One chance
1 Capítulo 1
Notas iniciais
One-shot
Rose bufou soltando o livro com força em seu colo e passando as mãos nervosamente pelos cabelos. Sua mãe sempre lhe dissera que havia puxado muita coisa de seu pai, mas sinceramente, queria que não tivesse a ingenuidade dele.
Ainda não conseguia crer em si mesma de que havia aceitado aquela maldita aposta que prima Lily fez. Sua querida, amada, malévola e escandalosa prima Lily. Aquela garotinha a conhecia muito bem. O suficiente para conseguir convencê-la a participar dessa maldita aposta.
Bufou mais uma vez e esfregou o rosto com força. Sentia uma pontada em sua cabeça, indicando que em breve teria uma forte dor de cabeça. Tudo por causa da Lily e sua aposta ridícula. Maldito momento em que foi deixar se levar por seus instintos.
-Noite ruim, Weasley?
Todos os pelos da ruiva arrepiaram-se inconscientemente ao ouvir aquela voz, carregada de ironia e sarcasmo chegar aos seus ouvidos. Reconheceria aquela voz mesmo se não quisesse. São sete anos de convivência; sete anos na mesma casa; sete anos nas mesma aulas. E agora nas horas vagas também tinha que aturá-lo na monitoria.
-Agora também é mal-educada, Weasley? — zombou. — Má educação não é de família. Sabe, sua prima Dominique é bem atenciosa e prestativa.
Sentiu outro arrepio subir por seu braço. Não com o mesmo sentimento. Apenas sentia nojo e repulsa por sua prima. Nojo e repulsa por Scorpion.
-Eu não quero saber dos detalhes sórdidos entre você e Dominique, Malfoy. — levantou-se e agarrou seu livro firmemente. — Já ouvi isso pelo resto da população estudantil de Hogwarts.
Enquanto seguia pelo corredor, ouvia passos firmes atrás de si. — Isso é mais conhecido como ciúmes, Weasley.
Ignorando-o, continuou a caminhar em direção ao Salão Comunal onde era obrigada a dividir com Scorpion. Antes que pudesse subir para o seu quarto, o mesmo a puxou.
Rose soltou o livro surpresa quando sentiu o impacto da parede a suas costas, assim como o corpo repentinamente colado ao seu.
-Por que sempre tão nervosa quando toco no nome da sua querida prima? — sussurrou, escorregando seu nariz suavemente contra o pescoço da ruiva.
A Weasley podia sentir suas pernas bambas apenas com esse simples toque. Sabia que se o loiro não a estivesse segurando fortemente pela cintura, provavelmente já teria ido de encontro ao chão.
Respirando pesadamente, pensou rapidamente em uma resposta. — Nada que realmente te interesse, Malfoy. — sua voz saiu tremula e ela xingou-se por dentro.
-Acho que me interessa. — ele distribuía beijos calmamente pelo pescoço arrepiado da ruiva. — Mas não quero falar sobre isso agora. Tenho algo mais interessante para fazer.
Rose pensou que ele fosse se afastar, mas antes que pudesse concluir o pensamento, sentiu os lábios do loiro sob os seus. O beijo era ritmado, calmo. A ruiva sentia a boca de Scorpion preenchendo a sua.
Como sentira falta disso.
Brigou consigo mesma por ter tais pensamentos. E novamente resmungou por estar retribuindo ao beijo.
Eu deveria afastá-lo.
Como se previsse a reação da ruiva, Scorpion acelerou o ritmo do beijo. Prensou-a mais forte contra a parede, colando todo o seu corpo ao dela. A velocidade do beijo havia aumentado. Havia mais adrenalina, mais saudade... mais desejo.
A Weasley soltou um gemido involuntário na boca do loiro ao sentir que ele passava a mão por sua coxa, levantando um pouco a saia do uniforme. Scorpion rosnou em necessidade e puxou as pernas da ruiva até que estivessem em volta de sua cintura.
Descolou sua boca à da ruiva e começou a distribuir beijos pelo pescoço da mesma, que suspirava copiosamente em seus braços.
As mãos do loiro estavam em todos os lugares do corpo de Rose. Com força. Com vontade. Com fome.
Rosnando mais uma vez, mordeu suavemente o pescoço da ruiva, para em seguida sugar avidamente. A garota desfaleceu-se nos braços fortes do Corvino e soube imediatamente que no dia seguinte teria que esconder a marca de algum jeito.
Mas nesse minuto, não se importava com mais nada que não fosse a boca experiente e voraz de Scorpion em seu pescoço. Mordendo-a. Sugando-a. Marcando-a como sua.
Por incrível que pareça, esse pensamento fez com que o desejo se espalhasse mais rapidamente por seu corpo.
Cansada de toda essa enrolação, desenlaçou suas pernas da cintura do loiro. Agarrou sua gravata e jogou-o contra a parede, passeando com a boca pelo pescoço alvo do rapaz. Ao mesmo tempo em que tirava a gravata e abria os primeiros botões do uniforme.
Sentindo-se no desejo de retribuir, Rose sugou fortemente no ponto entre o queixo e a garganta do pescoço. Isso fez com que um urro profundo surgisse do loiro.
Não conseguindo mais controlar-se, Scorpion enrolou mais uma vez as pernas dela em volta de sua cintura, e subiu as escadas em direção ao seu quarto. Onde se perderam um no outro.
Mais uma vez.
E segundo Rose, a última vez.
***
-Ele está te encarando. — murmurrou Roxy, fingindo-se atenta ao livro aberto a sua frente.
-Você sempre diz isso. — rebateu, concentrando-se no texto.
-Ele sempre está. — essa frase pairou sobre a cabeça da ruiva.
Ele não parara de encará-la desde a noite em que fizera aquela besteira. Desde a noite em que se entregara a ele mais uma vez.
Se lembrou de acordar no outro dia tremendamente satisfeita, mas assim que sentou-se e viu o loiro dormindo ao seu lado, com apenas um fino lençol tapando sua nudez, se sentiu extremamente incomodada.
Prometera a si mesma que nunca mais se entregaria a ele. Que nunca mais o beijaria. Que nunca mais o olharia com algo diferente de desprezo.
Mas seu corpo traíra sua mente.
Foi despertada de seus devaneios quando Roxy lhe cutucou, avisando o fim da aula. Juntou seus materiais em sua mochila rapidamente, mas não tão rápido quanto imaginava.
Agora estava apenas ela na sala.
Ela e Malfoy.
Agarrou a alça de sua mochila com força e andou em direção a porta de cabeça baixa. Porém antes mesmo de chegar a porta, um par de sapatos estava em sua frente.
-Com licença. — sussurrou, sentindo a garganta seca.
-Não. — a voz firme dele a surpreendeu, fazendo com que levantasse os olhos.
Os olhos cinzas dos Malfoy, antes inexpressivo, agora demonstravam milhares de sentimentos. Furia, desejo, magoa e curiosamente medo. Rose sentiu que ele nunca havia sido mais honesto com ela do que agora, com um simples olhar.
-Eu preciso saber — começou coma a voz firme. — porque toda vez que se entrega a mim, foge amedrontada no dia seguinte?
Rose sentiu suas bochechas corarem fortemente, mas não teve coragem de responder. Sua garganta estava incrivelmente seca, suas pernas tremiam, suas mão suavam, Nunca esteve tão nervosa quanto agora.
-Eu necessito saber disso, Rosalie. — o tom firme dele fez com que ela se arrepiasse. — Me diz.
-Eu não quero ser mais uma na sua lista, Scorpion.
-Você não é mais uma! Nunca foi mais uma! — exclamou passando as mãos nervosamente pelo cabelo enquanto caminhava de um lado ao outro da sala. — É a única da minha vida.
Mesmo sentindo seu coração parar, não se impediu de perguntar. — Sou única assim com Dominique e restante de Hogwarts?
-Rosalie — segurou o rosto da ruiva para que olhasse diretamente em seus olhos. — Você é a única da minha vida. A única por quem eu perco minha cabeça. A única por quem eu faço qualquer coisa. A única a quem eu me entreguei.
-Não é isso que eu soube pelos corredores depois das festas. — engoliu em seco desviando o olhar.
-Não, não, não. — o riso seco de Scorpion fez com que Rose se arrepiasse. O loiro a abraçou forte, acariciando seus cabelos, mesmo que não fosse retribuído. — Eu mesmo inventei essas histórias, Rose. Eu nunca me entregaria a outra pessoa que não fosse você. Eu amo você, Rose Weasley. E é a única pessoa em quem eu confio além de mim mesmo.
Se antes o coração de Rose parava, agora parecia que tinha acabado de correr uma maratona. Respirou pesadamente contra o peito do loiro. — Me ama? - murmurrou abafado, mas mesmo assim ele a escutou.
-Sim, Rosalie Weasley. Eu amo você.
-Como posso saber que não está só brincando comigo? — perguntou desconfortável.
-Vamos fazer um acordo, my little Rose. - disse contra os cabelos ruivos da mesma. — Me dê um mês. Até o fim das aulas. E eu farei de tudo para que acredite em mim. Que acredite no meu amor. No nosso amor.
Antes que a ruiva pudesse dizer algo, ele colou seus lábios ao dela. Era um simples roçar de lábios. Delicado e apaixonado. Era isso que ambos precisavam no momento.
-Não preciso de um mês. — comentou assim que separaram seus lábios.
-Por favor, eu não vou agüentar ficar mais tempo sem você... — começou desesperado, e isso fez com que Rose finalmente soltasse um riso leve, o que deixou os olhos cinzas brilhando.
-Apenas preciso que conheça meu pai. Se conseguir convencer Ronald Weasley mais nada nos impedirá. — murmurrou acariciando o rosto pálido.
-Mas...
-Scorpion — interrompeu sorrindo delicadamente. — Eu não preciso de prova maior do que essa para saber que me ama. Um Malfoy ir conversar com um Weasley sobre querer algo com a filha dele já será épico. — o riso escapou mais uma vez de seus lábios, fazendo um sorriso verdadeiro aparecer no rosto do loiro. — Estarei esperando você em Hogsmead amanhã, Scorpion.
Agachou a agarrou mais uma vez a alça de sua mochila. Aproximou-se mais uma vez do loiro e beijou-o carinhosamente, sendo retribuída prontamente.
-Ah, Scorpion — chamou antes que pudesse fechar a porta. — Eu te amo desde o baile de Inverno.
***
-Eu não acredito que ele realmente veio. — Hugo bufou alto ao lado de Rose, que sorria com as bochechas rosadas.
-Não sejam malvados com ele. — Hermione sorriu calmamente. — É muita coragem do garoto vir falar com o Rony, mesmo sabendo que ele odeio os Malfoy.
-Esse garoto é suicida. — comentou Hugo novamente.
-Está bem, Hugo. Vamos dar uma volta! — exclamou Rose, agarrando a camisa do irmão, fazendo o levantar.
-Hey! Eu quero participar disso aqui!
-Querer não é poder, Hugo. — comentou Hermione. — Vá passear com seus primos, que eu e seu pai cuidamos de tudo por aqui.
Bufando mais uma vez, Hugo agarrou seu casaco e caminhou em direção a porta.
-Seja bonzinho, papai. — pediu, beijando a bochecha do ruivo que se mantinha calado, com um bico infantil nos lábios. Desde que Rose havia explicado tudo e o próprio Scorpion havia mandado uma coruja para o Weasley, o bico infantil não saia de seus lábios.
Sorriu e seguiu o caminho do irmão, antes de sair parou em frente ao loiro e beijou-lhe delicadamente nos lábios, sendo prontamente respondida. Quando se separaram, perceberam que o bar estava em silêncio, e todos encaravam o casal.
Querendo ou não, as velhas opiniões sempre existiriam.
-Boa sorte com o papai. — sorriu antes de sair porta afora.
***
Quatro meses depois
-Pode acreditar nisso? — sorriu Roxy animada. — Estamos formadas!
-Isso aí, priminha. Sem aulas. Sem acordar cedo. Sem estudar a todo momento. — comentou James.
-Você sabe o que significa estudar, Jay? — perguntou Lily fazendo todos rirem e James cruzar os braços feito uma criança.
Rose observava aquela cena com um sorriso terno nos lábios, enquanto sua cabeça descansava nos ombros de Scorpion. Sentiria falta de Hogwarts com certeza, mas estava mais do que feliz em se formar.
-Vamos dar uma volta no jardim? — sugeriu em voz baixa para a ruiva, que sorriu em concordância.
-Voltamos logo. — avisou Rose agarrando a mão de Scorpion.
-Aproveitem! Comemorem como nenhum de nós pode fazer! — exclamou Fred II, rindo escandalosamente depois.
-Ignora, ele está bêbado. — riu Rose enquanto era guiada para fora do castelo.
O jardim parecia mais bonito essa noite. Passava um ar de tranqüilidade. Rose sentiu todo o peso sair dos seus ombros no momento em que deu seus primeiros passos no jardim.
-Eu não quero nunca me esquecer desse lugar. — sussurrou sentando-se próxima ao lago, entre as pernas de Scorpion. — Esse lugar é maravilhoso.
-Com certeza é. — murmurrou abraçando-a mais forte.
-O que houve, Scorp? Está muito calado essa noite. — comentou, virando-se de frente para o namorado. O vento soprou fazendo com que os cabelos ruivos da garota voasse sobre o rosto dos dois.
O loiro aproveitou a maciez dos cabelos ruivos em seus rosto e tentou acalmar seu coração que batia descompassado. Antes que Rose pudesse perguntar algo, havia sido puxada sobre o loiro, presa em um beijo apaixonado.
-Eu amo você, Rosalie. — murmurrou contra os lábios inchados da garota, enquanto distribuía pequenos beijos em sua bochecha. — Eu amo tanto você, Rose. Você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida.
-O que você aprontou? — perguntou separando-se do namorado, e segurando firmemente em seu rosto. — Se foi uma pegadinha de formatura com meus primos, eu não vou ligar...
-Não é isso. — riu acariciando o rosto delicado da ruiva. — Rose, você me ama?
-Que tipo de pergunta é essa? É claro que eu te amo, Scorpion. Mas agora já pode relaxar, eu não vou brigar contigo pela pegadinha...
-Rose — interrompeu-a. — você me ama o suficiente para passar o resto da vida comigo? Acordando comigo todos os dias? Nos esbarrando na bancada de nossa cozinha enquanto cozinhamos? Comprando livros e livros que eu nunca vou ler? — Rose riu, porem seus olhos estavam cheios de lagrimas não derramdas. — Me ama o suficiente para me agüentar te mimando em suas gravidez? Ou pelo resto de sua vida? — um suspiro pesado sai do loiro enquanto puxava uma pequena caixinha do bolso. — Aceita construir uma família comigo? Rosalie Weasley, aceita me tornar o homem mais feliz do mundo se tornando minha esposa?
Lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto da ruiva, que sorria emocionada para o loiro. — Mas é claro que eu aceito. — sua voz saiu embargada, mas alta o suficiente para Scorpion ouvir e sorrir, pondo a aliança prateada em seu dedo.
Beijaram-se por alguns minutos. Pouco tempo depois, estavam deitados na grama observando as estrelas, Rose deitada sobre o peito do loiro, que não tirava o sorriso do rosto.
-Você esqueceu de uma coisa. — comentou a ruiva sorrindo, de olhos fechados.
-Do que?
-Terá que ser uma casa enorme para quando o Cold ou a Scarlet quiser chamar os amigos e primos para dormirem lá. — murmurrou olhando o noivo, que sorriu mais largamente.
-Se quiser, será um andar da casa apenas deles. E também não se esqueça da nossa pequena Chloe. — aconchegou-a mais apertado em seus braços.
-Por agora, teremos nosso pequeno Cold, ou nossa pequena Scarlet. — sussurrou olhando nos cinzas tão expressivos.
-Santo Merlin! Temos que casar e fugir para longe! Não quero que meu filho nasça logo depois de seu pai ser morto pelo avô. — comentou e isso fez a ruiva gargalhar audivelmente. — Você é a única coisa que me mantém são. Eu te quero pelo resto da minha vida.
Rose sorriu emocionada e voltou a apoiar o rosto no peito de Scorpion enquanto fechava os olhos com um enorme sorriso no rosto. Não poderia pedir nada melhor do que isso em sua vida. Pelo resto dela.
Fim.
Fale com o autor