Only
7 Ganho um presente especial
Notas iniciais
A primeira semana e as que se sucederam no acampamento, foram tranquilas, Quíron até me deixou enviar uma mensagem de íris para meu pai, Ash estava sempre junto comigo, e eu geralmente via Nico praticando esgrima. Na mensagem de Íris meu pai estava todo sorridente, mas seus olhos estavam tristes, sozinhos.
Apresentei Ashley para papai e ele disse que ela era muito bonita, ela sorriu e agradeceu. Conversamos um pouco, mas nada muito importante, eu deixaria todas as perguntas para quando o encontrasse pessoalmente. Nos despedimos e a névoa se desfez em minha frente.
Todos os dias eu pedia a Nico se ele iria comigo ver a minha arma, seja uma espada, faca, arco, qualquer coisa que me adaptasse, mas ele prometera que iria comigo escolher. Mas não cumprira. Todas as vezes que pedia ele dizia: "Estou ocupado agora, Mel. Amanhã, beleza?" e o amanhã nunca chegava. Até que essa semana desisti de perguntar, mas mesmo assim andávamos juntos, praticávamos esgrima e depois Ashley nos auxiliava na equitação com pégasos. Nico não gostava dos pégasos, e os pégasos não gostavam de Nico. Mas ele prometera que ia comigo para eu não ficar sozinha.
Um dia, após a caça-bandeira, Nico veio ao meu lado, ele não estava mais com o capacete, seu rosto estava banhado de suor e poucos fios de cabelo se grudavam na testa:
–Ei, eu preciso te mostrar uma coisa — ele disse. Tirei meu capacete, interessada. E parei abruptamente, em sua frente.
–O quê?
Nico ordenou que eu colocasse aos mãos com as palmas viradas para cima entre nós. Fiz o mesmo e esperei. Ele descruzou os braços que estavam entrelaçados nas costas e colocou um objeto em minhas mãos. — Uma faca.
–Bronze — ele disse. — Pedi para os filhos de Hefesto fazerem especialmente a você.
Fiquei muito emocionada com isso. Apenas olhava para o objeto brilhando em minhas mãos. Eu podia ver o meu reflexo nela, de tão brilhante, toquei com um dos dedos a sua lâmina — Fria e afiada — olhei para cima, para poder olhar o rosto de Nico.
–Obrigada — sussurrei. Ele deu de ombros e sorriu
–Foi inspirada em cada traço seu. — Ele virou a faca em minha mão, tremeluzindo meu reflexo e apontou para uma pequenina escrita em grego. tive de me inclinar a arma para poder ler. As minúsculas letras em grego transformavam a palavra em: "Guerreira". — Inclusive isso — ele disse se referindo a escrita. Eu dei um sorriso largo para ele e recebi outro.
–Por isso não ia me levar para ver as armas?
–É, por isso — ele admitiu. Nós rimos. — Vejo você na janta?
–Claro — assenti e corri para o meu chalé.
Naquela noite, nada de muito diferente, Nico se sentava a mesa com Quíron e sr. D que sempre me avaliava com cuidado quando eu ia fazer a oferenda a Atena.
Um dia, numa das vezes que fomos a fogueira, Nico havia me falado sua história. Filho de Hades, Nico sempre vivia no mundo inferior, mas se sentia muito só por lá também. Depois que conheceu Jackson começou a comparecer mais as atividades, mas vinha ainda pouco, então ele começou a se enturmar um pouco. Antes, era apenas o garoto solitário. Agora ele tinha certeza de que tinha amigos. Pois tinha a Jackson, a Ashley e a mim...
Desde aquele dia, eu pude entender o quão era forte a minha ligação com Nico. Ele dissera que estava quase morando num quarto da grande casa. Quíron havia o cedido, e sr D nem questionou, o que, na sua opinião, era estranho. Mas eu pensava que sr D não era um cara tão mau e rabugento como todos falavam.
Toda vez que falava isso para Ashley ela me respondia: Deuses são estúpidos e dava o assunto por encerrado.
Após a janta, acenei de leve para Nico e sai com Ashley, ela iria até meu chalé e depois iria para o de Afrodite, Chloe, a conselheira-chefe não gostava de atrasos, principalmente quando era Ashley que se atrasava. As irmãs viviam se inticando.
Ash e eu caminhávamos em silêncio quando ela disse:
–Você é uma garota legal -simplesmente, do nada. Eu me senti bem por isso, então sorri e disse que ela era também uma garota muito legal. Voltamos a ficar em silêncio por um tempo até ela começar a falar de novo: — Sabe, eu nunca lhe contei a minha história, não é?
–Não, nunca. — concordei.
–Acho que seria bacana você saber. — esperei — Você ficaria impressionada se eu lhe contasse que não tenho mais um pai? — ela não queria a resposta, porque continuou gesticulando, como se buscasse as palavras. — Enfim, eu era muito feliz com meu pai, nós morávamos no estado da Carolina do Norte, não podia se dizer que tínhamos uma casa de verdade. Porque a gente sempre se mudava. Ele era colunista e escrevia para diversos jornais locais. Ele era bonito, era loiro, alto, seus olhos eram verdes-mar e vivia com o cabelo bem arrumado. — ela suspirou. — Conforme ele achava que seria melhor tal cidade para nos mudarmos, nós íamos. Principalmente por causa da minha dislexia, mas quando ele achava que precisava se mudar para a cidade de um dito jornal que escrevia, nos mudávamos.
"Eu já estava bem acostumada com essa rotina. De manhã praia, depois a nossa empregada fazia o almoço e me arrumava para escola, a noite os temas junto ao meu pai e assim ia. Certa vez, depois da escola, encontrei meu pai largado no sofá lendo antigas colunas e crônicas que fizera. Me sentei ao lado dele, ele parecia mal, realmente mal. Pedi o que estava acontecendo, ele me garantiu que nada demais. Não dei bola. Fui para o meu quarto me ajeitei para ir um pouco a praia e meu pai não questionou, logo depois a empregada me chamou para a janta. Macarrão com almondegas. A comida preferia do meu pai, mas ele não comeu, ficou trancado no seu quarto alegando dor de cabeça. E naquela noite ele fez uma coisa muito estranha. Ele beijou o topo de minha cabeça dizendo que me amava muito e que era para mim lembrar isso sempre, e me deu um álbum com os seus artigos e crônicas favoritos. Fui para meu quarto e encontrei uma carta em papel pardo, que dizia: Querida Ashley, não leia isso enquanto estiver em casa. E eu não li, na verdade pensei que não era nada de muito importante, estava cansada demais só deitei e dormi. E quando acordei estava no acampamento."
Ela olhou intensamente para mim:
–E sabe o que aconteceu? — disse, movendo os lábios lentamente, tentando controlar as lágrimas. Neguei e ela continuou:- Eu soube que meu pai havia morrido. Agora imagine a cena, de uma menina de 10 anos receber essa notícia. Quíron me consolou e disse que nossa casa havia sido atacadas por espíritos da tempestade, ele se lamentou e disse que eu havia chegado com um sátiro completamente apagada. Meu pai havia colocado remédio para dormir no meu macarrão, uma dose alta, para garantir que eu não precisasse ver nada. E eu me pergunto... Como ele sabia que seríamos atacados? Como o sátiro me achou em tal momento.
Eu suspirei, sem saber ao certo o que fazer, encolhi meus ombros e olhei para baixo.
–Sabe porque eu lhe contei isso? — não respondi — Sabe?
–Não, não sei — disse por fim. E com a história eu me sentia tão péssima quanto Ashley.
–Para você ver como deuses são estúpidos. Afrodite, sinceramente, poderia salvar o meu pai. Ela podia sim. Ela é uma deusa! Não se deixe enganar pelas aparências, Melanie. — Ela mexia as mãos agitada — Olhe para Nico! Olhe o que o pai fez para ele! O senhor Hades o abandonou, ele tinha a mesma idade que eu quando descobriu ser um semideus, apenas 10 anos! Um garotinho, sozinho. Da pra imaginar?
Olhei para baixo e algumas lágrimas escorreram por meu rosto, eu pensei em meu pai, Atena havia ferido os sentimentos dele?
–Mas na verdade, a grande moral disso tudo é: Nunca deixe alguém que você ama de verdade
Olhei para Ashley interessada
–Se alguém realmente me amasse eu não estaria sozinha aqui. — Ashley continuou — Desculpe pelo desabafo... eu... eu só...
Então ela me deixou ali, sozinha e saiu correndo ao soluços para algum lugar escuro na floresta, eu iria correr atrás dela, mas mãos grandes tocaram meu ombro me impedindo, olhei para trás e vi Jackson, ele apenas mordeu os lábios e disse:
–Deixe, ela vai ficar bem. — Ele olhou para baixo, onde Ashley havia ido, seus olhos tinham um pouco de dúvida. Eu queria perguntar se ele ouvira a conversa, e como ele sabia se Ash ficaria bem. Mas não encontrei minha voz — Ela é uma garota valente.
Eu assenti e entrei no meu chalé, quando ia fechar a porta, pude ouvir os passos quase silenciosos de Jackson seguindo Ashley e a espionando, realmente preocupado
Fale com o autor