One Shot| Passos Pela Rua - Lilian e Tiago Potter
1 Passos Pela Rua - Lilian e Tiago Potter
Lilian passou os dedos pelo vestido pendurado na porta do guarda-roupa e sorriu sozinha. Por um instante, se viu de volta aos tempos de Hogwarts, ainda estudante, descendo as escadas da torre de Grifinória com o coração disparado ao encontrar Tiago no salão comunal. Lembrou-se do primeiro beijo às escondidas, das conversas intermináveis perto do lago, das risadas que pareciam não ter fim.
Quando começaram a namorar, jurou a si mesma que confiaria nele, apesar da fama de conquistador. “Se ele te escolheu, é porque já deixou o passado para trás”, dizia Marlene Mckinnon, sua melhor amiga sempre tentando acalmar suas inseguranças.
Fechou os olhos e se jogou na cama, percebendo o silêncio que tomava conta da casa. Mais uma vez havia discutido com Tiago, mais uma vez por causa de seus ciúmes exagerados. Enquanto guardava as roupas do marido, havia encontrado uma camisa com um resquício de perfume feminino. Não era o seu. Sabia que já havia sentido aquele perfume antes, mas não se lembrava onde.
A briga foi inevitável. Lilian, com o coração acelerado e o perfume ainda impregnado na memória, acusou Tiago de traição.
— É isso, não é? — disse, segurando a camisa com força. — Você continua sendo o mesmo mulherengo de sempre, exatamente como em Hogwarts.
Tiago ergueu as sobrancelhas, incrédulo.
— Sabe de uma coisa, Lilian? — disse, a voz carregada de frustração. — Você está tão cega pelo ciúme que nem reconhece coisas simples… mas eu não vou discutir.
— Está querendo dizer o quê? — ela rebateu, cruzando os braços.
— Que se você parasse um minuto para pensar, perceberia de quem é esse perfume. Mas não, prefere me atacar como se eu fosse aquele garoto imaturo de 16 anos. — Ele fez uma pausa, olhando-a de cima a baixo. — Talvez eu não seja o único agindo como nos tempos de escola.
As palavras cortaram como faca. Lilian, magoada e furiosa, ficou em silêncio e ele, sem esperar resposta, pegou o casaco e saiu pela porta, batendo-a ao passar. O som ecoou pela casa vazia, enquanto Lilian via seu marido desaparecer pela noite, talvez indo procurar os amigos para desabafar, provavelmente no Três Vassouras.
Incomodada com outra briga, a ruiva resolveu ocupar a cabeça da melhor forma que sabia: arrumando a casa. Tinha aprendido com a mãe que esse era o melhor jeito para aliviar a confusão da cabeça. Organizou estantes impecáveis, varreu sujeiras imaginárias e, não encontrando nada mais para fazer, resolveu ajeitar o quarto de hóspedes. Imediatamente após entrar, Lilian foi tomada pelo cheiro daquele perfume que era o motivo de toda a briga e só então se lembrou: Marlene e Sirius haviam se hospedado com eles por alguns dias e o casal esquecera algumas coisas por lá. Um arrepio de culpa percorreu seu corpo, e uma raiva de si mesma tomou conta dela. A camiseta que guardou pensando ser de Tiago na verdade era de Sirius, o cheiro era de Marlene.
Arrependida e decidida a mudar o rumo daquela noite, arrumou-se. Prendeu os cabelos ruivos em um rabo de cavalo alto, ondulou alguns cachos soltos com a varinha e desceu para organizar um jantar de reconciliação.
Quando acabou, verificou o relógio e viu que eram 22h15. Tiago estava demorando muito. O tempo passou e Lilian começou a ficar impaciente: 22h45… 23h17… 23h50… 00h20 e nada de Tiago voltar. Já estava prestes a desistir e ir dormir quando ouviu barulhos vindos da rua. Saiu correndo para ver, mas não era nada. Sentou-se então na escada, diante da porta, para esperar.
Enfeitou a casa
Mas não acreditava
Que o amor ainda pudesse chegar
Pela madrugada
Linda ao pé da escada
Esperou sentada pra não se cansar
A rua estava silenciosa, já era madrugada e Lilian não tinha mais esperanças. Estava prestes a entrar em casa e ir dormir quando o viu. Tiago vinha apoiado nos ombros de Remo e Sirius, cambaleando, todo sujo, sem um pé do sapato e com o outro rasgado. Apesar do estado, tinha um sorriso no rosto e segurava, com firmeza, um lírio. Sua flor preferida.
— LILIAN! — gritou Tiago, a voz embargada pela bebida. — Meu Lírio… me escuta, eu preciso que você... que você acredite em mim, tá? Não existe outra mulher. Meu coração… é seu, sempre foi.
O moreno arrastava a voz e agitava os braços enquanto falava, fazendo com quem faíscas saírem de sua varinha sem perceber.
Passos pela rua, lá vem o amor
Vem cambaleando entra pra um café
Sem carro do ano
Sem anel dourado
Na mão uma rosa
Sapato furado
No mesmo instante, a cena quase cômica encheu Lilian de ternura. Tiago, todo desajeitado, sendo meio carregado meio arrastado pelos dois melhores amigos. Ela permaneceu parada, esperando o trio se aproximar.
— Entrega para Lilian Potter. — disse Sirius com um sorriso. — Podemos colocar ele pra dentro, antes que comece um incêndio?
— Sim, é claro. — respondeu, sorrindo de leve. — Coloquem ele no sofá.
Os dois atravessaram a sala com Tiago nos braços e o acomodaram no sofá. Ele resmungou algo incompreensível e abraçou o lírio como se fosse um tesouro. Sirius soltou uma risada abafada, já se dirigindo à porta.
— A propósito — disse ele se virando — Fiquei sabendo que essa confusão é, em partes, culpa minha. Tiago contou sobre a briga. Eu sou muito mais estiloso que o Pontas, não sei como você pode confundir.
Lilian ia responder, mas foi interrompida por Remo.
— Você precisa aprender a controlar seu ciúme, Lilian — disse ele. — Você é a mais inteligente de nós, escolheu ficar com o Pontas, tem que confiar nele. Não estamos mais em Hogwarts, não somos adolescentes inconsequentes.
Ela respirou fundo antes de responder.
— Vocês estão certos, meninos… tenho deixado meu coração falar mais alto que a razão. Vou trabalhar nisso, prometo. — sorriu com carinho. — Obrigada por trazerem ele pra casa.
— Os Marotos cuidam uns dos outros, Lil. E você é uma de nós, não se esqueça.
Remo apertou levemente a mão dela e saiu junto com Sirius, deixando a casa em silêncio outra vez.
Passos pela rua, lá vem o amor
Vem sorrindo alto, lá vem o amor
Hoje ela já sabe que o amor é raro
Hoje ela passeia com o amor ao lado
Com um sorriso, fechou a porta atrás deles, sentindo o calor do lar e pensando em como consertar o que fizera. Caminhou até o sofá onde Tiago estava acomodado e se sentou ao seu lado, acariciando seu rosto. Ela não se importava com a aparência desleixada dele ou o cheiro de cerveja amanteigada que parecia impregnado em suas vestes. Ele estava em casa novamente e era o suficiente.
Se liga que lá vem o amor
Abre as portas que o amor chegou
Deixe-se levar enquanto ainda é tempo
Deixe-se levar pra sempre
O carinho pareceu despertar o moreno, ainda que a voz dele estivesse arrastada e meio enrolada.
— Lil… eu não queria essa briga, juro. Aquela camisa é do Sirius, estava nas minhas coisas por engano. Por favor, eu preciso que você acredite em mim.
Ela respirou fundo, os olhos marejados.
— Eu sei, meu amor. Sinto muito por ter agido assim. Eu não devia ter desconfiado de você. Prometo tentar me controlar mais. — disse, com um sorriso tímido.
Tiago sorriu de volta, se levantou meio cambaleando e sugeriu com um tom brincalhão:
— E… que tal a gente terminar de fazer as pazes lá em cima, hein?
Ela riu, segurou a mão dele e se levantou, seguindo-o até as escadas.
No quarto, entre olhares profundos e toques suaves, deixaram que as mágoas se esvaissem pelos lençóis. O calor dos corpos próximos, os suspiros compartilhados e o abraço apertado dispensaram as palavras, o amor falou por eles.
Deitada no peito de Tiago, Lilian fechou os olhos e sentiu a sorte lhe invadir. Ter se casado com o amor da sua vida e ser amada de volta era, sem dúvida, o maior presente que poderia ter.
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