One shot - Everllark
1 What if - 1
Notas iniciais
"- Tiramos todos eles de lá. Exceto Enobaria. Mas como ela é do 2, duvidamos que esteja detida, de um modo ou de outro. Peeta está no fim do corredor. Os efeitos do gás só agora estão começando a passar. É melhor você estar lá quando ele acordar.
Peeta.
Vivo e bem — talvez não tão bem, mas vivo e aqui. Longe de Snow. Em segurança. Aqui. Comigo. Daqui a um minuto vou poder tocá-lo. Vou poder vê-lo sorrir, ouvi-lo rir.
Haymitch está sorrindo para mim.
- Vamos lá, então.- diz ele. Minha cabeça está leve de tanta empolgação. O que vou dizer? Peeta vai ficar extasiado independentemente do que eu diga ou faça."
Chego a porta e consigo vê-lo já sentado na lateral da cama e meu coração acelera. Ele está mesmo ali. Fico um pouco chateada por não ser a primeira pessoa que ele viu quando abriu os olhos e em seguida sinto uma certa insegurança, um medo de que as consequências que ele sofreu pelos meus atos de alguma forma tenham mudado seu olhar para mim. Não sei exatamente pelo que ele passou enquanto estava nas mãos da capital mas já senti em primeira mão, mais de uma vez, como Snow pode ser criativo quando estamos falando de tortura e punição, não seria surpresa se nesse momento eu fosse a última pessoa que Peeta desejasse ver.
Haymitch parece alheio, ou simplesmente indiferente, ao meu mais novo medo e segue abrindo a porta o que chama a atenção de Peeta, que ainda parece incomodado e confuso com o espaço ao redor, pelo menos até me encontrar parada na porta. Seus olhos brilham ao encontrar os meus e naquele segundo me vejo respirando de verdade pela primeira vez desde que soube que ele estava na capital. O ar preenche meus pulmões de uma forma que eu não lembrava mais ser possível e a próxima coisa que sei é que empurro Haymitch levemente para o lado e estendo meus braços para o garoto na minha frente, enquanto ele pula da maca e vem em minha direção.
No próximo segundo estou sendo levantada do chão e abraçada com força, como se Peeta precisasse sentir meu corpo no dele para se certificar que eu era real, que eu estava ali. Retribuo o abraço com a mesma intensidade e procurando o mesmo alívio e conseguindo por um segundo antes de ele me colocar no chão e me afastar. É nesse momento que acho que vou acordar para a realidade e perceber que essa foi só mais uma alucinação. Mas graças a deus estou errada. No próximo segundo os lábios de Peeta encontram os meus, com precisão e certeza de uma pessoa que precisa daquilo para viver mas suas mão segurando meu rosto são leves e quase inseguras, me dando espaço para o afastamento, caso o quisesse. Claramente não quero pois sem eu mesmo perceber estou com as mãos em seu cabelo aprofundando o beijo, suspiramos juntos e aquela sensação que senti na arena volta. Parece que eu estou prestes a entrar em combustão ate que escuto um pigarro seguido de uma voz conhecida.
- Ok tordinhos, todo mundo já viu que vocês estão felizes de estar juntos novamente! Agora, docinho, dá pra deixar os médicos continuarem os exames no garoto? — Haymitch diz com seu inconfundível tom ironico mas quando me separo de Peeta, completamente envergonhada com a cena que acabamos de protagonizar, vejo que seu sorriso continua ali. Genuinamente feliz e aliviado como eu nunca tinha visto. — Vai garoto, volta pra maca, ela vai continuar aqui quando os médicos terminarem. — ele provoca empurrando Peeta de leve.
O loiro me solta e volta a sentar na maca, mas seu olhar não desgruda de mim por um segundo, claramente lutando com a vontade de falar algo mas com um acanhamento muito incomum. Me afasto da maca e vou até a porta, pronta para sair até que os médicos o liberem e possamos ficar sozinhos ao mesmo tempo que me pego torcendo para que ele fale o que está pensando, pois sinto que preciso ouvir sua voz para ter certeza que ele realmente está aqui. Pelo jeito Deus finalmente está ouvindo minhas preces pois o desejo de fazer um pedido ganha a batalha interna de Peeta.
- Fica aqui comigo? — ele pergunta receoso e eu sorrio indo até ele e segurando sua mão.
- Sempre.
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