One heart

1 Capítulo único - One heart


Notas iniciais
Comecei a desenvolver essa one antes dos últimos resumos divulgados e me inspirei um pouco neles para desenvolver. Mais um modo alternativo ao reencontro Afonsália que estamos aguardando tanto. ♥

One heart

Amália sumiu antes que qualquer um pudesse detê-la. Praticamente fugiu para a floresta antes que percebessem que ela estava saindo. Agora o problema dos comerciantes da cidade estava parcialmente resolvido, mas uma guerra ainda dava sinais de ameaçar Artena, e o conflito da floresta continuava desde o dia em que Constantino raptara a princesa. E era por isso que Amália estava correndo para lá.

Afonso... Se ele morresse nessa batalha, jamais se perdoaria por tudo que fizera ele passar, por deixá-lo morrer com aquela dor. Suas memórias tinham vindo à tona aos poucos após o reencontro com o imprestável ex-soldado do palácio, do qual ela conseguira fugir no conflito na feira. E precisava que Afonso soubesse disso, que ele soubesse o quanto ela o amava, o quanto a culpa pesava sobre ela, ainda que não tivesse culpa alguma, e o quanto ela queria enforcar Virgílio com suas próprias mãos por se aproveitar de sua condição. E o que mais a preocupava agora. Uma parte dela não queria correr aquele risco, mas se não o fizesse, certamente enlouqueceria. Sua mão afagou rapidamente o ventre enquanto seu cavalo corria mais e mais na direção da floresta.

— Aguente, meu filho. Aguente, por favor...

Acabou parando perto do campo onde costumava colher laranjas, onde conhecera Afonso, quando o som de lâminas colidindo e vozes nervosas chegaram a seus ouvidos. Parou a uma distância segura, deixando seu cavalo bem escondido e protegido entre as árvores, e caminhou lentamente na direção do som, abaixada para se esconder no capim. Vultos surgiram lutando entre as folhas. E entre vários homens desconhecidos estava Afonso. Lutando sozinho. No instante em que se levantava e se virava para pegar seu arco e as flechas, Amália se viu encarando um furioso Tirso, com a cabeça ainda sangrando da pedrada que ela lhe dera na feira para fugir.

— Dessa vez... Você não me escapa! – Falou com ódio.

O homem estava desarmado, mas seus olhos ardiam em chamas. Amália continuou parada pensando no que fazer ou esperando que ele a atacasse por segundos que pareceram uma eternidade. Tirso gritou furioso e avançou em sua direção. Amália respirou fundo tentando controlar o coração acelerado e se manteve firme até Tirso estar a menos de um metro dela, desviando habilmente antes da colisão. O homem se desequilibrou e caiu, mas levantou com ainda mais raiva, e dessa vez conseguiu alcançá-la, prendendo-a pelas costas e apertando seu pescoço com o braço. Tinha que se libertar! Dessa vez estava sozinha. E agora eram duas vidas em risco.

— Agora você vai aprender que ninguém me tira meu cargo e fere minha honra e fica por isso mesmo – ele falou venenosamente em seu ouvido, com um sorriso macabro.

Amália se sentiu gelar por dentro. Muito mais do que se redimir com o amor de sua vida, agora só conseguia pensar em seu filho.

******

Afonso desviou o olhar na direção das árvores por um instante, pensava ter ouvido vozes e visto vultos. Como se o sangue em suas veias congelasse, um mau pressentimento o tomou e por um momento se sentiu sufocado. Mas não podia se concentrar nisso, um soldado de Constantino acabara de feri-lo, cortando sua roupa e sua pele no braço esquerdo. Afonso emitiu um gemido de dor e continuou a combater o adversário.

******

Enquanto tentava pensar, Amália sentiu uma dor aguda no braço esquerdo, e se perguntou se deveria ser a força que estava usando para evitar ser enforcada por Tirso. Estava tentando se mover dentro do aperto enquanto o homem a arrastava para algum lugar, tão furioso que parecia insano. Amália finalmente conseguiu se mover e cravou seus dentes com força no braço do criminoso, e fez o mesmo com as unhas, por mais que detestasse ter que pôr seus dentes em contato com alguém tão imprestável.

Tirso gritou, a soltando imediatamente e observando manchas de sangue surgirem em sua roupa. Amália pensava no que fazer quando o homem apanhou uma pedra de tamanho considerável do chão e ergueu o braço para mirar nela, mas o momento seguinte se passou tão rápido que até parecia um sonho. Seu cavalo estava mais perto do que ela pensava, e surgiu golpeando fortemente o fugitivo com as patas dianteiras. Tirso colidiu com o tronco de uma árvore e perdeu a consciência imediatamente ao bater a cabeça no chão. Amália agora pouco se importava se estava vivo ou morto. Correu para perto do cavalo, acariciando o pescoço do animal como agradecimento e o levando para outro lugar, não o queria em risco caso Tirso acordasse.

Tomou alguns instantes tentando estabilizar sua respiração e seus batimentos cardíacos, nada disso era bom para o bebê. Lembrou-se do susto que levou ao acordar sem memória e sua mãe lhe dizer que ela estava grávida de um homem do qual nem se lembrava de conhecer e que por muita, muita sorte, não perdera o bebê. Pegou seu arco, voltou a concentrar-se nos sons de batalha e os seguiu, chegando ao local onde Afonso ainda lutava, agora machucado, e contra apenas dois homens ao invés de dez ou mais. Todos os três pareciam bem cansados. O ferreiro desferiu mais alguns golpes de espada, deixando apenas um soldado de pé, mas cometendo o erro de dar as costas para este último.

Amália tinha certeza de sequer ter pensado ao erguer o arco e mirar no homem que erguia a espada contra as costas de Afonso, acertando-o de raspão no braço. Não era dela matar alguém se pudesse evitar, embora não hesitasse correr o risco se não houvesse outra saída. O soldado de Constantino gritou, soltando a espada para segurar o local machucado. Foi o bastante para chamar a atenção de Afonso, que se voltou imediatamente para o homem ferido e o nocauteou com um soco. O Monferrato ficou um instante parado olhando seu último oponente no chão, então guardou a espada e segurou o braço ferido, sua expressão se contorceu em dor. Mas a curiosidade sobre a procedência da flecha finalmente o atingiu, e olhou na direção de onde pensara ter visto um luta minutos atrás. Ficou paralisado quando seus olhos encontraram os de Amália, que abaixava o arco. A plebeia também o encarava, e seus olhos brilhavam, pelas lágrimas e outros mil sentimentos, que ele também sentia.

A ruiva largou o arco, correndo em sua direção. Amália não disse uma única palavra, apenas o beijou, tão intensamente quanto da primeira vez quando foram flagrados por Virgílio. Afonso ficou obviamente feliz, mas confuso.

— Amália, eu...

— Meu amor – ela falou, e não precisa de mais do que isso para que ele entendesse.

— Você não sabe como esperei por isso.

Ignorando a dor do ferimento, Afonso a prendeu pela cintura e entrelaçou os dedos da outra mão nos cabelos ruivos, beijando-a novamente e entregando-se a ela com tanta vontade que mais tarde ele juraria que esqueceu do campo de batalha em volta e até ficou perdido por alguns segundos ao abrir os olhos e voltar à realidade.

— Afonso... – ela murmurou antes de beijá-lo outra vez – Me perdoa. Me perdoa – outro beijo – Me perdoa.

O ferreiro a beijou de volta e depois a encarou, vendo lágrimas se formarem nos olhos claros e correrem pelo rosto. Afonso as secou e beijou a testa da amada, que tomou uma das mãos dele nas dela e a levou aos lábios. Então tornaram a se abraçar e se olhar.

— Bem?

— Sim – Amália respondeu, ganhando dele um daqueles sorrisos que a deixava sem fôlego.

— Você... – Afonso começou, afagando a cintura da ruiva, e não precisando concluir a pergunta.

— Estamos bem.

— Meu amor, tem sangue nas suas unhas.

— Longa história. Temos que cuidar disso – ela falou indicando o corte em seu braço.

— E de você.

Afonso olhou em volta, não havia um sequer sinal de Constantino ou de seu exército.

— Vamos pra casa – o ex-príncipe pediu, beijando sua bochecha.

— É tudo que eu quero agora.

******

— Tiago!!

O jovem correu para fora junto com Diana, vendo a irmã tentando manter Afonso de pé, como acontecera no roubo do anel de Crisélia. O casal segurou Afonso, ferido e desmaiado, e o levaram para dentro.

— O que aconteceu? – Tiago questionou, preferindo não perguntar ainda porque os dois tinham voltado juntos, dadas as atuais circunstâncias.

— Ele combateu mais de dez homens, um deles o feriu. Antes disso ele já parecia exausto. Desmaiou quando desmontamos. Onde estão nossos pais?

— Dormindo. Nossa mãe está bem, mas precisa de repouso. Depois que voltamos pra casa e você sumiu, soubemos que alguns dos presos escaparam pela floresta, íamos sair pra te procurar quando você chegou. Você e o bebê podiam estar em risco.

— Me desculpe, meu irmão, mas eu não podia esperar...

— Amália? – Diana perguntou lançando um olhar ao ferreiro desfalecido na cama – Você lembra de quem ele é?

A plebeia sorriu.

— Tudo veio de repente. Eu me lembro.

Os outros dois riram junto com ela e a abraçaram.

******

Sua vida parecia se repetir. Afonso abriu os olhos e a princípio tudo estava embaçado. Piscou algumas vezes e focalizou a janela do quarto dele e de Amália, quase como quando a conheceu. Ainda estava claro. Estendeu a mão para o braço ferido e sentiu ataduras por baixo do tecido da camisa. Se mexeu um pouco e acordou Amália, que o olhou e voltou a afagar seu cabelo. Só então percebeu que estava deitado no colo dela, e olhou para cima, sorrindo para a ruiva, que sorriu de volta. Não tinha sido tudo um sonho cruel afinal.

— Meu amor...

A ruiva o encarou com tanto amor que não era preciso resposta alguma. E Afonso poderia vislumbra-la para sempre. A luz que entrava pela janela deixava ainda mais belo o conjunto de cabelos ruivos, olhos claros e sardas.

— Nunca mais eu quero que nada disso aconteça.

— Se acontecer, passaremos por cima de novo. Você mesmo disse, o destino é implacável, não se deixa trapacear e não negocia... Você desmaiou quando chegamos. Confesso que tive medo.

Afonso riu.

— A longa batalha me enfraqueceu.

Amália deslizou para o lado dele, repousando a cabeça do amado no travesseiro, e deitando ao seu lado. Um olhar, um beijo, dedos entrelaçados e testas unidas.

— Eu vou cuidar de você agora. E você vai ficar quieto e descansar.

— O bebê.

— Estamos bem. Mamãe e papai estão descansando, mas Tiago e Diana vão nos ajudar.

Afonso a contemplou enquanto Amália acariciava seu rosto. Havia tanto ainda a ser dito, perguntando, resolvido... Ele queria saber o que tinha acontecido antes dela encontrá-lo lutando, qual era o problema com a feira da cidade, de onde viera o sangue nas unhas dela mais cedo. Outra coisa que ele notou é que ela estava usando aliança de novo. Afonso nunca havia tirado a dele, mesmo com a anulação do casamento. Amália seguiu sua linha de pensamento e beijou a mão em que ele usava a aliança.

— Vamos resolver isso. Quando estivermos bem. Vamos resolver tudo.

— Eu nunca duvidaria de você.

— Eu sei.

Um intenso e verdadeiro sorriso foi trocado entre eles antes que Amália se debruçasse para beijá-lo outra vez.

Notas finais
Leiam também minhas outras fics Afonsália, que na ordem que escrevi são: 1 - A princesa para meu reino 2 - Watch it all fade 3 - Your heart over mine 4 - One heart 5 - The true love of mine 6 - Uma história que ninguém nunca ouviu 7 - Cada dia da minha vida 8 - Always come back for me 9 - Laços
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!