom, que notícia tem para me dar? – perguntou ela. Parando a nossa frente.

- senhora é em relação ao seu marido. Ele trabalha como segurança em um banco central de Vegas, estou certa? – dizia Sara. Hesitante em algumas partes. Respirei fundo.

- sim, mas me digam por favor o que houve com meu marido. Por favor, diga-me. – exigiu ela. Aflita. Deixando o sorriso para trás.

- o banco em que ele trabalha foi assaltado e... Seu marido morreu durante o confronto com os bandidos. Eu sinto pela sua perda. — falei baixo perdendo aos poucos a firmeza na voz.

Ouvindo agora, seu choro alto. Enquanto me abraçava, encarei Sara com um olhar penoso. Sendo por esta, correspondido com um suspiro triste e angustiado.

(....)

Desdemos juntas do carro, mais uma vez caminhando em direção a entrada do banco. Sara caminhava rápido a minha frente, enquanto eu lerdamente caminhava. Sem pressa alguma de entrar no local, e dar de frente com o corpo de Kevin estirado no chão.

Até sentir ser puxada pelo braço com força. Pude encarar o semblante furioso de Jason. Revirei os olhos, puxando meu braço com força do domínio de suas mãos.

- Kate, você vem? – ouvi a voz de Sara ao longe.

- irei logo em seguida. – respondi ainda encarando o garoto a minha frente. Olheio mais uma vez por completo sem nenhuma paciencia para chiliques. Era só o que me faltava.

- como você faz isso comigo? – perguntou ele.

- o que foi que eu fiz com você? – perguntei.

- você me deixou lá plantado como um idiota, com flores nas mãos. Se estava com compromisso, ou não queria ter um encontro com um pirralho, porquê não me avisou? – dizia ele. Irritado. Neste instante pude notar ele segurar um lindo buque de flores. Bufei.

- se você tivesse me dado seu telefone, este tipo de problema não teria contecido.

- você não podia então, ir até o lugar em que combinamos para ao menos me dar alguma satisfação? Ou isso é demais pra você? – insistiu Jason. Bufei mais uma vez, irritada.

- você quer uma explicação? Pois certo. Eu até iria ir a este encontro, mas houve um contratempo. Está vendo os policiais, as fitas amarelas, os curiosos a volta? Houve um assalto por aqui, e caso não saiba uma pessoa que eu conhecia morreu ali. Um homem bom, um pai de família morreu ali, e tudo por causa de marginais idiotas. Se tivesse ideia de como estou por dentro jamais me acusaria deste jeito. Você pode não gostar de policiais, mas quando você morre, é nós que vamos fazer justiça por você. E é isso que estou tentando fazer. Caso não tenha percebido. – falei rápido e sem muitas pausas. Vi seu olhar assustado, ou culpado talvez.

- Kate. — ouvi Nick me chamar mais uma vez.

- com licença, Sr. Irritado. Mas eu tenho mais o que fazer. – falei á Jason, com um misto de emoções.

Virando e saindo de perto dele o mais rápido possível. Entrei no local sem sequer olhar para o rosto das pessoas. Me ajoelhando ao lado do corpo de Kevin. Segurando com todas as forças, as lágrimas, a revolta, a raiva examinei o corpo sem vida jogado ao chão.

(....)

Suspirei pela milésima vez ao dia. Sentindo a maravilhosa brisa da tarde, bater suavemente em minha pele. Bagunçando meus cabelos. Era uma tarde linda, armoniosa. Eu encarava as pessoas, passeando pelo parte de Nevada. Sentada sobre o banco da praça, enquanto acariciava o pelo expesso e viçosso de Lilly, revirava em pensamentos.

Remoendo as lembranças do corpo pálido, e imóvel de Kevin. Lembranças, de sua autópsia insistiam em visitar minha mente constantemente. Foi uma terrível sensação, ver aquelas crianças chorarem a morte do pai, mesmo sem saber ao certo, o que era a morte. Aquilo me chocou de tal modo, que as lembranças pareciam tão reais. Como se eu estivesse vivendo tudo aquilo novamente.

Quando eu mau percebi, senti uma lágrima molhar meu rosto. Seguida por muitas várias, enquanto meu olhar se encontrava vazio e triste, encarando o nada. Até que fui desperta de meus pensamentos, sentindo todas as lágrimas que molhavam silenciosamente meu rosto, serem secadas docemente.

Encarei-o ao retornar a realidade, vendo Jason. Sentado ao meu lado no banco. Secando docemente minhas lágrimas. No mesmo instante, respirei fundo deixando se fazer presente a expressão altiva de sempre.

- você está bem? – perguntou ele. Encarando-me.

- claro que estou. O que faz aqui?

- desculpe. Fui um perfeito idiota, você deve estar sofrendo com tudo isso. Me perdoe. – falou ele. Encarei-o de cima a baixo.

- eu estou bem, já disse. Mas devo lhe perdir desculpas pelo modo, como o tratei. Não foi educado, e desculpe se o ofendi.

- tudo bem. Você aceita dar um passeio? Pode me contar o motivo pelo qual está triste. – sugeriu ele. Olhei na direção da minha York. Vendo-a encarar Jason ainda deitada sobre meu colo. http://weheartit.com/entry/24573424

- eu já disse que estou bem. Mas aceito sua oferta de passeio. – respondi.

(.....)

- Lilly, já chega você já comeu demais. – a repreendi, tirando das mãos de Jason uma ração para cães.

- vamos, lá Kate. Se eu não der nenhuma comida, ela não vai se finjir de morta. – argumentou ele. Levemente risonho. O repreendi com o olhar.

- se ela comer demais, ficará obesa. Não dê muita comida a ela. – reclamei.

- desculpe. Não farei novamente. – disse ele.

Encaramos uma das belezas de Vegas. Sabem aquele chafariz com lindas apresentações e águas coloridas? Era o que encarávamos, e pela primeira vez, em tantos anos residindo em Vegas, pude notar a tamanha beleza de tal. Nunca tinha reparado, até agora. http://www.google.com.br/imgres?hl=pt-BR&gbv=2&biw=1000&bih=554&tbm=isch&tbnid=Q3ckDds22yhmZM:&imgrefurl=http://www.canstockphoto.com.br/chafariz-1118828.html&docid=ANZXp85WMAqoLM&imgurl=http://comps.canstockphoto.com/can-stock-photo_csp1118828.jpg&w=280&h=400&ei=LwHMT-qaL4bVgQev6uXXBg&zoom=1&iact=hc&vpx=234&vpy=151&dur=4477&hovh=268&hovw=188&tx=102&ty=212&sig=112962500348078759927&page=1&tbnh=109&tbnw=73&start=0&ndsp=18&ved=1t:429,r:7,s:0,i:83

- é lindo. – falei para mim mesma.

- nunca havia parado para observar isto? É um dos pontos mais visitados de Vegas. – falou Jason.

E neste momento, notei a proximidade de nossos corpos. Engoli a seco, sentindo-o abraçar minha cintura. Colando nossos corpos. Encarando-me olhos nos olhos.

- o que está fazendo? – perguntei em uma inútil tentativa de recobrá-lo a conciência.

Ele era apenas um garoto. Respirando fundo, pouco a pouco senti seus lábios nos meus. Sentindo uma maravilhosa senção, enquanto seus lábios acariciavam os meus docemente, e nossas linguas se acariavam amorosamente. Sem mais delongas, entrei-me de vez ao beijo. http://weheartit.com/entry/26255341/via/AnjinhaPipocad16

Notas finais
Oi minhas lindas, me perdoem a demora. Mas espero que tenham gostado do capítulo. Beijos :3