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8 Como crianças
Notas iniciais
Boa Leitura! :)
Como Jackson havia prometido, Ashley estava bem na manhã seguinte. Acordei num gás todo, me vesti rápido e amarrei meu cabelo, corri para os celeiros onde os pégasos estavam e encontrei Ashley sentada em um monte de feno. Eu sorri imediatamente quando a avistei e senti um peso enorme evaporar de minhas costas.
-Ash — gritei indo em sua direção. Ela se levantou abruptamente. A abracei forte e pedi como ela se sentia ela disse que tudo estava bem.
Perguntei-me se deveria falar para ela sobre Jackson na noite passada. Mas decidi que não. Porque caso Jackson tivesse ido falar com ela, provavelmente Ashley me contaria... ou não. E se eu contasse para ela sobre Jackson será que ela ficaria irritada?
-Então? — limpei a garganta — Dormiu bem?
-Ahn... Acho que... sim — ela disse estranhando a pergunta.
Decidi começar o dia com equitação de pégasos, achei estranho Nico não ter aparecido ainda, porque geralmente o que fizemos por primeiro é equitação com pégasos, pensei se ele havia ido para o mundo inferior e isso me arrepiou, porque o Nico que eu conhecia era tão dócil, por mais que as vezes é impaciente e irritante, mas ele é legal e compreensivo, eu realmente não conseguia imaginar ele num lugar obscuro daqueles. Por mais que todo mundo falasse que aquele era o lugar dele, por ser um filho de Hades e blá-blá-blá.
-Foco, Mel — Ashley pediu. Assenti e foquei apenas na atividade do momento. E quando fazia algo surpreendente podia ouvir Ashley gritando: "perfeito!" "nossa, isso foi incrível!" "uau!"
Estava arrumando meu cabelo quando ouvi Nico chamando:
-Ei pitoca! — olhei imediatamente.
-Fala aí, grandão! — disse rindo. Ele veio até mim e eu estendi a mão para um aperto de mão. Ele apertou minha mão e depois torceu o nariz
-Isso é muito formal — alegou. Então ele fez uma coisa inesperada. Agarrou minha cintura e me jogou como um saco de cimento em suas costas. Dei um gritinho de surpresa e depois comecei a rir e espernear no alto. Nico me soltou e depois sacudiu-me pela cintura
-Qual foi a moral disso? — perguntei ainda rindo.
-Você parece uma boneca de pano.
Revirei os olhos. Só então ele pareceu notar Ashley que estava no seu canto. Ele a cumprimentou e depois olhou para mim desafiador:
-Hoje você vai perder na esgrima.
-Ah, não mesmo!
-Corrida até lá? — ele perguntou.
-Vamos nessa perdedor.
Então sai correndo. Pude ouvir Ashley rindo da nossa cara e dizendo que eramos crianças, mas quando eu estava com Nico, eu me sentia mais leve, mais pura e até mesmo mais feliz... Como uma criança mesmo. Com Nico eu conseguia aproveitar inteiramente cada momento. Cada segundo em sua presença eu me sentia feliz e esquecia dos outros problemas. Ele era como o meu porto seguro, e sei que pode ser precoce falar isso, porque não faziam ao certo um mês que nos conhecemos, mas eu tinha certeza de que podia afirmar isso, porque com ele as coisas eram melhores. Elas tinham cor. E certa vez que mencionei isso com Nico ele disse que eu estava sendo irônica, alegando que ele era um filho de Hades... Como as coisas poderiam ter cor? Dei de ombros e disse que não sabia, mas que as coisas eram diferentes quando eu estava com ele e mandei ele deixar de lado um pouco essa coisa de: "Não podemos fazer isso porque somos filho de tau Deus" Nico concordou e disse que sentia o mesmo que eu quando estávamos juntos. Então nós sorrimos um para o outro e foi a primeira vez que dissemos um "eu te amo" é claro, que isso pode soar estranho, mas tanto para mim quanto para Nico era apenas como amizade. E quer saber? Aquele momento foi maravilhoso.
~
Depois de ganhar a corrida e perder a luta eu e Nico continuamos o nosso dia normalmente. No final da tarde, estava indo para praia e por coincidência encontrei Nico indo também.
Me sentei na areia e joguei os calçados longe. Depois agitei as mãos na mesma e tirei o meu casaco fazendo-o de travesseiro para poder deitar.
-Isso não é muito feminino — Nico disse querendo me provocar
Dei de ombros e mostrei a língua para ele.
-Quem mostra a língua pede beijo.
-Ah.. Nico, não! Não, não mesmo!
Mas ele veio em minha direção fazendo um biquinho exagerado, e tentava não rir. Eu me levantei e comecei a correr e ele veio atrás como crianças novamente. Entrei na água fria do mar e Nico veio também, começamos a nos jogar água e eu gritava cada vez que a água fria que Nico jogava entrava em contado com o meu corpo.
Eu estava já com a respiração ofegante, sentei-me na beira do mar e comecei a olhar o céu que tinha uma cor azulada se misturando com linhas roxas e rosas. Era muito lindo.
-O que foi? — Nico perguntou sentando-me ao meu lado.
-A hora do crepúsculo — murmurei sorrindo de leve. Nico se sentou ao meu lado e começou a olhar o céu.
Nós nos olhamos por um segundo, meus olhos estavam embaçados de lágrimas. Então voltei a olhar o céu para disfarçar
-Isso me lembra meu pai — sussurrei. — Quando eu era pequena nós sempre íamos na janela do apartamento observar isso. Eu simplesmente adorava. Eu sinto tanta falta dele.
Nico suspirou ao mesmo tempo que eu. Ele abaixou a cabeça por um instante e depois olhou para mim e acariciou meus cabelos. Mas meu olhar estava sustentado no céu, era como um imã. Um imã que era acompanhado de lembranças. Várias lembranças.
-Ele também deve sentir a sua falta.
Assenti, um nó se formando por minha garganta, eu tinha vontade de chorar mas pensei por um instante o quão aquilo pareceria ridículo. A pouco tempo eu estava feliz e agora estava triste.
Tentei raciocinar.
Isso não estava certo. Por um momento eu estava completamente bem e era como se os problemas sumissem abruptamente de minha cabeça, em um instante voltavam todos em um jorro da água que chegavam a me deixar com dor de cabeça.
Num momento eu sorria e dava gargalhadas exageradas, no outro, eu estava lutando contra minhas lágrimas. O céu foi escurecendo aos poucos, e Nico apenas acariciava meus cabelos, não falava nada. Porque ele não tinha o que falar. Isso é o bom de os amigos, que por mais que eles não tenham o que falar eles ficam ali, juntos á você, apenas para te lembrar de que "Ó, estou aqui quando precisar"
-Isso foi idiota, né? — disse olhando finalmente para Nico.
-Não, acho que não. Eu entendo você se sentir sozinha as vezes. Todos nós aqui nos sentimos assim, só que a maioria aprendeu a guardar o sofrimento para si mesmo. Como eu.
Eu sorri para Nico, ele sorriu de volta e então nós já estávamos rindo novamente.
-É por isso que eu adoro você — eu disse
-Por que?
-Você me faz sorrir... sempre!
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