Only
2 Decisão
Notas iniciais
Passei a noite toda pensando no tal encontro, será que aguentaria ficar até o final sem ter matado o Nicolas? Porque olha, eu não aguento ficar nem 10 segundos do lado dele sem ter trocado alguma ofensa. Sei lá, ele me irrita, aquela conversinha dele e o jeito galinha dele, absolutamente tudo nele me irrita. Resumindo: esse encontro não vai ser nem um pouco legal.
Droga! Malditos pensamentos que não me deixam dormir! Acabei acordando com uma mensagem da Anna. Poxa, eu quero dormir. Será que é tão difícil compreender isso?
ACOORDA!
Visualizei a mensagem e fui ver que horas eram. Espera um pouco, hoje é segunda-feira e EU TENHO AULA. Droga! Dormi demais e agora estou atrasada. Levantei-me e fiz minha higiene, logo em seguida me arrumei. Eu sabia que não daria tempo de tomar café da manhã, então arrumei um lanche na minha mochila e logo em seguida sai correndo de casa.
Depois de tanto correr, acabei chegando a tempo na escola. Ufa! Mas além de estar com uma aparência terrível, com fome e com muito sono, ainda tive o azar de ver o idiota do Nicolas, que estava na minha frente e com aquele sorriso de canalha.
–Bom dia, Lesly! Fiquei sabendo que você aceitou sair comigo, é isso mesmo? –ele disse com aquele sorriso malicioso.
Controle-se Lesly, controle-se. Fique calma, por favor. Respirei fundo e continuei andando, fingindo que não escutei nada. Argh! Que ódio que eu tenho desse garoto, uma hora ou outra vou acabar o matando.
–Hey! Não adianta fingir que não ouviu o que eu disse. Volte aqui! –ele gritou e veio correndo na minha direção.
–Olha Nicolas, não sei se você percebeu, mas eu não estou nem um pouco a fim de conversar com você. Então, pelo amor de Deus, me deixe em paz. Ok? –olhei para ele com raiva e comecei a andar, porém ele foi mais rápido e me segurou pelo braço.
–Ok, ok. Mas antes responda minha pergunta Srta. Mal-humorada. É verdade que aceitou sair comigo? –disse ainda me segurando.
–Eu só respondo se você me soltar seu idiota. –nesse momento ele me soltou — Respondendo a sua pergunta, eu aceitei. –ele começou a sorrir, um sorriso vitorioso.
–Eu sabia. –ele disse todo alegre.
–Calma, eu ainda não expliquei o porquê disso. Eu só vou sair com você porque a Anna pediu e eu não quero estragar a minha amizade. Então, por favor, abaixe o seu ego, porque se dependesse de mim eu não iria, mas só vou porque amo a Anna. –comecei a andar e dessa vez ele não me impediu.
–Eu sei que você está louca para sair comigo, Lesly. – ele gritou e logo em seguida sorriu. A única coisa que fiz foi olhar para ele e mostrar o dedo do meio.
Cheguei na sala e o professor já estava lá. Merda! Aquele idiota me atrasou.
–Atrasada de novo Srta. Gillies. Posso saber o motivo?
Ah sim, o senhor quer saber o motivo, me poupe. Não vou dizer que foi o idiota que me parou no corredor pra vim falar bobagem.
–Desculpe Sr. Wenn. Acordei atrasada e fiz de tudo pra chegar o mais rápido possível. Posso entrar?
–Acordou atrasada? Isso é mentira dela Sr. Wenn. Não a deixe entrar. –disse alguém lá do fundo, e esse alguém se tratava da maior vadia, Addison.
Addison é mais uma daquelas líderes de torcida que adora colocar as pessoas para baixo, ela é praticamente minha grande inimiga. Ela sempre faz de tudo para me humilhar na frente de todos.
–Addison, queridinha, ninguém te chamou na conversa e eu estou perguntando é para o Sr. Wenn, não para você. –dei um sorrisinho falso.
–Meninas, por favor, sem discursão. Lesly pode entrar. –fez um gesto para que eu entrasse.
Fui para o meu lugar, e percebi que todos me olhavam. Acho que foi por causa dessa patada que dei na Addison, mas ela bem que mereceu. Ah, eu odeio quando todos ficam me olhando, sei lá, isso incomoda muito. E não demorou muito e Anna já foi falar comigo.
–Bom dia, flor do dia! –ela disse toda sorridente.
–Bom dia, chatinha! –sorri para ela- Tudo bem?
–Ah tá tudo ótimo, sabe por quê?
–Hm que bom. Deixe-me ver se eu adivinho. –fiz cara de pensativa- Chistopher?
–Aham. É hoje o encontro e eu não estou conseguindo me conter de tanta ansiedade. –os olhos dela estavam brilhando e já dava para perceber o quanto ela estava animada- E você também está ansiosa?
–Você ainda pergunta? Claro que não, porque alias o Nicolas vai estar lá e isso só pode ser um pesadelo. Olha, não sei de onde vocês tiraram essa ideia de que devo ir com ele. Isso é sacanagem.
–Ah amiga, vai ser divertido, você vai ver. O Nicolas deve ser um cara legal, você que nunca dá uma chance para ele. Poxa, tenta ser legal com ele. –legal? O Nicolas um cara legal? Ela só pode estar louca, isso sim.
–Oi?! Legal? Você tem certeza, Anna? Olha, acho que você está enganada, eu sei muito bem o tipo de garoto que ele é, e estou cansada das brincadeirinhas dele.
–Nunca julgue um livro pela capa, amiga. Vocês só ficam trocando ofensas, acho que deveriam se conhecer melhor. E olha, ele não é de se jogar fora. –ela deu uma risadinha maliciosa.
–Anna, Anna, você não perde tempo, né? Tudo bem que ele é bonito, mas nem num sonho que eu e ele daríamos certo. Você sabe muito bem o tipo de garotas que ele gosta, o tipo de garota feito a Addison: linda, com um corpão, líder de torcida. E eu sou só uma garota normal, só que no meu caso eu não sou vadia e nem burra. –dei uma risada.
–Ah, mas quem sabe você pode estar enganada.
–Hm, será?
Os horários passaram depressa e não demorou muito para que a aula chegasse ao fim, e essa conversa com a Anna me deixou confusa. Será mesmo que estou enganada sobre o Nicolas? Acho que não, eu sei muito bem do jeito que ele é. Tudo bem que ele é bonito, mas ele não é aquele tipo de garoto confiável, no mínimo ele é um típico ‘’pegador’’. Ele brinca com os sentimentos das pessoas, por isso não quero me envolver com alguém desse tipo. Aliás, meus sentimentos são preciosos e não são para brincar.
Chegando em casa me joguei no sofá e fechei os olhos. Maldito encontro! Será que será uma boa ideia? Tenho que arrumar alguma forma de não ir. Sei lá, falo que estou passando mal. Isso! Vou dizer que estou passando mal. Liguei na hora para a Anna.
–Alô. Anna?
–Oi, amiga. Ué por que você tá ligando? –ela perguntou confusa.
–É que não estou muito bem, sabe. To passando muito mal. Acho que não vou poder ir ao encontro. –fingi uma voz de quem estava quase morrendo.
–Lesly, eu sei que está mentindo, essa é a desculpa que você mais usa. –droga!
–Eu não estou mentindo.
–Você acha que não te conheço, né? Eu sei muito bem quando está mentindo, a sua voz muda.
–Ok, ok. Então, vou te dizer a verdade. Eu não quero ir. Pronto, falei.
–Ah, mas você vai sim. –disse com um tom autoritário.
–Não adianta insistir que eu não vou e pronto. –acabei desligando na cara dela.
Senti-me um pouco culpada de ter desligado na cara dela, mas era o único jeito, pois depois ela iria insistir muito e no final eu acabaria sendo convencida a ir. Resolvi tomar um bom e demorado banho e refletir. Vesti uma roupa confortável e fui fazer o que eu mais gostava: ouvir música. As horas passaram depressa e quando vi já estava na hora do encontro. Anna deveria estar bastante chateada comigo, mas eu não estava a fim de ir. Meus pensamentos foram interrompidos pelo som da campainha. Quem será? Fui até o portão e me admirei com quem estava lá.
–O que? –fiquei boquiaberta com aquilo.
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