A bolsa de Penelope em sua mão mostrava o que ele tinha perdido. Não era comum isso acontecer com técnicos de computador.

Mas aqui estava ele, com a bolsa dela em suas mãos. Ele não queria dormir de qualquer jeito. Ele não queria falar com ninguém. Luke sabia que eles como analistas de perfil, notariam o comportamento, mas ei, ele também era um. Então ele tirou todo o conteúdo da bolsa e começou a analisar.

Sua habilitação o fez sorrir, e seu nome completo era fofo demais. Penelope Grace Garcia. Com certeza ela era uma graça em sua vida. Mesmo que ela o tenha chamado de Newbie durante meses. No fim, ele começou a gostar de como isso soava.

Ele pegou seu distintivo do FBI, surpreso por ela ter um. Então ele descobriu que ela era uma agente especial além de uma analista técnica. E mesmo ela não tendo uma arma, isso dava a ela o poder de carregar uma. Batom, chaves, alguns chicletes de uva e menta. Ele mal acreditou quando encontrou o gatinho de borracha que deu a ela.

Ele não estava na BAU no momento, porque se estivesse isso seria real demais e ele não aguentava. Penelope e Spencer foram levados juntos e isso o afligia. Os últimos momentos com ela no bullpen o fizeram chorar outra vez.

— Alvez. – Ele atendeu de mau humor. – Olá?

A linha foi desconectada. Ele olhou para o número e suspirou. Depois ele se ergueu. Numero de desconhecido. Poderia ser Penelope ligando de algum lugar?

Luke correu de volta para o prédio. Entrando na sala de conferências, um homem moreno o olhou.

— Alvez. – Hotch o cumprimentou. – Prentiss disse que você não estava bem.

— Você está de volta? – Luke não queria parecer rude. – Por que está aqui?

— Não poderia ficar em casa apenas vendo as noticias. – Ele apertou a mão de Luke. – Eu vim ajudar a recuperar Garcia e Reid.

— Quem mais está aqui? – Luke procurou alguém. – Derek?

— Ele se ofereceu. – Hotch falou. – É preciso para ajudar.

— Luke. – Derek o cumprimentou. – Eu vim apenas para ajudar a recuperar nossos amigos. Eu prometi a Penelope que sempre iria proteger ela. Pretendo continuar a fazer isso.

— E depois? – Luke estava em derrota. – Eu sei que você a ama, mas eu a amo também.

— Eu vou voltar para minha esposa. – Derek o tranquilizou. – E se eu fosse você, contaria a ela.

Luke ficou boquiaberto. Derek era o protetor de Penelope, com muitas razões. Apesar de ser o seu momento de proteger ela.

Encostado a uma parede, Spencer observava Penelope dormindo. Ele não sabia a quanto tempo eles estavam dormindo, porém, seu instinto de irmão apitou. Ela tinha uma contusão na testa e com certeza precisaria de um auxilio nisso logo.

Ele caminhou até ela e a deitou contra ele. Ele a protegeria o máximo que pudesse desses monstros. Colocando a mão suave em cima da testa dela, ele sentiu um nó. Ela estava com uma concussão e precisava de atendimento.

Quando a porta de se abriu e o sol da manhã entrou na visão de Spencer, ele sentiu raiva. Ele queria ter um pedaço de madeira ou qualquer coisa para defender Penelope desses monstros.

— Não toque nela! – Reid gritou. – Se você quer machucar, me leve, mas deixe-a em paz.

— Suponho que meu chefe não quer isso. – Uma voz ameaçou. – Pegue a garota com cuidado. O chefe não quer marcas nessa pele perfeita.

— Não! – Reid foi jogado para trás. — Deixe-a ir.

— Você não pode impedir agora. – O homem saiu com Penelope segurada pelos lacaios. – Trago ela de volta, só não prometo inteira.

Reid ficou parado e depois se mexeu, porém, a porta fechou antes que ele chegasse. Seu peito doeu de onde ele bateu, entretanto, deixar Penelope ser levada era o que mais machucava.

— Vamos repassar de novo, por favor? – Emily pediu. – Por que Garcia e Spencer? Spencer sabe atirar, mas Garcia não.

— Ela saberia entrar nos bancos de dados federais. – JJ ofereceu. – Além disso, a experiência hacker dela contaria para o anonimato.

— Experiência Hacker? – Matt subiu uma sobrancelha. – Penelope era Hacker?

— Eu a recrutei depois de ela ser presa. – Hotch olhou para Luke chocado. – Ela não matou ninguém. Ela invadiu uma companhia de cosméticos e nos a prendemos.

— Era conhecida como The Black Queen. – Rossi disse. – Um hacker do bem.

— Eu estudei o comportamento dela. – Tara estava surpresa. – Não acredito que seja Penelope.

— Agente Prentiss? – Anderson estava com uma expressão triste. – Encontraram um corpo em um armazém.

Todos se olharam com medo. Eles pegaram suas armas e coletes e saíram. Ninguém falou nada durante a viagem. JJ não quis vir. Era compreensível.

Luke chorou e se perguntou porque tudo não era simples

Entrando no galpão, eles fizeram uma ultima prece silenciosa. Eles viram o corpo e houve um suspiro coletivo.

— Não é ela! – Emily gritou. – Não é Reid também.

— Graças a deus. – Derek disse. – Quem é ela?

— Mary Meadows. – Rossi revelou. – Ela foi assassinada. Por que?

— Ela não fazia parte do plano final. – Hotch pegou uma foto no chão. – Penelope faz.

— Então Spencer era dano colateral? – Derek perguntou. – O que tem nessa foto?

Ele ofegou ao ver a foto. Penelope estava coberta com um pano branco, de olhos fechados, em uma posição de crucificação. Não havia sangue e ela parecia ainda viva.

— Meu deus. – Tara gritou. – O que eles estão fazendo?

— Talvez, se Spencer estivesse aqui. – Emily olhou para baixo. – Ele nos diria.

Penelope foi vestida com roupas diferentes. Seu vestido azul foi trocado por um vestido totalmente rosa. Ele parecia ter sido feito sob medida para ela.

— Dê outra dessas injeções. – Benjamin pediu. – Você sabe que quer fazer isso, Lisa.

— Mas ela não tomou meu namorado. – Lisa argumentou. – Por que pegar ela para um ritual desse tipo?

— Eu não preciso me explicar para você. – Ele gritou. – Ela é loira, curvilínea e tem a pele pálida. Perfeita para o ritual.

— E quanto ao outro agente? – Um dos capangas perguntou. – Acha que ele ficara quieto?

— Leve-a de volta para ele. – Benjamin recomendou. – E deixe ela dormindo.

Penelope foi levada de volta ao quarto com Reid. Assim que a deixaram, ele correu para o lado dela. A nova roupa dela lhe deu arrepios só de pensar o que havia acontecido. Ele a puxou para o lado dele e apenas ficou olhando para ela.

— É chamado de ritual da crucificação. – Rossi comentou. – Eles pegam algum membro do grupo e tiram as roupas e cobrem com o pano branco. Os cabelos espalhados significam a pureza da mulher. Eles a vestem com roupas de cores claras e esperam até a lua cheia para o sacrifício.

— Há outros quatro casos como esse da foto. – Simmons disse. – Todas loiras, curvilíneas. Ele tem uma preferencia.

— Nada indica no ritual que ele não pode manter elas. – Derek leu no arquivo. – Michelle rogue e Francesca Lousada foram mantidas por dois meses. Jennifer Cremmers e Austin lúcias foram mantidas por apenas um mês.

— Ambas foram encontradas em uma única área de floresta. – Hotch apontou. – Floresta nacional de Boston.

— O que estamos esperando? – Luke pegou sua arma. – Vamos.

Todos o olharam correndo porta a fora. Nenhum disse nada, porque eles sabiam o que ele sentia por Penelope e que ele também queria encontrar Reid.

Numa pequena cabana, Garcia ainda não acordara um segundo se quer. Seja o que for que tenham dado a ela, foi suficiente para derruba-la completamente.

— Me desculpe Pen. – Reid pediu a amiga. – Eu não te protegi.

Se Penelope ficasse bem, ele iria dar a ela todo o carinho que ela merecia.

Penelope abriu os olhos e viu Reid em cima dela e que seu vestido havia sido trocado. Ela tentou levantar, mas a dor de cabeça que ela tinha era insuportável.

Lisa estava saindo do lugar com dor por Penelope. Ela não podia mais enfrentar Luke quando o encontrasse. Ela não notou Merva pegando uma arma e atirando nela.

Olhando para o céu pela ultima vez, ela queria pedir desculpas a Luke. Nunca quis que esse fosse o fim. A ultima respiração veio e o seu coração simplesmente parou.

Ele sabia que a equipe logo estaria aqui e tinha que terminar seu trabalho.

— O que eles fizeram comigo? – Penelope teve medo em perguntar. – Eles me violentaram?

— Não vamos pensar nisso agora, ok? – Reid a abraçou. – Você está segura comigo.

— Desculpe. – Penelope olhou para baixo. – Eu fui descuidada.

— Me desculpe também. – Ele ergueu a face dela delicadamente. – Eu não te defendi.

— Eu nem sequer disse que o amava. – Ela chorou pela primeira vez. – E ele provavelmente nem me ama.

— Você vai dizer ao Alvez. – Ele disse. – Todo mundo sabe que vocês se amam.

— Ele me ama? – Penelope parecia surpresa. – Eu achei que era bobo.

— Vamos sair daqui. – Reid a abraçou. – E então você diz a ele que o ama.

As duas SUV's pararam na casa principal. Derek, Matt e Luke correram até a casa mais escondida. De algum modo eles sabiam que os encontrariam lá.

— FBI! – Derek gritou antes de chutar a porta. – Eles estão aqui.

Avançando devagar, Derek viu uma cena que quebrou seu coração. Penelope estava dormindo nos braços de Spencer e parecia machucada. Alvez passou por ele e chegou a ela antes.

— Precisamos levar ela para a emergência. – Reid falou, quase sem forças. – Ela não está bem.

Luke a colocou nos braços e ela suspirou. Ela nem tentou sair dos braços dele.

— Estou aqui princesa. – Luke deu um beijo na bochecha dela. – Acabou.

— Spencer. – Derek ajudou o amigo. – Você está bem?

— Vou ficar quando ela ficar. – Reid sorriu para Derek. – Senti sua falta.

— Também senti a sua. – Derek o abraçou. – Agora vamos cuidar desse ferimento.

Rossi e Emily encontraram o corpo de Lisa no chão da cabana principal. JJ ficou responsável por contar a Luke, embora ele estivesse mais interessado a saúde de Penelope.

— Luke. – JJ chamou a atenção do amigo. – Lisa está morta na cabana.

Ela foi direta. Luke por sua vez, parou um momento e ficou triste. Ele e Lisa não dariam certo, porém ele não a queria morta.

— Vou dar a ela um enterro decente. – Ele apenas disse. – Acho que ela iria gostar de ter ao menos dignidade.

— Ok. – JJ simpatizou com o amigo. – Sinto pela sua perda.

— Obrigado. – Ele olhou para Penelope ligada a uma IV. – Eu estou aqui para você.

Quando tudo quase estava pronto, eles encontraram Benjamin em um parapeito da sacada. Ele apenas os olhou com desprezo. Era como se ele soubesse que não tinha saída. Ele se inclinou e deixou-se cair da sacada. Pousando no chão com um baque alto, ele ficou de olhos abertos, morto.

Foram duas semanas até o hospital liberar Penelope do hospital. A concussão precisou ser tratada e Spencer estava sendo superprotetor com ela.

Luke a fazia dormir quando os pesadelos vinham e ele sussurrava palavras de amor no ouvido dela. Todo o resto poderia esperar para depois. Felizmente, o Kit estupro veio limpo e isso era uma vitória.

Lisa foi enterrada em sua cidade natal. Luke fez questão de comprar o melhor caixão e flores. Ele nunca quis que acabasse assim e no final ela só foi um peão de Benjamin.

Reid tinha um corte feio no rosto, mas com a ajuda de uma amiga conseguiu se recuperar.

Luke levou Garcia e a equipe toda, incluindo Derek e Hotch para um piquenique embaixo de algumas arvores. A caixa de veludo no seu bolso demonstrava a real intenção. Eles não haviam feito sexo ainda, porém, Luke sabia que era a melhor coisa agora.

Ele tomou Penelope por garantia e se o sequestro mostrou, então era hora de tornar ela sua.

No meio dos lanches, ele a viu se sentando mais perto de uma arvore. O jeito que seu corpo se inclinou na arvore a deixou ainda mais maravilhosa.

— Penelope! – Ele a viu se virar. – Precisamos conversar.

Ela foi até ele e ficou na frente dele.

— Nesse ultimo mês, eu tomei as coisas como um lembrete de que eu não posso te perder. – Ele começou. – Pensando nisso...

A atenção da equipe estava nos dois e no desenvolvimento.

— Eu queria te perguntar uma coisa. – Ele abriu a caixa de anel. – Penelope Grace Garcia. Aceita ser minha esposa para sempre?

— Oh! – Ela não esperou por isso. – Eu quero sim.

Ela nem pensou. Derek sorriu para a cena a sua frente. Sua menina finalmente estava feliz com alguém.

Era hora de planejar o casamento dos dois. E isso seria interessante.

— Eu te amo. – Ela o beijou e riu. – Para sempre.

— Para sempre. – Ele repetiu. – Eu te amo mais.

E eles foram felizes.