Only
10 Escute seu coração.
Notas iniciais
Boa Leitura!
Duas noites após o convite de Jackson, Ashley me chamou para conversar. Olhamos em volta para ver se alguém estava, então ela me puxou para mais longe ainda e suspirou:
–Me ajuda.
–O que ouve, Ash? — perguntei.
–Eu não sei o que devo dizer a Jackson. — ela mordeu os lábios — Eu... Eu não posso deixar ele magoado e eu não...
–Você quer ir?
Ela desviou o olhar e suspirou.
–Você quer ir? — insisti
–Quero, mas...
–Então vá. O que pode te impedir?
–Eu mesma.
–Ashley... Olhe, vou dizer uma coisa pra você, e isso que vou lhe dizer já é muito clichê, eu sei, eu sempre repito a Nico e acho importante você também saber que nem tudo na nossa vida são deuses, espadas, monstros lutas... Temos que deixar essas coisas de lado um pouco.
–Mas eu simplesmente não... posso. — ela murmurou tristonha. — Eu não sei como, mas Chloe e o resto de meus irmãos descobriram que... que...
–Que?
–Eu tenho uma queda pelo Jackson.
–Ah, isso eu sabia — dei de ombros — tava na cara.
–Tão assim? — Assenti. — Enfim, voltando ao assunto: Eles descobriram e disseram que eu estou oficialmente proibida de ir com Jackson passar as férias.
–Eles não podem afirmar isso. Afinal, já ouvi várias histórias de garotas de Afrodite que se apaixonaram.
–Até pode ser. Mas quando as coisas eram diferentes.
–Você quer dizer... Quando Chloe não era a conselheira-chefe?
–É, exato.
–Vou ter que te dar mais um conselho Ashley — murmurei — Siga seu coração.
Ashley abriu a boca para falar, mas eu a interrompi continuando:
–Seu cérebro vai dizer não. Afinal, você estará pensando em todos os problemas e em todas as complicações. Mas o coração não, ele irá dizer sim, porque ele busca por isso, consegue me entender? O coração não liga pra lógica, ele só quer viver... intensamente.
–Então porque você não escuta seu coração? — Ashley me perguntou.
–Meu coração? Do que você está falando?
–Preste atenção nele, Mel. — Ela me abraçou forte e me deu um beijo na bochecha — Obrigada Mel — disse com os olhos úmidos — Obrigada mesmo, é bom ter você por perto.
–Também é bom ter você por perto.
Ashley saiu correndo e pulando, virou-se a mais ou menos vinte passou de mim e disse:
–É irônico uma filha de Atena não perceber o que está acontecendo com si mesma.
Então me deixou ali, confusa.
~
–Nico! — exclamei ao chegar no meu chalé e ver que ele me esperava na soleira da porta.
–Oi — ele sussurrou desanimado.
–Por que está aqui?
–É que eu quero me despedir...
–Despedir? — sussurrei assustada, meus olhos se arregalando.
–Daqui a pouco você vai ir visitar o seu pai, e precisa arrumar tudo por aqui, já vou para o Mund...
–Nico, não! — interrompi-o — Não, não mesmo!
–Mel, olhe... Eu tenho motivos para estar aqui?
Não respondi.
–Eu tenho motivos? — ele insistiu. Meus olhos se encheram de lágrimas, minha mente sabia que uma hora iriamos nos despedir,e eu realmente que achava que estava preparada, ou até mesmo que nossa despedida não seria tão dolorosa como parecia para mim. Não sabia para ele, mas para mim estava.
–Mas temos mais de uma semana — murmurei.
–Poucos campistas ainda estão aqui. O que eu vou fazer por aqui?
–Mas precisa ir para... Aquele lugar?
–E onde eu vou ficar? Lá é o meu lugar, Mel.
–Nico, por favor, não vai. Não agora — implorei, fazendo biquinho. Nico revirou os olhos e acariciou de leve minha bochecha.
–Melanie. Eu realmente não tenho motivos pra ficar aqui agora.
–Tem sim! — protestei. — Tem eu!
–Ainda bem que você é modesta, né? — ele riu e eu o acompanhei. Seus braços se lançaram em minhas costas e ele me apertou forte contra seu peito definido. Encostei minha cabeça no seu peito, agora gélido. Involuntariamente uma lágrima escapou de meus olhos — Tchau, boneca.
–Tchau, grandão — suspirei. Ele beijou o topo de minha cabeça e me desenroscou do abraço, fiquei na soleira da porta observando sua silhueta sumindo na luz negra da noite. -Nico! — o chamei antes que ele sumisse por completo — Nico! Nico! — insisti
Ele virou-se em minha direção e deu um sorriso fraco. Imediatamente eu corri para ele, como se ele estivesse me chamando ou como se estivéssemos apressados... Mas para quê?
–Fica — insisti. Ele revirou os olhos
–Melanie...
–Escute! — interrompi-o chegando na sua frente. — Você tem motivos pra ficar
–Quais? — ele arqueou as sobrancelhas.
–Além de mim — insisti ainda me achando e rimos novamente. — Mas você tem motivos de verdade pra ficar. Porque você vai comigo para Nova York
–Oi?
–Vamos, Nico! Por favor, vai ser divertido!
–Seu pai ele...
–Meu pai não vai ligar. — garanti. — Você vai ver, ele é gente boa.
Ele assentiu e então nos olhamos nos olhos por um longo momento, ele deu um passo muito lento e cuidadoso em minha direção. Como se eu fosse algo muito quebradiço, ele colocou as mãos levemente em minha cintura, eu mal sentia seus dedos nela. Minha respiração ofegou e eu reprimi o impulso de hesitar.
–Isso é um... sim? — minha voz tremeu e imediatamente, como se estivéssemos acordado de um sonho, suas mãos caíram de minha cintura, eu fingi não perceber e pude sentir as minhas bochechas esquentando.
–Eu acho que... é.
–Jura? — quase gritei
–Juro — Nico cedeu sorrindo de leve para mim. Pulei em sua cintura e o abracei forte
–Ai obrigada, grandão! Vai ser tão bom!
–Vai — ele disse rindo. Desci de seu colo e sorri animadamente para ele, como se estivessem injetado pó de guaraná nas minhas veias. Ri com a ideia. — Melanie eu queria....
–Sim?
–Ahn... Eu queria... agradecer. É, agradecer pelo convite, foi legal da sua parte.
Sorri para ele. Ele beijou minha bochecha de leve e eu fui dormir com a estranha sensação de querer falar com ele de novo no próximo dia.
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