Onimusha: The Journey by the Five Warriors
5 Bem-vindo a Freedom City
Notas iniciais

Em um lugar muito, mais muito longe de Arendelle...
— Obrigado pela preferência e voltem sempre! – Entoa o pequeno Minokichi abrindo a porta para mais uma leva de clientes que deixavam o restaurante Blasiken. – Aí, aí, nada me dá mais alegria do que ver um ciente saindo satisfeito!
— Eu que o diga Minozinho, eu que o diga! – Exclama a mãe adotiva do pequenino se sentando em uma cadeira balançado as pernas, animada. – Nada me deixa mais feliz do que trazer alegria e felicidade através dos meus pratinhos caseiros!
— E nada me deixa mais feliz do que de encher o bolso com a grana desses otarios! Muahahahahahahah!!!!! – Ri Ash malignamente enquanto contava diversas notas verdinhas no balcão de trás.
Logico que sua mãe e seu amiguinho não gostaram.
— Demônio ganancioso! – Retruca sua mãe.
— Aproveitador de sentimentos felizes através da barriguinha cheia! – Berra Minokichi.
— Sou mesmo! – Rebate o garoto tranquilo arrancando olhares tortos da dupla. – Nem adianta me olharem assim! Não se esqueçam que é graças a minha administração que essa espelunca ainda tá de pé!
A dupla ia reclamar de novo, mas se calaram na mesma hora ao lembrarem que eram péssimos em gestar negócios. Viviam tomando calote dos clientes por não terem pulso firme na hora de cobrar a conta. Então, Ash como bom filho que é resolveu isso da melhor forma possível... dando cascudos bem dados na dupla para eles tomarem juízo e uma bela e generosa surra nos devedores!
— Minha cabeça ainda dói só de lembrar dos cascudos. – Diz a mãe do menino acariciando sua cabeça.
— Eu idem mamãe Celes! – Completa Minokichi de ponta cabeça acariciando também sua cabecinha.
— Bom saber! Assim vocês apreendem a ficar mais atentos! – Responde o garoto sorrindo.
— Menos filho, menos! – Reclama Celes inflando as bochechas.
— Vai ter pena dos caloteiros agora, mãe?
— E como a gente não vai ter pena mestrinho! – Exclama Mino se balançando. – O senhor puniu os coitados dos devedores, fiadores e caloteiros das formas mais cruéis e desumanas possíveis!!!
— Foi é?
— E COMO!!! – Berra o pequenino enfiando sua cabeça e mãos para dentro de seu saquinho, reaparecendo logo depois com um pedaço de papel em mãos e um par de óculos que deixaram seus grande olhos castanhos ainda maiores!
Pisca e começa assim seu relato:
— Primeiro o senhor deu uma surra neles, depois os obrigou a limpar todo o restaurante de cabo-a-rabo, a lavarem toda a louça, limparem o banheiro, nossa casa, seu quarto, o quarto da mamãe, minha caminha e depois os forçou a trabalharem sem direito a salário, férias, decimo terceiro e o pior de tudo... vestidos de empregadas!!!
— A melhor parte foi os repórteres aparecem e fotografarem os três marmanjos com aquelas roupinhas lindas, há, há, há! – Ri o garoto de se acabar.
— Não ri não mestrinho, depois disso o nosso restaurante ficou conhecido pelo slogan ... Pague ou morra!
— Me orgulho muito desse slogan!
— ASH!!! – Berra Celes se levantando com as mãos nos quadris.
— Ah, gente vejam pelo lado bom! Agora todo mundo paga a conta certinho e graças a isso... – O menino balança as notas no ar. – Já conseguimos o dinheiro para pagar os fornecedores deste mês e antes do dia quinze! – E sorri convencido ao ver as caras de bocós de sua mãe e de seu amiguinho. – Sabiam que eu amo ver essas suas caras? Há, há, há!
— Não creio... –Múrmura a mãe do menino incrédula.
— Nem eu! O mestrinho sabe mesmo como nos surpreender! – Completa Mino.
— Logico! – Responde o menino. – Bom, agora vou fazer as entregas, depois ir no banco pagar as contas e depositar o restante na conta... Mino você vêm?
Não precisou dizer duas vezes, o baixinho se balançou lançando-se no ar e por fim se agarrando nas costas de seu jovem mestre.
— Já fomos!
— É isso aí! Si bora!!! – Exclama o jovem correndo para fora subindo em uma bicicleta branca com uma caixa acoplada na garupa e uma cesta fixada no guidão. Pois um capacete na cabeça, assim como Minokichi que se encolheu em seu saquinho surgindo logo em seguida com um mini capacete em sua cabeça devidamente acoplado.
— Tô pronto mestrinho!
— Beleza, tchau mãe! Até mais tarde!
— Tchau mamãe!
— Tchau meninos, cuidem-se e Ash... juízo!
— Credo mulher! Até parece que você não conhece o filho que tem? – Questiona o jovem falsamente ofendido
— É por conhecer mesmo que estou dizendo isso! Minozinho... olho nele!
— Pode deixar mamãe! Vou ficar colado nele igual um saquinho de batatas!!!
— Você tem noção que mora dentro de um saco de batatas, né?
— Foi por isso mesmo que eu disse, kkkkkkk!!!!
— Eu mereço... – Ralha o jovem rolando os olhos enquanto remove a trava da bicicleta já saindo pedalando ruas a fora de sua cidade... Freedom City 3!
Localizada no oceano Atlântico Sul, entre a América do Sul e África, é uma cidade flutuante no total de três que vive da mineração e exploração da Ragnite.
Um mineral valioso que é capaz de gerar energia própria descoberto no século vinte, durante a busca por petróleo e outros recursos naturais. Seu achado foi marcado como uma das maiores descobertas da humanidade! As pedras na coloração azul ciano surpreendiam cientistas e pesquisadores do mundo todo com seu brilho fascinante e ao mesmo tempo hipnotizador. Logo começou-se a ser estudar um meio de usar essas belas pedras para benéfico da humanidade.
Cinco anos depois, após muitas pesquisar... eles conseguiram!
Agora o misterioso mineral brotado das profundezas da terra podia ser usado por todos!
Começou assim a era da exploração, comercio e uso maciço da Ragnite em todo o mundo para os mais devidos fins, desde energia elétrica limpa, processadores para computadores, combustível para locomoção de veículos terrestres, aquáticos e aéreos e até mesmo na área medica! Através do fluido retirado, tratado e purificado da Ragnite doenças consideradas incuráveis agora eram meras lembranças de tempos passados e sombrios.
A Ragnite deu uma nova luz ao mundo... assim como tempos turbulentos. Todos queriam poder usar está maravilhosa benção que nosso planeta concedeu, o problema era quem controlaria sua extração, produção, tratamento, distribuição e acima de tudo lucro que ela geraria. Afinal a Ragnite não dava em qualquer lugar... somente em três pontos específicos e todas em alto mar.
Uma no oceano Atlântico Norte, outro no Indico e por fim no Atlântico Sul. Todos eles envoltos por continentes que queriam mais do que tudo controlar o uso e venda deste valioso minério. A pergunta é, quem faria isso? Quem controlaria essa divisão sem necessidade de um confronto armado que custaria inúmeras vidas assim como a destruição dos locais de extração do minério? Um impasse foi criado até que as nações unidas tiveram um plano... conferir o controle de extração e distribuição para os continentes mais próximos nos pontos de mineração que deveriam escolher líderes para controlar esses pontos e redistribuir seus bens para o resto do mundo.
No início isso funcionou, mas com o tempo os líderes dos pontos de escavação começaram a perceber que era “injusto” sua função. Afinal eles estavam sobre a fonte de renda mais abundante de todo o mundo. Por que se sujeitar a outros países e “dar” seu minério ganhando míseros tostões?!
Então surpreendendo o mundo, os líderes dos pontos de escavações decidiram juntos a romper com as nações unidas, seus antigos países e continentes e se declarem independes!
Logico que os países mais desenvolvidos reagiram negativamente e ordenaram que parassem com essa loucura. Mas foi em vão, os líderes dos pontos foram enfáticos, se quisessem Ragnite teriam que pagar... e muito!
Ações militares foram tomadas para remover os líderes rebeldes, seria uma operação fácil... ou melhor seria. Pois os militares se chocaram ao ver os habitantes daqueles pontos os atacarem, não com armas de rudimentares, mais sim com fogo, terra, água e ar. Os habitantes simplesmente lançavam rajadas de elementos de suas mãos e pés contra os militares que tinham suas armas travadas e seus aparelhos inoperantes, isso por que os lideres construíram verdadeiras cercas invisíveis ao redor dos pontos que bloqueavam qualquer contato de fora e desativavam as armas que não eram criadas dentro dos pontos. A Ragnite não deu só riqueza, energia ou a cura para doenças, mais também sabedoria, conhecimentos antigos esquecidos pelo tempo e também o uso da... Magia!
Devido a exposição prolongada da radiação da Ragnite, pessoas começaram a experimentar mudanças em seus corpos. Alguns sentiram seus corpos aquecerem, outros a ficarem duros como pedras, outros moles e maleáveis, outros leves como uma folha e alguns sentirem suas mentes se abrirem e assim mudar seu jeito de olhar o mundo e entendê-lo.
Começava ali a era dos Dobradores de Elementos.
Pessoas abençoadas pelo poder da Ragnite capazes de dobrar os elementos da natureza a seu bel prazer. Com isso nem os mais poderosos países do mundo conseguiram derrotar a força dos pontos de escavação que já começavam a evoluir, tornando-se verdadeiras cidades sobre o oceano. Alguns países desistiram de lutar e começaram a entrar em acordos comerciais com as novas cidades em crescimento e puderam reaproveitar-se do uso da Ragnite. Os países mais fortes que já não eram mais tão fortes se viram sem escolha e tiveram que deixar o orgulho e a prepotência de lado e também entraram em acordo comercial com as novas cidades que por vingança taxaram o valor da Ragnite a um preço digamos... bem mais salgado.
O tempo foi passando e as novas cidades cresceram, já não mais sendo apenas cidades, mais sim nações com suas próprias leis e diretrizes que pregavam o lema liberdade como sua bandeira. Isso atraiu os olhares de várias pessoas que viram uma oportunidade de crescimento nas novas nações em expansão e assim decidiram abandonar seus países de origem e migrarem para as novas cidades.
E assim em apenas uma década os meros pontos de escavação conquistaram sua independência, sua autonomia e sua liberdade do resto do mundo. Um lar livre, cidades de oportunidades e expansões, verdadeiras... Freedom Cities!!!
Que foram divididas por números devido a ordem de descobrimento, a do Atlântico Norte é a 1, a do Indico a 2 e pôr fim a do Atlântico sul a 3... que é onde nosso jovem Ash vive com sua família.
— Obrigado pela refeição! – Agradece uma senhora ao menino que entregava seu último pedido.
— Eu que agradeço! Tenha um bom apetite! – Responde o menino se despedindo e partindo pelas ruas novamente entupidas de carros. – Ok Mino, essa foi nossa última entrega, quanto tempo falta para o banco fechar?
— Deixa eu ver aqui... – O pequeno se encolhe dentro de seu saquinho, surgindo de volta com um enorme relógio. – Bom... se o porteiro pequeno está no cinco e o maior no onze... que dizer que faltam... CINCO MINUTOS!!!
— Jura? – Questiona o menino com sarcasmo.
— Juro mestrinho! – Berra o pequeno de volta. – E o banco mais próximo fica a três quarteirões daqui, não vai dar tempo de chegarmos!
— Hummmm? – O rapaz olha para a rua entupida de carros enquanto esboça um sorriso sacana. – Será mesmo?
— Mestrinho... não tô gostando desse sorriso!!! – Comenta o pequenino tremendo. – Acho melhor deixarmos para amanhã! Isso mesmo amanhã! Afinal tudo estará mais calmo, tranquilo e sem o risco de sermos, ATROPELADOS!!!
Berra sentindo o vento batendo em sua cara enquanto seu mestre acelerava com tudo sua bike!
— SE SEGURA!!! – Brada o jovem Blasiken pedalando em alta velocidade pelas ruas na contra mão.
— AIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAI!!!! – Berra Minokichi descontrolado sentindo eu corpinho balançando de um lado para outro enquanto seu mestre fazia diversas manobras ariscadas pelo transito. Numa delas aproveitou um caminhão parado, acelerou, forçou sua bicicleta para a direita e literalmente deslizou pela carroceria do caminhão, escapando de um sinal vermelho e uma fila de carros que atrapalhavam seu caminho. Seus olhos da mesma cor de seus cabelos encaravam cada detalhe da rua com perfeição, assim encontrava as lacunas exatas entre os carros, as pessoas e objetos que ele podia usar como atalho para chegar ao seu destino. Seu sangue fervia em pura adrenalina e emoção como ele não sentia a tempos e não conseguiu deixar de esboçar um sorriso.
“Como senti falta disso!”
Brada em sua mente enquanto aperta com força os guidões de sua bike, mudando as marchas e pedalando com ainda mais força aumentando sua velocidade.
Se sentia vivo!
O mesmo não podia se dizer e seu amiguinho...
— AÍÍÍÍ, MAMÃE DO CÉU, ME PROTEJA DESSE MALUCO DESENFREADO E DE TODAS A SUAS LOUCURAS!!!
Ash faz uma curva e Mino se solta de suas costas.
— AÍ, CALCIDES!!!
Lança sua cordinha que se enrola na caixa acoplada a garupa da bicicleta.
— UFA! SALVO!
Ele respirou aliviado... por pelo menos três segundos já que foi puxado com tudo!
— YYUUUUAAAAAHHHHHH!!!!
O pequenino berrou se fechando em seu saquinho tornando-se uma pequena bola que ricocheteia no chão, paredes, tetos de carro, na cara de um ladrão que assaltava uma moça o nocauteando no processo. Impediu que três crianças fossem atropeladas por um carro ao passar rápido, desligando suas memory boxes. Depois fechou uma janela onde um bebe iria cair, apareceu de intruso em uma selfie de um casal como objeto redondo voador não identificado e por fim mais não menos importante....
— VISITEM O RESTAURANTE BLASIKEN... A MELHOR COMIDA QUE AAAA!!!!
Fez propagando do restaurante!
Por sua vez quando Ash avistou a frente do banco, freou criando marcas no asfalto. Saltou da bicicleta que parou certinha nas grades de estacionamento, deslizou pela porta do banco, rolou no chão parando diante a caixa, ficando em pé e apoiando o cotovelo esquerdo sobre o balcão dizendo:
— Boa tarde linda senhora, posso fazer um deposito?
— Há, há, há, boa tarde... Ash! – Ri a caixa com sorriso debochado. – Outra entrada dramática né?
O menino sorri de volta.
— Você me conhece! Dramático... mais com estilo! – E dá um piscadela para a moça que ri do charme do garoto.
— Sei, sei, se bem que você esqueceu uma coisa nessa sua entrada “dramática e estilosa”. Ou melhor... uma bem pequenininha.
– Serio? Qual?
A moça do caixa aponta com o indicador direito para a porta e Ash vê um pequeno ser grudado na porta de vidro.
— EITA!
O pequenino por sua vez desliza pelo vidro lentamente fazendo com quem ainda estava no local parasse o que estava fazendo para observa a cena... nem um pouco típica, só terminando quando o pequenino chegou ao chão caindo assim de costas deixando uma marca de babá perfeitamente desenhada na porta. Quando o show acabou todos voltaram seus olhares para o menino que piscou, olhou de lado e respondeu com toda sinceridade do mundo.
— Ele não tá comigo! – E se volta para a moça do caixa. – Pode pagar essas contas e depositar esse dinheiro nesta conta por favor... rapidinho se possível!
A moça simplesmente meneou a cabeça e sorriu torto, antes de fazer o que o menino pediu... e dois minutos depois...
— Mino... cê tá vivo? – Pergunta o menino cutucando a cabeça do baixinho que tinha a língua pra fora e os olhos em espiral. – Ihhh, acho que ele passou dessa para uma melhor, entãoooo vou deixar ele aqui pros cachorros ou gatos brincarem com seu corpinho...
— VOCÊ NÃO SE ATREVA!!! – Berra o pequeno pulando nos braços do menino o puxando pelo colarinho da camisa o fulminando com seus olhões. – O senhor é muito mal, SABIA?!
E o menino responde:
— Sei sim!
O baixinho serra os dentinhos.
— O senhor, têm noção do que aconteceu com euzinho, enquanto fazia seus lindos drifters pela rua?
O garoto dá de ombros.
— Não faço ideia.
O baixinho fica vermelho.
— Eu fui lançado, chutado, arremessado, puxado, esbofeteado, chacoalhado, deslizado, admirado, zoado e no fim de tudo chocado contra uma parede de vidro!!!
— Dia cheio, hein! – Responde o menino.
— E COMO! – Briga o baixinho. – E eu só tenho uma coisa a dizer depois disso tudo.......................... Vamos fazer de novo?
Uma pequena pausa enquanto o menino encarava seu amiguinho que mudou de aparecia selvagem e furiosa, para esperançosa e com olhinhos brilhantes.
— Há, há... há, há... HÁ, HÁ, HÁ, HÁ, HÁ!!!! – A risada do menino ecoou pela rua fazendo as pessoas que passavam o olhassem assustadas e até receosas.
Ele por sua vez nem se importava.
— Seu danadinho! Você não presta mesmo, né?
— Apreendi com o melhor! – Responde Minokichi arqueando as grossas sobrancelhas fazendo o menino sorri orgulhoso.
— Esse é meu camaradinha!!! – Exclama fazendo vários cafunes na cabecinha do pequenino que ri de se acabar e após mais algumas risadas bem altas os dois pegam a bicicleta no estacionamento e voltam a pedalar pelas ruas a toda velocidade recriando todo o trajeto que fizeram, fazendo o pequeno Mino grita de emoção enquanto era jogado e arremessado para tudo quanto é lado... de novo.
Meia hora depois no porto da cidade...
— Ufa, isso foi um ótimo exercício!
— Concordo plenamente mestrinho, senti meu sangue subir e descer da minha cabecinha umas dez vezes! – Completa Mino dentro da cesta da bicicleta bebendo um copo de água descartável. – Ahhh, que visão bonita!
— Visão bonita? – Questiona o jovem.
— É! O pôr do sol espelhando na água azulada pelos rejeitos da Ragnite, o vento fresco carregando o aroma do metal retorcido, as gaivotas mutantes voando e planando na superfície cristalina graciosamente, para depois serem comidas pelos tubarões de duas cabeças!
Ash olhou na direção do mar e para sua surpresa... ou não. Aconteceu justamente o que Mino falou.
— Baixinho... sua visão de bonito em bem torta... sabia?
— Sabia! – Responde o pequenino. – E você mestrinho o que acha da nossa cidadezinha?
O garoto não respondeu de imediato. Olhou para o mar poluído, as nuvens grossas que impediam quase todos os dias a luz do Sol ultrapassar e iluminar as ruas, somente quando ele se punha é que conseguiam ver um pouco da luz do astro rei. O cheiro de detritos de Ragnite vazando pelo esgoto e caindo nas partes mais pobres, deixando a área, “rica” mais limpa. Abandonados seria um elogio nesta cidade... e tudo sendo governado brilhantemente por seu amado prefeito Raiko! O qual ele já teve o enorme prazer de quebrar seu lindo nariz duas vezes! Após ter nocauteado todos os seus seguranças! Foi preso, mais nunca esteve tão satisfeito!
— Quer saber o que eu acho da nossa cidadezinha, Mino? É uma verdadeira bosta!
O pequeno arregalou os olhos com a resposta de seu jovem mestre que continuou:
— Uma merda de cidade liderada por uma merda de líder que pensa ser uma estrela de cinema, sendo bajulado por gente pior ainda! Com uma infraestrutura que não ajuda quem realmente precisa, gera poluição que nem nos permite ver o sol direito, vendendo nossas riquezas e nos deixando com as sobras... esqueci alguma coisa?
— Acho que o senhor foi categórico... até demais. – Responde o pequenino receoso.
E Ash notou isso.
— Fica tranquilo baixinho. – Bagunça os cabelos do pequenino. – Eu odeio a cidade, não quem mora nela, eles não têm culpa dos idiotas que a governam.
— Ufa! Que alivio!
— Além do mais, como vou odiar quem enche meu bolso de grana!
O alívio de Minokichi despareceu na mesma hora.
— Mestrinho... o senhor realmente... não PRESTA!!!
E sorrindo de orelha-a-orelha ele responde:
— OBRIGADO! Agora vamos pra casa antes que minha mãe... – Ele se cala. – Que porra é aquela?
— Hum? – Mino ergue a cabeça na direção que seu mestrinho olhou e assim como ele exalta. – Olha... parecem ser três calangos correndo desenfreados e sendo perseguidos por um bando de moleques portando... – Ele para e se volta para Ash. – Vassouras...?
— Que bom que você viu, achei que estava ficando doido! – Responde o menino de olhos arregalados. – Vamos verificar?
— Bora! – Responde Mino e Ash que sobe novamente em sua bike seguindo o grupo.
Nisso, três meninos corriam com todas as suas forças de um grupo portando terríveis e ameaçadoras vassouras de vários tamanhos e formatos. Algumas eram de pinho, outras de cerdas duras, outras macias, outras de cerdas misturadas e algumas até naturais! Mais o pior de tudo eram seus cabos de madeira pontudos e ameaçadores que o grupo agitava como se fossem bandeiras e as tacavam como se fossem lanças. Alguns as mantinham presas à cintura como se fossem espadas valiosas e lendárias. E outros mais idiotas as usavam como se fossem cavalos.
Uma visão realmente perturbadora....
— Voltem aqui seus ladrõezinhos!
— Recebam a sua punição!!! – Exclama um dos garotos do grupo jogando sua vassoura passando de raspão pela cabeça de um dos meninos que fugiam.
— Parem, por favor! Não fizemos nada!!! – Exclama o mais novo chorando.
— Esquece Tim! Só corre!!! – Berra o do meio que usava uma bandana vermelha amarrada na cabeça.
— Em minha humilde opinião... eles só querem passar o tempo. O problema é a forma que utilizam para isso! – Responde o mais velho e magrelo do grupo que usava uma toca na cabeça.
— Nossa Scott, belíssima dedução! – Reclama o do bandana esquivando de outra vassoura voadora. – Filhos da...
— Rudy!
— O que foi Tim a gente precisa... Ô DROGA!!! – O menino de nome Rudy reclama ao perceber o que o pequeno Tim tentou avisar.
Haviam chegado a um beco sem saída.
— Ferrou!
— Em minha humilde opinião... ferrou mesmo!!!
— Não...
— Pegamos vocês!!! – Berram os membros do grupo parando logo atrás do trio que se voltam ficando de costa para a o muro.
— Acharam mesmo que podiam rouba no nosso território e sair ilesos? – Questiona um deles.
— Nós não estávamos roubado nada seus malucos! – Rebate o menino de nome Rudy.
— Isso mesmo! Só estávamos vendendo doces pra arrecada fundos para nosso orfanato! – Responde o pequeno Tim.
— Que na minha humilde opinião... é um ato justo e sem crime. – Responde o magrelo Scott. – Tem algum problema nisso?
— LOGICO!!! – Responde em coro o bando que aumentava. Os mais lerdos estavam chegando cobrindo assim todas as saídas do beco, bloqueando qualquer rota de fuga dos menores.
— Essa área é nossa, e somente nós podemos vender aqui, comercializar, transportar, furtar e vender! Fui claro?! – Questiona um deles removendo o cabo de vassoura de sua cintura. – E qualquer um que não seja membro da Real Ordem dos Cavaleiros das Vassouras!!! É considerado inimigo!
— UHAAA, VASSOURAS!!!
O trio pisca.
— Cavaleiros das Vassouras? – Pergunta Rudy sem entender.
— Que nome estranho. – Comenta Tim.
— Na milha humilde opinião... é um nome bem chulo.
Os rosto de Rudy e Tim ficam pálidos logo após o comentário do amigo, porém quem não ficou pálido foram os baderneiros que ficaram rubros de raiva!
— Vocês... acabaram... de assinar seus atestados de óbito... fedelhos!!!
— UHAAA, VASSOURAS!!!
— Matem!!! – Comanda o provável líder do bando.
— AAAHHHHH!!! – O trio grita apavorado se abraçando quando o grupo ia de encontro a eles com suas espadas... digo vassouras em punho. Até que um pequeno saco de batatas cruzou o ar acertando a cabeça de um, dois três, quatro, cinco, moleques, para depois rolar para perto do trio acuado, ficar em pé botando sua cabecinha para fora e encarar todo o grupo com seus olhinhos mortais!
— Técnica... Batata ricochete... executada com perfeição!!! – Berra o pequenino todo imponente.
— Mais o que?
— Rudy, olha... um saquinho de batatas falante!!!
— Na minha humilde opinião... este dia acabe de ficar ainda mais estranho! – Comenta Scott observando o pequenino que agitava os bracinhos como se fosse um lutador de kung-fu. Até suas mãozinhas criavam o que pareciam ser sombras em câmera lenta deixando os lendários... e idiotas Cavaleiros das Vassouras sem entender nada.
Foi quando o suposto líder olhou melhor para o pequenino e começou a perceber algo familiar nele.
— Esse baixinho...
— Capitão Jonas! Ele derrubou cinco dos nossos!!! – Berra um dos “cavaleiros” ao lado de seu capitão. – De suas ordens e limparemos o chão com ele... literalmente! – Brada varrendo o chão a sua frente.
— Suas ordens capitão?! Capitão? – Outro valente soldado perguntou para seu líder suas próximas ordens. No entanto a única coisa que o líder do bando conseguia fazer agora era tremer.
“Esse pirralho em miniatura... ele sempre está andando com o... com o... com o...”
— Ora, ora se não é Jonas Augustus!
O garoto fica pálido como cera. Seu cérebro trava ao ouvir aquela voz mortal e demoníaca!
Seu bando se vira lentamente, menos ele que suava frio.
“Não pode ser, não pode ser, NÃO PODE SERRRRRR!!!!”
— Pode sim! – Responde o menino como se pudesse ler a mente do ex-valente capitão que finalmente se vira e seus olhos azuis se deparam com a visão do terrível e ameaçador...
— Demônio das Cinzas... – Murmura o capitão com as pernas bambas.
– Há, há, que saudades desse apelido! – Diz um sorridente Ash encarando a trupe de idiotas e os meninos acuados.
Aquele final de tarde havia ficado ainda melhor!!!
Fale com o autor