One Way Or Another.
9 Capítulo 10 - Eu tenho a minha vida agora.
Notas iniciais
Deitados na grama verde, havia um homem e um garoto. Quem os visse com certeza imaginaria que fossem pai e filho. Se divertiam e riam tanto juntos. Agora, Luke contava da última viajem que fizera com sua mãe até a França, e como a mulher comeu todos os “fatcakes” de uma boutique que eles foram à visita ao país Europeu. Havia sido mais um ótimo dia, pensava Freddie, enquanto Luke bebia by Text-Enhance\">coca cola e comia um salgadinho qualquer. Estavam muito cansados e suados, haviam corrido sobre o sol quente, jogado várias partidas de futebol, e até ficaram vendo o movimento, sentados em um banco qualquer do parque, resumindo, o dia havia sido divertido. Algumas nuvens já se formavam no céu, indicando que a noite vinha caindo, e Luke olhou preocupado para o relógio.
–Tenho que ligar pra minha mamãe vir me buscar.
Freddie o olhou, aparentemente decepcionado, não queria ficar longe do garoto.
–Tudo bem. Eu até poderia te levar, mas estou sem carro.
Não tem problema, garanto que minha mãe não terá problemas em te dar uma carona até a sua casa, aí vocês aproveitam e já se conhecem. Tudo bem pra você? Luke tinha um sorrisinho sapeca no rosto, e Freddie sorriu, jogando as mãos pra cima em sinal de rendimento.
–Tudo bem, eu desisto! Eu vou conhecer sua mãe hoje.
Luke socou o ar e deu alguns pulinhos de contentamento, estava realmente feliz, pois sua mãe iria conhecer seu melhor amigo no mundo inteiro. Discou rapidamente o número dela, e esperou até que ela atendesse.
Falando sobre Sam.
A loira dirigia a cerca de 2 horas. O transito estava horrível, literalmente, o maior engarrafamento que ela já enfrentara. Olhava pelo espelho retrovisor, retocando o lápis de olho, quando ouve o celular tocar.
“Ahh yes! Well look at here, look at here, ah what do we have? Another pretty thing here for me to grab, but little does she know that I'm a wolf in sheepsclothing…”
Procurou o cellular desajeitadamente na enorme bolsa no banco do carona, e atendeu rapidamente, quando viu que era seu menino.
–Oi meu amor!
–Oi mamãe! Estou ligando pra você vir me buscar aqui no parque.
–Seu amigo não ia te levar?
–Ia, mas ele acabou vindo sem carro. Aí você aproveita e conhece ele mamãe!
A animação na voz do filho era evidente, e Sam não pôde deixar de sorrir.
–Tudo bem, tudo bem mocinho. Me diga em que parque está.
–Estamos aqui no Madison Square mamãe.
–Ótimo! É a uma quadra de onde estou. Vou demorar um pouquinho, por que o trânsito está parado, mas me espere ok?
–Ok! Venha logo! Beijos.
–Beijos.
E a ligação foi encerrada. Samantha buzinou impaciente 3 vezes seguidas, soltando vários palavrões em seguida. Estava estressada pelo trabalho, pela correria da vida, e agora um engarrafamento. Ficou ali uns 5 minutos, e o carro da frente começou a andar. Glorificou a Deus em pensamento, e seguiu lentamente até a quadra seguinte, aonde ficava o Madison Square Park. Achou um estacionamento com facilidade, e saiu do carro, procurando seu filho no meio das poucas pessoas que ainda estavam no parque. Andou alguns passos, e logo avistou seu menino conversando com um homem de cabelos castanhos, que estava sentado em um banco, de costas pra ela. Deve ser o tal amigo, pensou. Ficou observando de longe por um tempo, e percebeu como Luke estava diferente. Não era só o garotinho inteligente que dedicava todas as horas do seu dia, para desenvolver aplicativos, ou estudando física, anatomia, e outras coisas mais. Seu vocabulário não era mais tão formal e ele agora sorria mais. Pegou o vídeo game que estava guardado a anos, e o jogou depois de muito tempo. Não sabia quem era o tal rapaz, mas sabia que ele fazia bem ao seu filho, pois nunca o tinha visto assim. Caminhou lentamente em direção a eles, estavam um pouco longe, e Luke ainda não a tinha visto. De repente, Sam começou a se sentir constrangida ao se aproximar. Resolveu chamar a atenção de Luke, pra que ele viesse até ela. Se aproximou um pouco mais, até que, o garoto de orbes azuis brilhantes a encarou com um sorriso enorme, e correu em sua direção rapidamente, se jogando em seu colo e agarrando-se a seu pescoço. Sam girou garoto três vezes no ar, e o abraçou beijando-lhe o rosto repetidas vezes.
–Você demorou muito mãe, ficamos esperando por muito tempo.
–Desculpe amor, o trânsito estava realmente lento.
–Tudo bem.
Luke desceu do colo da mãe, e a puxou pela mão.
–Venha, quero que conheça meu amigo Fred.
Sam dirigiu o olhar até o banco a onde o homem estava, e ele continuava do mesmo jeito, não havia se virado. Luke a puxava com pressa, reclamando da demora dela.
Falando sobre Freddie.
Não consegui olhar para trás no momento em que Luke saiu correndo. Não me perguntem o motivo, por que nem eu mesmo sei. Apenas coloquei as mãos sobre os joelhos, e comecei a me sentir nervoso. Pelo canto dos olhos, pude ver duas figuras se aproximando, e deduzi ser Luke e sua mãe. Me levantei rapidamente, sem olhar para o lado, apenas esperando que eles entrassem em meu campo de visão.
–Fred! Fred, olhe, aqui está minha mamãe!
Luke chegava perto, e pude ver que puxava uma bela mulher loira pela mão. A medida que se aproximavam, e eu ia conseguindo ver as expressões da mulher, senti que era muito familiar. Apertei as mãos e as enfiei no bolso. O que diabos estava acontecendo comigo? Eu nem conhecia a mulher, por que eu estava tão nervoso? De fato ela parecia ser muito bonita, mais isso nunca me intimidou, sempre me relacionei com mulheres extremamente lindas. Até que, eles chegaram até mim. Olhei diretamente para a mulher a minha frente, a alguns metros longe de mim, e ela me encarava do mesmo modo. Sua expressão era indecifrável, parece que ela não estava feliz em me ver. Eu juro que ela parecia muito familiar, e meu coração palpitava cada vez mais alto, tive medo que algum dos dois ouvissem. Decidi quebrar o clima tenso que se formou.
–Olá. Sou Fredward Benson. Mas pode me chamar de Freddie.
Tentei dar o meu melhor sorriso. Foi inútil. A Mulher permaneceu estarrecida, na mesma posição e com a mesma expressão de quando pousou seus olhos sobre mim. Estendi minha mão para ela, mas levei um belo de um vácuo.
–Mamãe?
Luke se pronunciou com descontentamento.
–Luke, já pro carro.
–Mas mãe eu...
–Pro carro, agora.
–Sim senhora.
Luke olhou cabisbaixo pra mim, abraçou minha cintura fortemente. Coloquei meus braços ao redor de seu pequeno corpo, o abraçando de volta.
–Até amanhã Fred. Hoje foi um dia bem maneiro, obrigado.
Me abaixei até ficar a sua altura, e baguncei um pouco o seu cabelo.
–Eu que agradeço garotão. A tempos que não me divirto como hoje.
Ele sorriu, e deu as costas par mim, se dirigindo até o carro, obedecendo fielmente a ordem de sua mãe, que, por acaso eu não entendi. Olhei mais uma vez para a mulher a minha frente, e seus olhos estavam vermelhos. Me espantei. Fora algo que eu fiz?
–Está tudo bem?
Perguntei inocentemente.
–Está falando sério, Fredward? Não está mesmo me reconhecendo?
Agora, a mulher deixava cair por seu rosado rosto, algumas lágrimas. Oh céus, e que belo rosto que ela tinha. Que belos olhos azuis cor do mar, que belos cabelos cacheados cor de ouro... Espera... azuis cor do mar, dourados cor de ouro? Não. Não não não, não era ela, não podia ser. Olhei mais profundamente dentro de seus olhos, e um arrepio percorreu por todo o meu corpo, confirmando a hipótese que eu tanto temia.
–Sam?
Ela fechou os olhos ao me ouvir pronunciar seu nome, como se aquilo fosse música para seus ouvidos. Não pude me controlar, eu juro que não pude. Comecei a chorar feito um condenado ali mesmo, e a vontade de abraça-la era quase incontrolável. Eu disse quase.
–Apenas fique longe do meu filho.
A frieza da voz dela me cortou o que restava do meu coração. Apesar das lágrimas, sua expressão ainda estava dura e impenetrável.
–É isso? Apenas isso que vi me dizer após tantos anos? Eu te procurei por todo esse tempo, e agora que te encontro, é essa a frase que escuto?
Ela abaixou a cabeça, e suspirou fortemente.
–Você escolheu assim.
Engoli seco. Ela estava certa, eu sabia que estava. Eu errei, mas sou humano, não sou? Eu erro, como todos erram na vida.
–Sam por favor me escuta...
–Eu não quero. Por que teve que aparecer agora? Quando precisei de você, eu não tive sua ajuda.
–Me perdoe, por favor. Vamos conversar.
Ela riu sarcasticamente, sem humor.
–Acha que pode fazer oque bem entende, e depois de anos, aparece e me pede para conversar?
Dei alguns passos diminuindo a distancia entre nós. Esperei que ela recuasse, mas isso não aconteceu.
–Se não quiser me perdoar, eu entendo. Apenas peço que me escute, escute oque tenho a dizer.
–Eu não quero Fredward. Eu já sofri demais, você não acha?
Acenei com a cabeça positivamente, sem tirar os olhos dela um minuto sequer.
–Eu sei que sim. Mas eu nunca deixei de te amar Sam, eu juro.
E então, a expressão dura de seu lindo rosto amoleceu, e mais lágrimas rolaram por seu rosto. Peguei sua mão de leve, e acariciei com o polegar. Estremeci com o contato de nossas peles pela primeira vez em tanto tempo. Ela fechou os olhos, e ao abrir, me olhou severa.
–Eu tenho minha vida agora. Me desculpe, mas nela não há mais espaço pra você.
Ela puxou a sua mão da minha, e me deu as costas, indo em direção ao seu carro. Fiquei ali, parado, apenas absorvendo o que acabei de ouvir, tentando fazer um resumo em minha cabeça, de tudo oque acabara de acontecer: Por acaso me tornei amigo de Luke, um garotinho adorável que preencheu todo o vazio que eu senti nos últimos 5 anos. A mãe do meu pequeno amigo, é a mulher que eu sempre amei, cujo eu procurava incansavelmente. Por acaso, seu filho quis nos apresentar nessa tarde no parque, e, aqui estou eu, parado, olhando pro nada, com o rosto inchado, tentando aceitar e entender tudo oque aconteceu. Mas isso não ia ficar, assim, não podia. Eu iria conversar com Sam, eu não iria ficar longe de Luke, não mesmo. E apesar de tudo, eu precisava conversar com ela. Nem que fosse só pra ela me ouvir, e depois me chutar. Ela iria ficar sabendo oque me fez deixa-la sem noticias de mim. Por mais que fosse errado, ela tinha que saber. Eu a amava, e isso não mudaria, nunca.
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