Oneshot - Máscara da Morte de Câncer
1 Capítulo 1

“Hoje foi mais um dia terrível, como tem sido ultimamente comigo. Ele me espancou e depois disse coisas à ela das quais não tenho coragem de lembrar. Me pergunto se teremos que aguentar essa tortura todos os dias de nossa vida. Sinto-me fraco, com o corpo dolorido e com as marcas das pancadas ainda bastante visíveis. Sinto medo e vergonha até mesmo de sair na rua e as pessoas ficarem me olhando e talvez rindo de mim, por não saber me defender sozinho. E se eu sair e ele souber, ficará com mais raiva de mim! Por que a vida tem de ser cheia de sofrimentos e tristezas? Será que o mundo é dos mais fortes, e eu não sou forte o suficiente para ter que ficar a mercê dos maiores? Temo pelo que possa acontecer a eles também."
“Velho idiota! Por que fez isso à ela? O que você ganha fazendo esse tipo de coisa? Fui até o quarto dela, estava chorando e bastante machucada, me abracei à ela e comecei um choro silencioso em seu ombro, podia sentir nitidamente seu corpo tremer enquanto me acolhia em seus braços. Aquele calor... era a única coisa que me confortava. Me sentia um lixo por não ter como fazer nada para evitar que ela sofresse mais.

Do quarto ouvia barulhos e ruídos vindos de outros cômodos da casa, o medo voltava a tomar conta de mim e eu me abraçava mais forte, na esperança de que tudo aquilo terminasse logo. Enfim ele saiu de casa. Desci as escadas até a sala e uma cena de caos estava instaurada ali. Não bastasse nos espancar, ele quebrou tudo que tínhamos, vi quadros com fotos nossas caídos ao chão, os móveis que conseguiu estavam quebrados. Fui até a cozinha, tive que caminhar com cuidado, cacos de garrafas de bebidas por todos os cantos, o combustível que nos levava a cada dia ao flagelo. Ela desceu em seguida limpando as lágrimas do rosto, tentando disfarçar um pouco o que sentia, mas era inútil, todo dia era assim. Saí da cozinha a pedido dela, não queria que eu me cortasse, fiquei então de pé na sala, parado, observando ela arrumar toda a bagunça. Nunca entendi porque ela se mantinha nesse inferno que era nossas vidas. Por sorte o pequeno não estava junto de nós naquele dia, acho que ele não suportaria o que passamos. Fiquei agachado num canto escuro do cômodo, perdido em meus pensamentos de como dar um basta na desgraça a que estávamos condenados; a raiva que sentia era tanta, que não hesitaria em tirar a vida desse desgraçado. Mas um dia serei forte o bastante para ter poder sobre a vida e a morte! E quando esse dia chegar, acertaremos nossas contas! Sinto nojo em ter o mesmo sangue que você!"

"Não, eu não consigo acreditar que você teve coragem de fazer isso! Arrancou de forma brutal as pessoas mais importantes que tinha! Seus corpos inertes, sem resquícios de vitalidade jaziam no chão. Já era tarde, não consegui chegar a tempo. Tudo o que eu queria era que não passasse de um pesadelo e que logo acordaria. Me enganei. Se tivesse a oportunidade, trocaria a minha vida para que eles vivessem felizes e em paz, mas isso não era possível. Nunca mais veria seu sorriso, nunca mais sentiria seu calor, nunca mais teria companhia nem mesmo para brincar... Sinto muito por não ter sido forte o bastante para evitar que isso acontecesse.

O maldito não estava em casa. O ódio que sentia por ele cresceu a ponto de me sentir capaz de qualquer coisa. Lembrei-me de um lugar onde costumeiramente ia para beber, não hesitei em ir até lá, de mãos nuas para enfrentá-lo. A porta daquele botequim pareceu abrir-se sozinha somente pela minha vontade. Lá estava ele, sentado em jogatina, acompanhado de outros porcos imundos iguais a ele que riam sem parar. Me aproximei da mesa onde estava, ele me encarou com expressão séria, outros também fizeram o mesmo. Como pode fazer o que fez e fazer de conta que nada aconteceu? Ele levantou e ameaçou me espancar, a vontade que senti era de estrangulá-lo até a morte, mas isso não foi necessário, pelo menos não com as minhas mãos. Vi ele flutuar no ar, com as mãos no pescoço enquanto se debatia. Os porcos que só observavam afastaram por espanto, quando o desgraçado foi lançado até a parede, tudo sem ao menos tocá-lo. Quando percebi que iam avançar sobre mim, algo como uma corrente de ar me circundou, percebi um brilho de fonte desconhecida, e aos meus pés via cada um deles cair sem vida. Poucos passos foram o suficiente para me aproximar dele, caído no chão espantado. Sobre o balcão do bar, pego uma faca pequena. Nunca mais ele teria que olhar para mim por conta do ódio que nutria em meu desfavor, e assim foi. A ponta da faca prontamente perfurou os dois globos oculares, seu rosto tomado pela coloração vermelha de seu sangue nojento. Depois, cortei sua língua para que não proferisse nenhuma palavra em desrespeito às pessoas. Pensei em furar seus tímpanos, mas não, era melhor que ele ouvisse tudo que eu tinha a dizer, que há muito eu tinha vontade. Deixei a faca tocar o solo, meus atos pareciam involuntários, a ira me movia a fazer tudo. Da ponta de meu dedo saíam como que faíscas, em um primeiro momento não compreendi porque. Ergui meu braço para cima com o indicador estendido, luzes azuladas tomavam conta do ambiente, um enorme sentimento de satisfação me deixou eufórico ao ver a alma dele se desprender de seu corpo, que caiu sem vida como os demais. Mas aquilo não bastava... Ele deveria ser humilhado tanto quanto da forma que fizera comigo e com minha família. Trancei minha mão esquerda nos seus cabelos, e com a outra mão aberta consegui arrancar sua cabeça com um rápido movimento. Como fizera tudo isso? Pouco me importava com os detalhes. Saí do recinto segurando a cabeça em minha mão, fui até um bosque próximo da cidade, lá chegando a coloquei pendurada em um poste. Todos deveriam ver qual foi o seu fim, o fim de um monstro que não fará falta alguma na humanidade. Essa humilhação seria a sua pena. O dia que eu tanto esperava, havia chegado. Não iria me submeter mais a quem quer que fosse, ou que ousasse reprimir àqueles que eram de minha consideração. A partir de hoje, serei conhecido por ser aquele que manipula a vida e a morte!"

“A vida é algo tão efêmero quanto a chama de uma vela, que ao doce sabor do vento pode vir a se extinguir.
.Você pergunta o porquê disso? É simples... Devo vencer o mal!"
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