One and only
26 Ahá!
Notas iniciais
Já passavam das 21:00Hrs daquele mesmo dia, Helena estava sentada na areia da beira da praia, sua cabeça dava voltas, seu rosto deveria estar um pouco inchado pois já havia chorado um pouco demais na sua concepção, mas era só isso que ela queria fazer naquele momento, apenas deixar as lágrimas rolarem enquanto sentia a brisa leve brincar em seu rosto ao ouvir o barulho das ondas quebrarem com brutalidade sem hesitação alguma. Em meio aos seus pensamentos volta e meia ela planejava uma maneira de contar a verdade para Gabriel uma vez que deu um ataque de ciúmes bem a sua frente, mas só de lembrar as palavras dele tudo e qualquer plano que pudera arquitetar desmoronavam em sua mente.
Quando amamos alguém nossos sentidos parecem se tornarem hipersensíveis então notamos qualquer olhar diferente, qualquer toque brincalhão, percebemos rapidamente as mudanças de humor, e ao ouvirmos palavras doces faladas pela pessoa amada direcionadas a nós, derretemos sem qualquer hesitação, então brota-se no rosto aquele sorriso bobo, o brilho do olhar é intensificado, e ficamos totalmente sem saber o que dizer ou o que fazer em meio a tanta felicidade. Mas quando as palavras são rudes, duras, ou simplesmente escassas de reciprocidade, derretemos da mesma maneira porém em vez do sorriso bobo ou do olhar brilhante, nos debulhamos em lágrimas. Um nó complicadíssimo se forma dentro de nós, parece que nada nunca dará certo e tudo parece impossível. Era exatamente assim que Helena estava se sentindo naquele momento quando de repente sentiu mais uma lágrima lhe escorrer no rosto, mas quando levantou a mão para enxuga-lo pela centésima vez, sentiu a presença de alguém se aproximando, quando olhou para trás viu quem menos ela gostaria de ver ali, era ele, seu melhor amigo e desde sempre seu primeiro e único amor.
_Oi, posso sentar aqui com você? –perguntou suavemente em pé ao lado da moça.
_Não acho que seja uma boa ideia, mas como já sei que você vai sentar de qualquer maneira... –falou olhando para o mar fazendo o máximo de esforço para sua voz não falhar denunciando seu estado emocional.
_Precisamos conversar Lena, e preciso que seja sincera comigo, tudo bem? –perguntou quando já estava ao lado da moça também olhando para a imensidão escura a sua frente.
_Não poderíamos deixar essa conversa para um outro momento, não? Não estou no clima... –ela estava falando a mais pura verdade pois seus nervos estavam a flor da pele e tinha certeza de que se conversasse sobre qualquer assunto naquele momento, ela explodiria sem pensar duas vezes.
_Desculpe, mas já esperei tempo demais... –falou agora olhando na direção da moça, como ela não o olhava nos olhos, o rapaz levantou rapidamente e sentou-se a sua frente segurando as mãos de Helena junto as suas. _E então, você vai me dizer o que é que está acontecendo? Ou eu terei que lhe torturar até arrancar a verdade? –perguntou com um meio sorriso enquanto a morena mantinha o olhar baixo imóvel.
Gabriel esperou por mais algum tempo porém o silencio era absoluto, tudo o que se podia ouvir era apenas o barulho natural das ondas, mas foi ai que Gabriel pacientemente ouviu um longo suspiro vindo de Helena quando de repente ela levantou o rosto e o olhou nos olhos.
_Lembra da primeira vez em que fomos a Noronha com sua família? –perguntou suavemente vendo os olhos do rapaz se estreitarem tentando lembrar da viagem.
_Sim, mas isso faz muito tempo... Eu tinha 10 anos e você 8, mas por que está me perguntando isso? –disse um pouco confuso.
_Então, aquela viagem foi muito importante pra mim mesmo ainda sendo tão pequena, lembro que segurei sua mão tão forte quando estávamos no avião que você ficou me enchendo o tempo todo depois, debochando por que eu estava com medo, mas no entanto, você não soltou a minha mão... lembra que quando fomos a praia ... você disse que jamais nos separaríamos e escreveu nossos nomes na areia? –fez outra pergunta, agora desviando o olhar para longe como se estivesse perdida em todas aquelas lembranças.
_Lembro Lena, mas não em todos os detalhes... –falou apenas, também mergulhando nas lembranças. Então ouviu mais um suspiro da morena, mas agora parecia que ela estava tentando tomar coragem para dizer alguma coisa.
_Eu te amei desde aquele momento Gaby, sei que éramos muito jovens, mas para mim você passou a ser tudo a partir daquele instante... então fomos crescendo e o meu amor por você foi crescendo a toda velocidade, e em certos momentos eu senti que você retribuía então quando eu estava com 15 anos antes do início da minha festa de debutantes eu pensei em correr até seu quarto para lhe contar tudo o que eu estava sentindo, mas então ouvi uma conversa na cozinha da sua casa entre meus pais e seus avós paternos, eles não aprovavam a possibilidade de um relacionamento entre nós de maneira alguma, e quando meus pais me viram ali espreitando todos eles pediram licença e saíram da cozinha me levando para o meu quarto, lá tivemos uma longa conversa que eu jamais esquecerei, eles me intimaram a lhe esquecer, alegando que éramos ainda duas crianças e que eles não podiam perder o emprego por causa de um “namorico infantil”. Lembro que eu chorei muito naquela tarde mas quando anoiteceu me recompus como sempre fiz e decidi que tudo iria passar e que eu realmente iria lhe esquecer, mas isso não aconteceu, e agora eu já não sei mais o que fazer, já se passaram tantos anos, porém nada mudou dentro de mim, e por te amar tanto eu não consigo ser feliz com mais ninguém... –Gabriel ouvia tudo um pouco atordoado quando decidiu falar.
_Você deveria ter me contado tudo isso antes Len... –mas foi interrompido pela voz da moça.
_Não por favor, deixe-me terminar. –pediu fazendo um sinal com as mãos para que ele parasse, Gabriel apenas assentiu com um movimento de cabeça e voltou a ouvi-la. _Eu compreendo que você muito provavelmente não sinta nada por mim além do sentimento de amizade que sempre houve entre nós, afinal tem uma linda morena hospedada em sua casa mas, eu já não aguento mais entende? Eu não sou mais uma criança ou uma adolescente apaixonada, eu sou uma Mulher Gaby, uma mulher que ama perdidamente seu melhor amigo. Eu precisava tomar uma atitude... Sei que explodir daquele jeito com você na sala de vídeo não foi a melhor opção, mas... –Helena hesitou em continuar e passou a encarar suas mãos em silencio, respirando profundamente, sentindo que as lágrimas lhe ardiam mais uma vez nos olhos. _Eu amo você Gabriel, amo seu jeito de falar comigo, amo quando reclama ou implica comigo sobre alguma besteira, amo quando você toma seu café da manhã ainda bagunçado e sonolento, amo quando elogia meu sorriso, eu te amo de todas as formas possíveis e imagináveis. Mas sinceramente, não sei mais como conviver com esse sentimento. –sua voz já estava entrecortada ao terminar sua declaração, as lágrimas escorriam sem permissão em seu rosto, e tudo o que ela sentiu foram os braços de Gabriel lhe percorrerem juntando seus corpos em um abraço forte.
_Eu sinto muito por não ter insistido quando percebi algo diferente a tanto tempo atrás, você sabe que eu a amo, você é uma das mulheres mais importantes da minha vida, e confesso que estou um pouco confuso com tudo isso, mas eu preciso que você me dê um tempo Lena. –falou quando a soltou segurando seu pequeno rosto em suas mãos. _Apenas um tempo para colocar tudo isso em ordem, eu sinto algo muito forte pela Bia, mas sei que no fundo sempre senti algo diferente por você, eu realmente preciso clarear tudo aqui dentro, entende? –perguntou olhando nos olhos doces da morena a sua frente, ela assentiu um pouco triste e então ele continuou. _Eu não quero machucar você, também não quero arranjar desentendimentos entre nossas famílias mas isso é o que menos importa agora, eu quero mesmo resolver essa confusão de sentimentos dentro de mim, para então ama-la como merece, não posso nem mesmo pensar em lhe causar algum sofrimento. E jamais pense que eu não sinto o mesmo por você, o que eu sinto por você também é muito forte mas esse sentimento estava adormecido por muitos anos, eu apenas preciso que você confie em mim e me dê esse tempo, tudo bem? –perguntou sabendo o quão delicada era a situação em que se encontravam, de repente tudo havia virado uma grande turbulência dentro do seu peito, mas tudo o que ele sabia naquele momento era que não podia de maneira alguma machuca-la.
_Não se preocupe Gaby, eu sei que você precisa desse tempo, e no que depende de mim, pode pensar por quanto tempo quiser, eu o entendo e pode ter certeza que já me sinto feliz por ter tirado esse peso das costas. Eu sinto muito por ter esperado tanto para lhe dizer o que eu realmente sinto. –disse, agora com um sorriso contido nos lábios olhando-o diretamente nos olhos com o coração batendo um pouco mais rápido.
_Obrigada por finalmente ter me contado, sempre admirei seu jeito corajoso Lena. –disse abraçando-a mais uma vez ficando de pé e trazendo-a consigo.
Com apenas um olhar os dois sentiram pela primeira vez o quanto se queriam, agora, mais leves e tranquilos eles caminharam até onde a água estava beijando a areia e ficaram parados apenas sentindo seus pés serem molhados pela água salgada, mas após alguns bons minutos o rapaz entrelaçou suas mãos e começaram a caminhar de volta a casa.
Gabriel se despediu de Helena com um beijo em sua testa e um longo abraço, depois acariciou seu rosto olhando no fundo dos seus olhos e sussurrou um “Obrigado por existir em minha vida, eu não sei o que eu seria sem você, Boa noite!” A morena sorriu largo e disse o mesmo para ele, depois ambos entraram em seus devidos quartos e dormiram depois de alguns longos minutos.
Beatriz acordou por volta das 08:00Hrs, sorriu ao ouvir mais uma vez o som dos pássaros em sua janela, e levantou espreguiçando-se, logo, foi ao banheiro e fez sua higiene matinal vestindo um shorts jeans com uma blusa larga que Mateus havia lhe dado preta com o emblema dos Beatles, ela amara aquela blusa desde o primeiro momento em que a viu mesmo sendo masculina. Penteou seus cabelos e fez um rabo de cavalo alto, quando voltou para o quarto viu seu iPhone e pensou em ligar para Mateus, mas quando lembrou de sua indiferença na última ligação desistiu, decidindo que iria ligar mais tarde. A morena ia se sentar na beirada de sua cama para mexer em seu notebook quando ouviu algumas batidas na porta, rapidamente ela abriu deixando Gabriel entrar em seu quarto um pouco exasperado.
_Hey, oi! Bom dia! –disse a morena sem nenhum ressentimento.
_Bom dia! Bia, eu não sei o que houve comigo ontem, por favor me perdoe, eu não tinha a intenção de lhe machucar, sei que minhas palavras foram cruéis, mas eu juro que não tive a intenção. –disse rapidamente olhando nos olhos azuis claros e risonhos da morena a sua frente.
_Tudo bem Gaby, eu entendo que você estava um pouco nervoso por causa da situação com a Lena e não se preocupe, está tudo realmente bem. –disse sorrindo olhando para o loiro que ainda estava um pouco atordoado.
_Que bom, não quero que fique nenhum clima chato entre nós, ainda mais agora... –falou desviando o olhar da morena como se estivesse voltado a noite anterior.
_O que houve? Você já se resolveu com a Helena? –perguntou olhando para o rapaz que estava um pouco distante.
_Sim e não, ai meu Deus Bia! Eu não sei o que está acontecendo... –falou um pouco exasperado, mas então, Beatriz segurou a sua mão e o conduziu para que se sentasse ao seu lado na beirada da cama.
_Vamos lá, o que houve ontem à noite? –perguntou suavemente.
_Bom, depois daquele momento entre nós na cozinha eu resolvi dar uma volta, então enquanto caminhava na areia da praia vi ao longe uma garota sentada, me aproximei e vi que era ela, então sem pensar duas vezes decidi que conversaríamos sobre tudo ali mesmo, daí quando me sentei ao seu lado perguntei o que estava acontecendo, a Helena começou a desabafar e então eu percebi o quanto tudo estava sendo complicado para ela. –Gabriel contou tudo o que havia ouvido e dito naquela noite, ele sabia que era muito estranho contar sobre sua conversa com Helena para Beatriz mas ele sabia que a morena entenderia perfeitamente e muito provavelmente lhe aconselharia, e foi o que ela fez.
_Meu Deus Gaby! Bom, eu já sabia que ela o amava e sinceramente eu a incentivei para que tomasse alguma atitude, e graças a Deus ela tomou, mas antes que você diga mais alguma coisa, eu quero que saiba que a Helena sim, é a mulher certa para você, ela te ama por completo Gabriel, seja o que for que você sente por mim, vale muito mais a pena lutar pelo o amor da Helena e não pelo o meu, bom, é o que eu penso. Mas o que você pretende fazer? –perguntou sorrindo ao ver que ele estava realmente nervoso.
_Eu não sei Bia, eu sinto algo muito forte por ela mas eu não posso negar o que sinto por você, é tudo muito estranho e complicado para mim... –falou sem olhar para a morena.
_Então deixa eu esclarecer um pouco as coisas, Gaby! –disse firmemente.
_Fale! –disse apenas, agora voltando seu olhar novamente para a morena.
_Você me disse na nossa primeira noite aqui que achava a um tempo atrás que a amava e que tentou saber o que ela sentia, mas quando ela negou você decidiu que havia apenas confundido tudo, certo? –perguntou enquanto gesticulava com as mãos ao falar.
_Sim, exatamente. –disse apenas.
_Bom, desde então você, não se apaixonou por mais ninguém além de mim, o que eu acho que não é bem uma paixão de fato e sim uma forte atração, mas isso não vem ao caso. Então, quando você a via com um namorado novo, o que você sentia? –perguntou notando que o loiro ficou um pouco inquieto quando ela disse que o que ele sentira era apenas uma forte atração.
_Eu não sei ao certo, apenas concordei com a decisão dela, mas confesso que me sentia muito desconfortável e incomodado quando a via com outra pessoa, era como se eu estivesse perdendo algo muito importante, e por vezes sentia que poderia ser eu no lugar do tal namorado, mas nunca conversei com ela sobre isso. –disse sinceramente um pouco pensativo.
_Ahá, ai está meu caro! Gabriel, você a ama, e é verdadeiro. Você só se sentiu atraído por mim por que estava sozinho e no seu sub consciente não havia mais esperanças entre você e ela. –disse sorrindo largo segurando uma das mãos do rapaz gentilmente.
_Não sei não, Bia... –falou ainda confuso.
_Tudo bem, agora vou fazer uma pergunta um pouco delicada, tudo bem? –disse sorrindo já sabendo qual seria a reação do rapaz ao seu lado.
_Okay, diga! Estou pronto para qualquer coisa depois de ontem... –disse com um meio sorriso.
_Bom, então vamos lá! Você ainda tem vontade de me beijar? –perguntou rapidamente olhando para o rapaz que corou e se agitou no mesmo instante fazendo Beatriz conter uma gargalhada com sua reação.
_Okay, você poderia ter pulado essa! Sim, ainda sinto vontade mas não como antes, é diferente, é como se eu compreendesse que o que sinto não é tão forte assim, é difícil de explicar... tudo está acontecendo rápido demais! –falou olhando para suas mãos um tanto inquieto.
_Isso é um bom sinal Gaby, vamos dar tempo ao tempo, logo você terá certeza do que realmente sente por ela e por mim, não se preocupe tanto. –falou gentilmente segurando mais uma vez sua mão.
_Eu sei, mas tenho muito medo de magoa-la, entende? Não posso imaginar vê-la sofrendo por minha causa, a Helena é importante demais para mim. –disse olhando nos olhos da morena.
_Calma, está tudo bem, você não vai magoa-la. Que coisa mais linda, já posso até imaginar os dois juntos, vocês foram feitos um para o outro. –disse abraçando-o alegre.
_Tudo bem, mas você tem que concordar que tudo isso é muito estranho, como é que a garota que até ontem eu julgava está completamente apaixonado agora pode estar me aconselhando sobre minha melhor amiga que me ama perdidamente e que muito provavelmente será minha futura namorada? –perguntou ainda abraçando-a enquanto sorria agora mais tranquilo.
_Hum.... Futura namorada! É assim que se fala, e outra nada nessa vida é totalmente normal! –disse sorrindo largamente ficando de pé para juntos descerem e tomarem o café da manhã.
Quando Gabriel e Beatriz chegaram a cozinha, Helena já estava sentada tomando um pouco de suco de laranja enquanto sua mãe cozinhava algo para adiantar o almoço. Surpreendendo a moça Gabriel sentou ao seu lado abraçando-a fortemente e depositando um beijo em sua bochecha. Fazendo a morena sorrir largamente olhando para Beatriz que piscou positivamente sorrindo ainda mais para os dois. A mãe de Helena notou aquela atitude do rapaz e pode sentir a tempestade que estava por vir.
Logo após o café da manhã, Gabriel, Helena e Beatriz resolveram nadar na bela piscina da casa, mais relaxado o rapaz voltou a ler um pouco do seu livro, mas por vezes seu olhar se voltava para as duas moças que conversavam na piscina, quando deu por si, Gabriel havia parado completamente sua leitura, e agora seus olhos estavam completamente vidrados em Helena, no jeito como ela mexia a boca ao falar, quando sorria, quando ficava seria, e quando caia na gargalhada com Beatriz. Ela era linda, disso ele sempre soube, mas agora ele começara a se sentir como aquele adolescente que era a algum tempo atrás ao pensar que Helena era tudo o que ele sempre quis.
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