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29 Destino


Pvo's Melanie

Jackson e Nico se entreolharam, Nico tateou o ar em busca da minha mão, mas eu a escondi, pois agora meus dedos estavam gelados e tremiam muito, eu não sabia porque, mas toda vez que as lembranças atingiam a minha mente isso acontecia, era como um pânico, eu tinha medo de novamente ter uma discussão com Nico e nos separarmos por um, dois, três dias, quantos dias fossem.

Jackson olhou para mim e nos deu as costas, sem apenas questionar, adentrou a floresta para ficar sozinho e senti meus ombros descerem com o peso, eu sequer notara o quão rígidos estavam.

-Ele precisa pensar — Nico sussurrou e sua voz fria quebrou o silêncio, eu o olhei sentindo os meus olhos ficarem vermelhos, as lágrimas estavam quase me vencendo, assenti de leve, tomando cuidado, qualquer som que eu emitiria, desabaria em lágrimas.

Nico deu um passo com muito cuidado a frente, passou seus braços em minha cintura e beijou meu pescoço, eu não conseguia me mexer, lembrei-me a mim mesma dezenas de vezes de que ele estava comigo e que nada poderia nos separar

-Tudo vai ficar bem — Nico murmurou ao meu lado e as palavras deles, mesmo que sem intenção tiveram grande efeito em mim, me virei para ele e respirei fundo. — Eu preciso lembrar a você quantas vezes de que eu estou aqui?

-Quantas você quiser, quanto mais eu ouvir mais feliz eu ficarei.

-Eu estou aqui, Eu estou aqui — Nico repetiu dezena de vezes rindo e me fazendo rir. Depois ficamos em silêncio, me livrei da armadura e Nico também

-Bem melhor assim — aprovei colocando minha mão em seu peito definido. — Nunca vá embora, por favor

-Eu juro... Pelo rio Estige que nunca, nunca vou embora. — Nico prometeu e naquele momento eu nunca me senti mais intensa, era como se agora eu realmente conseguia ver Nico, ver o meu Nico... e a nossa vida, a vida que teríamos juntos se passaram através dos olhos negros de Nico.

Primeiramente era apenas nós dois, adultos andando juntos pelo acampamento meio-sangue e relembrando vários momentos que aqui tivemos, depois era uma formatura, talvez a minha, e Nico falava comigo, nervoso, eu não podia ouvir as vozes, mas tinha certeza da nossa tamanha felicidade, Nico me pegava no colo e girava entre os formandos, arrancando aplausos de muitas pessoas e sorrisos bobos de outras, depois era apenas nós enlaçados no sofá, a noite, eu chorava muito, mas era de felicidade e Nico segurava minha mão e resmungava coisas, acredito que bobas, para me ver sorrir novamente e depois uma menininha de cabelos negros correndo por uma casa, enquanto Nico e eu explodíamos em aplausos.

Balancei a cabeça expulsando a lembrança, depois encostei minha cabeça no peito de Nico e fechei os olhos.

Um ano depois...

Quem poderia dizer que em uma ano tantas coisas mudariam? Meu aniversário de 17 anos fora passado no acampamento, apenas com Nico, Ashley, Tom e com permissão, a mortal Mollie tinha voltado para cá.

Ashley realmente estava radiante, abandonara a expressão triste a muitos meses atrás, Jackson definitivamente se tornada página rasgada a partir do momento que ele decidira ir para New Orleans fazer uma faculdade, desde então, ninguém do acampamento mantinha contado com ele, Jackson apenas sumira. Eu não posso dizer que não sentia falta dele, porque apesar das mancadas, Jackson realmente fora um cara legal para mim.

Mas é como os mortais dizem: Tudo que vai, volta com uma recompensa, e a minha recompensa era Tom, o filho de Zeus. Tom nunca iria substituir Jackson e nem ninguém que entrou e logo saiu de minha vida. Tom era o tipo de cara que sabia fazer todo mundo rir, mas no momento certo ele tava lá para dizer "Gente, não é brincadeira, isso é sério" então se sentava e conversava como um verdadeiro confidente. Digno de um filho de Zeus, amigável com o espírito de liderança.

E agora, a mais recente amiga, Mollie, a simples mortal que todos acreditavam ter uma queda por Jackson, no verão passado, quando Mollie deixou o acampamento, poucas semanas após eu me recuperar, ela deixou bem claro para todo mundo "Existia alguém na vida dela, e não era Jackson". Todos ficamos desconfiados e boquiabertos, mas quando Mollie voltou para meu aniversário, ela entrou no acampamento radiante e a primeira coisa que fez foi... correr para o colo de Tom e dizer "Eu -perdi muito tempo, eu fui tola" desde então, os dois estavam juntos.

E Nico... Nico não apresentava muitas mudanças, a única coisa que era notável em meu namorado é que desde que jurara pelo Estige nunca me abandonar, era como se um elo realmente forte estivesse nos cercando, como se aquelas palavras realmente tiveram influência imediata, e é claro que eu sabia que sim, por simplesmente conseguir enxergar meu destino naqueles olhos escuros.

-Trezentas e oitenta e um... Trezentas e... ei, eu já contei essa? Ah, droga, me perdi! — Nico disse olhando para as estrelas. Estávamos deitados na areia, seu braço em minha volta enquanto tentávamos centenas de vezes contar as estrelas.

-Hum... eu acho que você tava na trezentos e setenta e oito, não na trezentas e oitenta e um — murmurei

-Tanto faz... — Nico deu de ombros nós dois suspiramos ao mesmo tempo, um silêncio pairou no ar, ao não sei pelas ondas calmas que quebravam na beira do mar.

-Eu nem se quer conversei com meu pai depois do meu aniversário — murmurei — Já se passou quase cinco meses e eu ainda não falei com ele.

-Sim — Nico disse apertando mais seus braços no meu corpo — mas amanhã nós vamos ver ele, estou certo?

-Está. — disse e depois me virei, e fiquei observando Nico

-O que foi? — Nico riu — Porque está me encarando?

-Não sei — admiti, desviando meu olhar e mexendo num botão da camiseta preta de Nico — As vezes... As vezes aquela lembrança do dia da captura da bandeira vem na minha mente, e eu acho que estou ficando louca.

-Louca?

-É, acontece que eu tenho 17 anos e você 18... e bem, a nossa vida já está toda traçada. É... confuso.

-Mel — Nico sussurrou acariciando minhas bochechas — Nossos destinos já estão traçados a muito tempo.

-Estão? — perguntei franzindo a sobrancelha.

-Sim — Nico confirmou. — Sabe, naquele mesmo dia que você teve aquela, hum, visão... Hades me visitou em um sonho, e ele dizia "Você finalmente confirmou tudo, Nico, agora sim que os deuses não vão poder ter influência sobre vocês" e eu me perguntei porque, eu realmente fiquei confuso e decidi esquecer, só que ultimamente não apenas Hades, mas também sonho com Atena, e ela me explicou tudo...

-Tudo?

-Não é que Atena não queria reconhecer você, Mel, acontece que ela achava que era a forma mais fácil de nos manter longe, e isso está traçado antes mesmo de você nascer, desde a década de 40. Naquele tempo era muito perigoso ser um filho de Hades, e o deus do Mundo Inferior escondeu tanto a mim quanto a Bianca no Cassino Lótus, só saímos nesse século, aí era uma parte da história, só que Hades, assim que saí do Cassino, descobriu que existia você, e que de qualquer forma estávamos traçados a nos conhecer, ele pensou em maneiras para me mandar de volta ao Cassino, até que você morresse, e enfim, nunca nos encontraríamos. Mas Percy, Thalia e Annabeth foram mais rápidos em buscar a mim e a Bianca e nos trazer para cá — Nico sorriu lembrando-se dos antigos amigos. — Um dia eu vou agradecer a eles.

-É... confuso — consegui dizer, piscando rápido — Mas é bom saber que nem mesmo dois deuses unidos conseguiram nos separar — sorri

Ficamos novamente em silêncio e Nico pegou na minha mão e a apertou

-Eu te amo... — ele sussurrou — Eu sempre te amei, mesmo não sabendo disso desde sempre.

Nico se levantou e me puxou junto dele, e ali, na madrugada, dançamos no meio da praia, com as ondas do mar sendo nossa música:

-Eu te amo — murmurei fechando os olhos, enquanto dançávamos — Eu sempre te amei. E eu perdoo você, por ter ficado longe de mim em algumas vezes, agora, eu só preciso de você