One and Only
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Alguns dias se passaram desde a volta de Brittany, as coisas pareciam calmas para Santana, já que ela fazia de tudo para evitar de ter que se encontrar com a loira, e assim, havia deixado de pensar um pouco nela. Hoje era um dia de sábado tranquilo, a latina acordou e passou a manhã cuidando de algumas pendências em sua casa. Ela havia prometido a Kurt que sairiam para dançar a noite, já que o mesmo estava arrasado por uma briga com Blaine e ela não suportava ver o amigo daquela maneira, mesmo que não admitisse, ela se preocupava com Kurt.
Santana se jogou em seu sofá depois de concluir tudo o que tinha para fazer e ficou por um tempo encarando o teto. Ela se sentia aliviada por algum motivo que nem mesmo ela sabia explicar. Até que seu telefone tocou e ela logo reconheceu o número.
- Fala purpurina! — A latina disse em meio a uma risada divertida.
- Oi gata! E ai, tá preparada pra hoje a noite? — Kurt parecia mais animado agora.
- E eu preciso me preparar pra encher a cara em uma boate qualquer e voltar pra casa carregada?
- Vou levar alguém para você conhecer. — Kurt soltou uma risada baixa e Santana arregalou os olhos.
- O que? Levar alguém pra me conhecer? Kurt, você sabe que eu não estou a fim de me envolver com ninguém.
- Sim, e isso está muito estranho. Como de repente a maior pegadora de nova iorque resolveu ficar sozinha? Bitch, você é linda e precisa aproveitar melhor o que Deus te deu! E outra, você vai amar Dani.
- Dani? Que Dani? Eu não quero conhecer ninguém, porcelana! — Santana alterou o tom de voz já irritada com o amigo, o que não era muito anormal acontecer.
- Tá, tá bom.. Mas tá confirmado nós dois hoje a noite, né? — O rapaz pediu com a voz chorosa e Santana não teve como recusar.
- Sim, sim.. Nos vemos depois! Beijo. — Ela desligou o telefone e voltou a encarar o teto. Kurt tinha razão, ela sempre foi totalmente desapegada, sempre ficou com várias mulheres, a cada semana era uma diferente, e até alguns caras de vez enquando. E agora ela simplesmente não tinha vontade de conhecer mais ninguém. Desde o sonho com Brittany, a morena havia feito de tudo para tentar não pensar mais na loira, fez até uma visita a sua ex, o que acabou na cama. Mas nem assim, ela não se sentia satisfeita.
- Ai Santana, Santana... — A latina resmungou para si mesma enquanto se levantava e seguia em direção ao seu ateliê. Estava pintando uma nova tela, sem formas, sem rostos ou qualquer identificação. Eram só cores misturadas que formavam uma bela imagem. Mas em cada risco e em cada cor diferente, podia-se ver os sentimentos da latina, as linhas de diversas cores se cruzando representavam perfeitamente a confusão na mente e no coração de Santana. Ela passou o resto do dia ali, tentando se expressar de alguma maneira.
Quando a noite chegou, Santana não se sentia nem um pouco animada para sair. Mas ela sabia que se desmarcasse com Kurt, o rapaz ficaria super chateado com ela, e isso não era bem o que ela queria agora. Ele era praticamente seu único amigo, além de Susan. E ela sabia que se a coisa apertasse, ela não poderia desabafar com Susan. Não sobre o misto de sentimentos que ela estava sentindo pela filha da loira mais velha. Ela sabia que a qualquer momento teria que contar a alguém, e ela precisava de Kurt por perto.
A latina terminou de se arrumar, mesmo que não se esforçasse muito para isso, estava linda. Prendeu os cabelos negros em um rabo de cavalo alto e caprichou no rímel. Passou um batom escuro nos lábios grossos e vestiu um macacão branco, com um decote que ia até um pouco acima do umbigo, valorizando seus seios. Se olhou no espelho e gostou do que viu. Ela sabia que era bonita e sabia que qualquer pessoa em sã consciência não recusaria ficar com ela. Mas o problema era que, ela não estava interessada em qualquer pessoa. Santana suspirou pesadamente com seu último pensamento e se afastou do espelho, tentando se livrar dessas ideias. Pegou sua bolsa no quarto e seguiu ao encontro de Kurt que a esperava na entrada do grande prédio.
- Uau! Tá querendo parar o trânsito? — Kurt estava impressionado com a beleza da amiga. Santana riu e depositou um beijo na bochecha pálida do outro, assim que entrou no carro e colocou o cinto de segurança.
- O trânsito não, mas aquela boate que me aguarde hoje — Ela piscou para Kurt que gargalhou.
- É assim que eu gosto! Vamos casar com a noite, gata. — Kurt deu a partida e seguiram em direção a tal boate. Isso foi por volta das 23h, as ruas estavam um pouco mais tranquilas e em pouco tempo estavam lá. A entrada do lugar estava lotada, mas como sempre, Kurt e Santana já eram clientes vip do lugar, e passaram sem nenhuma dificuldade.
Logo que entraram no lugar, alguns par de olhos se viraram para eles. Digamos que os dois faziam um pouco de sucesso no mundo gay. Se dirigiram para o segundo andar do lugar e se sentaram em uma das mesas, de onde podiam ter a visão de toda a pista de dança lá embaixo, Kurt buscou uma bebida para a latina e um ponche sem álcool para ele, já que ele estava dirigindo e tinha consciência disso.
- Tá muito cheio isso aqui hoje, vai ser difícil escolher a preza. — Santana falou calmamente enquanto levava a bebida até a boca e passava os olhos pelo lugar.
- Uai, pra quem não queria conhecer ninguém, hein safada? — Kurt negava com a cabeça a cara de pau que a latina tinha.
- Eu só não quero conhecer nenhuma amiga sua, por que você sabe que essas tuas amiguinhas não largam do meu pé depois, porcelana! Por Díos! — Ela resmungou e Kurt fez uma cara de quem queria fugir da li. — O que foi? Que cara é essa?
- Não me mata, não me mata! — Ele dizia enquanto levava as mãos no rosto e abaixava a cabeça.
- Kurt, o que foi? — Santana já estava ficando irritada.
- Oi gente! — A latina se virou para encarar uma loira que havia se aproximado deles e sorriu, a garota era bonita.
- Olá! — Santana respondeu sem delongas.
- Oi Dani! — Kurt disse levantando o rosto e rapidamente a morena o fuzilou com o olhar.
- Desculpa ter demorado a chegar, mas fiquei presa no café até tarde hoje. — Ela soltou uma risada sem graça, indo em direção ao Kurt e cumprimentando-o com um beijo no rosto e logo em seguida fazendo o mesmo com Santana.
- Ah, não tem problema linda, chegamos agorinha também! Vou buscar algo pra você beber, só um minutinho. — Ele disse já se levantando da mesa, antes que Santana o matasse.
As duas ficaram ali totalmente sem graça. Santana sabia muito bem como chegar em uma mulher e sempre se dava bem, mas a situação em que Kurt a colocou, a deixou simplesmente perdida. "Eu não acredito que o porcelana fez isso, eu vou matar ele" ela pensava enquanto sorria para a menina a sua frente.
- É, só um minuto, eu também já volto. — A morena disse sacudindo o copo vazio em frente a loira e sorriu antes de se levantar e ir em direção a Kurt.
- AI! — Kurt gritou quando Santana se aproximou de repente e beliscou sua barriga.
- Você tá ficando maluco? Eu disse que não queria conhecer ninguém, o que essa menina tá fazendo aqui? — A latina estava furiosa.
- Desculpa, mas ela é linda e você precisa parar de querer ser babá, bitch! — Santana o olhou confusa.
- O quê? Ser babá? Do que você tá falando porcelana?
- Ah, qual é! Você passou uma semana inteira falando sobre Brittany todos os dias, e acha que eu não vi aquele quadro em sua casa com o rosto dela? — Santana agora negava com a cabeça enquanto ouvia as palavras do amigo.
- O que você foi fazer dentro do meu ateliê? E eu não falei nada sobre Brittany!
- Ah ta bom! Então por que é que você não vai lá e da conta daquela loira gostosa que tá doida pra te conhecer? — Santana virou o olhar até a mesa, onde agora Danielle a encarava com um sorriso tímido.
- Eu não tenho que te provar nada, Kurt. — Santana disse com a voz mais baixa dessa vez.
- Pra mim não, mas e pra você mesma, será que não tem? — Santana nem ousou responder, apenas saiu dali e foi em direção a Dani, puxando-a pela mão até a pista de dança na parte debaixo.
- Eu não sei dançar! — Dani gritou entre risadas quando já estavam no meio de outras pessoas e Santana se movimentava.
- Não tem problema, eu te ensino! — Ela se aproximou um pouco mais da mulher mais baixa e a envolveu pela cintura, movimentando-se lentamente ao redor de Dani.
- Não faz assim.. — Dani sussurrou no ouvido de Santana que riu maliciosamente.
- Vamos curtir a noite, gata! — Ela apertou Dani ainda mais em seus braços e ficaram de frente uma para a outra. Santana tinha que reconhecer, apesar de não ter interesse em ninguém, Danielle era incrivelmente bonita e tinha lábios convidativos.
- Vai ficar me olhando assim? — A loira perguntou já sentindo a respiração de Santana próximo a ela.
- O que foi? Não posso olhar? — A latina soltou uma risada baixa e se aproximou um pouco mais, sentindo o hálito de hortelã que a outra exalava.
- Só olhar não! — Dani finalmente tomou uma atitude e beijou Santana, partiram de um beijo apressado, cheio de toques e línguas se tocando desesperadamente. Santana levou sua mão até a nuca da mais baixa e se separam para tomar ar.
- Wow, calma ai baixinha! — Elas riram e dançaram por mais algum tempo, antes de subirem novamente até a mesa onde Kurt não desgrudava de seu celular.
- Ei porcelana, qual é, você está na boate mais interessante da cidade e vai ficar enfiado no celular? — Santana perguntou se sentando a mesa e puxando Dani para se sentar ao seu lado.
- Eu fiz as pazes com Blaine! — Kurt disse animado enquanto sorria em direção as amigas, agora juntas.
- Que bom Kurt! — Dani se manifestou também sorrindo animadamente.
- Ai, qual é! Tava óbvio que fariam as pazes. — A latina revirou os olhos e tomou toda a dose de tequila que estava em seu copo. Ela era forte com bebidas, apesar de ter uma ressaca daquelas no outro dia, era difícil ficar bêbada.
- Ei, olha só quem está ali! — Kurt apontou para a pista de dança, onde podia-se ver claramente Brittany dançando agarrada com outras duas mulheres, quais pareciam bem interessadas nela. Santana engasgou ao ver a cena.
- O que diabos Brittany está fazendo aqui? — Indagou sem se preocupar se estava demonstrando interesse demais ou não.
- Ela não é de menor? — Kurt perguntou confuso com a cena que via.
- Eu não sei quem é, mas acho que ela não está muito bem. — Dani soltou uma risada, Brittany dançava no automático, com uma garrafa de vodka nas mãos, parecia completamente fora de ri.
- Eu vou falar com ela. — Santana disse já se levantando.
- O que? Nada disso, eu vou, você fica aqui com a Dani. — Kurt se levantou e impediu a passagem da latina.
- É Santana, o Kurt cuida disso, vem cá! — A loira puxou Santana para sentar-se em seu colo mas a latina rapidamente se levantou outra vez.
- Não gente, é a Brittany, eu vou até lá. Faço pela Susan! — Ela disse e sem que alguém pudesse impedi-la, desceu as escadas rapidamente e caminhou com fúria em direção a Brittany.
- Brittany! — Ela gritou puxando a menina pelo braço.
- Ei, qual é morena? A loirinha ta com a gente. — Uma das garotas se manifestou puxando Brittany de volta.
- Não, ela não está! Vem Brittany. — Santana fez sua expressão mais séria, e as duas mulheres rapidamente se afastaram assustadas.
- Ei Santana, que foi? Me deixa dançar, eu estava com duas gatas! — A latina revirou os olhos e bufou arrastando Brittany para fora do lugar, contra a vontade da loira.
- O que você está fazendo aqui? Como você entrou nesse lugar e por que está bebendo? — Santana disse já puxando a garrafa das mãos de Brittany e descartando-a na primeira lata de lixo que encontrou.
- Ei, você não é minha mãe, eu não tenho que te explicar nada! — Brittany esbravejou soltando-se das mãos de Santana.
- Sim, eu não sou sua mãe, mas eu tenho certeza que seria bem pior se ela a encontrasse desse jeito aqui! — Santana observou o carro de Brittany — que ela havia ganhado há apenas uma semana — estacionado do outro lado da rua e seguiu até lá, novamente arrastando Brittany pelo braço. Ela respirou fundo e enfiou as mãos nos bolsos traseiros do short de Brittany para procurar as chaves, a loira gritou e gargalhou.
- Primeiro você me beija, duas vezes, e agora tá atacando a minha bunda? — Santana revirou os olhos mais um milhão de vezes e abriu o carro da loira, jogando-a no banco de carona e logo sem seguida entrando no veículo.
- Vamos embora daqui!
- Não San, por favor, eu não posso chegar em casa assim! — A loira pediu retomando um pouco de sua consciência e encarando Santana.
Aquele momento não era adequado para isso, mas Santana se derreteu ao ouvir o apelido saindo dos lábios da loira. "San", ninguém a chamava daquela forma, e ela tinha adorado, esquecendo-se por alguns segundos o motivo de estar tão brava com Brittany.
- Tudo bem, vamos pra minha casa!
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