One and Only

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Boa tarde amores! Aqui está mais um capítulo pra vocês. Me desculpem a demora para postar, meu plano inicial era de postar um capítulo por dia, mas o tempo está corrido pra mim, tenho postado o mais rápido que posso, espero que entendam. ): E boa leitura. ♥

Santana chegou em casa e nem sequer acendeu as luzes, seguiu em silêncio até o seu quarto e bateu a porta com força. Precisava descarregar as energias. Não tinha mais ninguém no apartamento, mas ela sentia uma necessidade de isolar-se o máximo que conseguia do restante do mundo. Ela tirou os sapatos e os jogou em um canto qualquer, junto com sua bolsa. Ela respirou fundo soltando todo o ar que estava preso há horas, mas ela ainda se sentia sufocada com o nó que havia se instalado em sua garganta desde o momento em que ela vira Quinn pela primeira vez. Ela queria poder mudar toda essa situação, queria poder correr para os braços de Brittany e dizer tudo o que sentia, tudo o que realmente pensava. E ela já nem tinha mais a certeza de que seria correspondida. O beijo que Brittany lhe dera na noite anterior já não tinha mais o mesmo valor. Brittany estava com Quinn agora. Quinn era tão bonita e tão carinhosa com Brittany. E mais uma vez seu sangue latino ferveu ao lembrar-se da outra tocando sua Britt. "Sua Britt? Não seja ridícula, Santana." Ela bufou com o próprio pensamento antes de se jogar na enorme cama vazia. Um buraco parecia fazer moradia em seu peito, e isso só aumentou quando ela notou um fio de cabelo louro de Brittany em seu travesseiro. Não que ela soubesse exatamente como era o cabelo da outra, mas ela nunca trouxera ninguém para dormir ali, portanto só poderia ser de Brittany. Ela queria tanto que a loira estivesse ali com ela, a noite anterior havia sido tão boa e agora isso. Em algum momento em que seus pensamentos oscilavam entre as loiras, seus olhos ficaram marejados. Ela respirou fundo quando uma lágrima grossa rolou pela face morena.

– O que diabos está acontecendo comigo? Não choro desde a morte da abuelita. — Ela se sentou na cama e pegou o telefone discando o número já conhecido.

– Oi... — Ela disse sem muito entusiasmo na voz, assim que a pessoa do outro lado atendeu.

– Hola, hermosa! — Ela ouviu a voz animada de Noah do outro lado da linha.

– Sinto tanto a sua falta! — Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa para evitar, caiu em um choro abafado, despertando a preocupação do irmão que a ouvia assustado do outro lado.

– Sant? O que foi? Por que está chorando? Fala comigo.

Noah Puckerman Lopez. Seu meio-irmão mais velho, por parte de pai. Ele vivia em Lima- Ohio com a família, sua esposa Shelby e sua filha Beth de quatro anos. Seu pai Juan Lopez também vivia com eles, desde a morte de sua segunda esposa Maribel. Eles visitavam Santana sempre que podiam e vice-versa, mas já não se viam há algum tempo, pois a latina alegava estar muito focada em sua carreira e por este motivo eles acabaram se afastando um pouco.

– Eu não estou bem, preciso te contar tanta coisa que esta acontecendo comigo. — Ela finalmente falou, cessando aos poucos o choro.

– Então me conta, o que houve? Quer que eu vá prai? — Ele indagou a falar.

– Não! Calma, não precisa! Eu só preciso conversar mesmo. Acho que prender tudo o que está dentro de mim, não esta me fazendo bem. — Ela respirou fundo mais algumas vezes antes de voltar a falar. — Eu acho que eu me deixei gostar demais de uma pessoa, hermanito.

– Você está apaixonada, Sant? — Noah perguntou rapidamente cortando o monólogo da irmã.

– O- o que? Apaixonada? Acho que essa é uma palavra muito forte. — Seu choro finalmente havia cessado e ela começava a respirar mais calma.

– Muito forte pra você, né? Que nunca se permitiu isso. Mas se apaixonar é a coisa mais normal do mundo, por que você está assim?

– Primeiro, eu não estou apaixonada. Só fiquei interessada demais em alguém, isso sim é normal. — Ela limpou a garganta. — E segundo, porque não é tão simples assim, Noah. Ela é uma pessoa completamente fora de cogitação pra mim.

– Bom, se você se apaixonou por ela, isso já não a torna completamente fora de cogitação. — Ele soltou uma risada baixa, relaxando aos poucos.

– Eu não me apaixonei! — Santana falou com o tom de voz um pouco alterado.

– Ei, calma! — Noah respondeu no mesmo tom.

– Ai, desculpa hermanito, é que isso me deixa nervosa. Isso não deveria ter acontecido, me entende? — Santana soltou um suspiro pesado que foi compreendido por Noah.

– Tudo bem, mas me explica isso, por que ela não está em cogitação?

– Primeiro porque ela é 11 anos mais nova que eu. — Ela fez uma pausa para respirar, antes que voltasse a chorar. — E segundo porque é a filha de Susan.

– Susan? Sua amiga, dona da galeria?

– A própria! — Santana respondeu enquanto levava a mão até suas têmporas para massageá-las.

– É, acho que você tem um problema, hermosa...

Santana e Noah passaram parte da noite conversando, seu irmão tentava dar conselhos e orientá-la da melhor forma possível, mas ele sabia que ela realmente estava em uma situação complicada. Ele disse que a idade era o de menos, afinal quantos casais com idades diferenciadas existem no mundo? Isso é normal. As pessoas não se apaixonam pela idade. Mas, o fato de Brittany ser filha de sua melhor amiga era o que realmente complicava. Como Santana poderia explicar isso a Susan? Nenhuma mãe entenderia. Susan confiava Brittany à Santana de olhos fechados. Sempre estimulou a amizade das duas, pois achava totalmente saudável, mas o que ela pensaria se soubesse das intenções de Santana? Era complicado.

Santana desligou o telefone e seguiu para o banheiro, seu rosto ainda tinha marcas do choro e ela encarou o espelho por poucos segundos antes de entrar no chuveiro e deixar que as gotas de água quente sumissem com aquilo. Aquele banho era como lavar sua alma, mas infelizmente ele não levava as dores junto com a água que escorria por seu corpo. E nesse momento, o coração de Santana doía. Ela precisava tomar uma atitude, ela não podia continuar naquela situação. Ela saiu do banho e se secou, jogando-se na cama ainda nua. Agarrou com força o travesseiro que trazia o cheiro da loira. Era uma tortura, sim. Mas era tudo o que ela poderia ter agora, então ela se conformou e se perdeu em pensamentos, até que suas pálpebras começassem a pesar e ela finalmente pegar em um sono profundo, ela estava tão exausta emocionalmente que nem mesmo uma escola de samba inteira em sua janela poderia despertá-la daquele sono antes do dia seguinte.

***

Brittany acordou sentindo seu braço pesado, abriu os olhos preguiçosamente e encontrou a loira mais baixa agarrada ao seu corpo. Respirou fundo e se mexeu devagar para tentar não acordá-la, enquanto tentava livrar seu corpo, mas já era tarde, Quinn a encarava com um belo sorriso nos lábios antes de quebrar o silêncio entre elas.

– Bom dia, B! — Ela se aconchegou novamente nos braços da loira e depositou um beijo carinhoso em sua bochecha.

– Bom dia, Q! Você dormiu aqui? Por que eu não me lembro disso? — Brittany a olhou confusa, realmente não se lembrava de ter dormido com Quinn, na verdade não se lembrava de muita coisa da noite anterior, apenas de Sam e Quinn na piscina, e eles bebiam alguma coisa. — O que aconteceu?

Quinn abriu um sorriso sacana em direção a loira mais alta. — Está brincando, né? Tivemos uma noite maravilhosa e você não se lembra de nada, B? Agora estou ofendida.

– Uma noite maravilhosa? Do que você está falando? Nós fizemos alguma coisa? Q, me desculpa, eu devo ter bebido demais, eu realmente não me lembro e eu não queria ter feito nada com você, nós já conversamos e decidimos.. — Brittany se sentou na cama e indagou a falar desesperadamente, ela não podia ter dormido com Quinn, não, ela não queria aquilo. Ela queria Santana. Sua voz saia entrecortada até que a outra loira a interrompeu.

– Ei, calma! Tá tudo bem, B. Nós duas queríamos isso e foi ótimo, não precisa se desculpar, eu entendo perfeitamente que não se lembre, afinal bebemos um pouquinho demais, inclusive Sam. — A loira gargalhou, mas Brittany tinha a mesma expressão de desespero no rosto. — Que foi? Vai ficar me olhando assim? Qual é, B, não é como se essa fosse a primeira vez que fazemos isso.

– Eu sei Q, mas agora é diferente. Eu não estava esperando por isso, sabe? Eu realmente não queria. Não quero te magoar, mas não da pra continuar rolando essas coisas entre nós. Eu estou em outra. — As quatro últimas palavras de Brittany desceram queimando, enquanto Quinn engolia a seco. "Que diabos ela não esquecia Santana? Brittany sempre adorou ficar comigo, e agora está arrependida porque acha que passamos a noite juntas?" Sim, ela disse em seus pensamentos "acha que passamos".

– Tudo bem, B. Eu te entendo. — Ela se levantou com a cabeça baixa e já seguia em direção a porta do quarto quando a loira mais alta a puxou pelo pulso.

– Eu gosto muito de você, ok? E não quero perder a nossa amizade. — Brittany tinha os olhos azuis marejados, e naquele momento incrivelmente mais brilhantes.

– Eu também gosto muito de você. — A mais baixa se aproximou novamente e abraçou apertado por algum tempo, antes de seguir para o quarto de hóspedes.

Brittany voltou a se sentar em sua cama e ficou pensativa. Ela não acreditava que havia feito aquilo outra vez, ela só queria a amizade de Quinn e embora a loira mais baixa fosse incrivelmente bonita, ela já não despertava mais esse tipo de interesse em Brittany. Ela realmente só tinha olhos para Santana, pensava em Santana o tempo inteiro e aquilo já estava começando a ficar desgastante para ela. Ela precisava fazer alguma coisa, ela precisava sentir sua morena dos sonhos em seus braços e beijá-la de verdade, sem precisar fingir que estava bêbada ou qualquer outra coisa do tipo.

Brittany suspirou frustrada e se levantou para fazer sua higiene matinal, mesmo contra sua vontade. Na verdade, se ela pudesse ficaria o dia todo na cama, sem ver e nem falar com ninguém. Mas infelizmente ela não podia. Ela fez tudo o que tinha que fazer e saiu para tomar café com a família, todos estavam animados, apesar de ser uma segunda-feira. Quinn iria embora a noite, e elas mal tinham conversado direito. Brittany ainda estava com a história de terem dormido juntas martelando em sua cabeça. Como poderia ter sido tão fraca?

A manhã passou rápida e logo Sam e Jorge seguiram para o escritório. Susan ficou mais um pouco aproveitando a companhia das meninas e as três resolveram ir até o shopping, comprariam um presente para Quinn e almoçariam por lá mesmo. Susan havia se encantado pela loira mais baixa, ela nunca se preocupou muito com quem seus filhos escolheriam para ficarem juntos, namorarem ou até se casar, contanto que os fizesse felizes, estava bom para ela. Mas, se ela tivesse que idealizar uma nora perfeita, em sua cabeça, essa pessoa era Quinn. Ela sabia bem como cativar as pessoas e até mesmo Jorge havia gostado da garota. Brittany já estava ficando irritada com toda aquela interação das duas, ela parecia até ser invisível.

– Gente, é sério, são só bolsas, vocês realmente não precisam dar esse ataque! — A loira mais alta falou rolando os olhos e se sentando em uma mesa na praça de alimentação. As outras duas loiras cairam na risada enquanto se sentavam com ela.

– Não são só bolsas, Britt! Prado é tudo! — Quinn vibrou acompanhada de Susan.

– É filhinha, você poderia ter mais bom gosto, sabia? Além da Tana, Quinn é a única pessoa que sabe como fazer compras comigo. — Susan falou enquanto passava os olhos pelo cardápio do restaurante em que escolheram para almoçar.

– Você quer dizer, a única fresca a sua altura, não é mãe? — As outras duas riram novamente.

A tarde delas foi assim, Brittany exausta de tanto entrar em lojas e ver sapatos e mais sapatos, se tinha algo que ela realmente não gostava era de fazer compras, mas as duas mulheres em sua companhia pareciam maravilhadas, e em alguns momentos ela até se divertiu com os "desfiles particulares" que elas faziam, experimentando praticamente a loja toda. Chegaram em casa com inúmeras sacolas de roupas e outras coisas mais. Brittany e Quinn subiram para tomar banho e Susan se despediu da loira mais baixa, pois teria que ir para a galeria, e Quinn iria embora em duas horas.

***

– Oi minha querida, como você está? — Susan disse assim que entrou na galeria e avistou Santana, seguiu em direção a morena e beijou-lhe o rosto carinhosamente.

– Eu estou bem Su, e você? Demorou tanto para aparecer hoje. — Ela fitou a loira com os olhos cerrados e um sorriso pontando nos lábios.

– Ah, eu fui ao shopping com as meninas. Quinn é tão boa em compras quanto você, Tana. Tome cuidado ou eu vou trocá-la. — A loira mais velha gargalhou enquanto seguia em direção a sua sala e nem pode notar a cara de desgosto que Santana estava.

– "Vou trocá-la" bem-vinda ao clube, todos tem feito isso mesmo.- Santana revirou os olhos, só por se lembrar de Quinn seu sangue já fervia. — Loirinha intrometida, porque não volta pra Londres logo? Argh. — Ela saiu bufando atrás de Susan até sua sala.

– E então, como está nossa nova coleção, meu amor? — Susan perguntou assim que a latina entrou em sua sala.

– Está ficando ótima, não é porque são minhas, mas essas telas farão sucesso. — Ela riu e Susan abriu um sorriso dócil.

– Claro que farão, você é um sucesso! — Santana sorriu com o carinho da loira.

– Mas então, Brittany e Quinn estão mesmo namorando? — Santana perguntou, tentando não demonstrar muito interesse.

– Olha, eu não sei te responder Tana, mas eu adoraria que sim! Ela é a nora dos sonhos. — O coração da latina chegou a doer nesse momento. Ela sabia que podia ser a melhor amiga de Susan, mas nunca seria a nora dos seus sonhos. Ela deu o melhor sorriso que pode para Susan e limpou a garganta antes de voltar a falar.

– E ela veio pra ficar de vez aqui?

– Ah, não. Infelizmente ela volta pra casa hoje, pra ser mais precisa, daqui há uma hora. — A loira disse mirando seu relógio de pulso. Santana teve que se conter para não sorrir e pular na frente da amiga. Quinn iria embora hoje? O caminho estava livre? Mas logo sua vontade de sorrir e pular passou. De que adiantava o caminho estar livre se ela era uma medrosa e nunca teria coragem de tentar algo com Brittany?

– Poxa, que pena né..

***

– É, acho que chegou a hora de me despedir outra vez. — Quinn tinha o semblante triste quando se aproximou de Brittany e abraçou com força. — Eu não quero ir.

– Mas você tem que ir, e para, essa não é a última vez que vamos nos ver. — Brittany a apertou em seus braços e se separou em seguida para encarar a mais baixa.

– Você vai me ver? Eu vou sentir sua falta. — Quinn se aproximou para beijar os lábios de Brittany mas a loira virou o rosto e o beijo acertou sua bochecha. Quinn sorriu triste.

– Eu vou, prometo. — Ela beijou a testa de Quinn e a observou sumir entre todas aquelas outras pessoas que seguiam o mesmo caminho. Parte de seu coração estava apertado por isso, era bom ter Quinn por perto, mas a loira já havia causado confusões demais em apenas dois dias, seria bom que ela fosse. Brittany suspirou e assim que não pode mais enxergar Quinn em meio a multidão, seguiu para seu carro e voltou para casa. Durante todo o caminho de volta, seu pensamento esteve dividido entre os olhos verdes tristes e os olhos negros que ela tanto amava. Entre loira e morena, entre certo e errado. Entre querer e não poder.

Notas finais
E ai o que acharam? Livres da Quinn sim ou não? HAHAHAHA. Gente, a propósito, as vezes quando respondo os comentários de vocês saem uns "?" no meio, é porque as vezes respondo pelo celular e ai a pontuação sai desse jeito, não reparem. ): Vejo vocês o mais breve possível. ♥