One and the opposite
2 Doce reunião
Notas iniciais
"Gordo, eres tú? Ya llegué!” Ele ouve uma voz feminina gritar do corredor enquanto uma porta se fecha, seguida pelo barulho alto de chaves chacoalhando e sacolas plásticas.
Miguel se vira para olhar para ela pela primeira vez, e não é nada como ele imaginava, para dizer o mínimo. Ele imagina que é como se estivesse vivendo a vida imerso em ilustrações de tigres e então pudesse vislumbrar o animal real pela primeira vez. Ele se sente na presença de um tigre de verdade, com seu poder bruto, a pulsação rítmica de seu pêlo e a natureza indomada ecoando em seus olhos. Sua respiração fica presa quando ele dá um passo para trás, para realmente olhar para ela. Completamente admirado.
Movendo-se pela cozinha num balanço ocupado, ela vai guardando as compras, o tempo todo falando rápido demais para se entender, como todo e qualquer fluente em espanhol. É como se ela ainda não o tivesse visto ali – tão confortável com a presença dele.
"... Tu hermano no deja de llamarme, deberías ver qué quiere. Ah, y el 'forecast' del tiempo dice que el aire será irrespirable por unas horas, así que recuerda cuando te dirijas a... estas bien?" Ela pergunta, ficando na ponta dos pés para beijá-lo.
Por mais que ele tente não demonstrar, Miguel se assusta com o contato repentino, e isso deve transparecer no rosto dele porque ela também percebe.
"Que te pasa, mi amor?” Ela questiona, com uma expressão de confusão no rosto que a deixa ainda mais bonita.
"Eu hã... Eu... Acabei de ser assaltado." Ele deixa escapar de uma vez.
Mesmo depois de um dia praticando seu sotaque em espanhol, o inglês ainda surge instintivamente como sua resposta imediata – já se tornou muito mais natural do que sua língua nativa. A curiosidade nos olhos dela imediatamente se transforma em preocupação, e ela coloca a mão no rosto dele, o examinando de cima a baixo.
“Você está bem? Eles machucaram você!?” Felizmente ela também fala inglês, embora com um leve sotaque que Miguel não consegue entender de onde vem.
"No, no, yo estoy bien. Eu estou bem, só... Um pouco abalado. Ele tinha uma arma." Ele responde, segurando gentilmente a mão dela.
Ela olha para ele, uma pontada de choque colorindo suas feições, depois olha para sua mão. Ele fica preocupado por um segundo porque, embora suas garras estejam escondidas, alguma outra coisa pode estar denunciando-o. Algo que ele não sabe. Ele não consegue evitar o modo como seu coração deve estar batendo a mil por hora, ameaçando pular para fora do peito.
“Bom, você está seguro agora, ok? Não se preocupe muito com isso.” A maneira como ela diz isso tão casualmente confirma para ele que esse tipo de coisa acontece com frequência aqui. Ela apenas sorri com simpatia para ele, nem mesmo perguntando o que eles levaram — se é que levaram alguma coisa.
Mas ele suspira de alívio quando ela diz isso e sorri de volta, aproveitando a oportunidade para dar uma boa olhada em seu rosto.
Olhos castanhos como os dele, algumas pintas aqui e ali. Linhas de preocupação entre as sobrancelhas que criam a imagem de uma mulher que não teve tudo entregue a ela, ou a vida mais fácil do mundo. Ele não pode evitar de pensar que escolheu bem.
"Olha, eu posso ir buscar a Bri, você fica aqui e eu-" ela diz, virando-se rapidamente para pegar as chaves.
"Não, não, está tudo bem, eu posso ir. Está tudo bem." Ele insiste, sabendo que precisa aproveitar todas as oportunidades para conhecer melhor sua família e sua versão alternativa.
"Ok. Pero ten cuidado mi amor." Ela diz, deixando um aviso doce nos lábios dele.
*
Ele chega lá cedo, observando do carro alguns pais se dirigindo à entrada. Apesar de ter considerado esperar na recepção — uma ideia que podia ser um pouco excessiva, embora ele pudesse avistar Gabriella antes — permanecer no carro parece, na melhor das hipóteses, negligente. Então ele decide esperar perto da frente da escola até o sinal tocar.
Quando isso finalmente acontece, uma multidão de crianças emerge do prédio, acompanhada por uma cacofonia de gritos e vozes. Nervoso, ele ajusta seu peso de perna em perna, e se esforça para manter a calma enquanto procura a filha entre a agitação.
“¿Apá?” Ela pergunta, bem ao lado dele. Miguel olha para ela, assustado.
Ele devia estar tão distraído olhando por centenas de rostos que nem sequer percebeu que ela se aproximava dele. Também não ajuda o fato de ela ser pequena, mal passando dos quadris dele, e o uniforme escolar faz com que ela se misture perfeitamente com a multidão azul marinho.
“Olá! Você me assustou!" Ele diz a ela com uma risada, tentando ser descontraído.
Gabriella pisca algumas vezes, encarando ele. "Você não esperou no carro dessa vez."
Ops. Isso é ruim? Talvez ela estivesse com vergonha de ser vista indo embora com o pai, talvez as crianças zombassem dela por isso agora. Ele rapidamente examina os arredores, não vendo muitas crianças saindo com seus pais.
“Hã… Certo. Bom, eu queria caminhar com você, se estiver tudo bem...” Ele explica, lutando contra a vontade de se inclinar para que ela não pareça tão pequena para ele.
Felizmente, ela apenas dá de ombros e se vira para sair depois que ele oferece carregar a mochila para ela. Eles caminham em silêncio, Miguel com mais medo de ser descoberto do que estava antes, com a mãe dela.
A situação é tola, na verdade: ela é uma criança de apenas nove anos de idade. No entanto, sua mente continua acelerada, tentando descobrir o que dizer, o que perguntar que não vai denunciá-lo imediatamente, ao mesmo tempo em que ele garante a si mesmo que está tudo bem, que ela ainda não sabe.
"Então, como foi a escola?" Ele pergunta, colocando as mãos nos bolsos da calça.
“Foi bom.” Ela responde secamente, olhando para o chão enquanto caminha.
"Foi bom no sentido ‘chato’ ou...?" Ele arrisca a pergunta, querendo saber mais sobre o dia dela.
Ela parece pensativa por um momento, considerando-o. “É que os meninos continuam zombando de mim e da Isa de novo. Até o Sam encheu o saco, e ele nem joga futebol!” Ela franze a testa, continuando. “Eles ficam dizendo que a gente nunca vai jogar como o Messi Jr porque somos meninas.”
Ele sente os punhos se fechando quando ela diz isso. Sabe por experiência própria o quão insuportáveis os meninos da idade dela podiam ser, especialmente tendo lidado com Kron e todo o inferno que ele o fez passar na escola, mas também sabe que quando se trata de meninas eles agem dez vezes pior.
Então, mesmo que ele não faça ideia de quem é ‘Messi Jr’, ele percebe que ao invés de falar com raiva e praguejar esses meninos, ele deveria ao menos tentar ajudá-la com as próprias inseguranças.
“Por que você está preocupada em ser exatamente como ‘Messi Jr’ quando pode ser muito melhor que ele?” Ele pergunta, levantando uma sobrancelha para ela.
Ela fica em silêncio por um momento, parecendo pensativa. "Sério? Você acha?"
"Claro que sim! Você é ótima!" Ele responde honestamente.
Miguel lembra-se de vê-la jogar um pouco de futebol antes de vir para cá. Ele ficou surpreso ao descobrir o quão bem para a sua idade ela jogava antes de...
De súbito, ele é dominado por um pensamento: O que teria acontecido com ela caso ele não estivesse aqui. Ele tem uma visão dessa menininha adorável que acabou de conhecer sendo lançada em uma infância repleta de luto.
Nenhuma figura paterna ali para cuidar dela. Uma tristeza perpétua que piorava a cada dia dos pais, uma lista interminável de coisas que ele nunca ia conseguir ensinar a ela, uma constante dúvida sobre como poderia ter sido, como teria sido tê-lo ali.
Ele não pode evitar de se sentir feliz por ser capaz de ocupar aquele lugar. Poder estar ali para ela dessa forma e preencher esse vazio. É uma responsabilidade impossível, mas uma que ele ficaria feliz em assumir mesmo assim.
Afastando seus pensamentos, ele continua. “E além disso, é como você disse, certo? O que esse tal de Sam sabe sobre futebol, ele nem joga! E depois, existem ótimas jogadoras mulheres por aí.” Ele sorri com uma alegria repentina, animado para exercer esse papel da melhor maneira que sabia.
Gabriella parece notar seu estado emocionado, olhando-o de soslaio com um olhar curioso. "Eu sei, eu sei. Só que me irrita, sabe?” ela diz, voltando a ficar pensativa.
"Sim, é verdade. E quanto mais te irrita, mais eles fazem…” Ele admite, mais para si mesmo do que para ela.
Miguel não queria ser um clichê ambulante. Ele não tinha muitos conselhos para dar a ela, além de coisas que realmente queria dizer, mas não podia. Por exemplo: Que ela era uma garotinha adorável, que ele estava feliz por estar aqui para ajudá-la e ela era muito mais do que ele pensava que ela fosse, que ela poderia ser qualquer coisa que quisesse, e ele já não conseguia pensar em uma única coisa que não faria se ela pedisse. Não, isso seria demais em muito pouco tempo. Em vez disso, ele tinha que escolher o que era apropriado.
“Sabe, você vai encontrar pessoas assim em qualquer lugar. Também tem gente que eu não gosto no trabalho. A questão é como você lida com eles. Mas não se preocupe, você vai aprender isso com o tempo, não é como se tivesse uma receita certa, sabe?”
Ela fica quieta por algum tempo, ouvindo-o. Aquilo era demais?
Mas então ela apenas acena com a cabeça enquanto ele abre a porta do carro para ela entrar.
*
“De novo, Gabriella!?"
“¿Qué?” pergunta Gabriella, esfregando os pés no tapete da entrada do apartamento quando os dois entram em casa.
“¿Cuántas veces te he dicho para no jugar fútbol con el uniforme? ¡Mírate! ¡Estás cubierta de pasto!” A mãe dela levanta a voz, apontando para as pernas da filha.
“Mas mãããe! Foi só uma cascarita! E eu nem tô tão suja!” Gabriella insiste, apontando para suas meias brancas, que ironicamente estão cobertas de manchas verdes e marrons, principalmente na altura dos joelhos.
“¿A quién estás llamando 'mãããe'? Anda, vai tirar e me dá aqui.” Ela ordena, deixando escapar um suspiro de frustração.
“Sí mamá.” Briella faz um beicinho e arrasta os pés até o quarto, parecendo irritada.
Miguel também arrasta os pés pela soleira, colocando as chaves num gancho ao lado da porta. Ele tira as botas, olhando para os três pares de chinelos no chão. Hesitante, ele coloca um deles, a ironia do gesto mundano pesando em seu peito, o peso da mentira incomodando sua consciência.
Como ele já tinha dado uma rápida olhada no local antes de ela chegar do trabalho, dessa vez ele consegue inspecionar as coisas um pouco mais de perto.
A entrada é adornada com um piso de porcelanato que se estende até a sala de estar. Um painel eletrônico instalado na parede oferece controle da iluminação, temperatura e segurança, bem próximo ao gancho onde ele pendurou as chaves. Ao lado, há uma prateleira de ferro com algumas peças de arte, e o que parecem ser lembranças pessoais.
Ele encontra uma conta de água em cima dela, a visão causando uma leve estranheza — em uma época em que exibições holográficas e transações digitais eram o normal, uma conta de papel praticamente parecia uma relíquia do passado — mas também permitindo que ele descubra o nome completo dela, que ele imediatamente guarda na memória.
“Acho que ela acha que as meias fazem ela parecer mais com uma jogadora profissional.” María conta um pouco depois, enquanto corta um pedaço de carne na pia. “A gente devia comprar um par para ela, vai ver assim ela para de estragar o uniforme.”
Ele acena com a cabeça, colocando um prato na mesa enquanto se permite aceitar a realidade, de que isso está realmente acontecendo. Essa é a vida dele agora.
Ele é casado, tem uma linda esposa e também é pai de uma linda menininha. E ele não podia estar mais feliz. Não podia ter pedido mais nada na vida.
É como se ele tivesse acabado de acordar de um pesadelo, direto na vida que sempre quis viver.
Como se ele estivesse exatamente onde deveria estar.
Então ele ajuda María com a comida. Felizmente, ele deve ser incompetente na cozinha em todos os universos, porque as instruções dela são extremamente detalhadas, enquanto eles preparam carne a la tampiqueña para três.
María grita para Gabriella vir jantar, e eles comem em silêncio depois de se darem as mãos em volta da mesa para uma oração rápida e silenciosa.
*
Mais tarde, María fica lavando as meias enquanto ele limpa a mesa, e Maná toca ao fundo. Ela acompanha o ritmo, cantando e dançando de vez em quando, completamente alheia a tudo que ele vem experienciando.
De forma racional, ele sabe que está se escondendo muito dela, mas não consegue evitar a leve dor no coração ao ver como ela não se intimida nem um pouco com a presença dele, na verdade, está até acostumada. Pela primeira vez, ele não se sente uma aberração ou um monstro como inadvertidamente se sente entre os outros aranhas.
Ela o vê ali, perdido nos próprios pensamentos enquanto termina seu serviço, e diz: “Ouvi dizer que estão reconstruindo a laringe dele.”
"O que?" Ele é arrancado de seus devaneios pela frase estranha.
“Maná. O vocalista, ouvi dizer que estão reconstruindo a laringe dele para ajudar a IA a replicar melhor a voz. Acredita nisso!?” Ela explica. “Por isso estou ouvindo as músicas originais, eu vi no noticiário hoje.”
Ele pisca lentamente, tentando descobrir se deveria estar acostumado com coisas assim. “Isso é… Surreal, sinceramente.”
"E não é? Quer dizer, o fato de a gente não conseguir perceber a diferença para a maioria dos artistas hoje em dia já é uma loucura para mim, e agora eles vão reconstruir a laringe de um cara morto para fazer um robô replicar melhor a voz dele? Tenha santa paciência!" Ela comenta, virando-se para olhar para ele.
“Eu sei, é tão estranho pensar nisso.” Ele diz, aproveitando a oportunidade para olhar ao redor da sala.
Bancadas elegantes adornadas em mármore, com cicatrizes de algumas aventuras culinárias que ela e seu eu alternativo provavelmente ainda não tiveram tempo de limpar; Janelas retangulares acima da pia da cozinha, cheias de potes de plástico reciclados rotulados com “manjericão”, “alecrim” e algumas outras ervas, trazendo um belo contraste verde para os detalhes de metal da cozinha; Uma grande smart fridge no canto, enfeitada com desenhos de Gabriella presos por ímãs por toda a sua extensão. Algumas coisas nunca mudam.
Ele se aproxima da geladeira, pegando um dos desenhos para inspecioná-lo mais de perto. É uma versão rudimentar desenhada dele… Seu eu alternativo, com ombros triangulares exagerados e, mais revelador ainda, o que parece ser um telefone tocando em sua mão.
María parece perceber sua curiosidade, aproximando-se também para olhar o desenho.
“Escuta, eu sei que você ainda deve estar um pouco abalado por causa… De antes,” ela diz com cuidado “só… Tenta não pensar muito sobre, ok? Você está aqui, você está seguro. Isso é tudo que importa."
Ele gruda o desenho de volta na porta enquanto ela coloca uma mão fria em seu rosto de novo, gentilmente puxando para ele olhar nos olhos dela.
"Eu sei, eu sei. É só que… Eu fiquei com medo por um segundo, foi só isso.” Ele diz, sincero em suas palavras, mas não o verdadeiro significado por trás delas.
“E está tudo bem. Eu estou aqui." Ela afirma, puxando-o pelo braço suavemente.
O zunido da cidade lá fora é uma canção de ninar distante enquanto eles se acomodam na sala de estar. Ela pega uma garrafa em cima de um armário, servindo dois shots sem dizer nada.
Ele toma um gole, deixando a queimação acalmar seus nervos.
"Eu não pensei que fosse voltar." Ele mente, com o olhar fixo nos painéis simétricos do piso.
A mão dela encontra a dele, dando um aperto de leve para tranquilizá-lo. "Você voltou, você está aqui agora."
"Sim… Sim, estou aqui." A sensação de um sorriso brota de dentro quando ele olha nos olhos dela, suavizando a expressão em seu rosto.
À medida que a noite avança, a sala se enche de olhares compartilhados e uma compreensão implícita. María apoia a cabeça em seu ombro e o acaricia.
E ele não consegue deixar de pensar que isso pode funcionar.
Isso pode realmente funcionar.
*
Quando eles vão para a cama, depois de se certificar de que Briella fez o dever de casa e de lhe desejar boa noite, é claro, María tira o sutiã na frente dele e veste uma larga camisola de seda.
Ele odeia o fato de que, apesar de ter considerado tantas coisas antes de vir para cá, isso nem sequer tinha passado pela sua cabeça. Hesitantemente, ele tira as próprias roupas, incapaz de evitar o quão vermelho seu rosto deve estar.
Felizmente, María parece não perceber isso, está ocupada se acomodando na cama e puxando os lençóis para si. Ele se senta ao lado dela embaixo deles, desajeitadamente rígido, e ela o puxa para um abraço de lado, com um suspiro suave.
"Você parece tão diferente hoje." Ela observa, os dedos traçando círculos levemente no lençol ao lado dele.
Ele congela, arregalando os olhos, mas tentando não olhar para ela.
"Sim... Foi um longo dia." Ele diz, limpando a garganta. “Só estou cansado, só isso. Além do mais, tenho que acordar cedo amanhã. Você sabe como é, trabalho.” Ele explica, pensando que é uma desculpa boa o suficiente.
Ela se vira para olhar para ele, sorrindo. "É sexta-feira. Você esqueceu?"
Ele fecha os olhos. Hijo de...
“Sim, sim, certo. Eu quis dizer treino, sabe? Academia? Eu só preciso descansar um pouco.” Ele corrige, afastando-se dela e se amaldiçoando interiormente por falar tanto.
Ela parece entender a mensagem, recuando também.
“Você e sua academia. Você devia pelo menos tentar comer aquelas proteínas embaladas que nem todo mundo.” Ela diz a ele, virando-se de costas, apagando o interruptor do seu lado da cama e finalmente deitando.
"Bem, sou eu. Você sabe como eu sou." Ele diz, desligando o abajur também, mas ainda permanecendo sentado. Ela faz um ‘hm’, concordando.
"Boa noite?" Ele pergunta, relutantemente.
"Boa noite." Ela responde, parecendo já meio adormecida.
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