One and Only
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Brittany acordou aspirando o cheiro de Santana no travesseiro, seu sorriso foi instantâneo. Ela ficou ali por um tempo apenas absorvendo aquele perfume que era o seu favorito no mundo, e só então as lembranças da noite anterior foram surgindo em sua mente. Lembrou da discussão com Santana, da noite de "amor" e abriu os olhos devagar, olhou para todos os lados e não encontrou a latina, não ouviu nenhum barulho vindo de fora do quarto, aquilo lhe deu uma sensação ruim. Ela se sentou na cama e coçou os olhos, e então notou o embrulho de presente ao seu lado, com um bilhete em cima.
"Estou fazendo isso para você há semanas, espero que goste. Gostaria de tê-lo entregado pessoalmente, mas eu não pude, sinto muito se fui imatura ou não fui forte o suficiente para encarar isso com você, mas precisei de um tempo para mim. Feliz aniversário, com amor, San."
Não é difícil imaginar que ao terminar de ler o bilhete, Brittany já tinha os olhos marejados e seu coração batendo a mil por hora.
– Como assim "precisei de um tempo"? — A loira falava sozinha. Ela não conseguia acreditar que Santana havia fugido dela, sem ao menos se despedir, através de um bilhete. A vontade de Brittany era de sair quebrando tudo, mas ao invés disso ela apenas se deitou de volta na cama e abraçou as pernas enquanto soluçava seu choro mais doído. Ela ficou ali por muito tempo pensando no que deveria fazer, a verdade é que ela se sentia vazia e sem nenhuma vontade de viver, ela sabia que seu filho seria importante na sua vida e lhe daria alegrias, mas ela não queria um filho de Quinn. Ela queria Santana, queria ter filhos com Santana, queria o amor de Santana, ela só queria a sua morena e mais nada.
Ela chorou mais, se debateu na cama e quase pegou no sono outra vez, até se lembrar do embrulho. Se sentou novamente na cama e o pegou, rasgou o papel sem nenhum cuidado e novamente seus olhos se encheram de água ao ver o que Santana havia lhe feito. A pintura era linda e a frase "You're the best thing thats ever been mine" partiu o coração da loira. Por que ela tinha que ser tão perfeita, e por que ela tinha que ter ido embora? Aquele seria um longo dia para Brittany.
(Link da imagem do quadro: https://lh3.googleusercontent.com/-iDa9o4uNeHI/UxozLQfzhRI/AAAAAAAADnQ/Gnr_H74Je3o/s640/brittana_glee_by_karlyilustraciones-d3l6amo.jpg)
***
Brittany chegou em casa por volta das 11h da manhã, depois de ignorar todas as trinta ligações de Quinn, Susan, Jorge e Sam, imaginou o quanto estariam preocupados e foi logo pensando em alguma desculpa boa para dar. Decidiu que era melhor deixar o presente de Santana no carro, era algo grande e chamaria a atenção de todos se ela o levasse para dentro agora. Caminhou em direção a porta dos fundos, passando pela área da piscina e observando que boa parte da casa já estava arrumada para a tal festa. Ela sentiu vontade de chorar no mesmo instante, como teria disposição para isso? Entrou em casa tentando fazer o mínimo de barulho possível e deu de cara com Tina.
– Britt meu anjo, feliz aniversário! — A asiática veio toda sorridente ao seu encontro e lhe abraçou. Brittany retribuiu o abraço estranhando aquele sorriso, Tina não estava preocupada com seu sumiço?
– Muito obrigada Tina! Meus pais não estão em casa? — Ela perguntou enquanto olhava para todos os lados.
– Não, sua mãe saiu com Quinn para comprar alguma coisa que faltou para a festa de hoje a noite e seu pai saiu bem cedo com o Samuel. — Tina disse já se virando para voltar a arrumar as coisas.
– E ninguém quer me matar pelo meu sumiço? — A loira perguntou arqueando as sobrancelhas.
– Como assim seu sumiço? Rachel ligou ontem avisando que você passaria a noite com ela, você não passou? — A baixinha se virou para Brittany com o semblante confuso e Brittany respirou aliviada, abrindo um sorriso sem jeito.
– Ah não, claro! Passei a noite com a Rach, mas pensei que eles ficariam bravos por isso. — "Rach sempre pensa em tudo", agradeceu mentalmente pela amiga que tinha.
– Não, não se preocupa. — A asiática lhe ofereceu um sorriso que Brittany retribuiu antes de voltar correndo para o carro. Ela pegou o quadro, aproveitando que ninguém estava em casa e o levou até seu quarto.
– Onde eu vou colocar isso sem que ninguém veja? — Ela olhou todo o ambiente em busca de um lugar discreto para guardá-lo, então o colocou na parede atrás do seu mural de fotos. Ninguém mexeria ali além dela, era seu ambiente sagrado.
Brittany tomou um longo banho e tentou ligar para Santana algumas vezes, caia sempre na caixa postal. Ela deixou vários recados, várias mensagens e olhava para o celular a cada 10 segundos com a esperança de alguma resposta, algum sinal de vida, mas nada acontecia. Ela pegou sua câmera fotográfica e se deitou em sua cama, começou a olhar as diversas fotos que havia tirado de Santana ali. Uma mais perfeita que a outra, mas não podia ser diferente, era Santana. Então ela parou em uma foto das duas em Washington, quando viajaram juntas para a mostra de artes, as duas estavam sujas de sorvete e Santana tinha o sorriso com covinhas mais lindo do mundo no rosto. Seu coração apertou no mesmo instante. Onde estava sua morena? As lágrimas já estavam prestes a escorrer em seu rosto quando ela ouviu batidas na porta.
– Quem é? — Ela gritou dali mesmo, sem a menor vontade de se levantar.
– Sou eu Britt, posso entrar? — Ela ouviu a voz de Quinn do outro lado da porta e revirou os olhos. Não é que ela não gostasse da loira, ela gostava muito, mas toda essa situação a esteja deixando com um sentimento muito ruim em relação a Quinn.
– Entra, tá aberto. — Ela disse se recompondo rapidamente e desligando a câmera.
– Que cara é essa? É seu aniversário, os 18 anos que você tanto queria, não está feliz? — A loira de cabelos curtos caminhou em sua direção com uma caixinha de veludo vermelha nas mãos e se inclinou para abraçar Brittany, que não fez questão de se levantar da cama.
– Claro que estou, só estou meio resfriada eu acho, sem muito ânimo. — Ela forçou um sorriso para a outra loira que pareceu não perceber o que havia por trás dele.
– Então toma, abre, espero que você goste tanto quanto eu! — Ela tinha aquele sorriso enorme digno de Quinn Fabray estampado nos lábios, Brittany não pode deixar de retribui-lo quando pegou a caixinha vermelha das mãos da loira.
– O que é isso Quinn? — A loira questionou enquanto retirava um cordão de ouro com um pingente de uma "menininha" de dentro da caixinha.
– Uma vez quando conversávamos em Londres, você me disse que se um dia tivesse um filho, gostaria que fosse menina, e eu te disse que preferia ter um menino. Então eu comprei esses pingentes, o meu é um menino e o seu é a menina. Assim nós já podemos ir pensando em alguns nomes também. Quem sabe não temos sorte e são gêmeos? — Ela sorriu enquanto puxava para fora do vestido o cordão igual ao de Brittany com o pingente de menino.
– Dois? Você tá louca? Um já é demais! — Brittany se desesperou só com a hipótese de serem gêmeos.
– Eu tô só brincando Britt, e não precisa fazer essa cara, já te disse que se quiser eu assumo esse filho sozinha. — O sorriso que a loira tinha no rosto antes fora substituído por um bico enorme e ela abaixou a cabeça.
– Não é isso Quinn, desculpa. Eu adorei o presente. — Ela lhe ofereceu mais uma vez aquele sorriso meio forçado. Apesar de tudo o que isso estava causando, era uma sensação muito boa pensar em seu filho, uma criança, uma vida, um pedacinho dela fora de si.
***
Se passavam das 20h da noite quando os convidados começaram a chegar na mansão dos Pierce. Brittany foi obrigada a se arrumar e a manter um sorriso de uma felicidade que ela não tinha naquele momento para encarar as pessoas. A cada cinco minutos elas procurava um jeito de dar uma escapada para tentar ligar para Santana, e nenhum sinal da latina. Ela já estava enlouquecendo, por sorte Rachel estava com ela o tempo todo.
– E ai, nada dela? — A baixinha perguntou quando viu a loira voltar desanimada do banheiro.
– Nada! Eu não faço a menor ideia de onde ela pode ter se enfiado Rach, eu vou pirar! — A loira respirava fundo para não perder o controle e começar a chorar novamente ali na frente de todos.
– Acho que chegou alguém que pode te ajudar. — Rachel apontou para Kurt que caminhava todo sorridente com um presente nas mãos em direção a Brittany.
– KURT! — A loira gritou e correu em direção ao rapaz de braços abertos, abraçando-o mais forte do que ele esperava.
– Ei Britt isso tudo é saudade? — Ele gargalhou entregando o presente a loira.
– Kurt, você sabe onde Santana está? — A loira perguntou sem cerimônias.
– A Tana não está aqui? Não sei não, tinha uma ligação perdida do celular dela no telefone de casa, mas eu não retornei porque pensei que ela estivesse aqui. — Kurt franziu o cenho.
– Liga pra ela agora, por favor! — Rachel beliscou o braço de Brittany quando a loira terminou de falar e a lançou um olhar reprovador, ela não podia parecer tão desesperada atrás da latina ou todos notariam.
– Tudo bem, eu vou ligar. — Kurt disse se sentando em uma das mesas postas no jardim. Um, dois, três toques e a latina atendeu. — Alô? Tana?
* Ligação On *
– Kurt? Onde você tá? Que barulho é esse? — Santana respondeu com a voz sonolenta.
– Eu estou na casa dos Pierce, hello! Festa da Britt, você não vem? — O coração da latina gelou ao ouvir isso.
– Eu tenho que desligar, me liga quando estiver em casa, ok? Tchau! — Kurt não teve nem chance de responder, a ligação foi cortada.
* Ligação Of *
– O que ela disse? — Brittany perguntou já não conseguindo disfarçar o interesse.
– Ela disse que tinha que desligar e pediu para eu ligar quando chegar em casa. Muito estranho! — Ele cerrou os olhos e encarou as duas meninas nervosas a sua frente. — Aconteceu alguma coisa?
– Não! — Responderam juntas e Kurt estranhou ainda mais aquilo. A sorte das meninas foi que o rapaz avistou Susan do outro lado do jardim e correu para falar com a amiga. As duas soltaram um longo suspiro e voltaram a se sentar.
– Britt, eu sei que você gosta muito dessa anãzinha, mas tem outros convidados na festa, dá pra desgrudar dela um pouco? — Quinn disse quando se sentou ao lado de Brittany e Rachel na mesa. A baixinha encarou a loira totalmente incrédula. "Quem essa loira aguada pensa que é?", a baixinha se levantou e Brittany apenas cobriu o rosto com as mãos.
– Escuta aqui sua loira azeda, quem você pensa que é para me chamar de anã? Você não tem nem 20 centímetros a mais que eu! — Ela esbravejou para cima de Quinn.
– Se enxerga projeto de gente, eu sou quase duas de você! — Brittany bufou, aquela seria uma longa noite. Ela se levantou e deixou as duas discutindo em seu mundo avulso e foi atrás de seus amigos.
***
Brittany nem acreditava que aquela noite havia chegado ao fim. Foi torturante demais ter que aguentar todos seus familiares lhe parabenizando por um filho que ela nem queria ter. Ter que encontrar o horroroso do Finn novamente e ouvi-lo perguntar por Santana a cada cinco minutos. Quinn e Rachel trocando farpas e seus pais a empurrando para a loira o tempo todo. Ela só queria sua.. sua.. ela nem sabia como definir Santana em sua vida.
– Por que eu não a pedi em namoro e assumi isso logo? Seria tão mais fácil agora. Tudo seria mais fácil se ela estivesse comigo. — Brittany bufou e se jogou em um dos bancos no jardim com uma garrafa de vinho nas mãos. — Pelo menos agora eu sou de maior e posso beber sem ninguém pra me perturbar. — Ela deu o primeiro gole na garrafa. Já havia se cansado de ligar para a latina, mandar mensagens, estava mais do que claro que ela não ia responder. — Mas não, eu sou burra. Eu sempre tenho que ser burra e deixar a felicidade escapar das minhas mãos. — Ela falava sozinha enquanto tomava mais alguns goles do vinho. Ela viu as luzes do quarto de seus pais apagarem, e logo em seguida o do quarto de hóspedes onde Quinn estava. Suspirou, pelo menos não teria que aturar mais ninguém no seu pé. E nesse meio tempo foi metade da garrafa de vinho. — Droga, San, cadê você? — Ela falou um pouco mais alto do que gostaria.
– Britt? — Ela ouviu a voz de Sam e olhou para trás, o loiro se aproximava devagar.
– Oi maninho! — Ela respondeu com uma risada.
– Você está bem? Parece... bêbada? — Ele franziu o cenho e se sentou ao seu lado, pegando a garrafa de suas mãos. Brittany gargalhou.
– Bêbada? Quem está bêbada? Não viaja Sam! Me dá isso aqui.- Ela pegou novamente a garrafa das mãos do irmão e bebeu mais um pouco do líquido.
– Você não gosta de beber, por que está fazendo isso? — Ele se virou de frente para ela esperando por uma resposta.
– O que você sabe sobre isso? Ninguém sabe nada sobre o que eu gosto, ninguém se preocupa em me perguntar nada antes de tomar qualquer atitude! Ninguém se preocupa comigo! — Ela esbravejou antes de começar a chorar e abraçar os joelhos.
– Ei, o que aconteceu Britt? — Sam prontamente a abraçou e acariciou suas costas na tentativa de acalmar a irmã. — É claro que a gente se preocupa com você, por que tá dizendo essas coisas? — Brittany permaneceu em silêncio até cessar o choro e se afastou um pouco do irmão.
– Esquece, eu só quero minha cama. — Ela se levantou rapidamente e sentiu uma tontura pelo efeito do álcool, Sam se levantou e apoiou o braço da irmã.
– Vem, vamos subir. — Ele a acompanhou até seu quarto e a fez deitar-se em sua cama, antes de fechar a porta e seguir para o seu próprio quarto.
***
– Latina doida, o que tá acontecendo? — Kurt perguntou assim que Santana atendeu sua ligação.
– Não sei como explicar isso agora, porcelana. Você faz muita pergunta! — A latina respondeu com seu ar estressado de sempre.
– Eu só tô preocupado com você, sua bruxa! — Kurt revirou os olhos.
– Tá, tudo bem. Desculpa! Eu estou em Lima, vim dar um tempo na casa do meu pai. Estava com saudade de todos aqui. — Ela tentou desconversar.
– Saudade de todos? Aham Santana! Você não sente saudade nem da própria sombra, bitch! Tá fugindo do que? E por que a loirinha tava atrás de você hoje? — Santana sabia que Kurt era esperto, por mais que ela nunca houvesse contado diretamente sobre ela e Brittany, ele o conhecia o suficientemente bem para saber o que estava acontecendo durante aquele tempo.
– Brittany vai ter um filho com Quinn. — Ela se esforçou para não falhar e chorar ali mesmo no telefone com Kurt.
– Eu fiquei sabendo. Você está triste?
– O que você acha?
– Acho que você já tem idade o suficiente para encarar os problemas sem fugir como uma garotinha assustada, Tana. — A latina respirou fundo.
– Eu sei, é só que tudo isso é novo demais pra mim, sabe? Brittany é uma garota de 17 anos.
– 18! — Kurt corrigiu.
– Que seja, eu me apaixonei por uma garota que é 10 anos mais nova que eu! E ela é a filha da minha melhor amiga, da pessoa que mais me deu força pra seguir meus sonhos. E como se isso já não fosse o suficiente, agora ela vai ter um filho com outra pessoa. Você consegue me entender, Kurt? Não, ninguém consegue! — A latina desabafou já não conseguindo mais evitar o choro que estava segurando desde o começo da conversa.
– Calma, latina! Eu sei que é muita coisa pra sua cabeça, mas você escolheu isso, não foi? Você se permitiu isso! Você deixou ela se aproximar, agora tem que agir como a mulher que é, uma mulher de 28 anos, forte, que eu nunca vi desistir de nada, e lutar pela sua garota! Vai deixar acabar antes mesmo de começar? — Santana respirou fundo. Por mais desnaturado que Kurt fosse, ele parecia saber sempre as palavras certas para confortá-la.
– É eu sei, obrigada Kurt.. Mas ainda assim, eu acho que preciso de um tempo para absorver tudo isso. Só não conta pra ela onde eu estou, tá? Eu vou ligar pra Susan e inventar qualquer coisa.
– Tudo bem. Mas promete pra mim que vai se cuidar e que vai me mandar notícias?
– Olha só, o purpurina tá preocupado comigo? — Ela soltou uma risada baixa.
– Boba, eu tô falando sério!
– Ta bem, eu não vou sumir. Prometo! Agora deixa eu ir aproveitar minha sobrinha um pouco. Se cuida também, porcelana, beijo!
– Beijo latina vadia!
– Kurt espera! — Santana gritou antes do amigo desligar o telefone.
– O que foi? Quer me deixar surdo? — Ele revirou os olhos.
– Como ela está? — Seu coração se apertou só de pensar em Brittany. Como ela realmente estaria? Feliz com sua "nova família" com Quinn? Será que estava sentindo a falta de Santana? A latina se torturava a cada segundo longe do seu amor.
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