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19 O deus dos mortos vai ao Starbucks
Notas iniciais
Enquanto estávamos na van, Nico foi nos explicando.
-Porque São Francisco? — Chloe insistia sem parar
-Ah, chega de falar perfeitinha — Nathan murmurou irritado.
-Chloe, nós precisamos ir pra São Francisco. É Hades, eu sonhei com ele essa noite, e na verdade eu nem lembrava, só lembrei aquela hora no parque, ele me disse para gente ir para São Francisco
-E porque Hades iria querer ajudar Afrodite? — Chloe e eu perguntamos em uníssono.
-Eu não sei — Nico admitiu respondendo para mim. — Eu acho que tem muito mais além do que o lenço de Afrodite.
-Mais? — Ashley murmurou interessada, ela estava com a cabeça encostada no peito de Jackson, que estava com os braços em volta dos ombros de Ashley.
-Sim, porque meu pai iria se importar com Afrodite se algo relacionado a ele não estaria em jogo?
-Tipo? Nenhuma ideia? — Ashley perguntou
Nico balançou a cabeça negativamente: — Ou talvez algo relacionado a Perséfone.
Ele distorceu o nome da deusa, Nico não gostava nenhum poco de Perséfone, assim como a deusa igualmente a ele.
-Se for por Perséfone eu não faço questão de ajudar — Nico disse
-Nico... — Chloe pôs uma mão no seu ombro direito — Nós precisamos.
-Por Perséfone?
-Mesmo por ela.
-Não mesmo
-Teimoso — ela riu e revirou os olhos. Nico olhou para mim e sorriu, ele formou a palavra "teimoso que nem você" para mim e eu sorri mais ainda.
-Mas e que local de São Francisco?
-Eu não consigo... ver. Talvez Hades venha nos fazer uma visitinha
-Hades? Então seria algo muito importante para ele — murmurei
-Ah, não! Já sei! — Nico exclamou — A espada! Sim, a espada
-Espada? — Jackson pediu
-Sim, a espada de Hades, aquela que eu, Thalia e Percy recuperamos a tanto tempo. Da última vez que eu vi meu pai, ele disse que a espada precisava de mais proteção, eu não dei bola, mas só pode ser isso, não pode?
-Porque nunca me contou isso? — perguntei
-Eu não me importei — Nico de de ombros
-Então...Provavelmente o mesmo ladrão do lenço é o ladrão da espada de Hades.
-Mas e porque o Oráculo não falou de Hades? — Nathan pediu
-Porque Hades não é um dos deuses olimpianos, e além do mais, todos aqui sabem que ninguém gosta de Hades. — falei e Nico piscou, triste. — Com exceção de alguns.
-E porque Hades escolheria justo a nós?
-Não foi uma escolha dele — Nico murmurou
-Ele escolheu Nico — corrigi-o — Nós só somos o... pacote. Ele escolheu o próprio filho para resgatar a espada. Fez a escolha certa, porque todos nós sabemos que Nico é o garoto que mais lutou e que mais sofreu em relação a própria natureza
Nós nos olhamos e sorrimos
-Olha, Nico. Eu tenho que concordar. — Chloe disse. — Sei o quanto você sofreu por Bianca, e quanto a procurou pelo Mundo Inferior. Eu ainda era muito nova, tinha onze anos e era só uma menininha perdida no chalé de Afrodite, mas mesmo assim sei o quanto você fez por Bianca
Os dedos de Nico se apertaram no volante, seus olhos estavam perdidos a tanto tempo atrás, talvez muito antes dele e da irmã imaginarem serem semideuses, muito, muito antes. Quem sabe pensava na mãe que perdera tão cedo.
-Não fale em Bianca — rosnei. Todos viraram os olhos para mim. Chloe me ignorou e colocou as duas mãos no ombro de Nico, ele estremeceu.
-Nico — ela sussurrou — Bianca está bem, não se preocupe com ela.
-Não fale de Bianca! — gritei — Você não vê, sua retardada?
-Qual é o problema, Crânio?
-Engraçada você, hein? — ironizei — Você não consegue entender que ninguém que está aqui quer se lembrar de Bianca? Inclusive o próprio irmão dela?
-Ah, é isso? Todos aqui querem esquecer quem Bianca foi? Você sabia que sua irmãzinha, Annabeth, que buscou Nico e Bianca e os levaram para o acampamento?
-Cala a boca Chloe! — berrei. — E já me falaram muito sobre Annabeth, sim. Só que nós não queremos lembrar como Bianca... como Bianca...
-morreu — Nico interveio num murmurio. Eu assenti e o olhei com os olhos cheio de lágrimas
-Desculpa — sussurrei para Nico e ergui a cabeça, obrigando as lágrimas sumirem — Eu odeio você! — olhei para Chloe. Ela mordeu os lábios e deu de ombros.
-Isso não foi legal — Ashley a olhou. Nathan e Jackson apenas se olhavam, por fora do assunto.
-Isso não foi legal?- Chloe murmurou. — Falou a menina que faz tudo certo, não é mesmo srta. Marshall? As vezes eu me pergunto o que Afrodite pensa sobre você!
-Escuta aqui, tenho certeza de que Afrodite pensa melhor de mim do que de você, não é? — Ashley se inclinou para Chloe mas Jackson a deteve segurando com força seu ombro
-Deixa — ele sussurrou em seu ouvido, depois pegou uma mecha loira e colocou delicadamente para trás da orelha dela. -Tudo bem, ok? — ele sussurrou contra seu cabelo e depois deu um beijo na testa dela.
Eu os observava trocar carinhos e sussurros pelo retrovisor, e Nico me observava pelo mesmo. Ficamos com esse silêncio constrangedor — Fora o som metralhante do joguinho de guerra no celular de Nathan — até Nico falar:
-Tudo bem. São Francisco! — Todos nós olhamos para fora de nossas janelas e soltamos longos suspiros de "tudo bem, vamos lá". Nos olhamos como se fosse a última vez.
-Vamos então! — Nathan disse, animado.
-Não — Nico disse. — Aposto que vocês estão com fome. Uma passada rápida no Starbucks, que mal poderia fazer?
Todos concordamos e saímos do carro. Precisamos andar apenas algumas quadras para chegar no Starbucks. O caminho todo eu queria pegar na mão de Nico, mas me detive. Ashley e Jackson andavam atrás de nós, de mãos dadas e sorrisos no rosto, pareciam feliz. Eu sabia que se precisassem, dariam a vida um pelo outro. Nico e Chloe andaram alinhados, sem se falar. Eu andei logo atrás dos dois e Nathan atrás de mim, ainda com aquele jogo irritante
-Desligue essa porcaria — Chloe murmurou para ele. Nathan ergueu o olhar
-Não — murmurou e continuou andando e jogando aquilo. -Assim que se fala! — berrou atraindo olhares — Não é a toa que sou filho do deus da guerra! Mais uma batalha ganha.
-Cara, fica quieto — Jackson reclamou. Pensei que Nathan ia pular nele, mas suspirou e guardou o aparelho. — Acho melhor manter isso desligado em São Francisco — ele disse
Entramos no Starbucks e nos sentamos todos na mesa mais longa.
-Tudo bem — Nico sussurrou se inclinando na mesa. eu me inclinei também, pelo fato de estar ao seu lado, para ouvir melhor. — Nós temos que achar uma praça, não sei, no meu sonho nós tínhamos de ir para uma praça.
-Praça? — Nathan arqueou as sobrancelhas
-Eu posso levar vocês a uma — Chloe disse — Minha avó mora aqui, e eu sempre visitava ela quando pequena.
-Perfeito! É muito longe? — Nico pediu.
-Não, na verdade é algumas poucas quadras. Não vamos precisar do carro.
-Ótimo, Chloe.
-E depois? — Nathan pediu.
Nico abriu a boca para responder, mas ouvimos alguém abrir com força a porta e viramos o olhar. Era um homem alto, tinha a pele branca e um olhar incrivelmente frio e duro. Preto como óleo. Os cabelos estavam penteados para trás. Usava um jeans preto e botas. Tinha uma jaqueta grossa e também preta por cima de uma blusa com uma caveira. Quando nos viu abriu um sorriso desafiador. Nico foi o único que conseguiu persistir o olhar na figura violenta que vinha a nossa direção.
-Senhor Hades — Ashley foi a única que conseguiu falar, todos olhamos para ela e depois para o deus que vinha em nossa direção.
-Semideuses! — Hades disse sentando na ponta da mesa e sorrindo irônico para nós.
-O que devemos a honra do senhor dos mortos nesse mundo? — Chloe sorriu torto
-Ah, menos, herdeira de Afrodite. Sei que muitos não gostam do senhor dor mortos — Abri a boca para alegar. Mas ele ergueu a mão e coçou a barba, impedindo. Notei que usava dois anéis de prata, dois no dedo do meio e um no mindinho. — Garoto de Ares?
-Sim?- Nathan respondeu.
-Vim responder a sua pergunta. — Hades lhe informou. — Creio que tenho que dizer a vocês, que é a segunda vez que roubaram a minha espada, dessa vez ela já está terminada é claro. E como não tive a honra de escolher novamente o filho dos três grandes, escolho meu filho para liderar essa missão acompanhado dos melhores heróis dessa época.
-Está falando de mim? — Nico pediu
-Eu não lembro de ter outro filho — Ele riu e nós rimos desconfortáveis a presença do deus dos mortos. O deus nos dava uma expressão de medo. — Sim, Nico, eu o escolhi para liderar a missão pelo fato de saber que você é um dos melhores heróis. Se não o melhor.
-Senhor Hades? — Chloe murmurou — A missão é minha.
-Oh, sim — ele disse. — O Oráculo, não é? O porta-voz das profecias de Apolo. Bom, você lidera a missão de Afrodite, meu filho a minha.
-Duas missões em uma? — perguntei. — Em o prazo de uma? Bom isso é muito... impossível.
-Você é filha de uma deusa — Hades lembrou-me. — As coisas não se tornam tão impossíveis assim quando isso acontece. — Assenti — Por isso mesmo escolhi os melhores heróis, para uma missão tão complicada. É triste dizer que dessa vez não teremos os filhos dos três grandes juntos. Mas fico feliz em saber que escolhi os melhores entre todos.
-Senhor Hades? — Ashley sussurrou — O senhor viu o ladrão?
-Ah, sim. — ele sorriu — Uma garota da idade de vocês, loira, baixa. Herdeira de Zeus
-Zeus? — perguntei — Não... isso é improvável. A única herdeira de Zeus é Thalia, e Thalia não é loira.
-Não é minha sobrinha Thalia. Agora ela segue Ártemis. Talvez agora temos mais uma herdeira. Talvez ela esteja perdida da sua verdadeira identidade a muito tempo, assim como você.
-Como eu? — pedi, confusa.
-Ah sim. Minha sobrinha, Atena impediu seu pai de lhe levar ao acampamento quando completou o décimo aniversário. — O senhor dos mortos riu ironicamente — Atena acha que ela pode mudar o futuro, que ela pode mudar o que já está destinado.
-O que já está destinado? — Eu e Nico perguntamos ao mesmo tempo.
Hades nos olhou intensamente e soltou uma risadinha: — Tão jovens que não conseguem perceber. Em toda a minha existência eu nunca vi uma ligação tão forte, nem Atena nem ninguém poderia mudar isso.
O senhor dos mortos se levantou da nossa mesa e foi a recepção, pediu um café e nos deixou a sós, todos com cara de dúvida e pensativos. Eu tentando entender a ligação na qual Hades falara e na qual minha mãe tentara impedir.
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