Notas iniciais
Escrevi esta one shot como meu presente de natal para uma leitora muito fofa que eu tenho, a Veronica.
Boa leitura

- Anda, Regina! Senão vamos nos atrasar. — Zelena reclama do andar de baixo.

- Por que você faz tanta questão que eu vá? Você sabe que eu sempre acabo em algum canto sem ninguém para conversar e nada para fazer. — Retruco descendo as escadas.

- Porque você precisa sair de casa, ver pessoas e você não conversa com ninguém porque fica com cara de brava como se fosse matar quem chegar perto. De uns anos para cá você só fica enfurnada ou aqui ou na prefeitura e precisa se divertir um pouco.

Reviro os olhos e vamos no carro dela para a casa dos Charmings. Tinha um motivo pelo qual eu não gostava de ir na festinha de natal deles, que Zelena ia por ser noiva do filho deles — o Killian — e me obrigava a ir por tentar me fazer ser "sociável". Porém, não é que eu não goste de sair. O único problema é que nessa festa tem uma pessoa em especial, que aparece justo nessa época do ano, que me desmotiva a fazer qualquer coisa.

- Vamos acabar ficando presas na neve. — Falei observando a neve que caía incessantemente, cobrindo ainda mais as calçadas e a rua que acabará de ser limpa.

- Não se preocupe nós vamos guardar o carro na garagem.

Chegamos e fomos recebidas por Killian e pelos seus pais, Mary e David. Zelena me entregou a chave do carro já que eu ficaria sentada.

Passaram se umas duas horas, tinha algumas pessoas conversando e para minha sorte a loira não havia aparecido. Talvez ela nem viesse este ano. Mas não estava aliviada, era estanho não vê-la gargalhando com uma garrafa de cerveja na mão e desviando o olhar quando a pegava me olhando.

Eu estava no sofá, tentando me distrair com a música e com o vinho da taça em minha mão, quando Mary se sentou ao meu lado.

- Regina, você pode me fazer um favor? — Ela pergunta com seu sorriso simpático de sempre.

- Claro. O que?

- Bom, David foi buscar a mãe dele e não estou conseguindo falar com ele, Zelena e Killian sumiram. Emma estava com o voo atrasado, acabou de chegar e — já não estava gostando nem um pouco do rumo daquela conversa — eu preciso de alguém para buscá-la no aeroporto. — Me arrependi de ter me oferecido.

- Mas... ela não pode.... Sei lá, pegar um táxi? — Falo gesticulando, tentando achar uma saída que não seja eu e aquele par de olhos verdes no mesmo carro.

- Ela falou que por causa da hora e essa neve não tem nenhum por lá. — Mary suspira frustrada — Regina, não sei o que aconteceu entre vocês antes dela se mudar porque vocês eram muito amigas, mas por favor. Eu não posso sair e deixar todo mundo aqui e estou preocupada em deixá-la sozinha no aeroporto tão tarde.

Estava meio hesitante, mas já era quase onze horas e não era muito bom ela ficar sozinha nesse horário. Acabei concordando, peguei meu casaco, entrei no carro e fui até lá. A estrada estava bem escorregadia e a neve parecia ter triplicado.

Assim que chego, reconheço aqueles cachos loiros que saiam de uma touca preta, estava quase escondida em um casaco grande. Emma estava na entrada com a mala do lado e se abraçando por causa do frio.

Ela viu o carro, pegou a mala e veio em minha direção, sua mãe deve ter avisado que eu viria. Destranco as portas e ela abre a de trás pondo a mala, logo depois entrou e se sentou no banco do passageiro.

Esperei que ela tirasse a casaco mais grosso, pusesse o cinto e dei partida.

- Obrigada por se dar ao trabalho de vir aqui me buscar. — Ela fala depois de alguns minutos.

- Por nada. — Respondi sem tirar os olhos da estrada. Estava devagar pois a neve estava em maior quantidade na rua além de dificultar minha visão pelo tanto que caía.

Ficamos uns cinco minutos em silêncio e a tempestade só piorava até que chegou um momento em que eu não conseguia enxergar um palmo de rua na minha frente.

- Acho melhor estacionarmos por um tempo até a neve parar um pouco, senão vamos acabar em algum acidente. — Emma fala e o faço, mas sem falar nada.

É difícil para mim estar naquele carro com ela, como foi difícil saber a três anos atrás que ela se mudaria e eu decidir que não diria a ela o que levei sete meses para admitir para mim mesma.

- Você não vai mais falar comigo? — A loira pergunta depois de uns dois minutos desde que paramos e eu havia destravado o cinto, apoiado a cabeça no banco e fechado os olhos para pensar um pouco.

- Não pretendo. — Respondo ainda de olhos fechados, na mesma posição.

- Você poderia, pelo menos, me dizer porquê? — continuei em silêncio, ela suspirou, destravou o cinto também e disse : — Eu sinceramente não sei o que fiz para magoar você. Depois que soube que eu iria me mudar você simplesmente sumiu e não respondia minhas mensagens, nem minhas ligações. Quando venho para o natal fico apreensiva de ir até você porque me olha como se quisesse me matar. — A voz dela continuava meiga e calma

- Talvez porque eu queira. — Digo abrindo os olhos e observando os flocos de neve caindo sobre o capô do carro.

- Regina, eu não te entendo. Sinto falta da nossa amizade. Isso o que você vem fazendo me dói. Eu não consigo pensar no que eu tenha feito de tão ruim para você agir dessa forma comigo.

- Você quebrou meu coração. Satisfeita? — falo por impulso, virando meu rosto para ela que me olha eu um misto de confusão e surpresa.

- O que?

- Nada, deixa para lá. — digo me arrependendo de ter aberto a boca.

- Agora você fala.

- Não adianta de nada eu falar. Você mora do outro lado do país agora, e só vem uma vez no ano. — volto a olhar para frente, sentindo um nó em minha garganta e me seguro para não chorar — Deixa as coisas como estão, é mais fácil se eu me convencer que te odeio.

- É mais fácil? Porque para mim é mais difícil pensar que fiz algo que te magoou que, na verdade, eu não faço a mínima ideia do que seja e ter alguém que é tão especial para mim me tratando como uma estranha.

- Para mim é mais fácil sentir que te odeio do que me martirizar por saber que você mora longe e que não adiantaria dizer que te amo...

- Você disse que me ama? — Ela pergunta e me viro para ela com os olhos marejados.

- Sim Emma, eu finalmente admito que estou apaixonada por você. Pode...

Em um segundo sinto os lábios de Emma nos meus e suas mãos em meu rosto. Fui pega de surpresa e arregalei os olhos ao sentir seu gosto em minha boca, meu coração dá um salto e nem sei mais em que estava pensando. Em segundos relaxo e ela sai do beijo me fitando.

- Porque você não me falou antes? — Ela fala sorrindo com o rosto ainda próximo do meu. Olha para minha boca e passa o polegar no meu lábio inferior — Gina, você não tem ideia de há quanto tempo eu sonho com isso. Eu te amo.

Ela me beija novamente e levo minhas mãos para sua nuca, aquele definitivamente era um beijo muito melhor do que eu havia imaginado.

Me separo do beijo e desço das nuvens, nas quais ela me fez flutuar. Não adianta nos iludirmos aquilo não tinha como acontecer.

- Emma... a gente não pode. Eu não vou aguentar te ver somente no natal. É tortura. — tiro suas mãos de meu rosto e volto a olhar para frente.

- E se eu te disser que dessa vez eu vim não só pelo feriado, mas porque a empresa quer abrir uma filial aqui na cidade e querem que eu a gerencie? — Ela fala sorrindo de lado.

- Você está falando sério? — Ela confirmou com a cabeça e praticamente pulei em seu pescoço a beijando enquanto sorria.

- Calma, a gente ainda tem muito tempo para aproveitar. — Ela fala rindo quando me separo para respirar um pouco e me dou conta de que estou em seu colo.

- Por que calma? Eu tenho três anos para por em dia. — falo voltando a beijá-la.

Senti-me até agradecida por Zelena me empurrar para a festa, aquele seria um dos melhores natais que eu já tive e olha que estava apenas começando...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Feliz natal para todo mundo ♡♡♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!