One and Only
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Brittany S. Pierce era uma garota de 17 anos, nascida e criada em Nova Iorque por seus pais Susan e Jorge Pierce. Brittany tinha um irmão mais velho, Sam, de 23 anos. Ela havia se mudado para Londres, para casa de seus tios quando tinha apenas 12 anos de idade, para seguir seus sonhos, e seus pais não tentaram impedir. Ela queria ser fotógrafa, não uma fotógrafa qualquer, ela queria se destacar naquilo, e em Londres ela teria um curso especial que não encontraria em nenhum outro lugar. Então por isso ela passou 5 anos por lá, onde concluiu seus estudos e também o tal curso. Brittany era diferente, não só pela personalidade, mas pelo seu físico. Quando ela nasceu, ninguém soube identificar o que houve, ela era uma menina, tinha todos os aspectos de uma, mas da cintura para baixo ela era um menino! Sim, Brittany tinha as genitálias masculinas e seus pais tiveram que gastar muito dinheiro para que a mídia não transformasse sua filha em uma aberração conhecida pelo mundo todo. Apenas as pessoas mais chegadas da família sabiam sobre seu problema e já haviam se acostumado, era praticamente normal para eles. Ela estaria de volta em Nova Iorque esse ano e todos esperavam ansiosos por ela, o que ela não sabia é que se reencontrar com uma tal morena mudaria completamente sua vida.
- E então, minha linda, como estão as artes? — Questionou Susan enquanto levava uma garfada de seu almoço até a boca.
— Estão bem. Na verdade, nunca estiveram melhores. Ando bem inspirada para uma nova coleção, acho que pode fazer sucesso! — Santana respondia com seu tom mais entusiasmado.
- Que bom, querida! Estou tão feliz, tudo parece estar dando certo. — A mais velha sorria largamente encarando a latina a sua frente.
- Aé? E bom, essa felicidade não é só pela minha nova coleção de quadros, então, ao que devemos essa alegria? — Santana arqueou as sobrancelhas com um meio sorriso no rosto enquanto encarava a loira com curiosidade no olhar.
- Bom, em dois dias minha pequena está de volta, Tana! Mal posso esperar para ter a Brittany em casa de novo. — A mulher sorria ainda mais, correndo o risco de que seu rosto se partisse em dois a qualquer momento, e esfregava uma mão na outra apressadamente.
Santana riu baixo observando a animação da amiga.
- Então Brittany vem mesmo? Achei que fosse só uma brincadeira. Que bom, Susan, eu fico realmente feliz. Sei o quanto sente a falta de sua filha. — De repente o sorriso no rosto da loira se desfez e ela encarou a janela ao seu lado com um semblante triste e desanimado.
- O que foi? Eu falei algo errado? — Santana questionou o olhar da outra.
- Não minha querida, claro que não. É só que ela chega na quinta às 10h, e eu estarei super ocupada com uma produção lá na galeria e Jorge vai estar na Califórnia, e bom, nunca podemos contar com Sam, você sabe. Então não terá ninguém para recebê-la no aeroporto. Eu queria que ela se sentisse bem recepcionada quando voltasse, depois de tanto tempo, sabe? — A mulher agora brincava com a comida em seu prato, demonstrando o mínimo de vontade para comer.
- Ora, é isso? E por que eu não vou buscá-la? Estou mesmo curiosa para vê-la. — Susan subiu o olhar até Santana e o sorriso anterior se reinstalou no rosto da mulher.
- Você faria isso?
- Claro que sim, Susan. Vai me dizer que não se lembra quem te acompanhou quando foi deixar a pequena no aeroporto? É mais do que justo que eu a receba. Preciso ver a moça que ela deve ter se transformado! — A latina falava animada, mais animada do que o normal, na verdade.
- Poxa, eu nem sei como agradecer querida, é sério, eu fico muito grata!
- Não por isso! — Ela segurou as mãos claras entre as suas e compartilharam de um sorriso cúmplice.
- Eu ainda não acredito que ela decidiu fazer faculdade aqui!
O resto do almoço foi preenchido por conversas sobre Brittany, sobre tudo o que a pequena loira havia feito durante o ensino fundamental e o ensino médio — tempo que passou em Londres com seus tios — e Susan contava empolgada sobre a decisão dela voltar para Nova Iorque. Santana e Susan trabalhavam juntas há 8 anos, desde que a latina terminou a faculdade de artes plásticas, com 20 anos (Sim, ela entrou para faculdade precoce) e se mudou de Ohio em procura de mostrar seu talento para o mundo. Bom, ela ainda não conseguiu isso, mas suas telas e quadros eram conhecidas e apreciadas por boa parte dos frequentadores da Pierce's Galery, a galeria de Susan, onde Santana expunha suas artes exclusivamente. A galeria tinha nome e prestígio em toda Nova Iorque. Depois de todo esse tempo "trabalhando juntas" Santana e Susan, apesar da diferença de idade, haviam se tornado melhores amigas e compartilhavam praticamente tudo.
***
Quinta-feira chegou. Santana levantou cedo, como de costume. Vestia apenas uma camisa de mangas um tanto quanto transparente e uma calcinha preta, ela se sentia à vontade para andar pelo seu apartamento assim. Afinal, ela morava sozinha e ela tinha essa liberdade. Entrou em sua pequena galeria, na verdade um quarto onde ela passava quase todo tempo pintando e desenhando novas telas, tudo o que vinha a sua cabeça. Admirou algumas artes e sem muita animação para trabalhar, decidiu tomar seu banho e aprontar-se para enfim, buscar Brittany.
O aeroporto parecia ainda mais lotado do que a última vez que estivera ali. Ela se perguntava se o vôo da loira já havia chegado e logo ela teve sua resposta, quando avistou a loira sorrindo em sua direção com uma mala enorme ao seu lado. Santana teve que se manter firme para não deixar seu queixo cair até o chão. Ela estava literalmente de boca aberta. Aquela loira espetacular que agora dava passos longos em sua direção não poderia ser Brittany. Não aquela Brittany magricela e irritante que ela deixara no aeroporto junto a Susan há 5 anos atrás. A loira seguia em sua direção com um enorme sorriso no rosto. Dentes incrivelmente brancos em contraste com lábios rosados perfeitos, maldição. A bolsa jogada no ombro direito, a camisa de banda largada e o micro short que não cobria um terço de suas pernas. E que pernas, Santana engasgou. Ela sabia que Brittany havia praticado aulas de dança todo o tempo que esteve fora e que adorava percorrer toda a cidade de bicicleta para fotografar tudo e todos. Mas, não era possível que isso teria lhe rendido aquelas pernas.
- Oi! — A loira pronunciou quando finalmente se aproximou da latina, tirando-a de seu pequeno transe.
- Oi, Brittany! — A latina sorriu desconcertada com seus pensamentos.
- Mamãe me avisou que viria me buscar, como está? — Ela se aproximou envolvendo a latina pelo pescoço e abraçando-a. Santana mal soube como reagir aquela atitude e logo seus braços estavam ao redor da cintura fina da loira.
- Sim, infelizmente seus pais estão ocupados e Sam, bom, não sei exatamente onde ele está. — Santana se separou dos braços da menina, aquele abraço parecia ter durado mais do que realmente deveria ter durado.
- Meu irmão não mudou nada pelo visto. — Brittany movia a cabeça em negação.
- Pois é, algumas coisas não mudam, já outras..
- O que?
- N-nada... É, vamos? — Brittany apenas assentiu com a cabeça e se dirigiram até o estacionamento do aeroporto. Santana puxava a enorme mala de rodinhas de Brittany e a garota a seguia em silêncio. Guardaram tudo no porta-malas e entraram no carro.
- Nossa, esse tempo está abafado hoje. — Disse a latina levando a mão até a testa secando algumas gotas de suor que se acumularam ali.
- Sério? Acho que está um clima bem gostoso.
- Então, eu tenho que te deixar em casa, mas podemos comer algo antes. O que você me diz?
- Pode ser.. — A loira sorriu levando os fones até a orelha e se sincronizando com a música que agora tocava.
Durante todo o caminho a latina tentava puxar assunto com a loira que só a observava sorridente.
- Por que está me olhando assim? — A latina perguntou já impaciente com a postura da loira.
- Você continua linda. Ou melhor, está ainda mais bonita do que me lembro. — A loira mantinha o mesmo sorriso no rosto.
Santana corou imediatamente e agradeceu ao seu tom de pele que não permitiu que a loira percebesse. Limpou a garganta e hesitou um pouco antes de responder. — Obrigada, Brittany. Você também está muito bonita.
A loira apenas sorriu e assentiu com a cabeça antes de voltar sua atenção pelo que passava pela janela do carro. Logo Santana estacionou em um restaurante na beira da estrada. Elas se dirigiram até uma mesa afastada no canto e se acomodaram.
- Mas então, como foi a viagem de volta? — A morena questionou enquanto passava os olhos pelo cardápio.
- Foi tranquila, cansativa na verdade. Quando eu dormir acho que só acordo na semana que vem. — As duas riram e fizeram seus pedidos.
O almoço foi feito em um silêncio agradável, ora ou outra Brittany perguntava algo sobre a galeria para Santana, sobre Sam e várias amenidades. Pouco tempo depois já estavam no carro a caminho da casa de Brittany.
- Chegamos, mocinha!
- Mocinha? — Brittany soltou uma risada baixa.
- Como devo chamá-la? — Santana arqueou uma de suas sobrancelhas com um meio sorriso no rosto.
- Estou brincando, fique a vontade para me chamar como quiser Santana.
"Loirinha linda" pensou Santana, sacudindo a cabeça para espantar seus pensamentos. — Então, está entregue. — Disse a latina colocando a mala de Brittany para fora do carro. — Nos vemos por aí?
- Claro, obrigada por me buscar e também pelo almoço, foi muito bom te ver. — Brittany se aproximou e beijo a bochecha de Santana.
- Imagina, foi um prazer. — Santana mordia o lábio inferior nervosamente quando entrou no carro e com um último aceno se afastou de Brittany.
***
O resto do dia passou rápido e quando Brittany percebeu, Susan já havia convidado toda a família para um churrasco no sábado em comemoração a sua volta.
- Mamãe, é sério não precisa disso, eu não quero passar o dia todo sorrindo para pessoas que eu mal me lembro e ouvindo coisas do tipo "nossa Brittany como você cresceu" "nossa Brittany como você está bonita" eu tô cheia disso. — Brittany se jogou no sofá com os braços cruzados, frustrada enquanto sua mãe parecia não ter ouvido uma palavra que ela disse.
- Tina, não se esqueça de nenhuma recomendação que eu te dei, por favor tudo precisa estar perfeito.
- Sim dona Susan, não me esquecerei, pode deixar.
- Obrigada meu anjo. — Susan sorriu para a cozinheira e já ia subindo as escadas quando ouviu o grito de Brittany.
- Mãe! — Ela ainda tinha a mesma cara emburrada de antes.
- Britt não seja teimosa. Esta decidido, sua volta merece uma comemoração. — A loira mais nova bufou enquanto observava a mãe sumir no corredor do andar de cima.
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