One and Only
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Duas semanas se passaram desde que Quinn fora embora. Em meio a esse tempo, Brittany e Santana se encontraram no máximo duas vezes. Não por falta de vontade da loira, que fazia de tudo para ver a latina, mas sim porque Santana parecia adivinhar quando a loira apareceria, e sempre dava um jeito de sumir. Brittany já estava quase desistindo, quando chegou na galeria e encontrou a morena de costas, observando um quadro na parede. Brittany se aproximou sem fazer barulho e levou as mãos até a cintura de Santana, sussurrando um "bu" nos ouvidos dela, que deu um pulo e consequentemente derrubou o copo de água que tinha nas mãos, o copo se quebrou em mil pedacinhos que voaram por todos os lados.
– Meu Deus, me desculpa, eu não queria ter feito isso. — Brittany disse assustada e Santana soltou uma enorme gargalhada.
– Tudo bem, eu sou muito distraída, não tem problema! — A latina falou tentando acalmar a loira.
– Ah, tem sim! Deixa minha mãe chegar e encontrar essa bagunça, vai querer nos matar. — As duas riram.
– Você tem razão, acho melhor limparmos isso. — Santana se afastou e logo voltou com uma vassoura e um pano nas mãos, Brittany tratou de pegar a vassoura dela e começou a juntar os cacos de vidro que estavam por todo o local, enquanto a latina secava a água com o pano.
Em pouco tempo elas haviam terminado e estava tudo em ordem. Elas se sentaram no sofá que havia na galeria e só então Santana reparou em como Brittany estava bonita. Não estava, na verdade ela era, e seu coração aos poucos foi acelerando e aquelas malditas borboletas voltando a dançar em seu estômago. Na verdade, aquilo deveria ser no mínimo umas 30 borboletas inquietas fazendo uma festa dentro de si. Era tão estranho como Brittany a trazia paz e a tirava ao mesmo tempo. Ela queria abraçar Brittany e dizer que havia sentido saudade, mas o que a loira pensaria ao sentir seu coração batendo daquele jeito? E, por um instante, a latina deixou-se livre de qualquer pensamento e apenas disse o que sentia vontade.
– Senti saudade de você. — Ela corou furiosamente quando Brittany a encarou com aquele sorriso no rosto.
– Eu também, você parece que some. — Santana soltou uma risada baixa, ainda corada e levou uma mecha de seus fios negros para trás da orelha.
– Eu não sumo nada. — Brittany observou a timidez da outra e achou aquilo extremamente fofo. Se aproximou da morena no sofá e por impulso, a envolveu em um abraço, o qual Santana não hesitou em retribuir. As duas pareciam movidas pelo impulso naquele dia.
– Some sim.. E eu não gosto disso. — A loira sussurrou em seu ouvido, causando-lhe um arrepio que só não fora percebido pelas roupas que cobriam seu corpo. Aquele momento teria ficado estranho se Susan não tivesse entrado na galeria cantarolando. As duas se desfizeram rapidamente daquele abraço e Brittany se levantou, seguindo em direção a mãe e abraçando-a.
– Oi meu amor, o que faz aqui? — Susan perguntou enquanto se desatava do abraço da loira.
– Vim ver como estavam as coisas. Sabe, eu não tenho muito o que fazer nessa cidade, então.. — Brittany disse tirando uma risada de Susan.
– Ok, só vem me visitar quando não tem nada melhor para fazer, né? Entendi. — Ela cerrou os olhos e balançou a cabeça negativamente e Brittany riu.
– Oi Tana! — Susan se aproximou do sofá depositando um beijo terno na testa da morena.
– Oi Su! — Ela respondeu ainda um pouco constrangida por estar abraçando Brittany quando a loira entrou.
– Precisamos resolver nossa viagem, é daqui há um dia e meio, Tana!
– Nossa, é verdade, eu já nem me lembrava mais. Mas acho que não tem muito o que resolver, certo? — Santana disse se levantando e seguindo a loira mais velha até sua sala. Brittany se aproveitou do momento para reparar na latina. Seu jeito de andar era tão gracioso, e as pernas torneadas a mostra, o bumbum redondinho dentro daquele vestido. Brittany suspirou e soltou uma risada. "Delícia", ela sussurrou antes de seguir as outras duas mulheres.
– De que viagem estão falando? — Brittany perguntou confusa, enquanto ouvia a conversa das duas.
– A mostra paralela de artes em Washington, filha. Eu e Santana vamos todos os anos. É muito bom! — Ela sorriu enquanto mexia em alguns papéis bagunçados em cima de sua mesa.
– Bom? Aquilo é maravilhoso, estou tão ansiosa para esse ano! — Santana tinha aquele sorriso nos lábios, que mostrava as covinhas e deixava Brittany com cara de boba admirando-a.
– Sério? Eu posso ir com vocês? Por favor! — A loira mais nova falou em um tom suplicante.
– Você não vai gostar, filha. Passaremos dois dias inteiros apenas vendo e falando sobre artes.
– Como se eu não gostasse de artes, né mãe? Por favor, me deixa ir, por favor, por favor! — Santana riu de como Brittany era fofa sendo insistente daquela maneira.
– Deixe ela ir, Susan. Ela vai gostar. — Santana falou ganhando a atenção das duas loiras.
– Tudo bem, mas se você me aprontar alguma por lá, eu te mato Britt! — Brittany pulou comemorando sua vitória e abraçou Santana que estava em sua frente, a latina riu e retribuiu o abraço, era tão bom ter os braços de Brittany ao redor de seu corpo. Susan apenas assistiu a cena rindo.
***
Santana havia voltado para seu apartamento no fim da tarde, depois de passar o dia todo com Brittany e Susan, e estava relaxada assistindo um programa qualquer de culinária na TV, quando seu celular começou a tocar.
– Fala, porcelana! Já tinha até estranhado esse seu sumiço. — Ela soltou uma risada divertida, sabendo que Kurt estava bravo com ela.
– Ha-ha-ha! Não tem graça. Por que você não me responde, vadia?
– Me desculpa, eu ando com a cabeça nas nuvens, mas e ai, tudo bem?
– Você perguntando se eu estou bem? Que bicho te mordeu? — Agora quem ria era ele e Santana revirava os olhos.
– Para de gracinha. Como está seu namoradinho?
– Você está realmente bem? Preocupada comigo? — Ele continuou a rir e quanto notou que a latina não estava brincando, resolveu respondê-la. — Está tudo bem, ele é um fofo, eu estou muito feliz! Mas e você? Não quer mais ver a Dani não?
– Quem é Dani? — Santana respondeu distraída olhando para a TV.
– Como assim quem é Dani, vadia? A minha amiga que você beijou na boate. — Santana soltou uma risada baixa.
– Como eu ia lembrar? Não quero dar continuidade a isso Kurt, e você sabe muito bem. Aliás, falando nisso, eu acho que ainda não te dei a bronca merecida pelo o que você aprontou comigo.
– Ih, já faz semanas, nem vem! O que temos pra hoje? Tô criando raiz dentro de casa já!
– Criando raiz por que? Seu namoradinho não te leva pra sair? — Ela riu e Kurt revirou os olhos.
– Eu quero sair com você, vadia. Se cansou de mim? Arrumou outro boy magia? — Kurt tinha ironia no tom de voz. Santana riu mais uma vez.
– Claro que não, tá com ciuminho? Você é meu porcelana favorito. Mas acho que nem rola sair, purpurina. Eu preciso me preparar para a viagem a Washington, para exposição de artes anual.
– Ah, já tinha até me esquecido. Vai com a Susan? — Kurt perguntou rapidamente.
– Sim, e com Brittany. — Um sorriso inconsciente surgiu nos lábios da latina.
– Brittany? Humm... Admite de uma vez que tem algo com essa menina! — Santana engoliu a seco. Ela sabia que não conseguiria continuar escondendo aquilo de Kurt por muito tempo, ele era seu melhor amigo, tinha o direito de saber.
– Promete que fica entre nós? — Ela perguntou ainda receosa.
– TEM ALGUMA COISA? MEU DEEEEUS. — Kurt quase deixou Santana surda com seus gritos.
– Para de gritar, porcelana! Ta maluco? — Ela gritou com a cara de dor.
– Desculpa. Mas me conta isso, e claro que fica entre nós vadia!
Santana contou toda a história para Kurt e teve que ouvir todas as piadas existentes no mundo, que o amigo fez. Mas depois de rir muito, ele aconselhou a latina e disse que lhe apoiaria em tudo, deixando Santana bem mais tranquila, porque agora ela sabia que tinha com quem contar e desabafar seus problemas. Viver aquilo tudo sozinha estava a deixando louca. A latina passou o resto da tarde arrumando suas coisas, a viagem não era nada demais, mas saber que Brittany estaria lá dessa vez, a deixou muito mais ansiosa e nervosa. Que roupas usar? O que levar? Só de pensar em ter a loira tão perto, mesmo que fosse só por dois dias, era muito bom. Mas também era assustador, e se Susan percebesse algo? Ela terminou de arrumar suas coisas e decidiu sair para comprar comida e outras coisas para sua casa, sua geladeira estava vazia e toda aquela ansiedade da latina a fazia sentir fome quase o tempo todo.
Ela se trocou sem muita pressa e seguiu para um supermercado que ficava há alguns quarteirões de seu prédio, não era tão longe, mas como sempre ela optava em ir de carro, com o som alto tocando uma música qualquer, que ela cantarolava distraída. Estacionou no supermercado e logo que entrou, deu de cara com Danielle. A loira abriu um enorme sorriso em sua direção e ela teve que retribuir, mesmo que sua vontade na verdade fosse fingir que não conhecia a moça e simplesmente passar reto. Ela engoliu a seco quando observou que a loira caminhava em sua direção e se amaldiçoou mentalmente pelo o que fez na noite da boate.
– Oi Santana, tudo bem? — Danielle se aproximou, apertando a mão da latina em cumprimento.
– O-oi.. Tudo sim e com você? — Santana forçou seu melhor sorriso enquanto apertava a mão da outra.
– Tudo certo.. Você sumiu! — Eu não sumi nada, estou sempre no mesmo lugar. — Ela soltou uma risada, ganhando um olhar questionador da loira.
– A questão é, que lugar é esse que você está sempre? — A latina engoliu a seco, não queria ter nenhum contato maior com a loira, e ela agradeceu mentalmente quando avistou Kurt do outro lado.
– Porcelana!! — Ela gritou olhando para o rapaz, fazendo com que Danielle também se virasse para ele.
– Meus amores! — Kurt sorriu e se aproximou. — Estão fazendo compras juntas?
– Não! Digo, nos esbarramos aqui. — Santana disse rapidamente.
– É, parece que todos resolveram aparecer por aqui hoje. — Danielle soltou uma risada sem graça, já entendendo que a latina queria distância.
– E o que acha de sairmos para tomar um café? — Kurt sugeriu, recebendo um olhar feio de Santana. — Sei lá, se não estiverem ocupadas.
– Ótimo! Vou adorar. — Danielle se adiantou em dizer, com um enorme sorriso dançando nos lábios. Todos ali sabiam que não era por Kurt que ela queria tomar esse café.
– Ah, bom café para vocês então. Eu vou indo, tenho uma viagem para preparar! — Santana notou o sorriso de Danielle sumir, despediu-se de Kurt com um beijo no rosto e acenou para a loira antes de sumir no próximo corredor.
Ela terminou suas compras o mais rápido que pode, com medo de encontrar com a loira mais uma vez. Guardou tudo no carro e seguiu em direção ao seu apartamento. A viagem seria no dia seguinte, Santana já havia deixado tudo pronto, então decidiu ir até o salão fazer as unhas, e quem sabe um corte novo no cabelo? Foi o que aconteceu, sabe quando você pede para sua cabeleireira tirar dois dedos do seu cabelo e ela tira dez? Santana voltou para casa com os cabelos na altura dos ombros, mas ela havia adorado. Estava diferente, e estava lindo.
A latina comia tranquilamente uma massa que havia preparado, quando o telefone tocou e ela correu para atender.
– Alô?
– Tana, minha querida! — Susan respondeu com uma voz de choro do outro lado da linha.
– Su? Tá tudo bem? Você está chorando? — Santana se assustou com a voz da amiga e logo uma preocupação enorme tomou conta de seu peito. Será que havia acontecido algo com Brittany? Não que ela fosse egoísta e só se preocupasse com a loira, mas a primeira coisa que veio em sua cabeça, inevitavelmente foi isso.
– Estava, mas não se preocupe, foi só um susto. O Samuel sofreu um acidente de moto e está hospitalizado, não foi nada grave, mas você sabe como eu sou. — Ela disse tranquilizando um pouco a latina.
– Oh meu Deus, e como ele está? Em que hospital estão? Vou já prai! — Santana disse já se levantando de onde estava em busca de suas chaves.
– Calma Tana! Não precisa. Ele está desacordado agora por causa dos analgésicos que deram para diminuir a dor dele, mas ele está bem, não fraturou nada e em poucos dias já pode voltar pra casa, só precisa fazer uma bateria de exames e passar algumas noites em observação para confirmar.
– Tem certeza que não quer que eu vá? Você deve estar precisando de alguém agora. E me conta, como foi isso?
– Tenho meu amor. Jorge está aqui e Brittany também. Eu só liguei porque queria avisar que não vou poder viajar com o Sam aqui. E foi algo com a chuva, os pneus da moto deslizaram e ele caiu, mas foram só alguns arranhões, como eu disse não foi nada grave. — Susan suspirou do outro lado e Santana sentiu novamente um aperto no peito.
– Olha, eu só vou arrumar uma bagunça que fiz aqui e vou prai, está bem? Não vou conseguir ficar quieta aqui mesmo. — Ela disse enquanto levava o prato sujo até a pia.
– Tudo bem meu amor, mas repito que não precisa! — Susan tentou passar uma tranquilidade que não tinha.
– Você me deixaria sozinha nessa situação?
– Claro que não, mas eu não estou sozinha.
– De qualquer forma, me diga onde estão?
– No hospital Sant Jaimes, amor.
– Ok, em vinte minutos estou ai!
Susan teve que concordar, sabia que Santana era teimosa e quando queria algo, fazia. Elas se despediram e a latina se trocou rapidamente, lavou a louça suja sob a pia e seguiu em direção ao hospital. Durante aquele susto, ela nem mesmo digeriu direito a informação de que Susan não poderia mais viajar. Toda sua preocupação em passar dois dias com Brittany foram em vão. Mas ela não deveria pensar nisso agora, o bem de Sam estava em primeiro lugar.
Ela chegou no hospital pouco mais de vinte minutos depois. Encontrou a família Pierce no corredor, Jorge estava sentado em uma das cadeiras de espera, ao lado de Brittany que estava com a cabeça deitada em seu ombro, e Susan caminhava de um lado para o outro, visivelmente aflita. Santana caminhou sem ser notada até se aproximar da amiga, segurou Susan pelos braços, pois a mulher não parava quieta. Ela sorriu aliviada ao encontrar o rosto conhecido da latina, e Santana a abraçou. Foi um abraço que dispensa palavras. Amigo, companheiro, reconfortante. Um abraço que diz muito em silêncio. Jorge e Brittany assistiram a cena também em silêncio, todos ali sabiam da tranquilidade que Susan e Santana podiam proporcionar uma a outra, então ninguém quis interromper. Elas se separaram depois de algum tempo e Santana limpou a garganta antes quebrar o silêncio instalado no lugar.
– Alguma notícia? — Ela perguntou, se virando para os dois Pierces sentados ao seu lado.
– Ele está bem, Tana. Só não acordou ainda. Susan é uma exagerada, você sabe! — Jorge se pronunciou, fazendo Brittany e Santana rirem, e Susan o fuzilar com o olhar.
– Eu não sou exagerada, querido! Eu quero meu bebê bem logo. — E mais risadas.
– Sam iria adorar ver a senhora chamando-o de bebê, por Deus mami! — Brittany debochou da mãe.
– Parem gente, ela é mãe, é normal que se preocupe, vocês dois são muito maldosos! — Santana disse abraçando novamente a amiga.
– Viu só? Vocês deveriam me apoiar dessa maneira! — Susan cerrou os olhos fazendo todos rirem novamente.
– Para de bobeira mãe, eu te apoio sim. — Brittany se levantou e abraçou Susan também, consequentemente passando os braços por Santana, que sentiu seu coração acelerar com aquele simples toque. Jorge observou a cena com um sorriso no rosto. As três mulheres que ele mais gostava, juntas, daquela maneira, era algo bonito de se ver. Ele não se aguentou e se levantou, seguindo em direção a elas e envolvendo-as em seus braços, os quatro ficaram ali apenas desfrutando daquele carinho em "família", que era completamente confortável. Até que um médico surgiu no corredor e interrompeu a cena.
– Que bela cena de se ver, família unida! — Ele abriu um sorriso chamando a atenção de todos.
– Doutor, como ele está? — Susan logo se adiantou em perguntar sobre Sam.
– Ele acabou de acordar, aparentemente está tudo bem. Ele pode receber visitas, mas só duas pessoas por vez, por favor. — O médico disse enquanto anotava alguma coisa em sua prancheta.
– Eu quero vê-lo, me leve até ele! — Susan se sentiu mais aliviada agora.
– Calma querida, vamos vê-lo. Depois vocês vão, ok meninas? — Jorge disse olhando para Brittany e Santana que assentiram com a cabeça.
O médico levou os dois até o quarto e Sam abriu um sorriso ao ver os pais. Susan correu até ele para abraçá-lo, mas teve que soltar logo, pois seu abraço — apertado — de mãe, estava machucando Sam. Os três passaram um tempo ali conversando, o médico observava a interação de Sam, para saber se não havia ficado nenhuma sequela do acidente e etc. No tempo em que Jorge e Susan passaram no quarto com Sam, Santana e Brittany se sentaram nas cadeiras para esperarem a vez de ver o rapaz. Brittany observou a latina e só então, depois de todo aquele papo furado, ela notou o cabelo diferente em Santana. Seu queixo caiu, como ela estava linda! Com um ar mais juvenil, e sexy ao mesmo tempo. Ela teve que se segurar para não fazer nenhum comentário exagerado naquele momento.
– Uau, seu cabelo! — Ela disse com os olhos grudados na latina ao seu lado. Santana riu.
– Achei que ninguém fosse reparar, já estava ficando triste! — Ela mexeu nos cabelos, fazendo um biquinho lindo, que se Brittany pudesse, beijaria ali mesmo.
– Claro que eu reparei, está tão diferente, meu Deus! — Brittany ainda estava boba com o fato de que Santana conseguia ficar ainda mais linda a cada dia. Como isso era possível?
– Diferente? E isso é bom? — Ela abriu aquele sorriso, com covinhas, mais uma vez. Maldição, Brittany dizia em pensamentos.
– Está linda. — Ela sorriu, fazendo com que Santana corasse imediatamente.
– Meninas! — Jorge apareceu no corredor, chamando a atenção das duas. — Eu vou pra casa buscar umas coisas para o Samuel, o médico disse que se vocês duas se comportarem direitinho, podem entrar!
Brittany saiu do transe em que estava, babando por Santana. E se levantou, puxando a latina pelo corredor, e apenas concordou com a cabeça para seu pai, dizendo que se comportariam. Entraram no quarto e Susan estava lá, quase subindo em cima do filho. Santana riu com a cena, sua amiga era muito protetora. Será que ela também seria assim quando tivesse filhos? Sim, apesar de sua opção sexual não facilitar muito, ela adoraria ter filhos. E logo algo veio em sua cabeça perturbando-a. Brittany. Brittany era uma garota, e ela gostava de garotas — especialmente da loira — e Brittany tinha seu defeito especial, que poderia lhe dar filhos. Meu Deus, como ela era perfeita. Santana tinha cada vez mais certeza de que Brittany era tudo o que ela precisava, tudo o que lhe faltava para ser completamente feliz. Mas ela não podia, era impossível. Seu coração apertou novamente, porque tudo tinha que ser assim tão complicado?
– Vocês não deveriam estar preparando uma viagem? — Sam perguntou, enquanto se ajeitava para se sentar na cama.
– Que viagem meu filho? Você acha que a mamãe vai te deixar aqui sozinho? — Susan se adiantou em dizer, enquanto ajudava o loiro a se posicionar confortavelmente na cama.
– Ah, mãe! Qual é? Eu estou super bem, foi só um susto. E vocês estão esperando essa viagem o ano todo! — Sam teimou em dizer.
– Sua mãe tem razão, criança, não vamos nos divertir sabendo que você está em um hospital, fora de cogitação! — Santana interrompeu, se apoiando na beirada da cama.
– Ei Tana, nada disso. Eu vou ficar aqui com o Sam, mas você estava muito ansiosa para isso, não tem porque perder! — Susan se virou para a amiga, lhe dando um sorriso.
– Mas... — Santana tentou falar, mas logo foi interrompida novamente por Susan.
– Mas nada, e outra, Brittany também estava animada, sei que vocês duas podem se virar muito bem sem mim! Acho até que será mais divertido sem a velha aqui por perto. — Ela riu, recebendo sorrisos e caretas de todos.
– Que besteira, é sempre divertido com você. Mas não acho que devemos ir, Su! — Santana insistiu.
– Eu também acho que não mami, Sam vai querer minha ilustre companhia por aqui. — Brittany se pronunciou pela primeira vez, bagunçando os cabelos do irmão que a encarou com uma expressão de bravo. Ela apenas riu.
– É sério, gente! Eu tô bem, sei que não vou conseguir convencer a mamãe, mas não vejo motivos para vocês duas não irem! — Por fim Sam as convenceu.
Santana era teimosa, mas uma parte dela estava louca para passar aquele tempo com Brittany, e agora seriam só as duas, o que talvez fosse assustador, mas bom ao mesmo tempo. Brittany também se deixou convencer. Ela mal podia se conter dentro de si, para ter Santana tão perto, só as duas. Isso seria uma ótima oportunidade. Os quatro passaram um bom tempo apenas conversando, até que Jorge voltou com os objetos pessoais de Sam, o rapaz logo adormeceu novamente. Susan insistiu para dormir no hospital com o filho, e Jorge como um bom marido, mesmo sabendo que não era necessário e que Sam estava bem, também ficou por lá mesmo. Santana e Brittany foram embora, pois a viagem seria na manhã seguinte e já se passavam das dez da noite. Elas ainda estavam um pouco receosas por viajarem com Sam nessa situação, mas como todos haviam insistido tanto, elas resolveram ir.
Santana chegou em casa sem muita pressa, limpou a cozinha direito e tomou um banho longo, indo direto para cama em seguida. Já havia deixado tudo pronto para a viagem durante o dia, então era só relaxar e descansar até amanhã. Ela se acomodou em sua cama e como de costume, fitou o teto por alguns instantes quando seus pensamentos foram tomados pela loira já tão familiar. "Por Díos, por que eu não consigo ficar um minuto sequer, sem pensar nela?" Ela afundou o rosto no travesseiro e esperou que o sono viesse. Ainda demorou um bom tempo até que ela conseguisse finalmente adormecer.
Brittany chegou em casa e ainda nem havia preparado o que levaria. Estava sim empolgada com a viagem, mas sua cabeça ainda estava em Sam e em tudo que estava acontecendo. Eles eram muito apegados e ela ainda não estava completamente satisfeita em deixá-lo no hospital e viajar com Santana. Ela balançou a cabeça espantando seus pensamentos e abriu a mala, colocando-a sobre a cama e começou a organizar algumas peças de roupa dentro da mesma. Ela não sabia ao certo se estaria frio ou calor, portanto colocou mais roupas do que deveria. Por fim, terminou a mala e a deixou em um canto qualquer do quarto e seguiu para o banheiro. Tomou um banho longo, sem se preocupar com o tempo ou o sono que ela nem tinha. Quando saiu, vestiu uma roupa confortável para dormir e desceu as escadas silenciosamente, pois já se passavam da meia noite, e mesmo que seus pais não estivessem em casa, ela sabia que Tina estaria dormindo e não gostava de incomodar. Ela sabia que se fizesse qualquer barulho, logo a empregada surgiria perguntando se ela precisava de algo. Então com o máximo de cuidado possível, ela foi até a cozinha e tomou um copo de leite, dois, três copos de leite. Sim, ela estava com fome. Voltou para seu quarto da mesma forma que chegou e se deitou, esperando o sono por mais ou menos umas duas horas até que ele chegasse.
***
– Bom dia princesa. — Jorge disse enquanto se abaixava ao lado da cama de Brittany e lhe beijava a bochecha. Ela abriu os olhos preguiçosamente e sorriu para ele.
– Bom dia pai! Que horas são? — Ela se lembrou da viagem e deu um pulo da cama, procurando por um relógio.
– Calma, ainda faltam duas horas para o seu voo. Deixei sua mãe com Sam e vim para te levar ao aeroporto. Tana vai nos encontrar aqui daqui há uma hora. Você tem tempo de sobra. — Ele sorriu e bagunçou os cabelos loiros da filha, mais do que já estavam. Brittany riu aliviada
– Como você consegue sempre resolver tudo ao mesmo tempo? — Jorge riu e beijou novamente o rosto de Brittany.
– Eu não consigo resolver tudo ao mesmo tempo sempre, filha. Agora vai tomar seu banho e desce para tomar um café gostoso comigo! — Ele saiu deixando uma Brittany sonolenta para trás.
A loira seguiu para o banheiro e tomou um banho não muito demorado. Enquanto a água quente escorria por seu corpo levando toda aquela sonolência junto, ela só conseguia pensar no sorriso de Santana. Só agora estava caindo sua ficha. Ela iria viajar com Santana, sozinhas. Só as duas por dois dias em um lugar bem distante de tudo. Aquilo era maravilhoso, ela finalmente teria uma oportunidade de fazer o que queria. Sim, ela queria se declarar para a latina e lutar para tê-la, mesmo sabendo que suas chances eram bem poucos, devido a tudo que Sam e Rachel já haviam lhe dito. Santana era muita mulher para ela. Tinha onze anos a mais, muito mais experiência e com toda certeza do mundo, poderia ter qualquer homem ou qualquer mulher a hora que quisesse, do jeito que era linda, ninguém a recusaria. Mas mesmo com todos esses motivos, ela não iria deixar de tentar. Ela sentia que Santana era tudo o que ela precisava, ela era perfeita. Não só pela forma física, o qual Brittany não tinha do que se queixar. Mas também na forma de ser, Santana era tão educada e tão elegante, gostava de quase todas as mesmas coisas que Brittany, se dava bem com sua família e tinha um mistério intrigante que carregava no olhar. Aquilo já era o bastante para deixar a loira completamente apaixonada e fissurada nela. Ela queria Santana e ela iria brigar por isso, estava decidida.
Brittany acabou seu banho sem pressa, passou um tempo na frente do espelho enquanto secava os fios loiros que escorriam pelos ombros e se trocou. Vestiu uma roupa bonita, porém confortável para viajar. Seria menos que 3 horas de avião, mas mesmo assim ela gostava de estar preparada. Procurou por sua mala onde havia deixado na noite anterior, mas notou que seu pai já havia se encarregado de levá-la para parte debaixo da casa, então pegou sua bolsa e desceu as escadas cantarolando uma música qualquer e encontrou seu pai na mesa do café. Os dois tomaram o café em um clima descontraído, Jorge ligou para Susan e os quatro Pierce's conversaram através do vivo-a-voz do celular durante todo o café. Samuel se divertia com a implicância de seu pai com Brittany que ficava brava. O tempo passou rápido e Santana logo chegou na casa. Mais linda do que nunca, na opinião de Brittany. A latina vestia um vestido preto solto no corpo e um scarpin no mesmo tom. Os cabelos curtos jogados nos ombros e o rímel de sempre nos olhos. Não precisava de muito para ficar incrível. Elas trocaram olhares cúmplices durante todo o caminho até o aeroporto.
– Bom, agora é com vocês princesas. Se comportem e se divirtam, ok? — Jorge disse assim que colocou a mala das duas no saguão do aeroporto.
– Pai, ou a gente se comporta, ou a gente se diverte. Não tem como a gente se divertir comportadas. — Santana gargalhou com a cara de bravo que Jorge fez ao ouvir Brittany.
– Ela está brincando! É claro que vamos nos comportar e vamos sim nos divertir! — Santana falou rapidamente tentando não prolongar as provocações de Brittany.
– Eu acho bom! — Jorge cerrou os olhos mas não hesitou um sorriso, beijou o rosto das duas e se despediu.
O momento temido pelas duas havia chegado. Estavam sozinhas, as duas, por dois dias. O que fazer agora? O que dizer? As duas estavam felizes por estarem ali juntas, mas estavam igualmente nervosas e assustadas, sem reação. E como sempre, com seu jeito moleca, Brittany quebrou o silêncio.
– Bom, acho melhor nós irmos logo pro avião, ou a única viagem que faremos hoje vai ser de volta para casa. — Santana soltou uma risada baixa e apenas concordou com a cabeça. Puxou sua mala e pegou sua bolsa, seguindo para a área de embarque, sendo seguida por Brittany.
As duas entraram no avião e se acomodaram, o voo sairia em poucos minutos e apesar da expressão confiante, Brittany sabia que Santana ficava insegura durante qualquer voo, para não chamá-la de medrosa. Susan havia lhe contado várias histórias sobre isso e ela não perderia uma oportunidade de brincar com a latina.
– Então, soube que o tempo vai ficar ruim hoje, temos que agradecer se chegarmos a Washington com vida. — Santana olhou para a loira com os olhos arregalados e colocou a mão no peito.
– Como assim o tempo vai ficar ruim? Disseram que hoje estava perfeito para quem quisesse viajar de avião, sem nenhuma turbulência ou coisa do tipo. Eu quero sair daqui, eu não vou mais! — A voz da latina saia entrecortada e Brittany não foi capaz de evitar sua risada.
– Eu estou brincando San, mamãe me disse que você tinha medo de andar de avião mas eu não sabia que era tanto assim! — Brittany ria ainda mais e Santana fechou a cara, cruzou os braços e virou o rosto para a janela. — Ei, vai ficar brava comigo? Foi só uma brincadeira. — Brittany levou delicadamente os dedos até o queixo da latina, virando seu rosto para si.
– Não tem graça, Brittany! — A latina cerrou os olhos e aquilo até teria deixado Brittany com medo, se ela não tivesse achado tão lindo o bico e o olhar que a latina deu.
– Você fica tão bonitinha brava. — Aquelas palavras apenas saíram da boca de Brittany, sem que ela pudesse impedir. Quando notou, já havia dito e Santana estava corada. Aquele momento seria tão perfeito para beijar sua morena, com os dedos apoiados em seu queixo e seus rostos próximos um ao outro. Brittany estava prestes a cometer uma loucura quando Santana virou novamente o rosto para a janela.
– Sua boba. Isso não teve graça, me aguarde! — A latina respirou fundo e fechou os olhos, não podia deixar que Brittany visse como ela a deixava. "Meu Deus, como uma menina pode fazer isso com você Santana? Você é uma mulher confiante!" Ela tentava convencer a si mesma em pensamentos.
Em poucos minutos o voo partiu e Santana relaxou na poltrona, Brittany passou todo o tempo lendo algum livro e Santana ainda virada para a janela, adormeceu. O voo foi tranquilo, ao contrário do que Brittany dissera para assustar a morena e elas chegaram antes do esperado. A latina ainda dormia quando foi liberada a saída do avião. Brittany a observou por algum tempo com receios de acordá-la, Santana estava com uma expressão tão tranquila, tão linda. A loira sentia que poderia passar horas e horas ali, apenas observando-a dormir. Mas infelizmente isso não era possível, ela tinha que acordar Santana. Então ela tirou os fones que a latina tinha nos ouvidos e se aproximou lentamente, sussurrando um "San, chegamos", próximo aos seus ouvidos. A latina logo despertou com um sorriso inconsciente nos lábios e naquele mesmo instante, ela decidiu que aquela era a forma mais gostosa de acordar. Com a voz da sua loirinha favorita no mundo.
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