Oneshots - Victorious

11 Meu ladrão de cadeiras


Notas iniciais
Haha, mais uma história prontinha. Dedicada especialmente para minha leitora VIP a (cimenta minha) TheWickedWitch Jade West e para a linda
ScissorsandCoffee que me chamou de "doce". Você que é um doce, sua linda!
Enfim, boa leitura, pessoal (:

Fui diretamente para a sala de Sikowitz, passando reto sem nem me importar por todos que me cumprimentavam. Cheguei na sala e me sentei em uma cadeira ao canto, tentando ser o mais invisível possível. Logo o local estava cheio de alunos e apenas uma cadeira vazia ao meu lado. Pensei em me virar e colocar os pés em cima dela, mas um garoto que eu conhecia por Beck Oliver se sentou nela. Bufei frustrada e cruzei os braços, ainda olhando para ele. Beck me fitou por algum momento de maneira confusa, talvez se perguntando "por que essa garota está me olhando desse jeito?". Sikowitz entrou na sala e então eu resolvi prestar atenção. Era melhor do que ficar olhando a aula toda para o ladrão de cadeiras.

* * *

Saí da sala após o término da aula. Estava muito aborrecida, esperava mais do meu professor preferido. Fui caminhando até o pátio de fora e me sentei em uma mesa vazia. Quase parecia uma perseguição, mas lá estava Beck se sentando na mesma mesa que eu. Olhei para ele por alguns segundos e então voltei minha atenção para minha salada. Eu a remexia com o garfo sem interesse algum.

— Jade? — Perguntou Beck.

— O que? — Respondi em tom seco sem tirar os olhos da salada.

— Eu te fiz alguma coisa pra estar agindo assim?

Ergui meu rosto, ele parecia realmente preocupado.

— Por que se importa?

— Bom, não gosto de ver ninguém pra baixo.

— Não estou pra baixo.

— Então porque está assim?

— Eu sou assim. — Dei ênfase em "sou".

Ele suspirou e veio se sentar mais ao meu lado, colocando sua mão sobre a minha. Recuei na mesma hora, me levantando e saindo.

— Jade, espera! — Ele gritou e correu para me alcançar. Me pegou pelo pulso e me girou.

— O que é? — Ele já estava me irritando. Será que eu não podia ficar em paz nem na hora do almoço?

— Me desculpa... Eu não queria te aborrecer. — Ele me soltou. Tinha que admitir que me encantei com o jeito fofo dele, e eu sendo essa carrasca.

Dei um sorriso leve.

— Não, me desculpe. Estou sendo grossa sem motivos. — Mas que droga Jadelyn! Por que você está sendo doce? Você não é doce!

Ele sorriu também e apontou para a mesa em que estávamos sentados.

— Me acompanha?

Hesitei um pouco no lugar, mas fui. Me sentei novamente aonde estava, Beck se sentando de frente pra mim novamente. Olhei minha salada com desanimo e a empurrei para frente, cruzando os braços em seguida.

— Está tudo bem? — Ele me olhou preocupado.

— Isso não é da sua cont... — Mordi o lábio. — Desculpa. Acho que já deu pra perceber que eu não estou bem.

— Tudo bem... — Ele suspirou e veio ao meu lado novamente, aquela proximidade era um tanto desconfortável no momento, com todas aquelas testemunhas. — O que aconteceu?

— Problemas familiares. — Acenti.

— Que tipo de problemas?

Engoli algumas palavras malcriadas que insistiam em tentar sair de minha boca.

— Do tipo... Pai e mãe brigando sem parar, jogando a culpa em mim e descontando toda a raiva em cima de mim. — Dei um sorriso amarelo.

— Nossa... Isso é...

— Ruim?

— É.

— Eu sei... Minha vida é um lixo mesmo. — Dei de ombros — Agora só piorou um pouco. Nada de muito especial.

Beck suspirou de forma triste e pegou em minha mão novamente, mas daquela vez eu não recuei.

— Sinto muito, Jade. Se eu puder fazer algo pra te ajudar... É só dizer.

Naquele momento eu não pude evitar de sorrir de forma boba. Observei as pessoas que fitavam a mim e Beck de forma assustada e me segurei para não rir. Eu era tão temida assim?

— Pra começar você podia me arranjar um lugar pra ficar depois da aula. Não estou afim de ficar ouvindo meus pais berrando.

— Tudo bem, me encontre no estacionamento depois das aulas. — O sinal tocou e ele se levantou. — Te vejo lá?

Fiz que sim com a cabeça e me levantei também, indo para minha próxima aula.

* * *

Mais tarde, como combinamos, eu e Beck nos encontramos no estacionamento. Assim que me viu, ele abriu um sorriso enorme. Não sei pra que, mas resolvi ficar quieta em relação a isso.

- Aonde vamos?

- É surpresa.

- Não mesmo. Sem saber aonde vou, não saio daqui. — Cruzei os braços, o olhando séria.

- Eu vou ter mesmo que te carregar até o carro? — Ele ergueu uma sobrancelha.

- Vai. — Disse de forma indiferente e naquele mesmo momento Beck me pegou no colo e tentou me levar para o carro dele.

- Não! Me solta! Sequestrador, socorro! — Eu gritava e me debatia, mas para meu azar não havia ninguém no estacionamento e eu estava pedindo ajuda ao ar. Grande isso, Jade. O ar vai te ajudar mesmo. Enquanto eu estava me debatendo, Beck tentava não me deixar cair, o que era hilário.

- Jade, por favor... — Ele tentou, mas eu não parei. Ele me colocou no chão e segurou meus pulsos. — Escuta! Não vamos a nenhum lugar especial. Confie em mim, por favor. — Ele me olhou nos olhos, eu tive que me manter muito concentrada para não me perder naqueles gentis olhos castanhos que ele possuia... Mas o que eu estou dizendo? Sou Jadelyn West e não vou ter uma quedinha pelo garoto mais popular e mais bonito da Hollywood Arts, certo? Certo?!

Eu apenas fiz que sim com a cabeça em resposta e ele me guiou até seu carro, abrindo a porta para mim. Muito clichê, mas até que eu gostei.

Ele dirigiu em silêncio e eu permaneci da mesma forma, até que chegamos a uma casa grande e muito bonita, e um... Trailer? Aquilo era um trailer?

- Beck, por que tem um trailer na garagem dessa casa?

- Porque o trailer é a minha casa. — Ele sorriu com a minha cara de indignação.

Beck saiu do carro e deu a volta para abrir a porta para mim, e eu ainda estava em meu estado de choque momentâneo. Como assim?

- Como assim esse trailer é a sua casa?

- Meus pais diziam que se eu morasse sob o teto deles, teria que seguir as regras dele. E sob o meu teto, minhas regras. — Ele deu de ombros como se fosse a coisa mais normal do mundo.

- Seus pais aceitaram numa boa?

- Sim... Por que?

- Porque meus pais não aceitariam nem depois da morte.

- Na boa... Qual é o problema dos seus pais?

- Além do fato de estarem vivos? Eu sei lá. — Dei de ombros. — Só sei que eles são irritantes e não gostam de mim.

- Como você aguenta? — Ele perguntou enquanto abria a porta do trailer e indicava para que eu subisse.

- Questão de prática. — Acenti e entrei no trailer, olhando a minha volta completamente pasma. Minha boca havia se escancarado em um "O" perfeito e meus olhos estavam extremamente arregalados.

Beck deu uma leve risada.

- E então, o que acha da minha humilde RV?

- Que de humilde não tem nada. — Eu ri abobada. — Quanto você quer pra me deixar morar aqui?

- Depende, você quer morar sozinha ou comigo?

Me recusei a me virar de frente para Beck, sentindo que estava muito vermelha. Mas para o meu desgosto, ele se colocou na minha frente. Tentei abaixar a cabeça, mas ele tomou meu rosto nas mãos e o ergueu, em seguida dando uma leve risada.

- Ok, já entendi... Sozinha... — Ele suspirou. — Desculpe, mas não estou aceitando ofertas.

- Ah... — Fiz cara de decepcionada e me sentei no sofá.

- Você quer café?

Café? Ele também gosta de café? Ah, Beck... Estou vendo que vamos ser ótimos amigos...

- Sim, por favor.

Ele sorriu e encheu dois copos grandes, entregando-me um deles. Então se sentou ao meu lado, brincando com as pontas do meu cabelo. Me virei para ele, séria.

- Ah, desculpe.

- Não, não é isso...

- Então o que foi?

- Nada.

- Certeza? — Beck uniu as sobrancelhas.

- Absoluta. — Comecei a revirar na minha mochila, achando o caderno da aula de Sikowitz e procurando qual era a lição de casa. — Ah, que ótimo. Vou ter que apresentar uma cena em dupla e não tenho parceiro. — Bufei.

Beck começou a rir e eu lhe dei um tapa com o caderno.

- Do que está rindo, Oliver?

- Nada, é besteira.

- Agora fala. — Disse de modo ameaçador.

- É que eu estou sem dupla também e...

- Ia sugerir para fazermos juntos?

Ele engoliu em seco.

- Vai quebrar algum osso meu agora?

- Não... — Disse de forma inocente. — Você topa?

- Claro. — Ele deu de ombros com um sorriso. — Bom, ãm... Me fala de você, Jade. O que sabemos um sobre o outro é tão vago...

- O que quer saber?

- Coisas que gosta.

- Tesouras, café... Eu geralmente odeio mais coisas do que gosto.

- O que você odeia?

- Primavera, arco-íris, a palavra "calcinha", sutiãs que fecham pela frente, patos, o número nove... — São muitas coisas.

- Existem mais de onde essas vieram. — Disse e dei um gole no café. Beck riu. — Mas e você, me diz algo que você goste...

* * *

Alguns anos depois...

- Me diga algo que você goste. — Eu falei, era para estar gravando esse vídeo com crianças, mas eu estava fazendo isso com o Beck... Que sentido?

- Algo que eu gosto, ou que eu amo?

- Ama. — Dei de ombros.

- Você. — Ele disse como uma criança inocente.

- Awn... — Eu me levantei do sofá e fui sentar em seu colo para beijá-lo, em seguida desligando a câmera.

Sim, eu também o amo. Quem diria que eu me apaixonaria pelo meu ladrão de cadeiras que não me deixou esticar a perna?

Notas finais
Então, o que vocês acharam gente? ♥