One Step Closer: Como Tudo Começou
2 Thiago - Fugitivos de um mundo sem lei
Cinco dias depois do inicio do fim
Quarta-feira – 05h00min AM
Eu acordei de repente em minha cama improvisada em uma das salas na escola. Meus pais assim como todos os outros, não respondiam as chama-das telefônicas. Não éramos muitos, mas também não éramos poucos. Muitos dos alunos haviam desaparecido depois da transformação do mundo para algo mais sombrio. Entre essas pessoas estava a minha amiga Hyndira.
Lucas e sua amiga Sophia haviam se juntado a mim e meus amigos de forma indiscutível para dividir a sala, assim também como a irmã gêmea de Mariana, seu nome era Verônica e para a minha humilde opinião, elas não pa-reciam gêmeas. Quase me esqueci de falar de Bruno, amigo de Verônica que agora também estava conosco.
As ruas ficaram infestadas de lixo e carros mal estacionados devido à correria desesperada para fugir dos zumbis.
Lucas, uma pessoa de quem nunca gostei e motivos para odia-lo nunca me faltaram desde desrespeito à maldade pura. Minha vontade era de trancá-lo no mais fundo poço do mundo e deixá-lo lá. Completamente sozinho.
O medo tomara conta de todos nós quando tudo começou. O medo ain-da nos assombrava por não termos noticia alguma de nossos pais. Nesta etapa só pensávamos que podia ter acontecido o pior.
– Mais um dia presos aqui. – a animação de Felipe era admirável.
A esperança de sermos resgatados por algum parente havia acabado. Agora nós precisávamos uns dos outros para sobreviver, e eu não pretendia ficar trancado com pessoas que eu não admirava e amava não conhecer.
– Preciso sair daqui de qualquer jeito... – comecei a dizer antes de ser in-terrompido.
– Você não pode! – disse Lucas.
Vanessa o olhava, talvez esperando o que ele iria dizer para me impedir, mas ele não disse nada. Lucas ficou me encarando.
– Não importa! – retruquei – Eu não vou ficar preso aqui esperando pes-soas que eu sei que não virão.
Todos os meus amigos me encaram. Eu não sabia dizer o que poderia estar passando por suas mentes. Talvez estivessem me chamando de louco ou algo do tipo.
Lucas fez menção de falar algo, mas decidiu rapidamente não dizer.
– Eu vou com você – disse Verônica decidida.
Eu assenti e ela veio ao meu lado. Não demorou até que os outros tam-bém estivessem ao meu lado. Eles entendiam o que eu queria dizer com tudo aquilo.
– E então Vanessa? Você vai vir ou ficar? – perguntei a ela, que parecia estar mais perdida do que um cego em meio ao tiroteio. Eu esperava que ela viesse comigo, aliás, tínhamos algo juntos.
– Me desculpe Lucas, mas Thiago está certo. Não posso esperar pelo o que não virá.
Esperamos algum tempo passar até estarmos mentalmente e fisicamen-te preparados para partir. Lucas infelizmente mudara de ideia no ultimo instante
decidindo vir conosco. Tenho certeza de que não preciso comentar como me senti em ralação a isso.
Arrumamos as coisas que tínhamos e corremos para o corredor sem chamar atenção. Subimos dois lances de escada para termos acesso à gara-gem dos professores que ficava na encosta de um enorme morro. Tudo estava correndo conforme o plano.
– Não devíamos fazer isso. – resmungou Lucas enchendo o saco — Es-tamos quebrando as regras.
Virei-me para ele completamente irritado e disse em baixo e bom tom:
– Nós estamos praticamente no fim do mundo. Acho que regras antigas não estão mais valendo. Se você quiser ficar, fique a vontade.
Um por um, nós pulamos o portão do estacionamento sem sermos nota-dos.
– Este é o plano – comecei a dizer controlando a situação na qual nos encontrávamos – Eu preciso verificar uma coisa no centro da cidade. Felipe levará vocês até a minha casa. Nos encontraremos lá em duas horas.
Entreguei as chaves para Felipe e aconteceu o que eu não esperava.
– Eu vou com você. – disse Vanessa enquanto seus lindos cabelos dan-çavam com o vento que soprava violentamente.
"Você está brincando", foi o que eu pensei em dizer, mas fiquei paralisa-do diante a voz e a atitude dela.
– Não importa o que diga não te deixarei ir sozinho.
Pensei em tentar contradizer, mas nenhum argumento surgiu para impe-di-la de vir comigo.
– Boa sorte. Nos veremos em breve. – disse Felipe a mim.
Eu assenti e desci a rua com Vanessa ao meu lado.
Ao entrarmos na rua seguinte virando à esquina a nossa esquerda, avis-tamos uma viatura da policia com ambas as quatro portas abertas. Havia duas pistolas no banco traseiro e a chave estava na ignição. Eu esperava que o car-ro funcionasse devido as circunstâncias.
Vanessa perguntou se eu sabia dirigir.
– É um ótimo momento para aprender. – respondi levantando uma das sobrancelhas. Ela sorriu.
Entramos no carro e lhe entreguei uma das pistolas.
Dirigi até um pequeno mercado. Encontramos por acaso uma espingar-da abandonada no chão. Vanessa a pegou e deixou dentro do veiculo. Em se-guida passamos por uma delegacia onde encontramos uma sacola cheia de armas. Pura sorte? Talvez sim.
Deixamos a sacola no porta-malas do carro e então adentramos o mer-cado para pegar o que fosse útil para sobrevivência sem adultos. Pegamos tudo o que coube no carrinho do mercado.
No fim do corredor no qual estávamos havia cinco criaturas estranhas, em outras palavras, zumbis.
Por um curto período de tempo ficamos petrificados. Tentamos voltar sem fazer ruído, mas Vanessa encostou-se a uma prateleira cheia de latas que acidentalmente caíram no chão fazendo muito barulho e atraindo a atenção dos mortos-vivos.
Sacamos as pistolas e miramos na cabeça deles como havíamos visto em filmes do gênero, mas não foi fácil, pois estávamos tremendo de nervosis-mo.
Mais zumbis vieram da seção de açougue, então decidimos sair corren-do com o que tínhamos pegado. Nos deparamos com mais zumbis do lado de fora, provavelmente consequência dos tiros que disparamos sem sucesso con-tra os zumbis de dentro do mercado.
Corremos para o carro. Colocamos as coisas no banco de trás e entra-mos rapidamente. A sorte era que estávamos seguros dentro do carro, mas havia o azar... Sempre o era. Os zumbis haviam nos alcançado e o carro não estava ligando.
Fiquei tentando e tentando, mas o veiculo não queria ligar. Os zumbis estavam do lado das janelas nos deixando ainda mais apavorados. Eu não sa-bia dizer por quanto tempo o carro iria aguentar com todos aqueles zumbis. A cada minuto chegava mais deles.
Finalmente um pouco de alivio dominara o meu coração e o de Vanessa. O carro finalmente acordara e não excitei ao pisar fundo no acelerador.
– Mande uma mensagem para o Felipe. Avise que estamos chegando.
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