One day... [HIATO]
7 Capítulo 6.
Notas iniciais
Olhamos para trás ao mesmo tempo e tive o vislumbre da boca grotesca e enorme pronta para nos engolir.
O animal se parecia com um macaco grotescamente estranho e enorme, talvez três ou quatro vezes o tamanho de um macaco normal. Os dentes do tal macaco eram grandes como os de um felino e bem afiados. Ele fazia barulhos estranhos que faziam a minha adrenalina apenas aumentar.
Podia sentir meu coração batendo mais forte do que nunca em meu peito, meus músculos se retesando e algumas lágrimas ameaçando cair.
Eu sobrevivera a tantas coisas, tantas maldições e magias e morreria aqui, dessa forma.
Não tinha salvação agora.
Mais animais se aproximaram, de todos os tipos e eu fechei meus olhos, querendo esquecer aquilo. Ótimo seria se eu pudesse acordar do pesadelo sem esse cara idiota do meu lado e sim a Emma.
Encostei a cabeça no chão, esperando que fosse uma morte rápida e não muito dolorosa.
Deixei meus pensamentos irem até Emma, até Henry, até Neal e até todo o meu passado. Todos os momentos vividos, todas as dores e as perdas. Seria tudo em vão?
Eu ainda esperava o final feliz verdadeiro, sem toda essa porcaria de maldições e vilões. Estava tudo bem até essa idiotice de acordo com Gold que eu fiz e esse cara estranho aparecer do nada.
Passaram-se segundos e mais segundos, e nada acontecia.
Podia ouvir meu coração e o choro de Maxon ao meu lado. Depois o barulho de alguma arma sendo raspada. Uma espada ou uma faca, algo assim.
– Mas o que? – murmurei, abrindo os olhos e dando de cara com um tridente apontado para a minha cara.
Um cara, aproximadamente vinte e quatro anos, loiro de olhos extremamente verdes apontava um tridente em meu pescoço. Ao lado dele uma garota de cabelos curtos e um tanto espetados examinava Maxon com um machado.
– Matamos? – perguntou o loiro.
– Melhor cuidarmos dessas belezinhas aí atrás primeiro – respondeu ela, passando a língua pelos dentes.
Atrás deles o chão estava forrado com macacos feridos e mortos, além dos outros que eu não conseguia identificar que animais seriam.
O garoto ainda pressionava o tridente contra a minha garganta, mas depois se afastou junto com a garota e foram para junto dos animais.
Deviam ter problemas mentais ou vontade de morrer.
– Quem são eles? – perguntei com a voz falha pela falta de ar.
Sentei-me e limpei o sangue sujo dos animais que cobria minha roupa.
– Acha que eu sei? – Maxon também se sentou, seu rosto estava verde e ele estava visivelmente enjoado.
Eles eram ótimos em luta, o garoto manuseava o tridente tão bem que parecia ter nascido para isso e a garota provavelmente treinou muito com machados desde criança para fazer o que fazia. Ela era estranha, seus olhos pareciam conter uma tristeza que o seu sarcasmo e ironia escondiam. Seu cabelo parecia ter sido raspado por inteiro e depois crescido novamente espetado.
O garoto não parecia feliz também.
De onde vieram esses dois, afinal?
– É melhor fugirmos enquanto temos tempo – disse Maxon, levantando-se e olhando para os lados.
Concordei com a cabeça e saímos correndo em direção à praia, no caminho oposto aos animais.
– Aonde vocês vão? – gritou a garota, rindo e correndo em nossa direção. – Tem mais desses animais lindos por aí.
A garota falava sarcasticamente o tempo todo e ficava balançando seu machado com felicidade.
– E para onde devemos ir, então? – perguntei, mais grosso do que gostaria.
– Depende. Se quiserem viver vem com a gente, se quiserem morrer vão para onde iam.
Hesitei em segui-la para perto do garoto, mas não tínhamos outra opção.
– Eles vão com nós? – sussurrou o garoto.
Ela deu de ombros e o garoto sentou-se, recuperando o fôlego.
– Qual o nome de vocês? – perguntou.
Não respondemos.
Ele apontou o tridente para nós e perguntou:
– Qual o nome de vocês?
– Por que quer saber? – perguntou Maxon.
– Se terei que carregar vocês comigo quero saber o nome de vocês, ao menos.
– Qual o seu? – perguntou Maxon.
A garota ria debochadamente ao lado do garoto e limpava o sangue do seu machado.
– Finnick, e esta é Johanna.
– Gancho – respondi rispidamente.
– Maxon – ele hesitou.
– Sabem me dizer onde estamos? – perguntou Finnick.
– Terra do Nunca – respondi.
Os dois riram e depois suas expressões se fecharam.
– Como viemos parar aqui e como voltamos à Panem?
– Panem? – perguntei.
Ótimo. Mais um grupo de gente estranha pronunciando nomes estranhos de lugares que nunca ouvi falar.
POV. EMMA
– Alguém viu a Belle? – perguntou Gold, entrando no salão principal do castelo esbaforido.
Todos fizeram que não com a cabeça e ele sentou-se no chão, secando o suor da testa.
– Ela não disse onde ia? – perguntei.
– Acha que eu estaria aqui se ela tivesse dito?
– Você tem tantos produtos mágicos, por que não arruma um que a ache? – perguntei, bufando.
Não estava com paciência para ele. Ele poderia facilmente acha-la sozinho.
– Eles... Não estão funcionando – murmurou, batendo o punho em seu joelho.
– Como assim?
– Não estão funcionando! – gritou ele.
Gold segurou meu braço e puxou-me para os jardins.
– Emma, essas pessoas estão mexendo com tudo. Este mundo – ele apontou para todos os lados – está sendo afetado. Meus “produtos mágicos” não funcionam mais. Eles não funcionam, Emma. Tem noção do que é isto? Nunca fiquei totalmente sem magia. Veja você mesma. Tente usar sua magia.
Ele devia estar brincando com a minha cara. Não era possível. Senhor das Trevas sem magia? Sem nenhuma magia? Era impossível.
Coloquei meus braços para cima e tentei soltar algum resquício de magia, para mostrar a ele que estava delirando.
Não funcionou.
Tentei novamente, concentrei-me o máximo naquilo, esqueci tudo ao redor e...
Não funcionava.
– Viu só? Estamos sem magia. Depois que eles chegaram tudo está diferente. Posso ter feito muitas coisas ruins, mas temos que nos unir contra isso.
– Não faço acordos com você, Gold. Nem tente – respondi, voltando para o castelo.
– Emma, isso é importante para todos. As árvores estão sem folhas, mesmo sendo primavera, as flores murcharam, a magia desapareceu, e... Belle também. Henry poderia ser o próximo. E então, o que faria?- ele segurou meu braço.
– Não posso fazer nada, Gold. Não temos portais para manda-los de volta. Arrume um, aí poderemos fazer algo a respeito – soltei-me de seu braço e corri para dentro do castelo.
– Se não fizermos nada, se Belle não aparecer, eu juro que mato todos eles e quem estiver em meu caminho também. Cuidado, Swan – gritou ele, com os dentes cerrados.
POV. BELLE
Abro os olhos e não enxergo nada, apenas o escuro. Estaria cega? Tento gritar, mas o som é abafado por um pano. Tento mexer-me, mas estou amarrada à uma cadeira.
Minha cabeça lateja e posso ouvir passos duros pisando no chão, além de algumas armas sendo preparadas para atirar.
Estou morta.
Debato-me na cadeira em vão, até que acabo tombando-a para o lado. Sinto minhas costas doerem, assim como minha cabeça.
Os passos continuam, como se estivessem marchando em círculos, seja lá onde eu estou, e se preparando para atirar em alguém.
Tento manter-me o mais quieta possível, para não chamar atenção desses passos.
Depois de cerca de dez minutos, escuto passos mais fortes e gritos.
– Estão sendo controlados – uma voz masculina grita.
– Atiramos? – uma voz feminina responde.
– Não sei. Ei, olhe, tem alguém ali.
Sinto passos vindo correndo em minha direção e mordo o pano, tentando ficar menos nervosa. Sinto meus pulsos serem desamarrados e as pernas também. Depois minha boca e depois meus olhos.
Estou em uma casa de madeira pequena e vazia com um exército de pessoas com roupas pretas e armas. Eles têm cara de sonâmbulos e não parecem estar sãos de algo.
Uma garota loira usando roupas também pretas e dois garotos, um com o cabelo ralo e o outro com cabelo um pouco maior que o dele. Apenas o garoto de cabelo maior usava roupa azul, mas o resto eram todos de preto.
– Você está bem? – o garoto de roupa azul ajudou-me a levantar do chão.
Assenti com a cabeça e pus-me atrás deles, tentando me esconder do exército.
Assisti-os marchando em círculos e apontando suas armas para os lados.
O medo ainda consumia meu organismo, mas eu tentava manter-me calma, observando as costas largas do garota à minha frente e a garota prendendo seu cabelo loiro em um coque.
– Quem... Quem são vocês? Quem são eles? – perguntei, tossindo.
– Sou Tris – respondeu a garota – Esse é Caleb – apontou para o garoto de roupa azul – e esse é... Quatro.
Estranhei o nome do garoto de cabelo ralo, mas optei por não questionar.
– Belle – respondi.
Eles não pareciam más pessoas, mas agora que estas coisas estranhas estavam acontecendo, tinha que desconfiar das novas pessoas.
Oh, Gold, quando você vai me procurar?
– Eles são pessoas da Audácia. Estão sendo controlados – respondeu Caleb, coçando a nuca.
– O que é Audácia? – perguntei, imaginando se estariam falando uma língua diferente.
– Oras... Como não sabe o que é a Audácia? – perguntou Quatro, com um sorriso de deboche no rosto. – Uma das facções. Dormiu por quanto tempo?
Todos riram e eu tentei entender qual era a graça.
– Não existem facções neste lugar... De onde vocês vêm?
– Por falar nisto, que lugar é este? De repente estávamos aqui – perguntou Quatro, olhando para fora da casinha.
– Floresta Encantada... – hesitei.
Como eles não sabiam que lugar era esse? Mesmo que tivessem vindo de outros lugares, qualquer pessoa sabe o que é a Floresta Encantada.
– O que você disse? – perguntou Tris.
– Floresta Encantada, ora – disse.
Eles começaram a gargalhar loucamente, como se fosse a coisa mais engraçada do universo.
– Qual a graça?! – gritei, irritada.
De repente, o exército fez um barulho diferente. Meu corpo travou.
Todos viraram-se para mim e apontaram as armas para mim.
Meu Deus.
Estremeci dos pés à cabeça e eles pararam de rir. Fui para trás de Caleb e vislumbrei Tris e Quatro pegando armas em suas costas que eu nem havia visto antes. Eles apontaram devagar para o exército e cochicharam algo.
– Precisamos sair daqui – disse Caleb, tirando uma pistola de seu cinto e entregando para mim, e depois sacou uma para si.
– Tá legal. Caleb você vai por último escondendo a garota trás de você, eu e Quatro vamos do outro lado distraí-los. Não atirem em ninguém, só se for muito necessário.
Tris e Quatro foram para o lado esquerdo da pequena casa de madeira vazia e começaram a correr e gritar em direção às paredes.
Caleb segurou meus pulsos e começou a me puxar pelo lado oposto, ouvi disparos do outro lado e fechei os olhos, deixando algumas lágrimas caírem.
Eu odiava esse barulho. Odiava essas violências. Odiava esse dia.
Gold, onde você está?
Por favor, Gold.
Por favor.
O exército estava virado para o lado esquerdo, atirando na direção de Tris e Quatro, mas eles desviavam sempre, nunca deixando uma bala sequer raspar neles. Eles deveriam ser treinados.
Os olhos de Tris estavam cheios de água e percebia ela olhando para uma garota de pele morena e cabelos curtos atirando em sua direção.
Quando o exército todo começou a atirar na direção deles, eles olharam para nós, fizeram menção para correr e foram para fora da casinha.
Ótimo.
Estávamos sozinhos.
O exército ficou alguns segundos olhando para a porta e depois viraram-se para nós. Eles atiraram em nossa direção, mas Caleb corria muito rápido e quase arrastava-me.
Ele apontou sua pistola para um garoto pequeno e gorducho e atirou. Dei um grito ao ver o sangue em seu peito e Caleb puxou-me mais rápido para a porta.
Estávamos tão perto.
Quando estávamos na porta, senti algo entrar em minhas costas. Dei um grito de dor e caí em cima de Caleb, que levou-me para algum canto longe da casinha. O susto e a dor eram tão fortes que eu enxergava tudo borrado, até que o borrado virou um preto total enquanto ouvia Tris acalmando-me e dizendo que eu ia ficar bem.
Eu sabia que não iria.
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