One Thing
1 On the day of our trip...
Notas iniciais
POV Melissa
Acordei me sentindo leve. Havia pensado muito sobre o que fazer da minha vida. Meu pai não fazia nada na vida dele, e isso estava me deixando desconfortável. Afinal, dinheiro não caia o céu! Quem me dera se caísse. Eu fazia hora extra nas minhas férias! Enquanto todos se divertiam e faziam tudo que tinham direito, eu aqui, me matava para conseguir dinheiro para nós dois.
Por mais incrível que pareça ou não, meu pai não levantava da cama há dois meses. Ele só se levantava para comer e ir ao banheiro. Eu realmente não sei como isso é possível. Entrei no banheiro, tomei banho e me troquei a fim de sair e espairecer, porque, aliás, hoje é Sábado, e eu não tenho nada para fazer.
Peguei meu iPod, e sim, eu tenho um iPod, por mais pobre que eu pareça, eu não vou vendê-lo. Foi a minha mãe quem deu, e eu não o largo por nada. Era uma lembrança que eu tinha dela. Me ajudava a não sofrer tanto. As lembraças que eu tinha dela. Sai de casa, e avisei ao meu pai que iria sair, e ele não fez nada, nunca faz.
Caminhando pela rua, fui desembaraçando os meus fones de ouvido, enquanto conectava no iPod. Coloquei os fones e escolhi o modo aleatório, alheia a qualquer coisa. Andava quieta pela calçada deserta, cantarolando baixinho, a música que tocava. Pensando nas minhas condições de vida.
Eu não sou pobre, muito pelo contrário. Apenas quando a minha mãe morreu, ela deixou tudo para mim, mas só posso ter o poder quando completar 17 anos, daqui a um mês. Enquanto isso a posse é o meu pai, que não faz completamente nada, então, eu realmente preciso trabalhar.
Andando pelas ruas o bairro vazio, no final da rua, antes de virar a esquina, numa rua fechada, tinha um enorme parque, que há muito tempo não era usado. Não é um parque de diversões, é um parque daqueles que as crianças brincam quando vão para a creche, escola ou algo assim. Eu ia sempre lá, era o meu lugar favorito.
Ninguém nunca ia lá, e eu ia para pensar. Nunca dividi esse lugar com ninguém, pelo menos eu acho. Afinal, quem vai querer ir num parque velho, enquanto os novos abalam por ai?
Sentei-me em um dos balanços, ainda cantarolando a música, me sentindo segura, como nunca me senti, desde que a minha mãe foi embora. Tinha uma presença boa ali, eu podia sentir. Era alguém que me passava uma proteção inexplicável.
Confusa e abatida, apenas fechei os olhos e aproveitei a sensação, quem sabe quando poderei sentir de novo? Olhei para os lados e não vi ninguém. Estava pensando que fiquei maluca ou algo assim, mas eu sabia que tinha alguma coisa ali. E pelo silêncio, eu acho que daria para ouvir.
Mas eu não quero descobrir, não quero que isso suma. Daria para ouvir a pessoa ou a coisa, mas em momento alguém eu tirei os fones, que agora a música estava não tão baixa. Comecei a pensar novamente sobre coisas alheias. Eu estava pensando em largar o emprego, já que mês que vem também acaba minhas férias e eu volto às aulas.
Eu gosto de morar em Londres, sempre foi a minha cidade preferida. E é maravilhoso morar aqui. Eu nunca tive amigos, e me sinto sozinha na maior parte do tempo por isso. Mas isso nunca me afetou, e não é agora que vai me afetar. Eu simplesmente sou assim e ponto final. Sem mais...
POV Sophie
Quando acordei eram 12h00min, com a minha irmã pulando em cima de mim:
– Sai estrupício. – Disse com a voz sonolenta.
– É hoje! Levanta logo! Tá acordada? – Ela perguntou dando uma tapa de leve em meu rosto.
– Não, estou dormindo! Como com você em cima de mim?
– Já é meio dia! Preguiçosa! – Falou ainda em cima de mim.
– Mas é Sábado, Sammyh! – Dei ênfase no “Sábado”.
– Mas tem que se arrumar para viajarmos.
– Não sei para que tanta animação, nós só vamos para Londres. Ah, lembrei! É por causa daquela bandinha, não é? – Falei para provocá-la.
– Aquela “bandinha”, — Ela pôs aspas em “bandinha” — Tem nome: ONE DIRECTION! – Ela solta um gritinho histérico. Nessa hora a empurrei, ela caiu da cama e saiu embolando no chão. Comecei a rir escandalosamente.
– Ai! Não teve graça! – Ela falou alisando o local da pancada.
– Então por que estou rindo? – Falei me levantando da cama.
– Vai tomar banho logo!
– Então... Sai do meu quarto! – Disse abrindo a porta.
Sammyh era a minha irmã. Iremos morar com meu pai por um tempo, enquanto minha mãe “organiza” nossa vida aqui em Nova York. Desde pequena eu moro aqui, então Londres seria uma mudança drástica.
Tomei meu banho demoradamente e me vesti, e desci as escadas para tomar café.
– Bom dia!
– Bom dia, filha! – Minha mãe falou me dando um beijo na testa. – Tudo pronto?
– As malas já estão aqui. Confere para mim? – Falei lhe entregando um papel.
– Hm... iPhone, iPod e fones? – Minha mãe disse fazendo uma cara confusa ao ler a lista.
– Aqui! – Falei olhando dentro da minha bolsa.
– Nécessaire? – Ela falou ainda contrariada.
– Aqui! – Respondi a mostrando.
– Notebook? – Ela perguntou com uma cara totalmente estranha.
– Já ia me esquecendo! – Subi as escadas correndo e o encontrei em cima da minha escrivaninha. – Ok! – Gritei enquanto descia as escadas.
– E você, Sammyh? – Minha mãe perguntou.
– Tudo certo! Podemos ir? – Minha irmã perguntou, animada.
– Sim. – Minha mãe falou pegando as chaves do carro.
O caminho até o aeroporto fio silencioso, e ao chegarmos lá, teve aquela coisa toda de despedida. Choro pra lá, abraços e beijos pra lá, aqui tudo que você já sabe.
(...)
Estava quase dormindo no avião. Eu havia lido um livro, depois mexido no notebook, lido de novo, e agora estava apenas olhando pela janela. Quando meus olhos finalmente estavam se fechando, fui cutucada no braço. Era Sammyh.
– Finalmente. Chegamos!
Notas finais
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