One step closer
2 "Um colégio de riquinhos e esnobes"
Notas iniciais
P.O.V Burt
Eu não aguento mais ver meu filho sofrer, posso sentir que ele está distante, pode-se ver em os hematomas em seus braços, que ele tenta esconder com maquiagem, pode-se ver o medo em seus olhos. Mas depois de algumas ligações e tendo passado o dia na estrada já tenho a solução. Agora é só esperar pelo dia seguinte, chego ao quarto dou um beijo de boa noite em Carole e durmo, tenho que explicar muitas coisas amanhã.
P.O.V Kurt
Acordei no dia seguinte sem a mínima vontade de ir para a escola, mas mesmo assim levantei, olhei no relógio: 6:00, tenho que ir tomar banho. Assim fui e depois de um banho rápido (quer dizer rápido para mim, foi mais ou menos meia-hora). Depois disso comecei meu ritual de beleza, com todos os meus cremes, e então só porque sou Kurt Hummel escolhi o melhor look, uma calça skinny preta super justa, uma camiseta branca também justa com um cardigã azul marinho e um coturno preto. E para acabar, peguei um pente e um vidro de spray e caprichei no meu topete, quando olhei no relógio já eram 7:15, então desci para tomar café e estranhei ver papai acordado tão cedo tomando uma xícara de café, então entrei na cozinha, peguei um copo de suco e uma fruta e sentei na frente dele.
—Bom dia pai, por que acordou tão cedo?
—Pr- preciso fazer u-umas coisas, pode deixar que eu te levo pro colégio.
Pensei o quão estranho papai estava e perguntei
—Está tudo bem pai?-olhei em seus olhos, para ver se ele falava a verdade.
—Estou ótimo kiddo.
P.O.V Burt
Passei um sufoco, Kurt estava desconfiado de eu estar acordado cedo e eu não queria mentir para ele, mas era preciso. Primeiro a dor para depois a felicidade, mas parece que ele ficou bem assim que respondi que estava bem. Mas a verdade é que eu estou nervoso, animado e ansioso. Acho que essa não é uma boa combinação para o meu coração. Meu filho já estava descendo as escadas (ele tinha ido pegar seu material), então sem perceber já estava caminhando para o carro. Agora era ver o que iria acontecer.
P.O.V Kurt
Entrei no carro, já escolhendo uma música na playlist. Falando em músicas, hoje a tarde teria ensaio do clube Glee, esse era o nome do clube de coral da escola. Escolhi uma música e já estava tocando no ipod, que eu tinha conectado ao rádio do carro, quando percebo que papai está indo pelo caminho errado, ele estava indo pelo caminho que saia de Lima para ir a Westerville.
—Pai, o senhor errou o caminho, volta e vamos logo para a escola, assim eu vou perder a primeira aula- olhei para o relógio, com toda certeza eu vou perder a aula. Papai olhou para mim e voltou a olhar para a estrada
—Eu tenho que resolver algumas coisas antes. – e continuou dirigindo até eu falar novamente
—Pai a única coisa que tem por esse caminho é a academia Dalton, aquela academia só para meninos – falo antes de perceber o que estava acontecendo.
—Pai por que você está me levando para essa academia? Eu estou feliz no Mckinley...
—Não, não está feliz. Eu sei que você ainda sofre bullying ta Kurt, eu sei que você é jogado no lixo e também contra os armários, eu sei que você recebe raspadinhas todos os dias e pelo amor de Deus, essa maquiagem só faz as marcas ficarem mais evidentes. Você vai ter uma vida nova e feliz. Vai começar a estudar na Dalton, eu já assinei sua transferência, aqui o ensino é mais puxado, mas nada que você não de conta. Este é um colégio interno, então só vai passar os finais de semana em casa, suas mochilas estão no porta malas. Dentro de umas tem seu novo material e na outra suas roupas e seu novo uniforme.- papai falou tudo de uma vez e eu demorei um momento para associar tudo, vou ter uma nova vida, um novo colégio, novos amigos, como ele descobriu tudo isso? Meu Deus a Mercedes vai me matar quando souber de tudo, quem vai ajudar ela com os assuntos de garotos, ou quando ela precisar de um look planejado? Eu tenho que ligar para ela. Mais um problema a Dalton é uma academia só para meninos, será que eu não vou sofrer ainda mais bullying nesse colégio? Aé Kurt vê se pensa, nesse colégio não é permitido bullying, mas o Mckinley também não era. É isso eu só vou descobrir depois. Depois de pensar em tudo isso comecei a encarar meu pai, ele pensou em tudo. Percebi que estava com a boca aberta, fechei e consegui falar minha dúvida
—Como foi que você descobriu?- Papai já estava estacionando o carro quando finalmente olhou para mim e segurou minhas mãos.
—Você nunca conseguiu esconder nada de mim- e então com o tom de brincalhão termina- mas também tive uma ajudinha do diretor.
Assim que ele termina de falar eu o abraço, já chorando. Esse era o momento de desabafar, colocar todas as emoções para fora.
— Obrigado pai, obrigado- falei quase sussurrando, com a voz um pouco grave e rouca por causa do choro. Então nós saímos do carro e meu Deus, esse colégio parece um castelo, bonito, moderno e gigante. Se fosse para julgar o livro pela capa, eu ia amar esse lugar, mas assim que vi as pessoas já desanimei, todos pareciam aqueles garotinhos riquinhos e esnobes. Tudo bem, uma coisa de cada vez. Assim entramos no colégio e vamos para sala do diretor. Recebi meu cronograma e horários das aulas da semana e vi que ia ser bem mais pesado que o Mckinley. Estava terminando de ler o cronograma quando um menino entra na sala, tirando toda a minha atenção do papel, quando olho para ele levo um grande susto, que garoto é esse? Cabelos pretos encharcados de gel, feições angulosas, olhos que eu não consegui identificar, ficando em minha vista como verdes com pontos em dourado e usava o que provavelmente era o uniforme da Dalton- azul marinho – aquele garoto não parecia um aluno e sim um deus grego saído diretamente da Grécia antiga ou do Olimpo, o garoto que entrou quebra o silêncio falando
— diretor, o senhor já achou alguém para dividir o quarto comigo?
Caramba, essa voz, rouca e sexy me fez arrepiar. O garoto percebe que tem mais pessoas na sala e fala rapidamente
— Desculpa, eu não queria atrapalhar
Ele olha para mim e fica me encarando, sério será que tem alguma coisa na minha cara? Eu abaixo o rosto envergonhado até que o diretor fala fazendo o garoto desviar o olhar e eu poder respirar novamente, espera, eu tava prendendo a respiração mesmo? Será que existe concurso pra quem prende a respiração por mais tempo? Se ele estivesse na minha frente e me olhando daquele jeito era bem provável que eu ganharia de lavada. Mas voltando a prestar atenção no diretor escutei ele falar
— Acabei de encontrar Blaine.
O deus grego tinha um nome, que nome lindo, que rosto lindo, que corpo perfeito, não espera vamos voltar ao diretor antes que eu core mais do que já estou
— Este é Kurt, a partir de agora vocês vão dividir o quarto, Blaine você faria a gentileza de apresentar o colégio a ele?
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa o garoto responde
—é claro que sim.
Agora que estou pensando direito, eu vou dividir o quarto com ele. É acho que teremos um longo ano pela frente.
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