One, Two, Love
10 Capítulo 10
Notas iniciais
— Em... — chamou-a, fazendo-a olhá-la novamente — Por que você me ligou hoje à tarde?
Aquela pergunta havia pegado Emily de surpresa. Ela não esperava que Spencer fosse ser tão direta, num repente como aquele. Naquele momento, quase nada passava pela sua mente, a não ser que estava, de fato, ferrada.
— B-bem, nós não estávamos nos falando e... — controlou-se para não dar nenhuma informação precipitada — E eu queria poder acertar as coisas, parar com esse clima que se instalou entre nós duas.
Spencer escutava a tudo calada, de forma que pudesse absorver cada detalhe para assim tirar conclusões. Sendo elas erradas ou não, teria de fazer o que havia passado pela sua cabeça no exato momento em que viu Emily cambaleando pela rua naquela mesma noite. Sim, ela faria.
— Eu entendo. — olhou-a desconfiada, sabia que havia uma grande possibilidade de não ser apenas isso — Bom, então não tem mais porque se preocupar, certo?
A morena de pele alva sorriu ternamente e afastou-se de Emily, indo em direção ao seu guarda roupas. A ex-nadadora estava ligeiramente nervosa, pois a aproximação que estavam não era demasiada e suas respirações já estavam para se mesclar uma na outra.
Ao abrir as portas brancas, Spencer chegou mais perto de suas vestimentas, desaparecendo parcialmente atrás da mobília. E, após isso, deixou a toalha que usava escorregar por seu corpo até chegar aos seus pés, colidindo com o chão. Vista essa, do pano branco ao solo perto dos pés maravilhosos da Hastings, que possibilitou legiões de arrepios em cada parte de Emily. Sua boca, coberta por um brilho labial fraquíssimo, agora se entreabria ao imaginar tal cena: O corpo esguio e maravilhoso de Spencer sendo tocado, por toda sua extensão, pela toalha branca felpuda, causando-lhe leves arrepios e deixando sua pele ainda mais convidativa ao toque.
E, de maneira imprevisível, uma Hastings simplesmente sexy reapareceu de “dentro” do guarda roupas, apenas com um vestido cobrindo seus seios e o que havia mais embaixo. Emily não pôde evitar que mais arrepios e um tom de vermelho fortíssimo tomassem conta de seu rosto. Só Deus saberia o quão ela estava se sentindo provocada.
— Você acha que esse está bom? — Spencer perguntou fingindo desinteresse. Ela sabia muito bem o que estava tentando fazer e os resultados que estava obtendo. Era mais que perceptível a provocação que ela estava exibindo na cara de Emily e o quão excitada a menina já aparentava, pois sua respiração soava entrecortada e era possível ver suas pupilas dilatadas de onde estava. — Em, Em... Tão suscetível ao desejo. — Pensou.
— S-sim, v-vai ficar ótimo! — Sim, ela era muito suscetível ao desejo.
— Você tem certeza? — Perguntou e sorriu maliciosa mentalmente. Spencer daria sua tacada de mestre agora.
A futura advogada, sensual como só ela, abaixou a cabeça para mirar o vestido florido que jazia em sua frente e, subitamente, voltou a fitar Emily com seu olhar mais sedutor. E, logo após constatar o ápice da menina a sua frente, mordeu o lábio inferior e abriu as mãos, deixando que a peça de roupa escorregasse por seu corpo. Exatamente como a toalha havia feito pouco antes.
De fato, havia sido melhor do que qualquer prêmio de loteria ver o queixo de Emily cair ainda mais e seu olhar seguir o vestido até o chão. A menina parecia não possuir movimento algum, nenhum sinal de vida, consciência, concentração ou controle sobre o próprio corpo. E as mesmas correntes elétricas que subiam por sua espinha, foram as mesmas que fizeram Spencer se aproximar novamente da morena de pele bronzeada. E seus corpos estavam perto um do outro novamente, finalmente. Ansiando pelo toque mútuo, implorando pela fusão de seus sentimentos. O que dizer? O que fazer? Emily levantou o olhar vagarosamente, escaneando cada parte do ser a sua frente, fotografando em sua mente cada detalhe daquilo que mais parecia uma escultura de Santi, um enigma de Da Vinci, um retrato de Picasso... Daquilo que tanto lhe fazia falta, daquilo que ela tanto queria há muito tempo. Spencer era seu desejo ontem, hoje e amanhã. Mas, principalmente, naquele momento. Ou seja, deixar-se levar pelos fatos era o mais sábio a se fazer. E ela o faria.
A Hastings não hesitaria mais um minuto. Abriu o sorriso que tanto maliciava em seu interior e pôs as mãos sobre o rosto ruborizado de Emily, aproximando seus rosto mais e mais e mais... Até que seus lábios se tocassem levemente, fazendo-as sentirem o momento. Seus corpos já estavam praticamente unidos em um só e, para transformá-lo em algo infindável, Emily puxou Spencer pela cintura, fazendo-a enrolar seus braços atrás de seu pescoço. E, com isso, o beijo aprofundou-se no momento em que a ex-nadadora passou a língua vagarosamente sobre os lábios quentes da outra garota. O gosto de cereja nos lábios de Emily fez Spencer delirar no exato instante que o sentiu. E, novamente, seu corpo arrepiou-se, possibilitando a outra a sentir cada poro das costas alvas se excitando sob seus dedos.
Sedentas uma pela outra, deliciaram-se por todos os minutos possíveis, até que o ar lhes faltasse. E, mesmo precisando parar, soltaram-se apenas quando já não conseguiam respirar de fato. Há quanto tempo esperavam por aquilo, só Deus sabia. E aproveitariam até o último instante. Seja lá qual fosse.
— E-eu sinto muito. — Emily desculpou-se quando se deu conta do que havia feito — N-nós nã-
Spencer a calou com um beijo antes que ela pudesse terminar a frase.
— Lembro que uma vez você me disse que eu deveria parar de me desculpar tanto. — Sorriu ao ver a reação de Emily. Sorrir a cada gesto daquela garota estava se tornando um hábito para ela. Afinal, injustificável seria não se encantar por ela a todo momento. Ela tinha esse dom.
—
Ainda no sofá do apartamento de Emily, Charlotte pensava no que deveria fazer. Ela gostava da morena. Muito, isso era um fato. Mas ainda amava Lea. Mais do que gostaria, até. E isso era tão injusto. Perguntava-se porque ela não poderia simplesmente esquecer uma das duas. Era tão complicado pensar na possibilidade de viver sem uma delas. Como ela poderia fazer isso? Muitas dúvidas a corroíam e ela só queria poder pausar todos aqueles pensamentos que a atormentavam por um minuto. Por um mísero e maldito minuto.
Recostou-se sobre o sofá e pôs-se a olhar para o teto, como se procurasse alguma resposta. Sua visão turvou ao focar o olhar diretamente na lâmpada acima de si. Fechou os olhos. Talvez a resposta estivesse no escuro de suas pálpebras, mas aquele turvo branco insistia em incomodar-lhe a mente, o coração e tudo o mais que poderia a fazer se sentir culpada, indecisa e impotente.
— Mas que merda... — Pôs as mãos sobre os olhos fechados e os apertou, tentando aprisionar lágrimas que tanto a afogavam por dentro. Mágoas, fúrias, desejos... Tudo a incomodava por entre os soluços que soltava fortemente pelo simples fato de não saber o que fazer. Sentia-se como uma criança perdida no supermercado, procurando pelos pais ou por qualquer figura que a passasse segurança o suficiente para pedir ajuda.
Sua cabeça estava tão cheia de coisas. Era triste sua situação. Se alguém visse seu estado, provavelmente sentiria um pouco de seu sofrimento. Era deprimente não poder ajudá-la. E para aquela dor, só haviam dois remédios. O difícil mesmo seria ter a certeza de qual era o original e qual era o genérico. Mas, de qualquer forma, nenhum deles a curaria totalmente. Pelo menos ela achava que não. Porém, a vida é assim, feita de escolhas. Uma hora você acerta, outra você erra. A melhor solução mesmo é aprender a lidar com suas consequências, sejam elas favoráveis ou não.
—
— Ah, meu Deus! — Spencer exclamava seu tesão — Isso é tão bom, que droga!
Emily estava entre as pernas da Hastings, penetrando-a com dois dedos enquanto deslizava sua língua e chupava toda a extensão do pescoço alvo da garota, deixando várias marcas roxas no local. E, a cada gemido, as estocadas ficavam mais rápidas e fortes e o suor das duas se mesclava mais ainda. Era perceptível a vontade de fazer isso que guardavam há tanto tempo.
— Você gosta... — Emily suspirou em seu ouvido enquanto fortalecia o movimento de vai e vem de seus dedos — Você gosta disso, hã?
— V-você... — sorriu ao ouvir a voz rouca da garota tão perto de si, tão perto de seu coração — Você sabe que sim. Só Deus sabe como...
Suas mãos, que antes apertavam os lençóis com toda a força, agora estavam grudadas nas bochechas de Emily, puxando-a para seus lábios se reconectarem novamente. Suas línguas dançavam alegremente, ensaiando movimentos novos e antigos, querendo se conhecer mais, se ter mais. Cada vez mais. O contraste das peles suadas tornava toda aquela situação mais excitante do que elas poderiam imaginar. O calor que trocavam as aquecia tanto que nem a mais fria das neves poderia congelá-las naquele momento.
Após soltar os lábios sedentos de Spencer, Emily parou tudo o que estava fazendo e apoiou-se, ainda entre as pernas da garota, com uma mão em cada lado de seu corpo. Fitou-a até onde sua vista alcançava e voltou para seus olhos castanhos, tão vibrantes quanto a noite que as cercava. Sorriram juntas e riram após isso. Finalmente estavam ali, juntas, apenas elas. Sem pretextos. Era assim, estava acabado: agora pertenciam uma a outra, de vez. E a vida lhes preparava tanto, que elas mal podiam imaginar o quão estavam ferradas mesmo. Afinal, essa é a droga do amor.
— Se eu disser que te amo, você acredita? — Spencer perguntou, repentinamente.
Emily sentiu-se pega de surpresa, novamente. Porque será que a Hastings fazia questão de ser tão inconstante, tão imprevisível? Mas não pôde fazer outra coisa a não ser sorrir e beijá-la. Gestos diriam mais e melhor que quaisquer palavras.
— Posso tentar. — beijou-a mais uma vez — E se eu disser que te amo também, você acredita? — Entrou no jogo, apoiando-se sobre os cotovelos, fazendo com que seus corpos colasem mais ainda e pudesse sentir a intimidade quente e pulsante de Spencer explodir de prazer em seu abdômen definido.
— Eu faço uma força. — Riu junto com a garota a sua frente ao ouvi-la gargalhar com tanta felicidade, sinceridade — É, eu te amo.
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